Recomenda-se:

Netscope

Wednesday, January 13, 2016

Há pessoas tão sem graça, tão sem graça...


...tão sem opinião, tão tíbias, tão neutras, tão vira-casacas, tão incapazes de tomar um partido ou de jurar qualquer lealdade, tão "nhê", tão sonsas, tão cobardolas, sem espinha dorsal nem para dizer "discordo" ou "não simpatizo contigo nem com molho de tomate" e tão enjoadas que o único insulto que lhes vai bem é este: és tão interessante como uma caixa de chuchus. 

Visto aqui, não inventei nada. Mas sinceramente nem sei se é injúria, a não ser contra os pobres chuchus que apesar de não saberem a nada, de não serem carne nem peixe, nem fruta nem vegetal, até são uma hortaliça-fruto bastante saudável; bem acompanhados, servem de base para muita coisa e grelhados com piri piri até escapam...

Nunca na vida verão um chuchu assim!

Acho que comparar gente assim a uma caixa de chuchus não é uma ofensa: é uma mera descrição, ou até um elogio.Um chuchu pode ser insosso, mas não incomoda nem comete deslealdades. Um chuchu não tem amigos, não intervém, é sempre impávido e sereno, não aparece em público a não ser na banca da mercearia, logo não precisa de escolher lados nem tomar decisões, por isso nunca age mal em modo passivo-agressivo.

Ainda assim, dá vontade de dizer isto a alguns sujeitos. É que pessoas-chuchu conseguem ser pior que pessoas-nabo, e olhem que ser uma pessoa-nabo não é lá grande coisa. Sabem quando aprendem um disparate novo, ficam ansiosos por poder estreá-lo e andam umas almas mesmo a pedi-las? Pois.

Tuesday, January 12, 2016

Anéis de noivado para desesperadas



É que só faltava esta. Eu que cresci a pensar que (embora por cá a tradição do anel de noivado seja tomada um bocadinho menos a sério do que nos E.U.A.) as regras ainda eram escritas na pedra. Ou seja, o anel deve ser valioso q.b, de acordo com as posses do noivo (se houver um anel herdado, melhor) e jamais devolvido mesmo que o noivado vá por água abaixo, pois por tradição representava uma segurança para a noiva, já que o seu "valor" enquanto esposa elegível podia diminuir após um compromisso muito longo. Por sua vez, o noivo recebe uma peça bonita também, como um relógio, perante a família e eventualmente, um grupo limitadíssimo de amigos.

Pois bem, parece que agora a igualdade foi tão longe que querem dar cabo de *mais* um dos últimos redutos do romantismo, que o desespero é de tal ordem que o mulherio quer pôr o carro à frente...bem, do resto, ou que o valor comercial do anel importa mais do que a união entre duas pessoas, pois há quem defenda que sim senhor, o anel de noivado pode ser pago a meias.

Como alguém comentou nas redes sociais quando isto se soube, "grande desespero, hein?". Qual desespero - deixemo-nos de delicadezas. Isso é entrar em modo Gollum, descabelar-se por um anel, my precious, my preciousssss.



 Porque uma mulher que se oferece para tal coisa está a colocar um valor muito baixo em si própria. É como dizer a um homem "deixe que eu cuido disto, não se rale, fique quietinho" ou uma mãe a arrastar o filho adolescente às lojas contra a vontade dele, para garantir que ele não anda na rua vestido como um vagabundo. É um "já que não estás decidido, eu dou uma ajudinha". É mais uma forma de as mulheres se rebaixarem a tomar as iniciativas todas, de se sujeitarem a tudo, de se deixarem tratar como umas quaisquer - como se não houvesse por aí homens a pontapé, tantos como há mulheres, que diabo!

Facilitismo, facilitismo, facilitismo. Já agora porque não fazem como a outra que engendrou o casório nas costas do namorado, que nem noivo era? E de um homem que aceita isto, já nem falo- onde está o seu orgulho masculino? Não o tem porque é um feministo, um banana, a quem falta até a coragem para dizer "não tenho vontadinha nenhuma de casar com esta mulher" e que se lhe derem asas, não se rala de ser sustentado ou feito de capacho por ela.



Que - não façamos confusão - nem é pelo valor da peça. É pelo gesto, pelo empenho. O anel até pode ser simbólico, ou não haver anel de todo e darem o nó estilo rapto sem ninguém saber. Entre um anel pago a meias e nenhum, fiquem os dedos! Qualquer coisa é mais digna do que saber que se ajudou um homem, que arranja sempre recursos para carros, motas, engenhocas, bola, jogos online e copos com os amigos, a pagar o próprio anel que ele lhe vai pôr no dedo.

Mas num mundo em que mulheres descrevem deste modo, sem se envergonharem disso, as suas expectativas histéricas quando há a possibilidade de um encontro de última hora, já nada me espanta. Beggars can´t be choosers.

Quando um vestido fala por si


Num oceano de vestidos de suspiro ou minimalistas praticamente todos iguais (como tem vindo a tornar-se norma nas passadeiras encarnadas deste mundo) Lady Gaga, ex-rainha da extravagância, roubou as atenções nos Globos de Ouro com este Versace arrasador.

 Inspirado em Grace Kelly, by the waycomo lembrou e muito bem Raquel Prates no seu blog.

Referências à parte, eis a prova provada de que tanto Gaga como Versace são espampanantes quando querem, mas porque podem, e que rapidamente passam ao estilo mais depurado com  acrobática destreza. É que para fazer um vestido destes, com um corte tão preciso, perfeito sem o mínimo fru-fru, é necessário savoir faire. E já o disse por aqui, Versace escorrega para o exuberante muitas vezes mas basta usar algo feito por esta Casa para ver que quem a gere entende do ofício e sabe enaltecer as curvas femininas como ninguém. Ou não estivéssemos a falar de italianices!

Then again sou suspeita, já que sempre que um vestido deste género aparece num evento, o coração pende-me para ele. Quase todos os meus vestidos formais são algo parecidos com isto, entre a Belle Époque e os anos 50 - verdade seja dita, tenho um de veludo negro parecidíssimo em fila de espera para que a costureira o retoque. E porquê? Ora, talvez porque sou careta ou porque o gosto e os traços italianos estão geneticamente cá e não posso lutar contra isso. Tal como Gaga, aliás, a menina Germanotta, também não pode. Mas sobretudo porque o que é doce nunca amargou. 



Um modelo sheath admiravelmente executado, num bom tecido, com um belo decote (neste caso, shoulder to shoulder), mais feitio menos feitio na saia, mais manga menos manga, não só realça as formas sem desconforto - mais ergonomicamente correcto, não há-  sem cair na vulgaridade, como dispensa grandes fantasias. Funciona bem em seda, veludo, brocado, liso, estampado. 

Depende da boa estrutura e da boa caída, não de uma aplicação estapafúrdia, de uma cauda ou de cristaizinhos bordados que muitas vezes não se seguram como devem. Hoje em dia, finados os tempos da verdadeira haute couture, o que mais se vê são vestidos caríssimos mas banalíssimos ou não tão bem executados como isso. Um destes não precisa de se ater à originalidade; só de destacar a mulher que o usa, e de chamar a atenção para os seus mais belos atributos: o rosto, a pele, a decolletage, a cintura, a curva dos rins.

Melhor ainda, é quase impossível errar no styling de um vestido destes. Noutros os acessórios, as jóias, os penteados tornam-se um assunto muito relevante, já que a toilette é às vezes tão sem graça. Mas um assim fala quase por si mesmo, praticamente dispensa as jóias e a maquilhagem ou o penteado são um extra (lembram-se de Angelina Jolie em O Turista?). E por fim, é um modelo feito para a mulher, para a figura feminina, criado nos bons tempos em que as mulheres queriam e sabiam agradar e estavam cientes de que a beleza é uma arma e consumada arte. Logo, desde que ajustado à medida e usado por quem tenha o mínimo de curvas, acaba por ser democrático para a maioria das figuras, altas ou baixas, magras ou mais cheias. 

A mulher que opta por ele não está desesperada por ser "diferente", por ofuscar as demais, por dar nas vistas; preocupa-se em sentir-se bem na sua pele, em estar apropriada e em passar um bom serão. O resto vem por si mesmo, pois lá dizia Chanel "quando uma mulher está mal vestida, reparam no vestido; quando está bem vestida, reparam na mulher".



Monday, January 11, 2016

Olha que noivos mais lindos!



Depois de Sofia Vergara e Joe Manganiello terem dado o nó, foi a vez de outro dos casais com mais pinta dos nossos dias, a delicada Rosie Huntington-Whiteley e o badass Jason Statham, tornar público o seu noivado.

A bela bem-maridada apareceu nos Globos de Ouro lindíssima como sempre, com um impressionante anel de diamantes (mas discreta como só uma rapariga de fino trato pode, reparem naquela manicure do mais decente que há) e o casal confirmou o compromisso, tomado sensatamente (super sensatamente, se pensarmos nos padrões supersónicos das celebridades) após cinco anos de namoro.


 Ora, longe de mim dar aqui demasiado espaço a mexericos de famosos, mas quem lê o Imperatrix já sabe o fraquinho da casa por casais bonitos e elegantes, que representem bons exemplos. E há tão poucos actualmente! Mulheres femininas que sabem estar e homens realmente varonis, que se escolham entre milhões de pessoas, se apaixonem sem escandaleiras e vivam o seu romance sem ostentações ridículas são sempre dignos de nota. Aposto convosco, e é quase certo que ganho, que o casório não vai ter um zilião de convidados, um vestido de cabaret nem extravagâncias ridículas à Kardashian para o povo copiar como se fosse uma coisa muito linda. O Reino Unido ainda é o Reino Unido, Jason é um homem ponderado, Rosie é uma jovem de berço, logo tenho para mim que há-de ser um casamento, não um circo. Sejam muito felizes e continuem a aparecer sempre assim compostinhos, que de vulgaridade já o mundo anda cheio.

Adeus, David Bowie


A notícia, recebida mal tinha aberto os olhos, atingiu-me como um murro no estômago. A única morte de celebridades que podia ter tal efeito em mim desde a de Freddie Mercury. É que, compreendem, David Bowie - ainda há dias se falava dele, e do seu incrível sense of style, por aqui- apesar de ainda novo (será que alguma vez se faria velho?) era um dos últimos ícones que nos prendiam a uma certa civilização, ao gosto e à beleza, a um tempo em que ainda ia havendo independência mental e capacidade de sonhar, longe da época rápida, barata, politicamente correcta, melindrosa, obcecada por atenção e relativista que atravessamos. Era marcante sem ser nitidamente polémico. Tinha impacto sem abraçar causas passageiras nem modinhas. Sem ser "belo" na verdadeira acepção do termo, era um dos homens mais atraentes e carismáticos a pisar a Terra - ninguém, sem ser David Bowie, tornaria tão sexy o rei dos Duendes. 


Era um original, mas usava os clássicos como ninguém. Foi um rebelde, teve os seus excessos, mas parou a tempo e fez-se um homem de família sem se transformar num "reformado"...as ch-ch-changes jamais teriam o poder de lhe roubar um bocadinho de glória ou de encanto. Se teve caprichos de vedeta, nunca se soube.  Era extravagante quando queria, mas sabia estar em qualquer parte. Brincava com a androginia, sem nunca se tornar efeminado nem ridículo. O Thin White Duke, como a velha nobreza de antanho, jamais deixaria que qualquer lama lhe manchasse as vestes. Basta ver que, na era dos social media a que tantas celebridades veteranas aderiram, não se sonhou da sua doença. Nunca veríamos David Bowie a rapar a cabeça ou a deixar-se ser visto sem ser no seu melhor. Ele tinha demasiada classe para fazer uma coisa dessas. Adoeceu e morreu como o Senhor que era, na sua privacidade, entre os seus, separando o homem do artista - ou guardando o véu de mistério e ilusão que os "artistas" de hoje já não sabem manter. Ashes to ashes. Morrer bem é tão importante como saber viver. No génio musical e da voz nem falemos, deixo isso para os peritos, fico-me com os meus momentos a ouvir e trautear Space Oddity, Life on Mars ou - mais recente, mas uma das minhas canções favoritas- Thursday´s Child. E com as vezes  que Let´s Dance me fez mesmo dançar.

Is there life on Mars? - dá-me vontade de perguntar, porque num planeta sem David Bowie mas povoado de reality stars e coisas ainda piores, a residência vai-se tornando intolerável.



Sunday, January 10, 2016

Visto ontem (e deu-me vontade de rir a tarde inteira)


Uma pessoa vai parar a um centro comercial ao fim de semana, em dia de chuva, em época de saldos - má receita, não é? Ainda por cima ao mais popularucho da cidade, onde cai meio mundo e *literalmente* arredores.  Mas foi mesmo necessário ir  trocar uma engenhoca à FNAC, logo eu que embirro com engenhocas e com shoppings pejados de gente...

Podem imaginar o fim da picada para encontrar estacionamento. Um longo e precioso bocado que ninguém me devolve queimado piso-acima-piso-abaixo, a jogar ao "encontre as leggings espampanantes" (brincadeira estilo "Onde está o Wally?" que consiste em detectar quem anda de ceroulas em público) para passar o tempo. Claro que dada a assistência, rapidamente o jogo se tornou em "encontrar quem não está com as ditas...".

Estávamos nisto, já a perder a paciência, quando no apinhado estacionamento ao ar livre do piso superior nos deparámos com a cena acima, a que a câmara não pôde fazer justiça...

Ora imaginem: um pobre jipe que não fez mal a ninguém com a bagageira atafulhada até às bordas de sacos da Primark e um mulherão nutrido de leggings tigresse a bater furiosamente nos ditos para lá enfiar mais alguns, com (como diria a avó, Deus me perdoe que isto não é a fazer troça mas foi mesmo engraçado) o barrigão de gelatina a abanar sob o tecido às bolinhas enquanto PAF!PAF! amachucava os sacos. (Mais tarde enchi-me de coragem para espreitar o que estaria assim com um desconto tão grande na Primark que justificasse abastacer-se daquela maneira, mas não vi nada; suponho que não tenham lá ficado umas ceroulas para amostra...).

Depois, sempre a barafustar e a mandar vir, atirou-se para dentro do todo-o-terreno, que -palavra de honra, não é exagero- tremeu e abanou como um barco empurrado por um vendaval. 

E lá saiu sempre a ralhar com o desgraçado do marido, que tinha estado a sofrer-lhe tudo com paciência de Job, sem erguer a cabeça, como quem diz "ó mulher, eu não te conheço"...ainda pararam duas vezes para compor melhor a carga, que decerto estaria a cair para cima da velhota e do pequeno que viajavam no banco de trás...e de todas as vezes, a megera barafustava mais!

Fiquei sem saber o motivo da discórdia - provavelmente achou que o marido não era paciente que chegasse (quantos há que se recusam a pôr os pés numa loja, quanto mais!) ou que depois de tudo aquilo ainda lhe faltava alguma coisa, ou que teria sido melhor ideia trazer uma carrinha comercial, daquelas dos feirantes, para acomodar melhor toda aquela tralha...mas o homem, nem piu. O que me fez pensar que há maridos muito bananas neste mundo, ou que casam mal enganados.

Às tantas - isto já é a minha imaginação a trabalhar - o desinfeliz namorou-se dela nos anos 80, quando as leggings ficaram inicialmente na moda e se calhar a gorducha refilona parecia apenas uma rapariga cheiinha cheia de personalidade, que lavava cabeças no simpático salão do bairro e fazia covinhas na cara quando sorria com ar de serigaita. Apanhou-se casada, continuou cheiinha mas acrescentou mais uns valentes quilos, a cintura foi-se e como todas as loureiras do género vai de se revelar má como as cobras e azeda como um limão. Dos ilusórios primeiros tempos, só restaram as leggings tigresse para contar a história...

Já que não podia "des-ver" o que vi, ao menos entretive-me, que querem...

Afinal, o que vale a pena comprar nestes saldos?


Sou franca convosco, saldos só mais lá para diante e para ir buscar básicos ou peças muito específicas, porque confusão e compras por impulso não são o meu cup of tea. Ainda assim, já dei a minha olhadela para fazer uma pequena lista do que é interessante trazer para casa- porque são peças úteis e clássicas, ou tendências que vão continuar em voga por mais uns tempinhos.



1- Uns botins básicos e todo o terreno, como estes de que já falámos. Ou estes Melissa, que além de um design muito versátil têm a vantagem de ser super impermeáveis....

Em pele, Massimo Dutti
2- Track pants, porque com a variedade de modelos amplos, extravagantes (e quase de certeza passageiros) que apareceram, prefiro cingir-me a uma opção elegante que ainda foi pouco explorada. A H&M tem a maior variedade de opções para estas "calças de fato de treino promovidas", by the way. Não digo que não a umas pantalonas mas disso já tenho para os dias em que apetece variar, e de jeans ou calças flared  estou bem servida - mas aconselho quem não tem nenhumas a tentar uma versão simples e favorecedora como esta.


3- Sheath dress ou vestido tubo da praxe- porque é de aproveitar sempre esta altura para comprar mais um. Nunca estão a mais.

"Carvela", Kut Geiger

4- *Mais* umas botas overknee, simples, impermeáveis, de pele preta. Aconselha-se um modelo luxuoso a quem já é viciada no género e deseja investir, mas para primeira aquisição (ou simplesmente, para ter mais uns exemplares porque já se sabe que este tipo de calçado não abunda por aí) vi alguns pares em couro verdadeiro bem interessantes com saltos de vários tamanhos nas megastores de calçado habituais, e.g. Seaside. 


Happy shopping!

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...