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Thursday, October 8, 2015

O flagelo do "tenho de viver a minha vida!"

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Esta semana ouvi duas histórias de gente amiga, boas pessoas honestas e trabalhadoras, que me deixaram muito zangada - ou ainda mais zangada - com estas filosofias relativistas do "o que importa é ser feliz, que a vida são dois dias", do "carpe diem", do "nada é errado se te faz feliz". Essas ideias egoístas e facilitistas de "eu mereço tuuuuudo", cheias de bovarismo e palmadinhas nas costas, de "não julgueis", que se deviam combater na base da enxada na mão (ou pano do pó) de manhã à noite, do chinelo (viva a moralidade) das trinta flexões (como no Exército) do Catecismo (já lá vamos) e se tudo falhasse, só com chicote (foi Eça de Queiroz que disse, não olhem para mim) andam por aí na boca do povo, nas redes sociais do povo, na imprensa... no firme propósito de apodrecer a sociedade pela raiz. Só pode.

Quando a moral é de elástico, perde a firmeza, dá-se um jeitinho, cede-se um bocadinho aqui e ali até que o elástico ou dá para todos os lados ou rebenta. Quando sem tem "uma mente muito aberta" o mais certo é caber lá de tudo, incluindo toda a sorte de lixo, e caírem os valores da cabeça abaixo. 

É que o Carpe Diem, sem o resto, é a desculpa perfeita para toda a pulhice e malandrice, incluindo a facadinha na cara metade. E antes de avançarmos, digo-vos já o que isso é: R-E-L-E-S. Muito reles. Não adianta dourar a pílula, que quem quiser defender galos doidos e serigaitas pode ir procurar outro blog...

 Os contos que ouvi - um no feminino, outro no masculino-  são praticamente iguais. 



#Caso 1:  um rapaz, bem casado (pela Igreja, ainda por cima) com uma rapariga de óptima família, super mimado pelos sogros que ofereceram todas as comodidades ao casal e pai de um pequerrucho encantador, fugiu com uma maluca dessas que se acham inteligentes, logo "sensuais". E agora a criança anda tristinha que só visto, de casa em casa a conviver com uma destruidora de lares, enquanto a legítima lida com o divórcio com toda a dignidade que conseguiu reunir.


"Chegou a minha hora! Tenho de viver a minha vida!"

#Caso 2: Uma mulher nos seus late thirties, com um marido impecável (ou bom demais) e dois ou três pequenos, que um belo dia decide começar a passar muiiito tempo a olhar para o telefone, a sair com as amigas em grandes noitadas, a empandeirar a prole para casa da avó, a vestir como uma desvairada (o marido devia ser santo, também...). Estava-se mesmo a ver, dali a zarpar com um Carlão do ginásio foi um pulo. Perante o desespero e estupefacção do marido, ainda teve a desfaçatez de dizer: "chegou a minha hora! tenho de viver a minha vida!". Alto lá, que fico confusa: viver como esposa e mãe não faz parte da vida? E se se referia à má vida e estroinice, mal por mal não se havia de ter lembrado disso antes, nos tempos de faculdade ou assim? O pobre coitado passou um ano sem sair de casa, deprimidíssimo, só com as crianças e a emagrecer a olhos vistos, mas como era bom rapaz (e as notas de 100 euros nunca ficam para aí a voar sozinhas, alguém as apanha) mal começou a arrebitar apareceram-lhe partidos melhores. E a adúltera descarada (sim, aqui chama-se adúltera a quem o é!) mal o Carlão deu à sola porque isso é algo que os Carlões fazem muito, contava - porque mulheres assim 
acham-se sempre irresistíveis - que se repetisse a história de Gomer

Bem se enganou, porque o marido não quis ser paspalho nem fez de Oseias...



Que as pessoas agissem assim antigamente,  quando tinham menos liberdades e eram pouco informadas, já era mau; que o façam hoje, quando a pressão social para constituir família é muito menor, têm mais anos para decidir o que querem ou não querem e ainda por cima vivem num estado laico que não obriga ao casamento religioso, é o cúmulo da irresponsabilidade. É tomar um Sacramento como quem vai ali buscar um menu ao McDonald´s, "se não correr bem as coisas desfazem-se do mesmo modo que se fazem". É que casar na Igreja é mais bonito, fica melhor nos retratos, mesmo que nunca se lá ponha os pés o resto do ano. E a desculpa gravíssima para quebrar os votos? "Já não me ando a sentir feliz".



 Como se o na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, etc, fosse só para dar mais chic à cerimónia, e o casamento fosse um parque de  diversões. Sacrifícios ninguém quer, pois - e mudando de cara metade tudo é rosas para sempre, não há dias maus. Há maior criancice? E depois o Papa é um bota de elástico e um retrógado que "se devia adaptar aos tempos" porque não "anula" casórios do pé para a mão, a bel talante de quem nem se dá ao trabalho de ler as regras antes de aceitar participar no jogo. Há tantas coisas a lamentar aqui -  a ignorância arrogante e voluntária, a vaidade extrema, a falta de valores, de estrutura moral, de amor verdadeiro, de reflexão, de seriedade - que nem vale a pena começar. 

Será que "o casamento não é um parque de diversões" devia ser frase gravada nas alianças, afixada à porta do registo e das Igrejas? É que às tantas as pessoas andam confundidas...

Wednesday, October 7, 2015

5 produtos baratíssimos, mas fabulosos


Singularidade feminina: a alegria de usar artigos de luxo é igual, em intensidade, à de encontrar uma pechincha surpreendente. Com boa qualidade-preço. Que se torne residente no armário ou no toucador. E no que toca à cosmética, por vezes as receitas mais antigas - ou de marcas low cost/quase desconhecidas - têm de facto produtos que nada deixam a dever aos seus equivalentes com mais panache. Fórmulas são coisas estranhas, e dispendiosas ou muito acessíveis, por vezes uma combinação de ingredientes funciona e pronto. Não é por acaso que o Nivea continua a ser indispensável, por muitos Crème de La Mer que lhe ponham à frente. Deixo-vos seis poções mágicas a preço de drogaria que são realmente milagrosas:

1- Máscara Lash Princess efeito pestanas falsas, Essence 




Já tenho dito por aqui que certos produtos desta divertida marca alemã - nomeadamente máscaras e bases - reduziram bastante as minhas compras das suas contrapartes profissionais e de perfumaria. Não sei como o conseguem, mas numa época em que o "rímel" já não é o que era, quase sempre se saem com escovas e receitas que cumprem o que prometem. Nada de pestanas "efeito natural que fica na mesma" (e tenho apanhado disso com máscaras de todos os pergaminhos) nem de alergia em olhos sensíveis e com lentes de contacto. Esta Lash Princess verde é tão fantástica, mas tão fantástica (ela curva, ela volumiza, ela alonga, ela separa, ela faz as pestanas de boneca que as nossas mães diziam para não usarmos para a escola, se pusermos várias camadas) que comprei várias embalagens, não vá o diabo tecê-las. Ando para experimentar a versão rosa, de volume, mas para já estou demasiado encantada com esta.


2- Condicionador Amalfi




Há dias, a propósito do champô de ovo cósmico e fenomenal, pediram-me que recomendasse um condicionador igualmente cósmico e fenomenal. Ora, os amaciadores e as máscaras são outra coisa que já não é o que era. Cada vez mais opto por versões leave in, pois embora ainda vá havendo marcas com fórmulas razoáveis já é raro encontrar, como dantes, "aquele" amaciador (ou máscara) que amacia sem ficar peganhento, sem embrulhar o cabelo, que uma pessoa põe e tcharam, ainda nem se passou por água e já o cabelo se desmancha costas abaixo como uma cortina de veludo, sem pentear nem nada. E que desaparece facilmente ao enxaguar. E que deixa o cabelo fofo, não pesado. E...lembram-se da sensação? 

Pois é, um dos poucos que continua assim é este baratinho, baratinho e com um frasco enooorme, da Amalfi. Conheço a marca desde o liceu (graças à minha mania de experimentar tudo quanto era produto de beleza) e tem várias pérolas escondidas, mas o suavizante verde é insuperável por mais produtos profissionais que me tragam. Há também uma versão lilás para cabelos sensibilizados e outra preta com queratina que não são nada más, mas o clássico é o melhor. Desembaraça em menos de um minuto e deixando-o mais tempo, serve de máscara com muito bons resultados. Podem encontrá-lo em qualquer drogaria ou bazar e na secção de produtos low cost do Jumbo.

3 - Bâton rosa mate, Primark

Encontrar o bâton mate ideal nas cores certas ainda vai sendo um desafio. Mate não pode ser seco, tem de ser aveludado! Mate tem de ser pigmentado à séria! Mate que é mate não tem brilhinho nenhum, só parece "macio" à vista e ao toque e não esborrata! Algumas marcas ainda não entenderam bem o conceito. Depois, achar o rosa vibrante perfeito para um bold lip é complicadíssimo, principalmente para as ruivas. Alguns são demasiado roxos. Outros parecem fluorescentes ou são muito translúcidos (ou seja, parecem vibrantes numa morena mas em peles claras desaparecem). É preciso ser aquele tom entre o fuchsia e o camélia bastante aberto e vivo, mas que se funda bem. Este da Primark, em stick, não só tem a cor e a textura perfeita como faz o delineado sem complicação nenhuma. Busca encerrada!

4- Desmaquilhante bifásico, Bonté

Lamentavelmente o site da marca não tem imagens deste menino (à venda na Clarel e Minipreço) e o meu era tão bom que dei cabo dele num instante. Não voltei à loja ainda para ir buscar outro que pudesse mostrar, sorry. Mas é um frasco azul bojudinho de desmaquilhante bifásico, não tem nada que enganar. E digo-vos, eu, assumida maníaca da limpeza de rosto com fobia a destruir as preciosas pestanas e a danificar o contorno dos olhos,  que é o desmaquilhante mais poderoso que já testei. E acreditem que testei muitos, mas aprovei pouquíssimos (já vos tinha falado no da Essence, que é óptimo também) porque quem usa lentes de contacto tem o dobro do trabalho na limpeza dos olhos. A solução salina solidifica a máscara e o eyeliner e é um horror. Pois bem, com este é zás-trás, parece magia. Seja contra maquilhagem à prova de água ou makes artísticos com primer e não sei quantas camadas de sombra. Super potente e hiper rápido!


5 - Creme-gel matificante, Essence




Outro milagre-por-dois-tostões da Essence. Apropriado para pele sensível (e reactiva, a julgar por mim) sem perfume (algo em que até alguns cremes anti-alérgicos da praxe começam a falhar) é excelente para acalmar vermelhidões, fechar poros e afinar o grão da tez. Já contei que sou uma grande fã de cremes com um ligeiro efeito peeling ácido e que contenham zinco na composição - óptimos para renovar a pele e prevenir marcas, rugas e manchas - por isso acho-os recomendáveis mesmo para quem não sofre de brilhos e impurezas. Alternado com um creme mais nutritivo (como o Toleriane Riche, da La Roche Posay) e combinado com um bom creme de olhos + um BB ou CC Cream que hidrate bem, é estupendo. Deixa a pele fresca, suave, mimosa ao toque e com uma luminosidade incrível.






Mulheres: procurem um Centurião de Cafarnaum. Homens: sejam como ele.





Sempre senti um certo fascínio pelo Centurião de Cafarnaum, personagem bíblica obscura, mas cujas emocionantes palavras são repetidas pelos séculos junto aos altares: "Eu não sou digno que entreis na minha morada. Mas dizei uma palavra...".

Tal como S. Dimas (o Bom Ladrão) ou S. Longinus (outro soldado) a sua intervenção nos acontecimentos é curta, mas marcante.


Talvez esse homem cujo nome não é mencionado despertasse a minha curiosidade porque gosto de romanos e lá em casa havia vários livros de História Militar que falavam de legionários, que eu devorava quando era pequena. Talvez me identificasse com ele por vir de uma família de militares. Mas foi um episódio que imaginei imensas vezes na minha cabeça e hoje, olhando para ele com outros olhos, consigo precisar melhor o que me encantava tanto no 
Centurião de Cafarnaum.

Para quem não está recordado, o Centurião aparece nos Evangelhos de S. Lucas e S. Mateus, pedindo (ou mandando pedir) a Jesus que cure um servo seu que está de cama. E apenas porque o patrão acreditou, o pobre homem sara sem que Cristo o veja sequer.



 Pouco nos é dito sobre este romano- não sabemos se estava na flor da idade (dependendo dos feitos e do berço, podia chegar-se a Centurião ainda jovem) ou se era um senhor mais experimentado, casado ou solteiro, qual era o seu aspecto ou que hábitos teria. Sabemos que seria uma pessoa honrada e justa, pois disseram ser merecedor da cura que implorava para o seu criado, por ser amigo dos judeus sob a sua autoridade, tendo inclusive edificado a Sinagoga. Podemos calcular que tendo servos ao seu cuidado, seria um pater familias.

O que importa é que apesar de gentio, tão pagão como podia ser um romano e de não se considerar digno de recebê-Lo sob o seu tecto, este homem duro, "de autoridade", provavelmente céptico e de olhos acostumados à crueldade das legiões,  habituado a ter soldados às suas ordens, quis ver o seu servo curado. E tanto na intenção como na forma como procurou essa ajuda, demonstrou qualidades que todos os homens deviam cultivar



 Comecemos pelo óbvio- sempre me soou invulgar que um Centurião com imenso que fazer, insensibilizado por anos de escaramuças no terreno, se afligisse tanto pela saúde de um servo, possivelmente um escravo. De novo, não sabemos quem era o doente. Talvez fosse o preceptor que o tivesse educado de pequenino ou um liberto que lhe tratasse dos assuntos da casa, mais amigo que servo; talvez o guerreiro tivesse sido movido pelas insistências da mulher, elegante matrona zelosa do bem estar da sua gente. O que sabemos é que se preocupou com um subalterno a pontos de ir procurar o Nazareno que andava a espantar meio mundo - e a enfurecer outros tantos-  com os seus milagres. Um homem de honra é firme no comando, conhece o seu lugar e usa a autoridade, se a possui, mas sabe ser bom e sensível para com os mais fracos e 
compadecer-se do sofrimento alheio.
Depois, há a sua delicada recusa em convidar Jesus para sua sua casa- motivada provavelmente pela Lei, cuja transgressão poderia causar mais aborrecimentos a Jesus do que a ele, certamente; mas note-se a escolha de palavras e a sua humildade varonil:  "eu não sou digno". Claro que como figura de autoridade local, poderia ter simplesmente ordenado que Jesus se apresentasse para lhe fazer a vontade em terreno neutro (a resposta seria memorável, decerto) mas não- soube reconhecer uma superioridade, ou pelo menos, um seu igual; e solicitou delicadamente o que desejava. Podemos também imaginar que se sentisse envergonhado da impureza dos seus costumes, do que aquelas paredes tinham visto e ouvido de pândegas e de excessos. Um cavalheiro, posto que altivo, nunca é soberbo; pensa nos outros antes de pensar em si mesmo e reconhece as suas falhas, quando erra.

E por fim, o seu salto de fé  - fé como não se tinha visto tal em Israel. Cidadão romano, o Centurião não tinha obrigação de crer nas ideias monoteístas dos Judeus. Não fora decerto educado para  fiar-se em profetas, por muito tolerante que Roma fosse com divindades e superstições estrangeiras.



 O seu cargo também indica que seria um homem sensato, pouco influenciável. E se havia multidões a seguir um humilde carpinteiro chamando-o mestre, filho de David, etc, não faltavam vozes que O acusavam de intrujão e agitador. Mas - crenças à parte -  o Centurião teria forçosamente os olhos treinados para distinguir nos homens, mediante um simples golpe de vista, aquela chama especial. Um soldado necessita de confiar no seu instinto contra todas as vozes exteriores, de ser ousado, de agarrar as oportunidades, principalmente em momentos de crise. Tudo qualidades que convêm a um homem de bem, ainda que nunca tenha ido à guerra: confiar quando sente nas suas entranhas que é certo, mesmo que haja rumores em contrário; acreditar, por vezes contra toda a esperança; ser corajoso para fazer algo que o possa pôr em risco ou cobri-lo de ridículo, em nome do que é correcto.


Estas virtudes que imortalizaram um anónimo homem de armas continuam a ser indispensáveis aos homens de hoje, casados ou solteiros, de todas as profissões e quadrantes sociais. Profissionais, maridos, pais, quantos não há - mesmo com formação religiosa - que não se detêm no exemplo do Centurião? Quantos são exigentes a despropósito, indelicados com os outros por se ufanarem da sua posição, impacientes ou sem empatia com quem está abaixo deles na linha de comando, indecisos e cobardes mesmo quando a oportunidade se apresenta, desconfiados até dos que lhes são mais próximos mas prontos a crer em boatos perniciosos, demasiado orgulhosos para o seu próprio bem, e assim por diante?

Bondade, autoridade, firmeza, coragem, confiança, modéstia, valor, fé em si próprio e nos outros: devia haver um Centurião de Cafarnaum em cada homem, e cada mulher devia procurar essas qualidades no companheiro que escolher.













































































































Tuesday, October 6, 2015

Se pensam comprar botins, arranjem uns destes.


Botim Zara (pele)

Já se sabe que os botins estão para ficar; as consumidoras não se fartam deles nos vários tipos, alturas e feitios. Confesso que demorei um pouco a render-me por causa da minha visão muito racional no que diz respeito ao styling. Achava (e continuo a achar, vá) que podem ser encantadores, edgy e práticos (afinal, para começo de conversa dão jeito para aqueles dias em que chove ou está frio para usar sapatos, mas não tão frio que se suportem botas) mas é preciso encontrar  o(s) par(es) certo (s) para que façam o efeito que se quer. Nada que me impedisse de ir adquirindo uns quantos das marcas mais variadas, sou franca, mas demorei a partilhar tanto entusiasmo porque o que mais se vê por aí são mulheres a usar os botins errados para elas.

É preciso alguma atenção - consoante o efeito que se pretende - para escolher modelos que alonguem a figura ou pelo contrário, para que não criem "pernas de alicate" em quem se considera demasiado magra. E esta "arte" tem pouco a ver só com o tamanho e tipo de salto. É preciso considerar o cano, a inclinação e outros aspectos. Calçadozinho subtil e cheio de manhas, o botim! 
Sem esquecer que é imprescindível encontrar um par MESMO CONFORTÁVEL, todo o terreno (em versão prática, de sair ou versátil) para que se faça justiça à ideia "os meus inseparáveis botins" divulgada até à exaustão em artigos dos sites e revistas da especialidade. 

E o que é "esse botim especial"? É aquele que que favorece a figura de acordo com as necessidades da silhueta de cada uma; que não magoa nos pés nem pesa nos tornozelos (muito importante, já que os botins se apoiam nessa zona sensível); que dá uma aparência elegante às pernas e combina com saias e calças.


Botins de tacão baixo, Zara


Muitas grandes casas de moda fazem botins-investimento confortáveis até para quem não está muito convencida (recomenda-se Balenciaga para os de salto altíssimo e Prada para tacões largos super cómodos)  mas como já tenho dito por aqui, sou uma grande fã do calçado da Zara. Prefiro-o mesmo à maioria das marcas "médias", que quase sempre acabam por magoar os pés e estimo os meus pares preferidos com o mesmo carinho que tenho pelos seus primos com mais pedigree que moram no meu closet. Se não é de griffe, convém que seja Zara. Além de reproduzirem os designs mais recentes, são modelos que não magoam e duram, duram, duram- em especial se optar por pele verdadeira.

 Ora, já se sabe que a Zara tem o bom hábito de repetir moldes. Eu tinha comprado um modelo quase igual ao destas imagens, de uma colecção anterior (tenho-o também na versão bota overknee) mas só este Outono lhe prestei atenção. Já suspeitava que ia correr bem, porque o ano passado não larguei as botas até à Primavera. Mas tenho andado com eles e...oh maravilha! Além de extra resistentes, estáveis e de não incomodarem minimamente os pés, dão uma postura elegante e combinam com quase tudo. Ontem usei-os com umas simples calças cigarrette de cintura alta e dão uma linha impecável (além de ter caminhado como uma peregrina sob chuva intensa sem me cansar).

Se estão à procura dos "vossos" botins (ou querem mais um par de confiança) estes valem mesmo a pena. Não sei se me seguro que nos saldos não traga mais uns, porque peças tão multi-usos é aproveitar quando aparecem...










O comboio do inferno - ou pais mal educados.




Hoje até tinha um post todo bonito na minha cabeça, mas...como lamentavelmente ma encheram com outra coisa (o que resultou numa enxaqueca monumental) lá se foram as minhas encomendas.

Pior do que andar de comboio (ou na CP, vá, que ainda esta manhã me trocou o lugar cuidadosamente escolhido online por um virado ao contrário, e eu que sou uma enjoada...) só estar fechada numa lata de sardinhas com uma criança aos berros e a pontapear-nos a cadeira. Agora imaginem uma criança com uma voz invulgarmente grave aos berros durante duas horas, que mais me parecia estar numa quinta...

 O pequerrucho era um amor,dos seus dois anitos,  lourinho e de bochechas coradas. Parecia um anjo, sem tirar nem pôr. Estava ao colo dos pais, um casal brasileiro ainda novo (em boa verdade, só percebi que eram brasileiros passado um bom bocado, porque eram do tipo de não tugir nem mugir por mais que a criança, desculpem o verbo, balisse desalmadamente). Para ser franca, parecia que viajava um cordeirinho no banco atrás do meu! Não sei se era birra, sono, dores de ouvidos ou de dentes, não interessa; os pequenos, principalmente quando são mesmo pequenos, têm destas coisas que não se controlam e nem sempre é possível ou benéfico deixá-los em casa, entregues a terceiros.

 E claro, qualquer pessoa civilizada é compreensiva com isso.

O que já ultrapassa o razoável é, ao longo de duas horas, repito que não me canso, duas horas que ninguém me devolve, esperar que pessoas que pagaram bem pelo seu bilhete, que estão a tentar aproveitar o tempo da viagem - já que têm de lá estar-  para descansar ou adiantar trabalho, sejam sujeitas a tortura chinesa sem que os pais digam um "shhh" ,um "caladinho", sem que se levantem por um bocado para passear a cria e distrai-la (podem não a calar, mas ao menos enquanto vão de uma carruagem para a outra dividem o mal pelas aldeias) achem isso muito engraçadinho e cuti cuti. Não.

A senhora ao meu lado ainda tentou ser simpática e brincar com ele, "bebé, bebé"...e os pais, nem ai nem ui. Eu querendo mostrar desagrado sem ser malcriada, mexi-me na cadeira, a ver se entendiam. Nada. O senhor mais velho na fila adiante olhava-os descaradamente com ar de poucos amigos- zero! Uma rapariga japonesa  fixava-os com tão má cara como um kamikaze prestes a atacar, fazendo trejeitos com a boca pintada numa cor de ameixa que se via a metros. Rien de rien!

O raça do cachopo - que se chamava Pedro, o Pedrinho, vim a saber - rosnava, 
lamuriava-se, torcia-se, sempre naquela melopeia monocórdica e juro que quando suspirei "Minha Nossa Senhora!" ele interrompeu a gritaria (aí percebi que já falava, portanto entenderia um "fique caladinho!") para desatar a cantarolar "diabo, diabo, diabo". Palavra, não inventei...aí comecei a temer que a criancinha estivesse mesmo possuída. O Exorcista, parte 3: o comboio do Inferno.



Foi então que uma senhora  umas filas adiante pediu discretamente para mudar de lugar (algo que eu estivera até aí hesitante em fazer, até porque a minha vizinha me pedira para lhe guardar as coisas enquanto ia lá à frente carregar o telefone - mas acho que foi treta, só queria sossego). Coitada! Uma senhora com muito bom ar, se a cara dela não estivesse verde e pálida ao mesmo tempo, claramente atacada de enxaqueca. E o revisor, farto já daquilo, não foi de modas nem delicadezas - disse em voz bem alta: 

"Ah, por causa do barulho? Há lugares na outra carruagem, faça favor!".

Só então aqueles malcriados ganharam vergonha  e fizeram o que já deviam ter feito (o pai, porque ela ficou impávida e serena). Lá se levantou como quem pede desculpa a um pé para mexer o outro e foi passear um pouco o pequeno Belzebu ou Satanás ou lá quem era, inclusive para junto de outras crianças que lá estavam. Claro que aí o Pedrinho deixou de estar possesso para ser um garotinho perfeitamente normal.

Para mim, estes casos explicam muita queixa " ai que ter filhos engorda". Pudera! Se não se mexem para impedir sequer que incomodem os outros!

E devia ser gente mesmo incomodativa, do género passivo agressivo, porque quando o comboio abrandou e eu já estava de pé junto à porta para me despachar, trataram de me barrar o caminho com as malas como se eu não estivesse lá. 

Não estive com mais escrúpulos, arredei-lhas para o lado com o pé e passei como se nada fosse...também já era abuso!




Sunday, October 4, 2015

"Somos mulheres - as nossas escolhas nunca são fáceis".


Nunca fui grande fã do Titanic (seria, se não fosse a história de amor disparatada). Foi conto que nunca me enganou: o Jack não amava a Rose. Primeiro, porque não se ama perdidamente ninguém em menos de uma semana e porque um rapaz que gosta sinceramente de uma rapariga não a tira à família e ao noivo (que esse sim, parece amá-la desinteressadamente) para a sujeitar a uma união de facto (o que naquele tempo era uma vergonhaça) e a uma vida de incertezas e aflições. Quem ama, quer o bem do outro. Não o utiliza para dar largas às suas fantasias, românticas ou outras, como se de um brinquedo se tratasse. Muito menos apoia doidices do outro, mesmo que lhe convenha. Isso não é amor...quando muito é luxúria, egoísmo, infantilidade. O noivo, Cal, é protector em excesso (e possessivo com razão) mas notem, tenta sempre protegê-la. O Jack faz o contrário - quer lançá-la no mundo. Em que mundo? Quer dar-lhe "liberdade" porque isso é o que dá jeito aos seus desvarios...há tantos assim!

Mas a Rose, que é uma tola, atira ao pobre do ex "prefiro ser amante dele do que sua mulher". Que exemplo!

 A personagem que sempre me interessou - apedrejem-me - foi Ruth, a mãe da Rose. Que tinha uma das poucas tiradas prudentes do enredo: "somos mulheres - as nossas escolhas nunca são fáceis". Sim, era snob e desagradável por vezes, mas ao contrário da protagonista, ela sabia que uma mulher é posta perante muitíssimos deveres e exigências.  Que a condição de mulher implica (não importa quantos direitos se ganhem) escolhas difíceis e sacrifícios. Muitos deles impostos por aqueles que nos amam. Que ser uma senhora implica auto domínio e um grande controlo sobre extravagâncias passageiras; requer pôr os olhos naquilo que é realmente importante e dirigir o coração com mão de ferro, porque cada escolha tem consequências. 

O que não quer dizer que o coração não continue e continue, como dizia lá a Celine Dion...

Delicadeza: um vírus quase erradicado, mas contagioso.



"O pudor, da mesmo modo que a consciência e o corpo, forma calos: e uma vez calejado, é menos sensível aos dardos que o ferem".


Joaquim Aspiazu, S.J. (1954)

Longe vão os tempos em que a discrição e delicadeza nas expressões eram a norma. Para o bem e para o mal, esta é uma época de à vontade, de informalidade. Já poucos homens, sentados numa mesa de café, abrandam os palavrões se vêem aproximar-se uma senhora, mesmo que idosa! Afinal, para quê? As mulheres falam tão mal ou pior; se preciso for, batem-nos aos pontos. 

E se isto é mau em jovens, que para todos os efeitos não conheceram outra realidade... nos mais velhos é de uma insolência, de uma rebeldia gratuita que se torna ridícula nessas idades. 

 Depois, é um abuso do tu cá, tu lá. Certo é que isto varia consoante o meio, a região e a profissão (entre professores, jornalistas e artistas o "tu" é naturalíssimo, por exemplo) nem sempre sendo sinal de abuso de confiança. Mas que um lojista trate uma cliente por "tu" ou que qualquer desconhecido o faça, sem pensar na sensibilidade alheia que pode ser diferente da sua, é um forçar de intimidade. Mais vale delicadeza a mais e ser convidado a aligeirar os salamaleques, do que o contrário!


E não esqueçamos que antigamente não se ia ao pormenor, ao falar da vida alheia. Peguemos numa revista antiga, nas secções do social onde invariavelmente apareciam os "casamentos elegantes". Era uma breve resenha "no dia tal, consorciaram-se a Sra. D. X (ênfase no "senhora dona", muito comum até quando se designava uma menina, até à data, solteira) e o Sr. Y, distinto não sei quê, filhos de Sra. D. e Sr. fulana e beltrano. A boda foi celebrada pelo Rev. X, seguindo-se um finíssimo lanche no Hotel X/ quinta/casa dos pais da noiva, etc". E pouco mais. Compare-se com a imprensa actual, cujos artigos do género chegam a detalhes dignos de autópsia!

 Voltemos às conversas entre amigos, a que muita gente agora entre os seus 20 e picos e os trinta e tais se acostumou - falar de intimidades que nem às paredes se confessam ou usar os termos mais brejeiros, aos altos berros se for preciso, tornou-se muito banal. Mind you, é normal que mesmo entre gente educada, as mulheres mexeriquem entre si - entre risinhos embaraçados, como sempre fizeram - e que os homens tenham lá entre eles conversas de caserna e basófias que sobem a níveis pouco abonatórios, tanto nos termos como nos conteúdos. Sempre assim foi. E em certas circunstâncias, mais vale um palavrão bem atirado do que um trocadilho ordinário. É mais honesto. 


A publicidade que se dá a esses colóquios, e o à vontade com que eles se têm esteja-se onde estiver, ouça quem ouvir - para não falar no que se escreve nas redes sociais - é que é má.

E o resultado disso é que tais conteúdos e formas de expressão acabam por ganhar espaço até a dois, o que beira, se é que não alcança, a falta de respeito. Um rapaz que convide uma jovem para sair, por estar acostumado a essas brincadeiras, a essa forma brejeira de se explicar, pode até - julgando que parece muito homem, muito prá frentex - exagerá-las junto da rapariga que quer impressionar, sem pensar na delicadeza que lhe deve.

 E a rapariga provavelmente nem dará por isso, pois de tanto ouvir já está calejada. De resto, apresenta-se em trajes que parecem vindos de um cabaret, porque a Rihanna veste, as amigas imitam e os pais não fazem reparos.

 Não se lembra já de convidar ao respeito...e no entanto, não custa nada avisar com um sorriso "Jesus, tantos palavrões! Que tolo!" - por vezes é quanto basta para criar uma mudança. Pode ser que nunca ninguém lho tenha dito antes...

O mesmo se aplica às roupas vulgares, que para muita gente não têm mal algum nem moral nem esteticamente porque "se usam"; e aos conteúdos pouco elevados nos média, que tudo aceitam, que tudo aplaudem desde que esteja na moda. Ainda há algumas almas sensatas que deitam as mãos à cabeça, vendo Kim Kardashian ser elevada aos píncaros e recebida em *quase* toda a parte: "por amor de Deus! A mulher ficou famosa por um vídeo indecente!". Mas o facto é que as línguas rosnam e a Kimizinha passa...provavelmente muito boa gente não pestanejaria de receber Kim na sua festa e apresentá-la às suas filhas que ainda andam no colégio...

Bonito exemplo para as pequenas...

Tudo se relativiza, tudo se desculpa e aligeira para agradar, por medo de parecer antiquado ou peneirento, sacrificando com isso a pureza de julgamento, a delicadeza de gostos, a graça de maneiras. A pessoas tornam-se insensíveis - já nada as choca, já nada as escandaliza. E quanto às mulheres, já não se acham dignas de que os homens baixem a voz se tratam de disparates na sua presença, de que lhes abram a porta e de outras finezas insignificantes, mas cheias de significado.

 Se é legítimo que em certas questões convém que haja naturalidade e objectividade (porque não há assuntos de outro mundo) também é possível tratar-se de todo e qualquer tema, em qualquer situação, com elegância. E  não é crime nem antipatia exigir, com subtileza (e não necessariamente de forma verbal) que se moderem certas formas de tratamento. O pudor fica calejado com facilidade, mas em compensação a dignidade é contagiosa...





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