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Wednesday, September 30, 2015

6 coisas que é melhor reconsiderar nos (ou perto) dos 30s


Vários autores muito sábios em diferentes áreas têm defendido que certas coisas só se fazem sem danos irreparáveis até aos 25 anos  - e mesmo assim, há quem tenha juízo antes dessa idade e quem se porte de forma vergonhosa. De qualquer modo, depois de passada essa barreira há tolices em que não se cai, preparos em que não se anda e atitudes que não se têm, sob pena de fazer figura de urso ou pior, escolhas erradas que custam caro. Nos 20 e muitos/ trinta e poucos ainda se é jovem, com os devidos cuidados podem ser os melhores anos fisicamente falando (porque o estilo e os gostos estão apurados e em termos de forma, já se sabe o que resulta e o que faz mal) mas já não se é um adolescente ou pós adolescente parvo. 
Está-se portanto na idade de traçar o futuro de um modo mais sólido, mais pensado e livre de tanta tentativa e erro. Por isso, há algumas coisinhas que é melhor reconsiderar, polir ou deixar definitivamente para trás. Aqui fica meia dúzia:


1- Gíria

Bué, fixe, nina, dama, puto, miga...e outros jargões regionais ou de tribos urbanas que agora não me ocorrem. Já para não falar em palavrões a despropósito e no verbo "meter" literalmente "metido" em cada frase. Quando se tem cara de adulto, vida de adulto e responsabilidades de adulto, fica um bocadinho estranho utilizá-los, pelo menos em público (as redes sociais também contam, já agora). Há outras formas mais neutras e intemporais de se ser expressivo sem parecer pouco profissional, pouco polido ou pior, desesperadamente agarrado (a) à adolescência.

2 - Flirts que não levam a lado nenhum


Cada um (a) sabe as contas do seu rosário (e a gestão que faz da sua vida amorosa de acordo com os valores que recebeu) mas com a maturidade vem uma maior clareza de objectivos e mais importante, um acréscimo de respeito pelos outros. Em todo o caso, adultos racionais não querem lidar com Peter Pans. Ninguém os leva a sério.

No liceu e na faculdade namoriscar por brincadeira ou partir corações em série pode não cair bem, mas não ser o fim do mundo; quando se trata de adultos, porém, o caso já muda de figura. Se uma pessoa é demasiado diferente de si, se não têm nadinha a ver um com o outro e não existe chance alguma de futuro, talvez seja melhor não alimentar ilusões; caso haja um envolvimento as emoções quase sempre levam a melhor e pode ser difícil sair dele, depois de ter gasto tempo e energia que ninguém devolve. E quando se sai é geralmente com lágrimas, queixas e complicações. Já quem tem um compromisso, deve honrá-lo ou libertar-se dele honradamente. E depois, é claro que há pessoas com um estilo de vida hedonista e sem compromissos, os eternos D. Juans e D. Juanas: mas até essas devem, se querem levar esse tipo de existência, juntar-se entre si. Nestas idades torna-se imperdoável seduzir fulano ou beltrano com promessas de amor quando não se faz tenção alguma de o sentir.

3 - Tatuagens, piercings e outras mudanças radicais

Esta tem muito que se lhe diga. Há pessoas com um visual e/ou estilo de vida algo alternativo que as suportam bem pela vida fora, mas é preciso ter ar para isso. 

Depois, quem já fez essas modificações mas mudou de visual e se arrependeu dificilmente se livra de tudo, logo tem de viver com elas, arranjar um meio termo e um look que as faça resultar (ou que disfarce convenientemente). O que se calhar é má ideia é, do pé para a mão, pensar numa tatuagem quando nunca fez nem quis nenhuma, fazer um piercing super indiscreto só porque saiu de um relacionamento e quer expressar por fora a dor que sente por dentro, ou pintar o cabelo de rosa clarinho assim do nada, sem saber como as suas chefias vão reagir...há um motivo para algumas dessas coisas serem chamadas "maluqueiras de miúdos". É que são mesmo. Descanse, há muitas maluqueiras divertidas que são intemporais e aceitáveis em qualquer idade. Não é preciso ir a correr recuperar o tempo perdido e assim como assim, não há nenhuma lei que obrigue a experimentar tudo.

4 - Roupas "à teenager"


Há manter um estilo fresco, condizente com a personalidade e estilo de vida de cada um (se toda a vida foi punk, não precisa de pôr a rebeldia totalmente de lado; se o seu trabalho exige esforço manual, seria ridículo fazê-lo de blazer ou saltos altos) e há parar no tempo. Quando a vida evolui mas o estilo não, isso pode passar a imagem errada ou parecer esteticamente estranho, no mínimo. É claro que quanto mais os anos passam, pior - vestir como um adolescente aos 30 e poucos pesa no visual e não dá uma ideia de sofisticação, mas não é tão mau como fazê-lo mais tarde. Porém, ainda que tenha uma carinha de bebé, a sua forma não tenha mudado quase nada, queira usar o mesmo tipo de peças que sempre usou e continuar a fazer achados na Bershka, Pull& Bear e Stradivarius (nada contra, só é preciso saber o que comprar ou não) é conveniente arranjar uma versão adulta do mesmo estilo. Já se abordaram algumas dicas para homens e mulheres por aqui, em posts como este ou este. E para as senhoras: se uma roupa a põe a pensar "será que é provocante demais?" então se calhar é mesmo.


5 - A sua pegada digital


No liceu ou na faculdade, fazer/dizer disparates nas redes sociais é mais inócuo (embora convenha ter em mente que o que acontece online fica online e nunca se sabe o futuro) mas adultos com empregos, responsabilidades, famílias, exemplos a dar e uma imagem a defender devem pensar duas vezes. Os desabafos do momento, os assuntos privados, as alfinetadas, as frases disparatadas publicadas só porque sim, aqueles instantâneos que tirou porque se sentia sexy ou estava na praia ou as grávidas são lindas mas não pensam direito, bem como os "likes" brejeiros em páginas de anedotas ou miúdas com pouca roupa deixam rasto. Deixam mesmo. Em público não se faz o mesmo que se faria com os seus botões e as redes sociais não são um diário nem um teatrinho privado para os pecadilhos de cada um. 

6 - Cair nos mesmos erros, uma e outra vez


Por algum motivo que os líderes religiosos, os cientistas, os psicólogos, os gurus new age, os bruxos e os life coaches ainda não explicaram, a vida tende a instalar padrões - ou seja, situações ou enredos semelhantes que se repetem. No campo profissional ou nos relacionamentos,  as pessoas podem ser confrontadas com o mesmo enredo várias vezes - só mudando o tempo, o cenário e os intervenientes. Talvez isso aconteça porque é normal que cada um responda às situações de acordo com a sua forma de estar, atraindo mais do mesmo. Em todo o caso, se dá por si a ser arrastado (a) para relações que não eram bem o que queria (ou a não sair delas a tempo) a recusar boas oportunidades por medo, a envolver-se só com más pessoas, a ser desiludido (a) por novas amizades ou o que quer que seja, talvez esteja na hora de fazer como naquele anúncio de Ice Tea que andava na boca do povo e gritar que algo mudou. Não quer dizer que mudando se acerte, mas pelo menos tenta-se uma abordagem diferente, porque obviamente a receita do costume não está a dar certo.

Tuesday, September 29, 2015

Homens choninhas - até nos filmes de terror



Comentei convosco recentemente que de vez em quando me entretenho com um filme de terror. Manias...

Há tempos tinha visto o primeiro Wrong Turn  e achei uma certa piada à história, porque gosto de enredos de sulistas e campónios perdidos nas terras isoladas dos E.U.A: para quem não conhece o franchise, trata-se de uns hillbillies canibais, maus como as cobras e feios que se fartam, todos tortos devido à consanguinidade, que caçam gente. 

Desta feita o quarto filme passou na TVI (ainda está disponível, acho) e lá me pus a ver. O enredo é o habitual - uma data de jovens bonitos e tontos que se perdem e vão parar a um asilo abandonado onde os monstrengos moram escondidos há anos, depois de terem convenientemente massacrado os profissionais de saúde das maneiras mais criativas e soltado todos os maluquinhos. Está-se mesmo a ver que o grupo faz todo o barulho possível, desperta a atenção dos vilões e começa uma carnificina daquelas. 


 Mas como se trata de um filme muito modernaço (e com igualdade de direitos, por isso morre toda a gente sem discriminação) entre os casalinhos do costume há duas lésbicas (uma corajosa, a outra super chata) e outro composto por uma maria-rapaz e um choninhas.

 Ou seja, a rapariga é um desembaraço que só visto: é a única que anda de skis motorizados, em vez de mota de neve, e uma das poucas a manter a calma. 

Já ele, é o palerma da pandilha: tem medo de tudo, mesmo antes de chegarem ao asilo maldito. E quando as coisas ficam pretas, a namorada corajosa voluntaria-se para ir buscar ajuda (porque os maus sabotaram as motos e só escaparam os skis). Até aqui tudo bem, não fosse ao rapaz só lhe faltar chorar! Em vez de fazer alguma coisa, dar-lhe coragem, faz beicinho como uma donzela e balbucia "tem cuidado". ENTÃO?!

Snif, snif, que homem sensível...e choninhas.

Claro que é o próximo a marchar, retalhado vivo e guisado aos bocadinhos. Não merecia, ninguém merece, mas estava-se a ver que o darwinismo ia apanhá-lo. 

Não julguem porém que por morrer o choninhas, se acaba o espectáculo de homens ameninados. Enquanto o choninhas número 1 está a morrer aos gritos - situação ante a qual até o mais cobarde de nós saltaria de extintor na mão, ou o que houvesse, para libertar o amigo em apuros - as raparigas têm chiliques, ai que é uma armadilha de certeza, e decidem ir...a votos. Perante a passividade do suposto homem alfa lá do sítio, que deixa!

Ora, de um homem minimamente masculino o mínimo que se espera em tal apuro é que berre ao mulherio que deixe de ser coca bichinhos, e a eles como San´Tiago aos Mouros!

Vamos a votos: salvamos ou não o nosso amigo que vai ser guisado na panela?

 Depois lá apanham os psicopatas, prendem-nos numa cela e o rapaz, num assomo de sensatez, quer dar cabo deles  em legítima defesa. Até o Catecismo permite, em caso extremo, agir com força letal, não é? Mas uma das meninas tem um ataque zen de compaixão pelas minorias incompreendidas que se portam pessimamente: ai não, tu não és igual a eles, vais ficar com este peso na consciência?

E o choninhas número dois deixa-se convencer! Claro que não chega ajuda nenhuma: com tantos escrúpulos, os malvados soltam-se, dão cabo de toda a gente e o pobre rapaz que foi na conversa delas acaba feito em papas pelas amigas, que em estado de histeria completa, o confundem com um dos assassinos.

É claro que isto é um filme, mas diz muito sobre os novos "ideais" de comportamento, livres dos papéis de género tradicionais - ou será que os satiriza?

                     

Não me entendam mal - homem ou mulher, só os irresponsáveis não têm medo. E as mulheres devem aprender a defender-se, havendo ou não ajuda masculina por perto. Um homem tem tanto direito a ficar assustado como nós, e em caso de necessidade sou a primeira a saltar em minha defesa e dos outros, mesmo que "o outro" seja um mancebo espadaúdo - à carteirada, ao pontapé, com o que estiver à mão até porque tenho excelente pontaria e fanicos não são comigo. Mas se eu estiver (longe vá o agouro) a lutar pela minha segurança e o rapaz ao lado, a chorar e a tremer, aí já fico desagradada. E se o resto da mulherada entrar em pânico e não me der ouvidos, então espero que um homem se imponha pelo tamanho e pelo vozeirão para pôr ordem na capoeira, para o bem de todos. A genética e milhares de anos de hábito têm, porque têm, de contar para alguma coisa. Se não, mal estamos.

E como os choninhas agem nos filmes, é em tudo: à espera que as mulheres se adiantem, que façam, que obriguem, que facilitem, que decidam por eles. Nas relações, nas contas, nos projectos de vida, nos momentos críticos. Haver cada vez menos homens capazes de defender a tribo, com quem uma mulher possa contar numa aflição, isso sim é um verdadeiro terror...




D.Maria Pia: uma elegante de "mãos largas"

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D. Maria Pia, Princesa italiana da Casa de Saboia, ficou associada, enquanto Rainha consorte de Portugal, ao seu amor das modas e elegâncias  - acompanhada de pouca paciência para fazer contas ao dinheiro, gravada na sua célebre frase "quem quer rainhas, paga-as!". Um cortesão disse mesmo a seu respeito "seria uma Rainha admirável para um país rico...".

Não fosse a sua ardente generosidade, teria sido uma Rainha impopular. Mas a Sra. D. Maria Pia possuía um desses corações que não conhecem meios termos; era uma alma tão italiana como se pode, que só uma alma compatriota pode entender a fundo: forte nos afectos, explosiva mas breve nos ressentimentos - uma das poucas expansões de ira que se lhe conhecem foi precisamente numa das parcas vezes que se imiscuiu em política: após a "Saldanhada", não se conteve que não dissesse ao Duque de Saldanha "se eu fosse rei, mandava-o fuzilar!". 

Protestava e entristecia-se com as leviandades do marido (que lhe dava o carinhoso nome de "bichinha") mas não se amargurava com isso...um pouco exagerada, mas sempre elegante, esposa dedicada, mãe e avó extremosa, mulher de espírito, o bom coração estava omnipresente nas suas escolhas, mesmo quando os resultados não eram os melhores... 


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E se era pródiga a extremo, era-o consigo mesma e com os outros. Apreciadora da Alta-costura e de chapéus elegantes, não olhava às contas das modistas que cobravam quanto queriam, fazendo lucrar as exigentes horas que Sua Majestade levava a provar vestidos, como mulher de gosto que era. Se mandava pagar alguma coisa a um criado, não se lembrava de conferir o troco, o que levava a não poucos abusos...


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 Os vestidos sumptuosos que por questões de protocolo usava uma vez só, doava-os ao guarda -roupa do teatro...o que fazia com que muitos acabassem fora dele, vendidos por almas pouco escrupulosas que os inflaccionavam por terem pertencido à Rainha.

A sua bondade não conhecia limites - nem a sua bolsa, frequentemente posta ao serviço dessa bondade, sempre pronta a socorrer os aflitos. Era-o tantas vezes, aliás, que lhe ganhou o cognome de Anjo da Caridade e Mãe dos Pobres!

 Desta liberalidade ficou um episódio muito ilustrativo: estando um certo dia na Praia da Granja, uns pescadores pediram-lhe esmola. A Rainha, sem hesitar, mandou dar-lhes alguns centos de mil reis - uma soma enorme naquele tempo. Alguém notou delicadamente aquela extravagância e a rainha respondeu, sem mais:

" O verbo dar tem de ser conjugado pelos Reis de maneira diversa da outra gente!"



Monday, September 28, 2015

Do autodomínio: o amor é como a gripe?





Num curioso livro de 1964,  encontrei a seguinte frase: "sabendo que o amor se apanha como a gripe, sabendo que está exposta às fortes emoções que fazem perder o autodomínio, [uma mulher] deve agir com sensatez para evitar as consequências graves de um amor que acaba mal..."

E outro, do ano anterior (Roberto Claude, S.J.) dirigia aos homens um conselho semelhante: "Domínio de si: não o silêncio do escravo que tem medo, mas de homem totalmente senhor de si, que domina até as menores reacções da natureza - a virtude que diferencia o homem da criança".

Embora o amor - se for daqueles que valem a pena - possa de facto parecer-se, em termos de sintomas, com uma gripe, seria mais correcto dizer que é a paixão (ou a paixoneta) que se apanha com tal leviandade. Amor leva tempo. E trabalho árduo. Exige mais do que a atracção mútua e instantânea entre duas caras bonitas que se cruzam como que por obra do destino. Por muito romanesco e até válido que isso seja, é só o primeiro passo.

 Quanto ao poder sobre as próprias emoções (uma qualidade que anda pelas ruas da amargura na época do "só se vive uma vez") é de facto o melhor antídoto contra os arrependimentos. 



Faltando um certo domínio dos sentimentos, é difícil distinguir amor de um capricho passageiro baseado numa atracção superficial, conhecer a alma a fundo antes de os sentidos toldarem a razão e - num relacionamento já estabelecido - fazer o amor durar. 

Sem autodomínio não há mistério nem reserva, ambos importantes condimentos do amor (principalmente no lado feminino!); sem autodomínio não há serenidade face a uma crise ou a uma desconfiança que pode ser infundada, nem a capacidade de evitar palavras ou actos irreversíveis, capazes de destruir o amor mais sólido.

A falta de autodomínio conduz às precipitações, às desfeitas que se fazem ao outro "por impulso", às injustiças, às deslealdades cometidas "sem intenção", à sem cerimónia excessiva que instala o desleixo, conduzindo a que se tome a cara metade por garantida... e a outros tantos males.

Atenção, no entanto, ao excesso de autodomínio motivado pelo receio, o orgulho desmedido ou ressentimento. O amor exige risco, pede o famoso "salto de fé", o estado de espírito corajoso "quem se aventura a amar, aventura-se a sofrer". Não é possível gostar de alguém pela metade, querer só a parte agradável e segura e chamar a isso amor verdadeiro.

Quando se trata de ter o coração nas mãos, de entregar a vida e o destino a outrem, aplica-se outra ideia defendida por Roberto Claude: "não se dá nada enquanto não se dá tudo".

Eça de Queiroz dixit #6: "a toilette, como a nobreza - obriga"


Num dos meus textos preferidos, que continua surpreendentemente actual em alguns aspectos (e a que voltaremos em breve a propósito de outro assunto) Eça de Queiroz dizia uma frase muito sábia. "Ora a toilette, como a nobreza - obriga". 

Uma coisa que sempre me cativou em Eça era a forma como relacionava certos detalhes do físico e da apresentação com as disposições interiores ou os traços de carácter. É algo que as pessoas observadoras fazem, uma táctica que acompanhada de um instinto apurado raramente engana, como já discutimos....

Voltemos então à ideia de a toilette "obrigar". Nestes tempos tão informais, tão à vontade, em que até os mais restritos dress codes são atropelados sem tir-te 
nem guar-te (o que tem a consequência de ninguém saber ao certo como agir), em que tanta gente  faz questão de dizer "eu uso o que me apetece" por muito desrespeitoso, inestético, imoral ou inimigo da auto confiança que isso seja, talvez essa noção passe mais despercebida. Mas é verdade: a toilette obriga de facto! Para o bem e para o mal...

 Muitos actores, quando interpretam personagens de época, dizem que o figurino é meio caminho andado para entrar na personagem. Uma actriz que tenha de usar espartilhos,  anquinhas e roupas pesadas é forçada a mover-se de outro modo. A postura do corpo altera-se inconscientemente. 


Rodagem das cenas do barbecue em "Gone wind the wind"

Recordo-me de ver um documentário sobre a produção de E tudo o vento levou que contava como uma das actrizes ficou chocada ao notar que os vestidos de crinolina de toda a gente (até das figurantes, que só apareciam ao longe) tinham saiotes com metros e metros de renda verdadeira. Ela tinha participado em vários filmes do género e sabia como esses pormenores - invisíveis para o espectador - ficavam caríssimos. Espantada com tanta extravagância, foi perguntar ao realizador o motivo daquilo. E ele respondeu-lhe "descansa, eu sei o que faço. Fica caro, é certo; não se vê, é verdade; mas tu sabes que a renda lá está, e é isso que importa".

 Igual rigor teve Peter Jackson na produção de O Senhor dos Anéis, ao exigir detalhes como cotas de malha tecidas à mão e os capacetes de alguns dos Orcs que obrigavam os actores a olhar para baixo, dando-lhes um aspecto atarracado e assustador sem que precisassem de fazer por isso.



 Mas como todos encarnam de certa forma personagens (o advogado, a professora, a chefe de departamento, o marido, etc) e têm uma imagem a gerir na vida quotidiana, este conceito não deixa de se aplicar. O que se veste condiciona a postura, os gestos, a expressão, o porte.

Em todos os contextos das nossas idas e vindas diárias - formais, casuais, de lazer, profissionais - a toilette obriga. Gostemos ou não. Resta saber se é adequada, se está programada para obrigar na direcção certa. 

 Roupas de qualidade, bem cortadas, de materiais fiáveis, confortáveis mas não relaxadas em demasia, que caiam como uma luva, não só dão confiança a quem as usa e agradam a quem vê como condicionam a forma de estar, de se mover, de interagir. Todos já reparámos em certas mulheres que andam na rua com sapatos que claramente magoam. Podem estar muito bem vestidas e até ser bonitas, mas parecem hesitantes, em sofrimento.



E que dizer de quando se usa uma peça luxuosa, bem acabada? As etiquetas só nós sabemos que estão lá (ou convém que sim!) mas o toque da caxemira, da seda ou pele modelada por mãos hábeis, é insuperável. Confere mesmo uma sensação de certo poder e convida aos movimentos graciosos, à confiança inabalável, ao à vontade que não é excessivo.

 Um homem que invariavelmente opte por roupa muito descontraída, mesmo quando a ocasião pede outra coisa, não só pode pecar por inadequação em público, como começa a ganhar vícios: com o hábito dos ténis, inclina o corpo para a frente em vez de endireitar as costas; desabituado de apertar botões, de se mover a contar com eles, mexe-se como se andasse sempre de pijama. O mesmo vale para uma mulher que opte todos os dias por roupas muito "moles", como calças largas, túnicas e sabrinas. Como sabe que pode
 sentar-se, erguer-se, amarrotar-se sem cuidado e que a roupa até nem precisa de ser passada a ferro, desleixa-se como uma criancinha. Ganha um ar "enfarruscado" e quando precisa de usar um vestido, uns stilettos, caminha como se usasse ténis, senta-se como se estivesse de calças (o que não devia acontecer mesmo quando se usa calças, mas sabem como é...). 



 Façamos uma ressalva: toda a roupa deve ser confortável, mesmo a mais formal. É impossível estar bem com uma toilette que pique, magoe, aperte. Mas não demasiado confortável. Se é tão agradável e relaxada como um pijama, vai transmitir uma sensação de preguiça (e relaxaria) a quem a usa.

 E no outro extremo, há quem faça por estar sempre exageradamente composto (a), o que além de arriscar cair no poseur, no overdressed e no ridículo, também obriga a certos gestos.

 Um homem sempre espartilhado em gravatas, mesmo quando isso seja dispensável, pode dar a ideia de que engoliu um cabo de vassoura; e uma senhora penteada como para um evento formal todos os dias que Deus deita ao mundo, inevitavelmente empoleirada nuns saltos altíssimos e vestindo roupas que não convém amarrotar de maneira alguma, ganha ares de catatua, de quem nunca está à vontade.



 Depois, não esqueçamos as toilettes que além de vulgares, convidam à vulgaridade nos movimentos: os malfadados vestidinhos de lycra, os grandes sapatões de stripper, os decotes monumentais que não seguram nada, as leggings que revelam o que não devem mas se vestem de olhos fechados...decerto não lembram uma mulher de manter uma postura de bailarina ou de senhora de boa sociedade.

 Há que pensar nisto, para escolher trajes que condicionem o porte na direcção que se pretende. A roupa deve adaptar-se ao corpo e não o contrário, é certo - mas também não convém que leve o corpo, e quem o veste, por maus caminhos.






Sunday, September 27, 2015

Abaixo os complexos - soluções de styling para 6 "zonas problema"


É certa aquela máxima "nunca conseguirá o derrièrre que deseja sentada nele" - e quem diz isso, diz o resto do corpo...
 Cada mulher tem o dever de tentar - com serenidade, confiança e sem fanatismos - ser a melhor versão possível de si própria; estar na sua melhor forma, sendo que esta não é necessariamente a de uma manequim profissional ou a da celebridade do momento.

 No entanto, também é verdade que deve ser a roupa a adaptar-se ao corpo e nunca o contrário. Evitar as peças que não foram feitas para o seu tipo de silhueta, independentemente do número que veste, elimina a esmagadora maioria das crises de insegurança.

  E depois há os truques para as especificidades de cada uma. Vejamos alguns:


1 - "Muffin top"


Vulgo aquelas gordurinhas na zona da cintura. Para que ninguém dê por elas, é fácil: primeiro, como é óbvio, nunca compre tamanhos apertados para si. Ainda que seja magra, roupa demasiado justa acaba por "inventar" saliências . Depois, adopte calças de cintura subida q.b, que acomodem toda a zona das ancas sem apertar. E se não passa sem os seus jeans descaídos (que apesar de tudo, lhe moldam os glúteos como uma luva) guarde-os para usar APENAS com blusas, tops e camisas compridos. Evite ainda vestidos e túnicas de malha, especialmente se forem justos e/ou tiverem elastano. Se não passa sem eles, arranje um body ou combinação do tipo spanx.


2 - Barriga

Quer se trate de um pouco de "estômago" ou volume na zona inferior do abdómen, contornar esse incómodo não é complicado. Para começar, fuja de tecidos finos e coleantes nessa zona: tops e t-shirts devem ser de algodão, nunca sintéticos, e num tamanho mais folgado se possível. A camisas ligeiramente soltas também são um grande aliado: usadas por dentro de uma saia ou calças permitem mostrar que se tem cintura sem acentuar qualquer "pancinha"; longas e de estilo masculino, sobre calças slim, fazem o efeito de uma túnica mas com um aspecto mais polido.
 Os vestidos wrap, ou envelope, são uma grande ajuda desde que se fuja de tecidos elásticos. As cintas tipo spanx devem estar sempre à mão! Aqui também vimos algumas dicas para usar saias sem evidenciar barriguinhas.


3 - Braços "de lavadeira"...ou de esparguete

Esta zona do corpo é pouco mencionada, o que faz com que muita gente não lhe preste a devida atenção (causa de algumas figuras menos abonatórias por aí). Mas a verdade é que tem os seus quês e por vezes até um braço elegante, com a roupa errada,  pode parecer menos bem -  principalmente perante uma câmara! Se os acha um pouco volumosos, mas estão firmes, limite-se a aplicar a regra de ouro: não use mangas a terminar na parte mais ampla do braço.  Vestidos sem mangas ou cap sleeves, que alongam, são melhor ideia que uma manga "curta" a bater no bícep. Evite também mangas apertadas ou de elástico. Porém, se são realmente gordinhos ou estão flácidos (depois de um emagrecimento súbito, por exemplo) é melhor abster-se de os exibir até nova ordem. As mangas a 3/4 e as mangas compridas e justas q.b até ao punho favorecem todas as mulheres e ficam extremamente elegantes.
 Se pelo contrário, considera os seus braços um pouco "escanzelados" ou ossudos, pode abusar das mangas curtas e justas, que "engordam" um bocadinho.

4 - Pernas roliças...ou de cegonha



Aqui está uma zona do corpo que não reúne grande consenso: há quem faça por tornear as pernas e quem adorasse parecer uma gazela, fora quem fica algures no meio. Apesar de graças a Beyoncé e companhia se ter posto fim à ditadura das "pernas de alicate" -ou seja, as saias curtas deixaram de estar vedadas a quem não é esquálida como uma modelo de alta costura - também se caiu no extremo oposto, pelo que o bom senso é mais importante do que nunca. Como foi visto aqui, numa perna forte qualquer vestido ou saia curto e justo aumenta o volume, além de parecer vulgar.

 Por isso, quem não prescinde de peças como cuissardes, mini saias ou calções mas quer alongar a silhueta, deve aplicar SEMPRE a regra de ouro já mencionada e manter presentes as outras dicas que adelgaçam a figura. Os jeans escuros sem lavagens, as calças cigarrette ou slim de cintura subida e collants pretos (sem brilho!) também são bons amigos. Fuja-se dos jeans com lavagens ou  skinny em tons pálidos, de calças em veludo ou bombazina clara, etc.

 E não esquecer que o calçado certo pode ter um impacto enorme na elegância das suas pernas! A ideia "os saltos altos emagrecem" nem sempre é correcta.
 Já quem quer dar a ilusão de umas pernas mais "bem feitas", como diziam as nossas avós, deve evitar os saltos de plataforma e muito compensados, skinny jeans de cores escuras ( as claras, pelo contrário, ficam impecáveis) saias curtas e largas...
 Em todo e qualquer caso, uma saia lápis na medida certa favorece todas as silhuetas e é tão sexy como uma mini...ou mais!

5 - Muito peito...ou muito pouco (e outros quês)



 Roupa interior adequada é fundamental para tirar o melhor partido daquilo que a  natureza lhe deu. O que não se vê pode fazer ou arruinar a toilette! Para isso, nada como consultar uma boa profissional.
 Mas há mais: saber os decotes que favorecem e os que deve evitar traça a linha entre um look fabuloso e um assim-assim. Vimos isso em detalhe aqui, mas convém fixar o básico: quem tem um busto muito acentuado deve encontrar um meio termo. Nem decotes excessivamente fechados, que lhe atarracam a figura, nem exageradamente abertos, por motivos óbvios. Quem tem peito de bailarina pode brincar com decotes mais abafados, como os de Peter Pan, ou vestir à vontade peças que obrigariam outras mulheres a  fazer grandes malabarismos- vestidos sem costas, por exemplo. Depois há a a norma mais importante, em termos de estética e decoro: se é excessivo ou mostra detalhes pouco abonatórios (aberturas que põem a lei da gravidade a funcionar ou exibem o que não está a 100%) é melhor passar sem isso.

6- Ancas, coxas e derrièrres (a mais ou a menos)



Como visto no ponto 4, acima, uma figura algo curvilínea está na moda; mas importa sempre ter em mente as proporções para não cair na vulgaridade nem achatar a silhueta.
 Quem tem formas bem femininas não precisa de as realçar em excesso
 (independentemente do número que veste), muito menos se quiser criar uma silhueta mais delgada. Recusem-se por isso as malhas e jerseys na parte inferior do corpo ( em vestidos, saias ou túnicas muito longas) e os materiais esvoaçantes sem forro, bem como os tecidos finos ou com algum brilho. A roupa pode ser cingida, mas nunca coleante. Em calças justas, evitar tons demasiado claros ou materiais que criem volume, como a flanela. Com os devidos cuidados as cinturas subidas podem ser boa ideia, pois chamam a atenção para a cintura em vez de a concentrarem nas ancas e coxas. Flare jeans e calças boca de sino, que são tendência agora, também equilibram essa área problemática. (Outras dicas aqui e aqui).
 Por sua vez, quem precisa de ganhar centímetros pode fazer exactamente o inverso: vestidos de malha, cores claras, jeans com lavagem na zona dos glúteos e ancas...



Quando a Princesa perdeu a cabeça (mas com razão!)


A Princesa Stephanie do Mónaco ficou conhecida por descer do salto muitas vezes - quando eu era pequena, lembro-me de não se falar noutra coisa senão nas escandaleiras da Princesa Rebelde. Nunca tirei da ideia que o sangue de pirata que corre nas veias da família Grimaldi teria algo a ver com o assunto.

Mas ontem, a folhear uma Modas & Bordados dos anos 70 (acrescentei uns quantos volumes à minha colecção) li um episódio seu bastante mais antigo que me deu vontade de rir, pois apesar de armar uma barraca monumental ser um comportamento impróprio de qualquer menina bem educada, quanto mais de alguém na posição dela, não lhe faltou um certo estilo.

 Estava a Princesa numa festa mais ou menos íntima, na presença do Príncipe Rainier e de amigos da casa; numa mesa, o Príncipe pai com uma roda de convivas; mais adiante, Stephanie, o seu par (que não se sabe quem era) e um grupo de jovens da sua idade.

Eis que de repente se ouve muita bulha, pessoas a fugir e a derrubar cadeiras, pratos e copos pelo chão...e vê-se um grande segurança a arrastar uma bonita rapariga americana pelo braço, pondo-a categoricamente no meio da rua.


Com a tranquilidade possível, o Príncipe perguntou o que vinha a ser aquele desconchavo. Foi então que se percebeu o motivo da contenda: enquanto a princesa fora retocar a maquilhagem, o seu acompanhante pôs-se a dançar com a americana. Stephanie, ao ver a cena, não se conteve e desatou a bombardeá-los com cubos de gelo, terminando a pedir ao seu guarda costas que expulsasse a intrusa.

 Quanto a mim, devia ter mandado pôr na rua não só a serigaita, mas os dois bailarinos... ela pela ousadia de se insinuar ao namorado de outra -  a anfitriã, de mais a mais. E a ele por, estando acompanhado, não saber que há desfeitas que não se fazem, mesmo com a desculpa de serem  "cortesias sociais sem mal nenhum". Se há coisa que me irrita são cavalheiros que não respeitam a senhora que os acompanha, pondo-se a fazer charme, a trocar prioridades ou a fingir que estão sozinhos. Mal empregado segurança! A Princesa devia ter o ego muito ferido para não ter dado uma guia de marcha ao galã, que estivesse eu em tal situação ia dançar o que ele quisesse com a atiradiça para bem longe! Era lé com lé, e cré com cré, só se estragava uma casa, etc.

 Mas foi o detalhe criativo dos cubos de gelo que me chamou a atenção. Nunca me passaria pela cabeça usá-los como arma de arremesso! Mas foi bem lembrado: dependendo da força com que se atiram, podem ser bastante incomodativos, além de estarem sempre à mão em ocasiões dessas, e de arrefecerem os ânimos instantaneamente. Muito gostava eu que houvesse imagens dessa festa...deve ter sido uma cena épica, ao melhor estilo do baile dos Cohens: "e você, sua infame, ponha-se já no meio da rua, ou corro-a a pontapés!"


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