Scarlett aprimora a sua beleza e sofistica-se sob a direcção desta mulher, que soube ver directamente o que ela era. Afinal, a inesquecível personagem imortalizada por Vivien Leigh tinha dois lados distintos, que toda a vida tinham entrado em conflito: por um, a sua aristocrática ascendência francesa e a suave influência da mãe, uma perfeita Senhora; por outro, o impetuoso sangue irlandês. Só depois dos 30 Scarlett consegue equilibrar ambos, tornando-se uma mulher plena. Sendo igual a si própria, não há mal nenhum em ter - usemos um exemplo mais nosso - caviar num dia e sardinhas no outro!
Sempre achei a bela O´Hara a heroína ideal (ou pelo menos, aquela com quem mais me identificava, talvez por ser uma irish lass) e parece-me que muitas de nós enfrentam esse tipo de dúvida, principalmente quando chega a hora de assumir as responsabilidades da vida adulta. Ocorreu-me este pensamento precisamente num bar irlandês, com o rufar da percussão a falar à alma e ao espírito dos avoengos. Uma mulher complexa nunca é feita de uma faceta só. Tem infinitas nuances e pode ser diferentes coisas, em diferentes momentos, desde que nunca perca a noção de si mesma, dos seus valores, e saiba adequar-se. E é preciso entender que embora sendo complicado por vezes, podemos gerir a ocasião de ser impetuosas e o momento de guardar silêncio, a elegância e a voz do coração, que não pode ser abafada. Momentos "tenho de ser eu própria, se não rebento" assistem a todas.
Mais subtil é saber realmente "quem sou eu?" e aceitar que essa mulher pode não ser uma rapariga só, ou que pode ser mulher às vezes, e uma eterna rapariga noutras...














