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Monday, December 7, 2015

O calendário Pirelli que levanta muitas questões: quem mandou a Amy despir-se??


Quando se pensa em "Calendário Pirelli", o que acorre imediatamente à ideia? As beldades mais célebres à face da terra - Sophia Loren, Claudia Schiffer, Kate Moss, Helena Christensen, Laetitia Casta, Julianne Moore e assim por diante, sem falar de alguns homens que embelezaram as páginas em certas edições. Em poses reveladoras, certo, mas retratadas nos mais exóticos cenários pelos melhores fotógrafos do mundo (Herb Ritts, Karl Lagerfeld, Patrick Demarchelier, Mario Sorrenti, Steven Meisel e tantos outros). 


Como Afrodite: Helena Christensen retratada por Herb Ritts
 para a página de Julho de 1994 do calendário Pirelli

O calendário Pirelli é uma instituição, é arte, é quase um mito (como é que um calendário de pneus, daqueles soft core que se colocam em garagens abrutalhadas, alcança tal aura de sofisticação foi coisa que me escapou sempre, e é mesmo objecto de análise; then again, também às primeiras, não se percebe o que têm pneus Michelin a ver com restaurantes) e isso atenua muita coisa. Os maiores profissionais de moda, de stylists a fotógrafos sem esquecer as modelos pagas a peso de ouro e tratadas como rainhas,  chamam-lhe mesmo "o melhor trabalho do mundo" e ser convidado a fotografá-lo equivale, para muitos, a ser "ordenado Cavaleiro".


Julianne Moore como a deusa Hera,
 retratada por Karl Lagerfeld em 2011

Muita honra para um conteúdo que - embora, é justo recordar, nem sempre envolve nudez -é imediatamente associado à sensualidade feminina (e fantasia masculina, claro).

Desta feita - e depois de no ano passado ter apresentado a primeira modelo plus size- a edição para 2016, a cargo da lendária Annie Leibovitz (que na edição de 2000 já tinha feito um trabalho fabuloso, basta lembrar esta imagem de Laetitia Casta) centrou-se não tanto na beleza física ou no erotismo, mas em ícones; mulheres marcantes e de sucesso: atletas, filantropas, bloggers, cantoras, artistas...

Quebra a tradição, sem dúvida. Sexy não será. Não sei se é muito requintado, se capta a essência do calendário Pirelli, mas não deixa de ser interessante pois beleza é mais do que aquilo que está à vista. A alma também conta. Logo, percebe-se a ideia...


A actriz e embaixadora da ONU Yao Chen e a cantora Patti Smith na edição de 2016




Mas como no melhor pano cai a nódoa, Annie Leibovitz lembrou-se de incluir a comediante Amy Schumer, de quem já falámos aqui. A tal que tem alguns momentos engraçados mas não consegue lidar com a própria imagem corporal e cultiva a persona de feminista confusa, que faz por ser ser toda modernaça, farrista, comilona, desleixada e galdéria sem no entanto querer que a tratem como tal. E segundo a própria Annie, "Amy não recebeu o recado de que não era preciso despir-se". Aliás, ainda ninguém lhe tinha pedido nada disso, já Amy atirava com um "está a brincar?adoro o meu corpo!" e zás, vai de ficar em calcinhas e desconstruir a imagem da pin up. 

Porque ninguém entende estas mulheres liberais: se uma modelo ou actriz lindíssima se despe é objectificação da mulher e abaixo o patriarcado opressor, mas se ninguém as quiser despir a elas, mulheres "reais" e "comuns" já é uma ofensa. De modo que só ela e a tenista Serena Williams posaram em trajes menores...



O retrato não saiu mau, atenção. É a interpretação menos glamourosa e mais natural, em modo viva-a -beleza-real-ter-umas-gordurinhas-não-mata-ninguém,  que agora está na moda e a que se espera de uma comediante; Amy podia estar apenas a brincar com o assunto à sua maneira. Parece que não ultrapassa o facto de, não sendo feia, ter cara de bolacha e barriguinha (ei, cada uma é como cada qual) e há muito mulherio que se identifica com essa postura complexada, um nadinha passivo-agressiva.  Mas eu cá preferia que, já que despir as protagonistas não fazia parte do guião, que Amy mantivesse a roupa no lugar. Dava outra seriedade à coisa, mesmo tratando-se de quem faz comédia. A credibilidade cabe em todo o lado e se é para alguém se descascar, prefiro que as modelos o façam- ou que mesmo mulheres "normais" sejam retratadas de forma menos crua. Se é para se constiparem, se é para perder a vergonha, tentem ao menos embonecar-se o mais possível para um dia mostrar aos netinhos "vejam como a avó era gira!". E isto vale para beldades perfeitas ou mulheres "comuns", whatever that means.








Andrea Corr: a verdadeira beleza dificilmente desbota


Um artigo sobre as pessoas mais belas da Irlanda lembrou-me de Andrea Corr, da famosa banda dos anos 90 que - apesar de eu preferir música irlandesa em estado mais puro-teve álbuns que ainda se ouvem bem de fio a pavio.

 A vocalista do grupo de maninhos que misturava a sonoridade celta ao pop sempre foi uma linda irish lass, mas de um encanto suave como o da sua voz (que sendo competente, nunca foi a de uma soprano irlandesa como Lisa Kelly nem um vozeirão de uma deusa do easy listening como, por exemplo, Chistina Aguilera). Uma beleza discreta de traços correctos, cabelo tão naturalmente preto como só uma irlandesa pode ter e pele de porcelana. Todas as irmãs davam nas vistas pela formosura do conjunto mas Andrea era constantemente elogiada pelos media apesar de nunca ter caído na sensualidade óbvia - porque quem é mesmo bonita não precisa disso, claro.



 Ela tinha classe... e classe e beleza são duas coisas que *infelizmente* nem sempre caminham juntas.

Nos últimos tempos a cantora, de 41 anos, decidiu desaparecer um pouco mais do olhar público, apesar de ter lançado um álbum a solo. E a razão é das mais nobres: casou bem, tem o marido perfeito e quer dedicar-se a ser esposa e mãe de dois pequenos adoráveis, fazendo o que compete a qualquer verdadeira Senhora dotada de talento artístico: cantar só e apenas quando lhe der na gana, fazendo música genuína e inspirada nos intervalos que criar uma família lhe deixa.  



Afirmava então o  Irish Central que o passar dos anos não beliscou nem um bocadinho a pulcritude de Andrea e eu fui confirmar: lá continua formosa e esguia, com a pele luminosa e a carinha laroca de sempre, mesmo de esperanças e sem maquilhagem, vide esta imagem de há dois anos:



A alegria e serenidade de ser amada contribuíram decerto para isso (não há melhor tratamento de beleza do que o verdadeiro amor e uma vida tranquila; já a avó me dizia que "se vê no rosto de uma mulher a forma como o marido a trata"). E os cuidados (entre os quais fugir do sol, algo que ela obviamente fará) também ajudam a boa genética a manifestar-se passem os anos que passarem.

Porém,  o maior motivo para se conservar mais ou menos na mesma (como Julianne Moore, Monica Bellucci e outras beldades)  prende-se com o facto de a verdadeira formosura, a que se transmite à descendência e fica para a posteridade, não depender tanto da exuberância nem da frescura da primeira juventude.  Depende dos traços finos, da delicadeza e harmonia da silhueta, das formas, da elegância, das proporções. Isso não se desvanece, salvo por descuido completo ou algum problema de saúde sério, pois faz parte da própria estrutura física e apoia-se na elegância interior.



Ou seja, até aos early twenties qualquer jovem remotamente apresentável e minimamente esbelta -ainda que não tenha uma cara capaz de lançar uma armada nem uma figura de Afrodite - passa por atraente desde que se enfeite. O cabelo comprido, a maquilhagem, as roupas espampanantes e a energia característica da idade acrescentam muitos pontos, disfarçam muita coisa. Mas passados alguns anos, perdidos os resquícios da adolescência, com as responsabilidades, as arrelias, algum desleixo e as noites mal dormidas inerentes à vida adulta, o viço desaparece, revelando uma pele menos boa ou precocemente marcada, uns traços vulgares, uma figura banal. Diz-se então "coitada, está muito estragada...perdeu-se, descuidou-se, era tão engraçadinha"...mas o mais certo era Vénus não lhe ter sido muito propícia para começar.

Do mesmo modo, diz-se das mulheres que "se conservaram": qual será o segredo? No entanto, trata-se apenas de a beleza, quando é genuína, não ser tão efémera como alguns gostam de dizer...



Sunday, December 6, 2015

8 *pequenas* razões para muita gente não ter o estilo ideal (e como lhes dar a volta)


Há pessoas que fazem gosto em vestir bem, prezam a elegância e até não lhes falta sentido estético, mas...o resultado nunca é tão polido, favorecedor ou expressivo como gostariam. Esse "bocadinho a mais" pode estar ausente devido a 8 problemazinhos fáceis de identificar. Ora vejamos: 


1- Não conhece bem o conteúdo do seu armário




Para ter um guarda roupa completo e elegante, é preciso conhecer-se a si mesma (gostos, silhueta) e sobretudo, as próprias necessidades- por exemplo, quem vai regularmente a eventos precisará de mais peças adequadas a traje social do que quem eventualmente assiste a um ou dois casamentos e baptizados por ano. É necessário comprar de acordo com aquilo que usa mais. Mas mesmo quem tem tudo isto em atenção, precisa de estar em contacto regular com o conteúdo do seu armário. Se, digamos, criou o bom hábito de usar um "uniforme" com frequência (e.g:  skinny pretas+ um top básico + blazer +saltos) convém que conheça bem cada blazer e cada par de calças que tem em casa, que saiba como cada um lhe assenta e se cada exemplar está pronto a usar ou se pelo contrário, lhe falta um botão, etc.  

Em 3 casacos semelhantes da mesma cor, um pode ser o "justinho que dá com tudo", outro "o de corte masculino", um ser mais curto e adequado a vestidos, enquanto o do cabide ao lado, mais longo, fica melhor com calças cigarrette ou jeans. De nada vale ter muitas peças do estilo que aprecia se não sabe exactamente a utilidade de cada uma.


2- Tem alergia a agulhas e ferros de engomar



Comprar é muito tentador e algumas marcas de pronto a vestir têm evoluído na questão dos tamanhos, mas os velhos hábitos continuam a marcar pontos e o fitting é tudo: umas calças da Mango parecerão muito mais luxuosas se ajustar as bainhas à medida e levarem um pontinho aqui e ali, para assentarem devidamente na cintura e na zona dos joelhos. E escusado será dizer que nenhum achado, seja vintage ou nos saldos, valerá a pena se não servir devidamente. Faz-se melhor figura num tailleur da H&M que veste impecavelmene do que num Chanel que está largo, curto ou comprido onde não devia. 

Ao investir numa peça, seja qual for o preço, convém pensar nuns cobres extra para lhe dar aquele "toque mágico". O mesmo vale para engomar, limpar a seco ou passar a vapor: roupa bem tratada parece sempre mais bonita e dispendiosa. Não é por acaso que os italianos passam tudo a ferro, até as t-shirts e jeans: consideram esse um hábito essencial para a "bella figura".

3- Arrisca demais...ou de menos



Nas modas e elegâncias, como nos investimentos, há que pensar em riscos calculados: se as suas toilettes lhe parecem aborrecidas e sempre iguais, é porque provavelmente são: tentar uns sapatos diferentes, usar o statement coat de peles que herdou da sua tia Capitolina sobre os jeans e a camisa do costume ou inspirar-se nos street styles da vida para introduzir pequenas inovações nos seus coordenados não mata ninguém. Mas se pelo contrário, antes de sair pensa "será que dou nas vistas?" ou lhe parece que o seu visual tem demasiada informação, então aplique-se a máxima "less is more".

4- Descuida os acessórios...ou abusa deles



Os acessórios são como os temperos na culinária e os ciúmes num relacionamento: em pequenas doses e estrategicamente aplicados, dão cor e sabor a um visual. Em excesso, tiram-lhe a expressividade, vulgarizam e poluem. Para os usar na medida certa, convém pensar em termos utilitários: se o clima já obriga a usar um bonito cachecol, tem o seu anel de estimação e uma carteira de que gosta, não precisa de mais nada. Mas caso tenha optado por um look "modelo à paisana" preto dos pés à cabeça, se calhar uma pulseira já fará falta.

5- Vai pelos "lindos olhos"



As roupas, como as pessoas e os livros, têm de ter conteúdo: se um formato é bonito mas o material não presta ou o corte é menos que sofrível, é melhor não arriscar. Uma peça pode ser barata, mas não convém que o pareça. Haverá outras ocasiões de ter um modelo parecido num tecido decente e que sirva como imaginou.


6- É muito poupadinha...ou demasiado exigente



Já falámos nisto vezes sem conta: há o barato bom e o barato que sai caro;  há o luxuoso que compensa o investimento (pela raridade, qualidade dos tecidos) e o caro que só vale pela etiqueta. Misturar e recorrer ao hi-lo fashion dá carácter a um visual, desde que saiba onde deve gastar mais e onde uma peça acessível presta o mesmo serviço.


7- Crises de identidade



Ou porque ainda não encontrou o estilo que comunica ao mundo a sua personalidade ou que mais lhe convém, ou por insegurança, ou porque engordou/emagreceu/teve bebé/mudou de estilo de vida/etc, muita gente perde o gosto por se vestir bem ou, numa tentativa desesperada de andar apresentável, copia chapa-4 o look de determinada amiga ou celebridade. Em casos assim, convém respirar fundo e abastecer-se de peças neutras, que cumpram uma única função: assentar impecavelmente. Assim terá uma tela em branco (e preto, azul marinho, nude...) para trabalhar. Partindo daí, convém ler e investigar referências (ícones de estilo, épocas, filmes) e integrar coisas novas, baseando-se em dois critérios: "é-me util?" e "gosto MESMO disto?".


8- Dúvidas quanto ao tamanho e silhueta



Sem vestir as proporções correctas, nem a figura mais elegante, o corpo mais perfeito, se favorecerá a 100%. Há que ser absolutamente honesta e identificar (possivelmente recorrendo a um stylist capaz) o seu tipo de corpo, cingindo-se aos cortes, bainhas e modelos que lhe assentam melhor. Assim não cometerá erros. Igualmente importante é não ter complexos quanto ao tamanho que vem na etiqueta: um 40 na Dolce & Gabbana pode ser um 36 da Zara, e há numerações ainda mais misteriosas; por isso importe-se apenas com a forma como lhe cai, corte o número (que assim como assim ninguém vê, right?)  com uma tesourinha se isso lhe faz confusão e vá ser feliz. O mantra " tem de ser o 34 porque sempre vesti o 34" é a causa de muita roupa que assenta mal e de muita lamuria inútil quanto ao sistema de tamanhos das marcas. Mas o que interessa de facto é estar bem vestida, certo?


Saturday, December 5, 2015

Onde diabos terei posto as minhas botas de neve?


Onde diabos terei posto as minhas botas de neve? Perguntei a mim mesma, depois de ver aqui que Jimmy Choo convidou algumas bloggers conhecidas (sortudas, estou com um pouco de "inveja branca" como a neve, passe o trocadilho) para conhecer e retratar, na Suiça, a sua colecção de botas-de- enfrentar- nevões.

Apesar de ter raízes e ligações familiares na Serra da Estrela e de gostar de lá ir uma vez por ano, no mínimo, neve não é muito comigo. Gosto de neve, claro (é preciso ser insensível ou uma alma muito mal disposta para embirrar com neve) e dos confortos a ela associados (lareiras, queijo da Serra, banhos muito quentes, ar puro). 

Porém, confesso que não me vejo a penar para estar, por exemplo, numa exclusivíssima festa em Aspen ou St. Moritz- daquelas em que elegantes personagens se reúnem para mostrar os vestidos de noite depois de um dia inteiro a fingir que esquiaram embrulhadas em fatiotas de ski desenhadas por Karl Lagerfeld. Não tenho paciência para desportos de Inverno. É só branco e ar frio até onde a vista alcança, rampa acima-rampa abaixo, com o gelo a crestar a pele mais do que o sol de Julho. 




Não digo que passear num belo trenó à moda antiga algures na Rússia, embrulhada numa esplêndida peliça a caminho de um baile qualquer, não tenha todo o glamour de um conto de fadas; só que  geralmente a minha abordagem à neve é pôr uns carapuços e agasalhos fofinhos e "wheeeeee, estou na neve": dar umas escorregadelas montanha abaixo, umas voltinhas no gelo e já está, vi, está visto.

Mas tinha eu uns 11 anos e numa viagem à Suiça, uma amiga ofereceu-me umas botas de neve brancas não sei de que marca - tinham vindo de um daqueles grand magasins que têm outra piada na terra dos chocolates e do Música no Coração - e foi amor à primeira vista. Estreei-as com umas quaisquer skinny pretas e um sobretudo com grande capuz e não as larguei até as espatifar de todo. 




Devo ter por aí um retrato de um desses passeios alpinos, com o meu longo cabelo a tomar tons de fogo ao sol de Inverno e uma infantil cara de sofrimento pois tinha chovido, a neve era mais gelo que outra coisa e aterrara em cheio no derrièrre, mas a sentir-me toda pimpona mesmo assim. 

Logo aí, ganhei um respeitinho às moon boots e aprendi uma regra basilar de styling que as bloggers em causa referem: não há nada como botas volumosas para equilibrar e alongar a figura até ao infinito e mais além.

Depois, apesar de a utilidade das moon boots ser limitada, não quer dizer que as usemos só na neve. 



Calçá-las pura e simplesmente num dia de muito frio e muita geada (daqueles em que as outras botas e botins, ainda que forrados a pele, parecem uma anedota) pode ficar um pouco extravagante, estilo protagonista do Dragon Ball ou coisa que o valha, mas não é impossível de ser feito com o styling certo. 

Isto para dizer que há um ano ou dois passou-me pela cabeça comprar umas moon boots escuras e giras, se bem pensei melhor o fiz que eu cá sou de raios, mas...pouca sorte, arrumei-as tão bem que agora não sei onde estão. Nem parecem coisas minhas.

 De todo o modo, estes modelos desenhados por Jimmy Choo, o homem simpático capaz de fazer um stiletto devastador ser *quase* tão confortável como uma pantufa, são um espanto. Uma verdadeira tentação do capeta, embora uma versão invernosa do capeta, estilo abominável homem das neves. Algumas podiam perfeitamente ser usadas na rua, apesar de quase nunca nevar para as minhas bandas. Geada e granizo contam, não? Onde há vontade de calçar umas botas, as desculpas aparecem...


Friday, December 4, 2015

Quando as lamechices de Facebook falam verdade (parte II): o "amor da sua vida" x "o homem da sua vida"




Bem prego eu contra as partilhas de conteúdos piegas no Facebook, mas às vezes lá aparece um que fala como um livro aberto. Já aqui mencionei recentemente um texto desse género, de autora (?) desconhecida sobre aquele momentinho em que uma mulher tomada como garantida acorda e decide que não está garantida coisíssima nenhuma. Eu não o descreveria melhor.

E hoje uma amiga passou adiante mais este, a explicar na mouche a diferença entre "o amor da sua vida" e "o homem da sua vida". Que vai ao encontro da distinção que aqui se fez no Imperatrix entre "o amor da sua vida" e o "atraso da sua vida". 

Por vezes parecem a mesma coisa, mas não são. O amor/atraso da sua vida é basicamente aquela paixão tempestuosa, byroniana, o bad romance que consome tempo e energia mas faz mais mal do que bem e que muitas vezes, não dá em nada. 

Já o homem da sua vida (ou mulher, vá, mas neste caso está escrito no masculino) é igualmente um grande amor - ou antes, é um amor maior, um amor verdadeiro porque tem uma base de altruísmo, de querer o bem do outro. O amor verdadeiro, o amor do homem da sua vida, tem a capacidade de sacrifício que se exige a qualquer grande amor. Mas para ser usada só em caso de necessidade, não gratuitamente, em probleminhas inventados.  O que não quer dizer que seja um "amor de papelão" morno, lamechas, sem graça, sem intensidade, sem paixão, que se conserva só porque é seguro e fofinho (nunca comprem essa ideia deprimente, peço-vos pelas alminhas). 

Passo então a citar, mais coisa menos coisa: "sempre ouvi dizer que o amor da tua vida NÃO é o homem da tua vida e ainda bem que assim é."

 O amor da tua vida vai levar-te à loucura (no mau sentido);
O homem da tua vida vai querer que a tua vida seja uma loucura pegada de paixão e alegria.
O amor da tua vida vai deixar-te de nariz colado à janela, à espera que o carro dele ronde a tua casa;
 O homem da tua vida nunca sairá do teu lado.
 O amor da tua vida vai fazer com que exijas explicações;
 O homem da tua vida não dá um passo sem tu saberes.
 O amor da tua vida vai fazer-te acender velinhas, fazer orações e queimar incensos (como vimos aqui, há dias);
 O amor da tua vida vai fazer-te dar graças por estares viva todos os dias. O amor da tua vida vai fazer-te viajar muito e procurar várias pessoas para encontrar as respostas;

 Já "o homem da tua vida vai mudar as tuas perguntas e mostrar-te o quão simples a vida é"...e assim por diante

Não sei quem foi a grande filósofa, mas vale a pena ler e partilhar com alguma amiga que ande ceguinha...

No entanto, eu resumiria toda a ideia a duas premissas: o amor/atraso da sua vida complica; o homem da sua vida simplifica. O amor/atraso da sua vida é um rapazola assustadiço; o homem da sua vida é um homem a sério. E mais nada...







Duas doutas considerações: temperos e peúgos


1- Lembram-se do anúncio "com Savora, toda a comida melhora"? Pois descobri recentemente que há certos petiscos básicos, quase tudo porcarias mas pronto que sabem bem não tanto por si, mas porque levam mostarda, ketchup ou massa de tomate. Palavra que nunca me tinha lembrado de tal.  Eu que nem sou de comezainas nem gosto de estragar a comida com molhos, como tanta gente...mas há de facto coisas que se não fosse isso, não teriam metade da graça. É curioso como algo tão simples faz uma diferença tão grande. Devo ser uma pessoa muito fácil de contentar, palavrinha de honra. 




2- Ninguém gosta mais do Inverno do que eu (then again, todas as estações têm algo que me agrada, o que se calhar faz de mim uma pateta alegre que anda sempre contente ou  a woman for all seasons...). Não me incomoda o frio, porque nos dá oportunidade de usar soberbos casacos, peliças, luvas, carapuços e cachecóis; nem a chuva, porque é a desculpa perfeita para andar de botas e gabardine. Sem o Inverno, vai-se metade da piada de ter um belo guarda roupa.  Depois, tem o Natal, tem as lareiras, as pessoas andam mais agasalhadas por isso não se vêem tantos calções, leggings e outras desgraças na rua e ainda podemos beber chocolate quente com natas. 

What´s not to love? Eu digo-vos: o raio das meias.

 Não me entendam mal, com esta temperatura é agradável calçar meias fofinhas e quentinhas... o que aborrece é a horrível e imperiosa necessidade de ter, para todos os dias, um stock abundante e sempre a rodar de peúgos, soquetes, collants, meias compridas, meias polares (para os dias em que queremos porque queremos usar saias mas está um gelo de rasgar mortalhas) meias de lã fofas estilo Serra da Estrela para estar em casa, meias de vidro/mousse/lycra de vários géneros e, para quem é tão coca bichinhos como eu, em perfeito estado. Uma malha que cai, um risquinho, uma sugestão de borboto e já não gosto delas. Deviam ser todas descartáveis. E uma pessoa decidir à última da hora calçar sapatos quando já tinha posto peúgas espessas, boas para usar com botas, e ter de ir a correr buscar outras?  E quando se perde uma? E ter os devidos cuidados para não se perder nenhuma? E juntá-las, dobrá-las ou enrolá-las bem enroladinhas para pôr nas gavetinhas? Trabalho de paciência, que é uma seca fazer ou mandar fazer. A minha prima M., em pequena, detestava tanto calçar meias que lhes chamava um nome muiiiito feio (ouvira-o dizer na escola e trouxe-o para casa; escandalizou toda a gente, mas nunca mais nos esquecemos dessa). Agora percebo-a. *Piiiiiii* das meias.


Thursday, December 3, 2015

As coisas que eu ouço: a linguagem universal das lágrimas


O meu grande amigo Paulo Ilharco, poeta a sério (que nisto de poesia eu sou um pouco embirrenta) e um formosíssimo talento daqueles que não nascem nas árvores, teve esta semana o emocionante lançamento do seu livro, "Raio X à Alma", num dos espaços mais emblemáticos de Coimbra, com luzida assistência e melhor música.

E, comovidíssimo, desculpou-se citando uma frase que eu já tinha ouvido, mas não recordava onde, nem o autor: "só os corações de pedra não entendem a linguagem das lágrimas". Cá me ficou, porque falámos nisso recentemente, a propósito daqueles instantes em que se descobre que há pessoas que se podem amar, até se descobrir, ipsis verbis, que não são boas pessoas.

Fui ver e as bonitas palavras são do autor espanhol Severo Catalina: a linguagem das lágrimas não pode ser entendida pelos corações de pedra. 




Veritas est...nas relações pode haver diferentes formas de comunicar e de sentir; uns são mais emocionais e expressivos, outros menos; cada pessoa é um universo e às vezes, mesmo a cara metade com quem se partilha tudo pode não entender o que o outro sente, ou reagir com naturalidade a coisas que deixam o outro em parafuso. Até as almas gémeas (se é que existem, que eu acho o conceito um pouco piegas, com pouco de romântico e nada desafiante) têm os seus diferendos.

Mas lágrimas? Poupem-me.Transcendem diferenças, nuances, línguas e culturas. E olhem que eu não defendo a lagriminha fácil. Mas quem chora é porque sente. É porque está dorido. Quem não entende isso, quem não se comove ao ver o outro que parece um chafariz, destroçado, é um coração de pedra sim senhor, indiscutivelmente. 


Daqueles que não merecem que se fungue por eles, quanto mais choraminguices, soluços e desperdiçar de lenços de papel (perfumados e extra fofinhos, ainda por cima). Ná.

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