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Sunday, September 27, 2015

Quando a Princesa perdeu a cabeça (mas com razão!)


A Princesa Stephanie do Mónaco ficou conhecida por descer do salto muitas vezes - quando eu era pequena, lembro-me de não se falar noutra coisa senão nas escandaleiras da Princesa Rebelde. Nunca tirei da ideia que o sangue de pirata que corre nas veias da família Grimaldi teria algo a ver com o assunto.

Mas ontem, a folhear uma Modas & Bordados dos anos 70 (acrescentei uns quantos volumes à minha colecção) li um episódio seu bastante mais antigo que me deu vontade de rir, pois apesar de armar uma barraca monumental ser um comportamento impróprio de qualquer menina bem educada, quanto mais de alguém na posição dela, não lhe faltou um certo estilo.

 Estava a Princesa numa festa mais ou menos íntima, na presença do Príncipe Rainier e de amigos da casa; numa mesa, o Príncipe pai com uma roda de convivas; mais adiante, Stephanie, o seu par (que não se sabe quem era) e um grupo de jovens da sua idade.

Eis que de repente se ouve muita bulha, pessoas a fugir e a derrubar cadeiras, pratos e copos pelo chão...e vê-se um grande segurança a arrastar uma bonita rapariga americana pelo braço, pondo-a categoricamente no meio da rua.


Com a tranquilidade possível, o Príncipe perguntou o que vinha a ser aquele desconchavo. Foi então que se percebeu o motivo da contenda: enquanto a princesa fora retocar a maquilhagem, o seu acompanhante pôs-se a dançar com a americana. Stephanie, ao ver a cena, não se conteve e desatou a bombardeá-los com cubos de gelo, terminando a pedir ao seu guarda costas que expulsasse a intrusa.

 Quanto a mim, devia ter mandado pôr na rua não só a serigaita, mas os dois bailarinos... ela pela ousadia de se insinuar ao namorado de outra -  a anfitriã, de mais a mais. E a ele por, estando acompanhado, não saber que há desfeitas que não se fazem, mesmo com a desculpa de serem  "cortesias sociais sem mal nenhum". Se há coisa que me irrita são cavalheiros que não respeitam a senhora que os acompanha, pondo-se a fazer charme, a trocar prioridades ou a fingir que estão sozinhos. Mal empregado segurança! A Princesa devia ter o ego muito ferido para não ter dado uma guia de marcha ao galã, que estivesse eu em tal situação ia dançar o que ele quisesse com a atiradiça para bem longe! Era lé com lé, e cré com cré, só se estragava uma casa, etc.

 Mas foi o detalhe criativo dos cubos de gelo que me chamou a atenção. Nunca me passaria pela cabeça usá-los como arma de arremesso! Mas foi bem lembrado: dependendo da força com que se atiram, podem ser bastante incomodativos, além de estarem sempre à mão em ocasiões dessas, e de arrefecerem os ânimos instantaneamente. Muito gostava eu que houvesse imagens dessa festa...deve ter sido uma cena épica, ao melhor estilo do baile dos Cohens: "e você, sua infame, ponha-se já no meio da rua, ou corro-a a pontapés!"


Saturday, September 26, 2015

As frases mais egocêntricas das redes sociais.

A sério? Mesmo? Pode ser?

Já se sabe, às vezes uma citação vale mais que mil palavras. Quem nunca usou uma frase de um autor consagrado para expressar uma ideia, ou não se saiu com uma frase inspirada que merecia ser citada, que atire a primeira pedra. Até por aqui já se criaram algumas.

Mas expressar ideias - ou não resistir a um desabafo - tem limites. Há um contexto, uma dose certa e um lugar para tudo. O problema é que as redes sociais se transformaram não só num manancial inesgotável de frases feitas (muitas batidas, com erros ou de mau gosto) como no melhor lugar para as replicar ad naseaum

E como foi detalhado aqui, há quem se esqueça de que o Facebook não é o confessionário da Paróquia (o Sr. Padre espera por vós! Ele está sempre lá! Desabafam e ainda salvam a vossa alma e ninguém fica a saber!) nem o divã do psicanalista ou do psiquiatra (eles também estão disponíveis! Fica mais caro mas ao menos o alívio é certo e igualmente, ninguém fica a saber!) nem o Querido Diário (esse tinha uma chave, que era precisamente para ninguém ler os pensamentos parvos de cada um!). 


Mulheres da luta: se têm de lutar por alguém,
 façam-no lá entre vós.

Depois-  já se sabe - um ovo podre virtual não substitui dizer das boas directamente na cara ou no telefone da pessoa visada (porque quase sempre há um visado ou uma visada e às vezes, mais vale passar pelo embaraço da rejeição, receber um "vai para o diabo que te carregue" do que fazer de urso (a) a partilhar tolices em público para todo o mundo saber o bonito estado de espírito em que se anda).


Então cumpra, que nós agradecemos.

 Depois, já falámos várias vezes nas frases lascivas ou peganhentas que certas mulheres, à falta de pretendentes, publicam na tentativa de chamar a atenção deste ou daquele pretendido (o que valeu criarem-se, por sua vez, memes sensatos do estilo "deixe de partilhar frases de amor, toda a gente já percebeu que a menina é uma desavergonhada"). 


Ai que medo. MUITO medo.



Tradução: "o rapaz nem sabe que eu existo, mas a ele como San´Tiago aos mouros!"

Mas há ainda quem o faça de modo perfeitamente inocente; quem siga estas páginas de frases e as passe adiante por falta do que fazer, sem filtro, uma após outra, várias vezes por dia; talvez porque não percebe que o propósito de uma rede social é comunicar o que precisa de ser comunicado (ou vá, mostrar aos amigos algo realmente engraçado ou fora do vulgar). E como tal, tratam os social media como tamagochis, que precisam de ser alimentados todos os dias. Não, o Facebook não é como o tamagochi, não "morre" se não lhe mexerem um dia ou dois. Quem não tem nada de especial para postar, escusa de, desculpem o trocadilho que eu não gosto de trocadilhos, atirar postas.


O lado pior, porém, é o egocentrismo destas pessoas. Acham que TODOS os seus amigos virtuais têm de partilhar as suas jornadas de auto conhecimento:



Compreender os seus defeitos mirabolantes e ainda muito obrigada por cima. Como se Isso interessasse a alguém que não ao próprio! Eu isto, eu aquilo...ou seja, era mais honesto escrever "sou uma pessoa insuportável e desinteressante, rude e malcriada, mas apesar de toda a gente me apontar o facto, não mudo uma vírgula". Ou seja, estas pessoas ou não reparam no que publicam, ou procuram tudo, menos o auto-aperfeiçoamento (apesar das frases new age):


Porém, a rainha incontestável destas citações auto centradas, de auto bajulação pura, tem de ser Clarice Lispector

Ela está para as frases egocêntricas como o Pedro Chagas Freitas está para as citações debochadas a fingir de românticas.

Pobre Clarice, gastam-lhe mais o nome que o Dr. Hannibal Lecter. Conheço pouco da sua obra mas tinha-a por uma autora minimamente respeitável, por isso (esclareçam-me os entendidos) tanto eu, eu, eu só pode vir de algum diário íntimo seu publicado postumamente, não?



É que... reparem:


Há um remédio para isso: uma combinação de xanax e tento na língua. Resulta, juro.


Não percebi. Não quero perceber. Duvido que alguém perceba, mas publicam mesmo assim, em vez de consultarem um terapeuta capaz.


Newsflash, minha cara: se alguém a está a deixar ir, é porque não se rala muito se volta ou não volta. E não me surpreende, se o sujeitou a ouvir disparates como os acima.



E isto interessa a quem? A quem publicou.
 É matematicamente impossível que mais alguém queira saber.


O típico "cuidado que eu sou muito valente e badass...mas por favor não me deixe, que eu morro. Porém, antes disso mordo e furo pneus de carros. Depois morro porque sou frágil e solitária. E um bocadinho para o histérico".


Já percebemos. Por favor, não volte mesmo. Good riddance. Mas alguém fica interessado em quem se auto publicita nestes termos? A sério?


Há uns anos atrás ainda se dava o desconto, mas agora os social media começam a ficar velhos para isto. E a nossa paciência também.

Friday, September 25, 2015

Parece treta new age, mas não é: nothing changes if nothing changes


Voltei a  ouvir esta frase hoje, e é uma daquelas que parecem um lugar comum sem grande sentido, estilo guru de social media

Até porque se trata de um raciocínio simplório de todo, que se pode fazer cada dia a propósito das coisas mais triviais. Mas olhando bem, tem muito que se lhe diga. "Nada muda se nada mudar" ou seja, se queremos modificar uma situação repetitiva ou estagnada é preciso alterar alguma coisa, já que a mesma fórmula leva inevitavelmente ao mesmo resultado.

Se uma cozinheira de gabarito quer fazer o seu famoso bolo de chocolate, vai usar a receita de sempre. Mas se quiser trazer uma novidade, dar-lhe um upgrade para surpreender a clientela do seu restaurante, vai ter de acrescentar qualquer coisa nova - criar a sua versão de bolo de chocolate ao rum, por exemplo. E se a concorrência estiver brava e ela decidir apostar forte nas sobremesas, precisará de introduzir mudanças maiores: além dos dois bolos de chocolate, pode criar um pão de ló frio com morangos e nata batida verdadeira de levantar os mortos, ou recuperar o doce de ovos da sua bisavó...e publicitar tudo isso o melhor que puder, para que os habitués da casa saibam que algo mudou.

 E já que estamos a falar de doces, uma vez entrevistei uma médica nutricionista que recomendava aos seus pacientes uma dieta super aborrecida para mandar embora aqueles quilos teimosos. Indicava comer muitas vezes, logo fome não se passava, mas nas primeiras semanas, açúcar... zero. Nem na fruta. Nem um compalzito de pêssego entre as refeições. Eu que sofro cá das minhas hipoglicémias achei aquilo algo exagerado e perguntei-lhe o porquê de tanto rigor, já que um sumo nem tem tantas calorias como isso. 

E ela respondeu-me "pois não tem, mas como o corpo se tornou preguiçoso temos de ser duros com ele, de lhe dar um choque, de lhe dizer que algo mudou. Aí ele fica aflito, vai buscar as reservas de gordura e só então se notam resultados".

Esta de "falar" com o próprio corpo nunca mais me esqueceu, mas é apenas um exemplo. Não é só o organismo que fica preguiçoso, mal habituado, preso ao rame-rame, na zona de conforto, a tomar tudo por garantido por muito mau que isso seja . Somos nós próprios, é a vida, são as carreiras, os relacionamentos, a sorte (para quem acredita nela) os projectos, os conflitos (os de cada um e os grandes, entre países) e as pessoas que fazem parte da existência de cada um.

E o remédio? O que está parado, agita-se. O que é previsível, contraria-se. O que anda muito descansado, prega-se-lhe um valente susto. Quem não está bem, muda-se. Ou muda alguma coisa. No news is good news, mas uma monotonia de lesma não costuma indicar nada de bom. Água parada fica choca, e sendo o nosso organismo composto de tanta água...façamos as contas.




Thursday, September 24, 2015

O bom e velho champô de ovo




Quando penso na minha infância, acho que tinha mesmo que dar em blogger, e até me admira não ser das piores, salvo seja - não me ter tornado numa beauty blogger dessas que cada dia que Deus deita ao mundo falam num produto diferente (nada contra, pelo contrário- as reviews destas meninas dão imenso jeito, mas os meus interesses diversificaram-se um bocadinho).

É que eu era um perigo perto dos cosméticos. Bastava passar por uma perfumaria ou pela secção de higiene e beleza do supermercado para ficar com os olhinhos a brilhar. Se me queriam ver entretida, era deixar-me ao pé da senhora "das pinturas" e já por aqui vos contei que adorava "pedir emprestados" os cosméticos da avó, herdar os bâtons da tia (os da mãe também, mas a tia comprava imensos e como tinha uma paciência de santa, dispensava-me sempre alguns) ou mesmo fazer misturas: a avó achou sempre que eu ia dar em cientista e trabalhar para a L´Oreal ou coisa assim. Uma das bonecas que mais me encantaram foi um manequim de cabeleireiro que nem parecia um brinquedo - absurdamente caro e  super realista. Foi um dos poucos brinquedos que estafei e não sobreviveu para contar a história.


 De modo que para mim, sempre ansiosa por novidades, frasquinhos e produtinhos às cores, tornou-se um desapontamento ver sempre lá em casa, para os cabelos dos pequenos pelo menos, o champô de ovo da Foz. Era uma coisa maçadora e pouco glamourosa que cheirava massa de bolos (agora adoro o cheiro) por isso passava a vida a insistir para se deixarem disso e ficarem-se pelas outras marcas, ou ao menos mudarem para o Foz de maçã ou de alperce que tinha uma cor mais bonita.

 Mas a mãe não desarmava, porque o champô de ovo, já as avós o sabiam,  tinha umas propriedades mirabolantes para fazer crescer uma bela cabeleira. E de facto, o cabelo louro platinado do meu irmão e os meus longos caracóis, que cresciam que Deus os dava,  eram para ninguém pôr defeito!

 Acabei por me emancipar do aborrecido frasco amarelo e só voltei a ele mais tarde, já no liceu, quando confirmei que afinal a mãe tem sempre razão o champô de ovo tem de facto uma série de poderes mágicos: abre a fibra capilar para permitir uma limpeza profunda, é emoliente, previne a queda, dá força e ajuda no equilíbrio hormonal. 



Lá fiz as pazes com o Foz, que realmente é óptimo para um cabelo macio, hidratado, brilhante mas também para eliminar o terrível complexo "raízes oleosas, pontas secas". Ou seja, grande aliado quando o cabelo apanha "fases" em que não se sabe o que fazer dele...ou para controlar a inevitável queda sazonal.

No entanto, continuava cá com dúvidas: champô de ovo de supermercado não podia ser a mesma coisa que champô de ovo caseiro, ou podia? Decerto a quantidade de ovo verdadeiro não seria grande. A fórmula era boa, mas não podia ter muito ovo...erro crasso! E descobri-o de uma forma pouco agradável...

Num certo Verão, comprei um frasco para evitar que o cabelo ressecasse com o sal e o calor, mas só gastei metade e no fim das férias deixei-o na casa de praia.


Estive uns três meses sem lá voltar e quando voltei...ia toda contente para lavar o cabelo...blhec!!!! Mal desenrosquei a tampa ia morrendo com o pivete a ovo podre, ou bombinhas de mau cheiro, que saía lá de dentro. Felizmente não cheguei a tocar no líquido, mas ficou explicado porque é que o Foz fazia efeito. Só é pena nunca terem colocado um aviso na embalagem "FEITO COM OVOS FRESCOS, CONSUMIR DEPRESSA".

 Lembrei-me disto porque convém ir variando de champô e a velha fórmula de ovos é óptima para esta altura do ano. Tenho de dar uma volta ao Jumbo para trazer um (se não estou em erro, o Supercor também vende). Mas se quiserem recordar ou experimentar, fica a informação: é MESMO feito de ovo, uma gemada intensiva para vitaminar as madeixas. E convém gastar a eito, rapidinho, para evitar sustos desagradáveis. A não ser que queiram reservar para pregar uma partida a alguém que esteja mesmo a pedir uma dose de ovos podres.





 

Amor: escolhas e auto disciplina




"Importa que nos saibamos disciplinar, para pormos em ordem as exigências do corpo e da alma, da carne e do espírito, do ego e do eu. A autodisciplina não é sinónimo de estoicismo, ou de destruição de paixões. Toda a troca implica uma decisiva apreciação entre dois objectos, um dos quais é indispensável e o outro não. Segundo o dizer de S. Tomás, «o coração de um homem adere tanto mais a um objecto quanto mais se afasta dos outros»". 



O amor, se é verdadeiro, fervoroso, muda as pessoas. É impossível ser-se tocado (a) tão profundamente e permanecer na mesma.

 Podíamos estar o dia todo a todo a citar exemplos de homens e mulheres que, atingidos pelo amor nas suas diversas formas, evoluem para se aproximarem da causa ou da criatura que as apaixona.  

Gente que detestava bicharada até se encantar por um animal de estimação... ou maior mudança ainda, pessoas que não ligavam a bebés até conviverem com um; aí passam a querer ter o seu.

 O aventureiro incorrigível que, conquistado por um coração mais puro acalma finalmente, deixando para trás os excessos ou as proezas perigosas. 

A mulher ferozmente independente, que jurava aos pés juntos não querer abrir mão da sua liberdade por ninguém mas uma vez apaixonada, descobre o seu lado maternal e vulnerável.

E exemplos mais transcendentes - o caso de Santos como S.Paulo ou de heróis como os conspiradores de 20 de Julho, que, arrebatados por algo maior do que eles, mudaram e/ou sacrificaram a sua vida.

Em todo o caso, se é amor a sério, muda quem ama para melhor, fazendo cumprir aquele cliché cinematográfico "ele (a) faz-me querer ser a melhor versão de mim" ou "ele (a) faz-me sentir que posso alcançar qualquer coisa". 


                         

Diz-se muito que os homens não mudam, ou que as pessoas não mudam. Mais razoavelmente, que só mudam quando querem- ou quando são vencidas por uma emoção tão forte que causa esse querer.  

Ora, em todas as formas atrás descritas o amor tem um poder estranho: é uma cura, ou pelo menos um forte analgésico, para o egoísmo. Quem se importa profundamente com o outro deixa de contar só consigo mesmo, de lutar só por si, de se preocupar só com a sua pele. A união a outra pessoa tem os efeitos secundários da coragem, do heroísmo, da capacidade de sacrifício. Coisas que seriam aborrecidas de fazer, chegam a entusiasmar quando levadas a cabo sob o efeito do amor.


Mas não se julgue que mesmo com ajuda desse "narcótico", tudo se torna fácil. A mudança, embora seja voluntária, irresistível e venha de dentro para fora, pode ser dolorosa, trazer conflitos interiores, motivar cortes com hábitos ou companhias. 

O amor  transforma para melhor, mas não transforma ninguém noutra pessoa - e isso pode significar opções, naqueles aspectos em que "é impossível servir a dois senhores". O amor faz crescer...e crescer nunca é fácil! O que vale, custa. Por isso tantos grandes amores se perdem: o sublime sentimento está lá, mas o receptáculo ainda não se tornou digno dele, nem fez por isso.


Não resulta querer as alegrias do amor, com os desvarios da irresponsabilidade; ser amado (a), mas viver como se ninguém dependesse dos seus cuidados;  exigir a exclusividade de alguém, mas desejar total liberdade para si mesmo. As duas realidades podem tanto coexistir como um veneno e o seu antídoto.

O palavrão "compromisso", que gera tanta discussão no cenário das "relações líquidas" actuais, resume-se a uma simples ideia: abrir mão de outras possibilidades para estar com aquela pessoa (que por sua vez faz outro tanto). Este raciocínio torna-se automático, ou mais fácil, sob o efeito de um sentimento forte...mas não deixa por isso de exigir uma decisão firme, apoiada numa sólida auto disciplina e coragem viril.

Não se pode ter tudo - então, há que pesar na balança o que é mais importante. Ver onde é que o coração adere e segui-lo, sabendo que como consequência natural, ele se afastará dos objectos que são incompatíveis com esse amor, com essa opção.

Eu vivo bem sem isto, mas sem aquilo não vivo: então, o que é que eu escolho? 

Simples.

Wednesday, September 23, 2015

A doença do "nada é errado se te faz feliz"





No sec. XVI escrevia Maquiavel, a quem a Humanidade nunca enganou: "julgam-se as acções dos homens pelo seu sucesso. A plebe deixa-se arrastar apenas pela aparência e pelo sucesso das coisas; e no mundo só há plebe".

Por "plebe" aqui entenda-se não uma "casta", mas a atitude volúvel e influenciável do público, sempre pronto a admirar o que reluz, a entreter-se com pão e circo, a deixar-se enganar pela voz da moda ou a mudar as suas lealdades conforme as conveniências. "No mundo só há plebe" porque os sentimentos nobres e elevados são raros, porque se confunde honrarias com honra, porque se despreza a elegância interior em prol de vencer a todo o custo - mesmo à custa da própria dignidade. E se esse comportamento "próprio de um vilão" era comum no Renascimento, que dizer no nosso tempo de extremo materialismo e relativismo?

 Basta ler jornais, prestar atenção aos comentários deste e daquele, para ver em todo o lado ideias como:

"Nada é errado se te faz feliz", "ele rouba, mas ao menos faz", "o que importa é ser feliz/ter amor no coração", "é um vigarista, mas está bem na vida", "no amor e na guerra vale tudo menos tirar olhos", "só Deus pode julgar" e assim por diante.

Todas essas máximas estão em voga porque dão jeito a quem
quer cometer os seus pecadilhos, as suas trapaçazinhas, sem grandes remorsos; adormecem o auto julgamento, calam consciências, ajudam a esquecer a ética, o dever e o altruísmo.



Nero também sorriu à brava quando atirou os Cristãos aos leões!

Mas comprar e propagar tais frases aparentemente inofensivas é como 
entupir-se de guloseimas esperando que lá porque sabem bem, não façam mal.

É claro que há coisas que até podem fazer alguém feliz, mas são profundamente erradas. Mesmo se quem as comete, levando tudo à frente, tem "amor no coração".  Hitler ficou felicíssimo quando invadiu França e o resto...por amor à Alemanha! Um ladrão fica todo contente se um assalto a um banco é bem sucedido....por amor à sua bolsa e às coisas a que se acha com direito. Uma desvairada que queira roubar o marido a outra, ou um galã que queira fugir com a mulher alheia, ficam loucos de alegria se destroem uma família...e desculpam-se "que é o amor".

E quanto ao valer tudo menos tirar olhos, é bom lembrar que a liberdade que é tão bonita termina onde começa a dos outros e que os lesados podem sentir-se no direito de aplicar a Lei de Talião - olho por olho, dente por dente, e o mundo torna-se uma selva...

Maquiavel tinha razão ao constatar que a populaça se deixa deslumbrar pela ideia de sucesso, por mais baixa origem que esse sucesso tenha. Mas nunca disse que isso era uma coisa boa. Só analisava a maneira de tirar partido dessa realidade deprimente.







Tuesday, September 22, 2015

8 coisas que derretem as mulheres (e que eles fazem sem se dar conta)


 As flores, jantares românticos, presentes e músculos super delineados até podem ter o seu lugar, mas são os hábitos e gestos mais espontâneos que conquistam. A hombridade é um grande atractivo e  o maior apelo está na masculinidade, na diferença em relação a nós; embora se tenha tornado um lugar comum dizer que as mulheres gostam de homens "sensíveis" isso toma por vezes a forma de comportamentos lamechas ou artificiais que não têm graça nenhuma. Vejamos então alguns exemplos de atitudes espontâneas deles que derretem as mulheres (mesmo que elas não se apercebam exactamente do que as atingiu, ou não queiram admitir).

1 - Ser querido com os mais frágeis




Já se sabe: olha como ele trata os outros para veres como te tratará a ti. Um rapaz que é atencioso com os mais velhos, carinhoso com as crianças, paciente com os doentes e preocupado com os animais não é só "sensível": é um homem a sério, capaz de defender uma casa. Além de revelar bondade e verdadeira educação. É nestas coisas que o genuíno cavalheirismo se demonstra. Se ele tem uma paciência de santo para os primos mais novos ou a tia idosa que anda de muletas, vale a pena. E é impossível não achar amoroso um homem grande que sabe segurar bebés ou bichinhos!


2- Arranjar coisas, carregar coisas, etc


Não é que uma mulher procure um Ambrósio para todo o serviço, mas é muito desagradável olhar para marmanjos preguiçosos e indolentes. Tenho visto homens de mãos a abanar com a esposa ao lado carregada de sacos e dá-me cá uma urticária! Se um homem se conquista pelo estômago, uma mulher fica agradada se vê que ele, por muito sofisticado ou importante que seja, não se aflige de encher um pneu (ou mudá-lo) carregar  caixas, trocar lâmpadas, subir a um escadote, etc. Mesmo que ele tenha pago aos homens das mudanças, desconfie se não tiver o impulso de agarrar em algum caixote para despachar o trabalho mais depressa. É uma coisa máscula e além de força física, prova sentido prático. Se ele disser, face a um desafio doméstico "não me caem os parentes na lama por fazer isto" atribua-lhe uns pontos extra.


3 - Fanfarronadas




Já se sabe que há conversas "de caserna" que os homens - até os mais educados - só têm, ou só deveriam ter, uns com os outros. E que ninguém está para aturar desrespeitos nem excessos de autoritarismo.  Mas a versão light que lhes escapa junto da mulher ou namorada tem muita graça, convenhamos: é que eles ficam muito queridos a tentar ser fanfarrões, ou a armar-se em rei da casa.

 Ditos abrutalhados como "homem que é homem gosta de cerveja e tremoços", "dava uma tareia naquele tipo", "o que é que eu disse sobre esse decote?" (como quem diz: "ela que mude de roupa por amor de Deus ou vou passar a noite com acessos de ciúmes") ou fazer de sultão à frente dos amigos, vulgo pedir que lhe traga isto ou aquilo só para mostrar que é muito bem tratado têm piada porque enfim, "não é rei mas é tão autoritário". E uma mulher faz-lhe a vontade, mas só porque quer (ou não resiste). 



4 - Barba de dois dias



Poucas coisas são tão atraentes como uma ocasional sombra de barba. Principalmente em quem foi abençoado com uma barba certinha. Acentua os traços, cinzela mais as feições, realça os olhos e mostra um lado descontraído, de quem andou na guerra ou na caça (tudo coisas tradicionalmente viris) ou simplesmente tem assuntos mais importantes em que pensar.

5 - Segurar uma mulher para ela não cair




Estar por perto em terreno acidentado E TER REFLEXOS RÁPIDOS é um sinal de que aquele rapaz caiu do céu. Um homem que, perante um tropeço, escorregão ou qualquer partida que os saltos altos pregam às mulheres é capaz de a agarrar, prova que é mesmo protector.Ser tão rápido e o mesmo tempo tão forte faz o coração saltar uma batida. A mulheres querem heróis mesmo que em pequenos gestos, é inato.

6 - Roupas sólidas



se falou aqui: homem forte - roupa consistente, elegante e masculina, que transmita segurança e maturidade tanto à vista como ao toque. Uma simples Oxford shirt solta, com mangas enroladas, é das peças mais apelativas- sóbria e elegante, mas à vontade. Como quem a seguir precisa de ir buscar lenha mas não deixa de parecer um senhor por causa disso. É tudo uma questão de associação de ideias!


7 - Conhecê-la muito bem



Seja nas conversas do dia a dia, nas discussões, na hora de escolher uma pequena lembrança para lhe oferecer. Isso de ser bom ouvinte é um pouco overrated (temos amigas para isso!) mas convém escutar o essencial, compreender o que é mais importante para a mulher de quem gostam (essencialmente, o que ela adora, o que a tira do sério e o que ela não perdoa mesmo ). Em suma, captar palavras chave. Já se sabe (ou convém que se saiba, para não se desiludir com ninharias) que os homens são despistados -  por isso, quando um memoriza estes básicos, é sinal de que ele é bom rapaz. Ou de que são realmente compatíveis.


8 - Ter as prioridades bem delineadas



Um homem como deve ser sabe gerir a sua vida social (guardando as devidas distâncias e hierarquias) estima os amigos, venera a família e defende a mulher que tem ao lado com unhas e dentes. Se ele evita tudo o que a faça sentir desconfortável ou insegura e toma o seu partido como um tigre em caso de necessidade, guarde-o. Se ele não o fizer, pense duas ou três vezes. Ou quatro.




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