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Tuesday, January 19, 2016

Pessoas que esperam e esperam...até ganhar mofo


Acho muita graça às pessoas que esperam não sei o quê. Ou esperam não sei por quê, esperando que as outras as acompanhem nesse eterno esperar do que não prometeu de vir, mas que sentem que lhes é devido. Nesse ver navios no Alto de Santa Catarina. No seu sentar-se a ver como a grama cresce. 



Pessoas assim não comunicam: falam por enigmas, por indirectas, regem-se por negócios tácitos, por infinitas telepatias, por intrincados acordos de cavalheiros que nada têm de honrado, pois é a falar que a gente se entende e quem quer proceder de forma honesta, com boas intenções, não deixa lugar a dúvidas. São eternas crianças que querem o brinquedo, Deus nos livre se mais alguém tentar deitar mão ao brinquedo, mas não estão para se responsabilizar por ele.

 E muito de vez em quando, achando que um mundo que não funciona assim, porque nunca funcionou assim (irra, se funcionasse tínhamos a ruína da civilização há muito tempo) há-de abrir uma excepçãozinha para elas, lá dão um toque, lá se movem uns centímetros manipulando os outros a julgar que desta é que é, que algo mudará. Mas quem as conhece já se sabe que não. 



É apenas um interlúdio, uma tentativa no sentido de"que tudo mude para que tudo fique igual", como na cantiga do Elixir da Eterna Juventude do Sérgio Godinho. Só que a Pedra Filosofal não existe. A eterna Juventude não existe, por muito que se seja geneticamente abençoado (a) e até pareça que sim. Ninguém tem a eternidade pela frente, pelo menos não neste mundo. O tempo passa, a vida passa, não espera por quem está eternamente à espera de não sei quê sem desesperar, mas a fazer desesperar os outros. 



Como diria Freddie Mercury, time waits for nobody. Pessoas assim deviam aprender a letra desta canção de cor e salteado, como um mantra, a ver se deixam de achar que sentar-se numa eterna zona de conforto à espera de D. Sebastião é muito bom-  e pior, de contar que os demais achem isso normal, legítimo e arranjem um banquinho para esperar também...

Monday, January 18, 2016

"Antes de embarcares numa jornada de vingança, cava duas sepulturas"




A frase (provérbio chinês? Já não estou certa) é velha como os montes, usada a torto e a direito em filmes e em livros, mas verdadeira que se farta. 

Não digo que, por muito bom Cristão que se seja (e não me aborreçam por usar a vetusta expressão "bom cristão", porque culturalmente, senão na prática, a maioria ainda o vai sendo...) não possa ser legítimo, ou até benéfico, obter a justa retaliação em determinadas situações. Já se defendeu esse saudável meio termo em vários posts por aqui. Não raro, dando o troco acaba-se o ressentimento. É um "estamos quites" e passa-se à reconciliação ou a um afastamento cordial, dali a uns tempos uma pessoa até se ri do assunto e caso arrumado...



Depois, em dadas circunstâncias e com certas almas não se pode dar sempre a outra face. E pregar uma partida - ou uma bofetada, salvo seja- a quem foi maroto para começar não exclui automaticamente o perdão, que é uma obrigação de qualquer pessoa bem formada. Bem dizia a avó, que não o digo por ser minha avó mas para Santa só lhe faltava a auréola, "para maroto, maroto e meio". Não esqueçamos ainda outro aspecto: é que há uma diferença entre desforra (ou justiça) e vingança, que normalmente tem uma conotação de exceder em vigor ou crueldade a ofensa recebida....tudo muito certo.

Mas voltemos à frase que nos trouxe cá: muita gente vinga-se por hábito, por reflexo, por um estranho complexo do  tipo "não hão-de fazer de mim parvo (a)!".

 São pessoas que não aceitam que lhes levem a melhor nem a feijões, ainda que seja merecido. Algumas não são necessariamente maus diabos, mas a sua insegurança leva-as a nunca relaxar, a nunca confiar, a esperar sempre o piorzinho do piorio, mesmo das pessoas que conhecem melhor. Escusado será dizer que ter qualquer tipo de relacionamento afectivo com alguém assim é uma tarefa quase sempre condenada ao fracasso.

Ao menor mal entendido, eis que tratam quem os melindrou com alcatrão e penas, sem mesmo esperar para averiguar se estão a agir com justiça. Lançam mão de todos os requintes - discussões, ostracismo, desprezo, desfeitas - para vingar o grande crime de lesa majestade. E como nunca mais confiam a 100%, mesmo que tudo se esclareça, mas por outro lado não sabem passar sem a outra parte, vão acrescentando uma alfinetada aqui, outra ali, sem saírem realmente de cena.

Até que a pessoa visada se cansa e dá o troco. E que fazem as pessoas vingativas? Nunca têm a modéstia de aceitar um "touché, cheque-mate, estamos quites, estava a pedi-las". Pessoas vingativas não sabem brincar às vinganças. Fazem batota. Agem sempre como se tivessem sido elas as ofendidas em primeiro lugar, voltam sempre ao mesmo, fazem de disco riscado, continuam a atirar farpas e a inventar partidas cada vez piores para pagar a injúria.




É claro que a dada altura a "batalha" desorganiza-se toda, já não se sabe porque é que a picardia começou, são desencadeados acontecimentos imprevisíveis e, tal como nas vendettas das antigas famílias italianas, o relacionamento (seja amoroso, de amizade ou outro) deixa de ter salvação. 

E se o "adversário" tiver inteligência e um mínimo de espírito estratégico, mais tarde ou mais cedo apercebe-se de que há batalhas que não valem a pena e bate em retirada em modo "com os malucos não se discute", deixando o rancoroso a remoer-se sozinho.

Quem põe a satisfação da vingança acima de tudo, até da paz, da alegria da reconciliação, de estar com as pessoas que lhe importam - age como a cobra que mordeu a lima. Fere o próximo, destrói tudo à sua volta, mas o maior prejudicado é o próprio. Que regra geral, não percebe que cavou o próprio buraco e continua a deitar culpas aos outros...

Alminhas de meias-vaidades. Ou de preguiçosas vaidades.


Vivemos uma época em que as pessoas andam fixadas no corpo: quando não é o seu, é o dos outros. O fitness nunca esteve tanto na moda - salvo talvez na década de 1980, mas arrisco dizer que a nossa, com as redes sociais, imagens inspiradoras no Pinterest, informação sobre o assunto constantemente disponível e amplo espaço para discutir o assunto, levou a questão a um patamar nunca visto.

E é claro que há gente que exagera e/ou usa o ginásio como desculpa para adoptar comportamentos/opções questionáveis ou ridículos (em termos sociais, morais, de estética e saúde): dos taradinhos da corrida, perdão, running, que o fazem para inglês ver a levar com fumo de escape nas trombas só para aparecer, passando pelos Ricardões - bimbos bombados de ginásio  e mulheres -melancia, sem esquecer as rapariguinhas "largas de ossos" que cedem a um excesso de entusiasmo com actividades  pesadotas como o cross fit, acabando com um aspecto a meu ver menos feminino e elegante, até a quem perde a alegria de viver porque só come porcarias extremamente saudáveis and so on

Cuidar do corpo sem tratar do espírito é má receitaBut to each their own - afinal, perfeito só Deus e mal ou bem, as pessoas passaram a mexer-se mais.

No entanto, pior ainda são as outras: não só as preguiçosas e lambareiras que criticam os padrões de beleza, mas as híbridas.

 E que vêm a ser as híbridas, perguntam vocês? São as que - preguiçosas também- até caem numa modernice ou duas só para inglês ver, até fingem que se preocupam com a forma, mas só para se queixarem. Acção e disciplina que é boa, nada. São almas que gastam um balúrdio numa inscrição no ginásio (quando quem quer faz perfeitamente ginástica em casa, ou vai correr para o parque que é grátis) mas nunca lá põem os ténis, ou que até podem ter um ginásio no condomínio sem pagarem mais por isso mas mover um dedinho, está quieto. 

O que se resumiria a um o mal é delas, se não tivessem a lata de se lamuriarem- ou de que até o ar as engorda, ou de que a celulite é culpa da má raça...

 Mas algumas vão ainda mais longe: grosseironas que só visto, são capazes de se fingir muito delicadas, de aderir a dietas parvas da moda, de tirar o sal e a lactose da alimentação, mas só porque viram isso no facebook e sem considerar que isso as deixará ainda mais letárgicas do que já são e com a pele pior do que já está. E enquanto isso vão enfardando toda a sorte de lambarices (nada contra as guloseimas, desde que se saiba comer) e entupindo o organismo de hormonas que não se sabe que consequências terão...alapadas no sofá a ver novelas.

Ainda há dias reparava numa senhora dos seus sessentas que estava no café: gordíssima a beirar o risco de vida, despenteada que chegasse, com roupa justa a rebentar, mas pintada como uma galinha da Índia, perfumada como um bidé, carregada de tudo quanto era bijutaria espampanante e com umas garras de meio metro mais vistosas ainda. Nem sei como conseguia caminhar ou mexer em alguma coisa com tanto penduricalho...


Ok, certo, mas....
 Quase sempre estas pessoas são as que caem noutras meias vaidades- termo que não tem nada a ver com meias e peúgas. Ou de preguiçosas/ignorantes vaidades, se preferirem: as que não passam sem o brushing feito no cabeleireiro mas não cuidam da pele, só vestem roupa de má qualidade e calçam sapatões reles que dão cabo dos pés; as que não se cuidam minimamente mas morrem se as unhas tiverem um aspecto humano, de comprimento e cor normal; as que não fazem uma limpeza aos dentes mas tratam de os enfeitar com um piercing de brilhantes, and so on.

A sério que não percebo: cada pessoa tem as suas prioridades e está no seu direito, mas ou bem que há cuidado com a imagem, ou bem que não há. Porque fica muito estranho. É preferível cuidar um bocadinho de cada coisa e ter tudo minimamente apresentável a exagerar nuns aspectos e desleixar outros. Mas vejo tanta gente híbrida por aí que já se chega a duvidar do certo e do errado neste mundo...

Sunday, January 17, 2016

Um português é condecorado onde quer, ora pois então.




Tony Carreira foi condecorado com a Comenda de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras Francesas, distinção já atribuída a David Bowie, Bob Dylan, Amália Rodrigues e outras augustas personagens (o que me faz pensar o que se passa com os franceses, mas dado que têm tido coisas mais sérias em que pensar, assumo que não estarão em si).

 E Tony Carreira, que é um artista português com a "humildade" que a generalidade dos portugueses valoriza acima de tudo (mas que geralmente corresponde a ser simplório, não a ser modesto) entendeu que havia, porque havia, de receber a sua *com todo o respeito* bugiganga na Embaixada de Portugal em França. Mas vendo o pedido recusado, eis que ficou sentidíssimo, a dizer que no seu país só o vão valorizar quando tiver os pés para a cova. (Sim, Tony. O Tony é daqueles artistas incompreendidos que ninguém aprecia. Tem mesmo carinha de fome, deixe-me que lhe diga).

E segundo o Correio da Manhã, sempre atento a estas folestrias nas redes sociais, o grande artista comunicou o incidente via facebook num post que bem precisava da pontuação revista, reparem:

Que eu não digo que toda a gente tenha de escrever como um Eça, mas quem é tão rigoroso com os músicos (dizem) para tocarem cantiguinhas que não têm nada de complicado, bem podia arranjar um assessor para estas coisas. 
Que há-os baratos, juro, e embora alguns saiam da faculdade num estado que Deus nos acuda, duvido que não lhe soubessem dizer que escrevinhar "ao me homenagearem" fica macarrónico.

Mas voltemos à "polémica" da Embaixada Portuguesa em França (ou da Embaixada Portuguesa em Paris, que pelos vistos o Tony é que sabe tudo!).

Pausa para reflexão aqui, que eu não quero ser injusta...ou Tony Carreira é de uma simplicidade que beira o pitoresco por achar que se agenda qualquer evento numa embaixada como quem faz uma patuscada lá em casa ou na Associação Desportiva e Recreativa do burgo (hipótese muito provável) ou desconhece completamente que haja um protocolo ou que talvez, só talvez, a iniciativa deveria partir do Embaixador (igualmente plausível) ou simplesmente, sente que tudo lhe é devido. Eu percebo a sua magoazinha. Não lhe basta vender milhões de discos, encher salas e arrastar multidões com a música que, goste-se ou não, sabe fazer. Não se dá por feliz por ter arranjado uma fórmula que resultou lindamente para si. Tony Carreira já tem o sucesso, mas falta-lhe o prestígio. Quer ser levado a sério, não entendido como um cantor pimba promovido, overrated (ou tolerado por alguns) ou um Julio Iglesias de trazer por casa. Mas lá dizia o outro, esse sim um grande artista- you can´t always get what you want. Levante as mãos para o céu, homem, que quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré mas pode-se ser uma lagartixa feliz e estupendamente colocada, o que me parece ser o caso...

De todo o modo a coisa educada a fazer era ignorar o assunto, fazer a festa num local mais adequado, receber a distinção contente e feliz, comemorar com a sua legião de fãs, eu sei lá, o que quer que aconteça lá no seu mundo. Mas não...nem era festa (desculpem, detesto o nome, mas aqui vai) de um tuga humilde se não houvesse um bocadinho de desacato.

O nosso embaixador em terras gaulesas, José Filipe Moraes Cabral, pouco adiantou, mas a embaixada fez saber o óbvio ou seja, que a recusa é lógica: não se atribuem condecorações de um país na embaixada de outro país.

A resposta não convenceu o Comendador Tony que, muito cioso da sua importância para todos os portugueses (eu dispensava a honra), refilou com a habitual mania lusa de "dar um jeitinho", criando uma polémica onde não se passava rigorosamente nada: "E porque não? França é um aliado que quis homenagear um português, Portugal não pode abrir as portas de casa a essa homenagem?".

Não, se calhar não pode. Mas se calhar até há aí alguma discreta má vontade, não sei, que isto de "dar jeitinhos" e "abrir excepções" não é o meu departamento, logo não afirmo. Mas a ter havido qualquer desconforto na Embaixada por acolher uma homenagem a um cantor que - tenha o incontestável sucesso que tiver - não representa com justiça a cultura portuguesa ou o perfil de todos os portugueses, tiro-lhe o meu chapéu. Ainda há quem se recuse a ir com o rebanho e a aceitar que sim, que o Tony Carreira é um grande vulto cultural só porque de repente se tornou aceitável fazer-lhe a vontade ou afirmar-se muitíssimo democrático...

Os homens querem respeito, as mulheres querem ser amadas (?)



Esta semana encontrei um texto interessante na linha de muito do que tem sido dito por aqui...

Claro que o seu conteúdo se resume àquilo que as nossas avós estavam fartas de saber: os homens valorizam o respeito acima de tudo. Tanto como as mulheres colocam "sentir-se amadas" no topo das prioridades. Diz Karen Brody, terapeuta de casais, que coloca ainda a pergunta:

"Onde é que as mulheres foram buscar a ideia de que queixando-se, os homens farão alguma coisa?"

Não é que os homens sejam uns seres extraterrestres e insensíveis aos sentimentos e necessidades das mulheres (bom, há alguns, mas esses não contam porque a brutidade não conhece sexos). As mulheres também querem respeito, e os homens desejam igualmente sentir-se acarinhados. Simplesmente, homens e mulheres têm diferentes carências/prioridades, e formas distintas de comunicar. Em tempos idos, as mulheres, dado o seu papel de bastidores, percebiam isto muito bem e tratavam de conseguir o que desejavam sendo femininas e persuasivas


Nesta parceria tácita entre "queridos inimigos" as casas eram governadas sem dramas e os homens, embora se considerassem "chefes de família" cumpriam frequentemente, sem tirar nem por, as indicações da mulher, achando que era tudo ideia deles. Assim se vingava a passividade do sexo e se impunha uma certa sensatez feminina, nomeadamente em assuntos sérios como o orçamento doméstico. "Elas" sabiam aquilo que qualquer mulher que tenha tido uma educação minimamente tradicional (ou uma avó e irmãos em casa) ouve desde pequena e que soa antiquado ou disparatado: com "eles" não se consegue nada por mal!

Ora, num cenário actual isto pode parecer ridículo; primeiro porque culturalmente falando, as ideias de "igualdade" mal explicadas ou inadequadas vieram esbater muito esta noção que tanto jeito nos dava. Tentaram 
doutrinar-nos para achar que temos de falar de forma agressiva, mandona e masculina para que nos levem a sério. 

Segundo, porque numa dinâmica familiar em que se está no mesmo pé com os homens da casa, isto não faz, à primeira vista, lá muito sentido. Eu sei. Been there, done that

Obedecer e respeitar o pai ou o avô parecia-me tudo muito lindo e muito lógico, mas porque carga de diabos havia de estar com artimanhas para que o irmão ou o primo, da mesma idade (e com tão pouca autoridade como eu) fizessem sem resmungar nem arrastar os pés, aquilo que era sua obrigação? Olhem que demorou anos a entranhar tal estratégia. Até que um dia o senhor mano atirou que ser "bruta" ou "parva" na forma como se lhe pedia as coisas só fazia com que uma tarefa que podia estar terminada em dez minutos ficasse exactamente como estava, mas levar a uma longa disputa que escalava por ali fora. 

Mais ainda, eu até não falava rispidamente por mal, mas ele parecia levar isso a sério e ficar sentido. Quem diria? E então - manha feminina ou fruto da maturidade- decidi, muito cientificamente, testar a fórmula da delicadeza com os cavalheiros da família. E olhem que pode não resolver tudo, ou não ser possível empregá-la o tempo todo (somos humanas, afinal) mas baixar o tom e usar uma forma mais suave de falar fez uma diferença abismal.

O mesmo se passa na dinâmica de casal, como já vimos: é certo que actualmente, quando a maioria das mulheres trabalha tanto como os homens fora de casa, é pedir muito que tratem os maridos com pinças, como esposas de Stepford. Mas a verdade é que embora os costumes se tenham alterado, não necessariamente para melhor, nem a genética nem séculos de hábito desaparecem. Então pergunto, o que é mais prático? É falar-lhes de igual para igual, faça isto, faça aquilo, nunca me compras flores/nunca me ouves, rinhinhi rinhonhó, tenho de ser eu a fazer tudo, és um preguiçoso e um egoísta, a sua mãe que o ature, etc.... porque é suposto homens e mulheres serem iguaizinhos e soa antiquado ou injusto portar-se de outro modo...ou engolir um bocadinho do orgulho (ou da modernice feminista) sugerir as coisas com jeitinho e ser simpática, criando maior harmonia em casa? Deixo ao critério de cada uma...


Voltemos então à opinião da especialista: "de facto, os homens não são obtusos. Na realidade, são altamente sensíveis ao tom de uma mulher e àquilo que ela transmite por trás disso. 

Os homens precisam de respeito como uma mulher precisa de amor. Qualquer sinal de que o respeito não está presente cria sentimentos de fracasso e desconfiança, que não ajudam nada a amar mais. Da mesma forma que uma mulher definha quando não se sente acarinhada, a vontade de um homem apoiar a mulher desaparece quando ele não se sente respeitado. Ela é posta na categoria das pessoas em que ele não pode confiar, e todos os pedidos dela caem em orelhas moucas. As palavras duras (de qualquer tipo) ou um tom duro destroem o amor. E aprendi que devo fazer tudo para evitar descarregar tais coisas em alguém que eu amo. A melhor forma de conseguir que um homem lhe dê amor, afeição, ou qualquer coisa necessária, é pedir directamente. Os homens respeitam as mulheres que «não fazem jogos» ou seja, que não atiram pistas sob a forma de queixas, mas pedem o que querem e dão ao homem a chance de levar a melhor".

Dá que pensar, não?






 

Saturday, January 16, 2016

Brilhante conclusão do dia: um elogio pesca o outro



Almoço com amigas, desaguando naquilo que Eça de Queiroz chamava "conversa de mulheres, miudinha e divagada, semelhante ao ramalhar das folhas" - também, não se pode falar sempre de coisas sérias...

E eis que alguém comenta que nunca se viu, como nas redes sociais, tanta mulher que vai do banal até ao feiote receber rasgados elogios: qualquer careta publicada num exercício de vaidade fátua - e ultimamente, coberta de tantos filtros que nem se reconhece a alminha retratada-  merece incensos de "lindíssima" para cima...

Ora, que homens desesperados em busca de diversão o façam nas páginas das desmioladas que tudo deixam público e que aceitam a amizade virtual a toda a gente, vá: o grau de exigência não é grande, tudo o que vem à rede é peixe, há que semear alguns louvores em quantas páginas há a ver se alguma lhe cai em graça, beggars can´t be choosers.

Mas as mulheres umas às outras? Não atinávamos com essa. É certo que quem feio ama bonito lhe parece e que às vezes o elogio é de rigueur, quanto mais não seja a massagenzita ao ego para levantar a moral da amiga; tudo muito justo. 


Mas há maneiras que soam mais plausíveis de elogiar (ou, pois o objectivo em perfis do estilo costuma ser esse) de chamar a atenção do sujeito em que a amiga está interessada para a "boniteza" (ou disponibilidade?) dela; mas ora abóbora, há ser agradável e há mentir. Pode sempre dizer-se que bem que ficou, minha querida; gosto muito de a ver; bonito retrato; estás tão gira; gosto muito da nova cor de cabelo...eu sei lá! Agora coisas como que beleza arrasadora, ou lindíssima...bem, isso é reservado a quem realmente impressiona, eu acho.

Foi então que uma das intervenientes lembrou o óbvio: mas vocês não percebem que elas fazem isso para pescar elogios umas das outras? Uma diz "és lindíssima" e a outra "não, tu é que és" ou "não chego aos teus calcanhares" e andam nisto pelos comentários abaixo, a trocar em crescendo vocábulos duvidosos do tipo "que gata"...uma alegria. Quem lesse sem ver as figuras, julgaria que era Nefertiti a trocar galhardetes com Helena de Tróia, tal é a devoção demonstrada à beleza extraordinária umas das outras. 

Depois, já se sabe: se uma amiga, ou melhor, uma "miga" comenta a tua página, é imperativo comentar a dela de volta, garantindo um fornecimento permanente de likes, reacções, coraçõezinhos e louvores. Isto das redes sociais é como os enterros, se não se vai ao dos amigos não se pode esperar que eles retribuam a gentileza. Conclui-se daqui que algumas pessoas têm razão quando dizem das mulheres - ou antes, das serigaitas e flausinas que dão mau nome a todas as outras - que são falsas, manhosas e interesseiras... 

Se é assim nas pequenas coisas, livra!

Friday, January 15, 2016

23 pinderiquices de marca maior (Parte II)

E continuamos a nossa lista. Segurem-se que vai custar um bocadinho:

15- O guarda roupa do mau-mau, e o look "afavelado"


Tudo o que tem sido dito ad nauseam: cultivar o tipo físico "mulher melancia" ou o look "bombado" do Carlão vulgo bimbo de ginásio com direito a esteróides (ou papas que fazem músculo, vá). Depois, o mau ar obrigatóriotoneladas de gel a espetar o cabelo para eles, cabelo esticadinho preto-graxa ou louro-queimado-com-chama para elas, garras multicoloridas, grandes brincos, ceroulas do demo, tigresse barata, tramp stamps, mini vestidos de lycra, calções-cueca,  sapatões sintéticos com aplicações douradas, já sabemos de cor a lista.

16- "Sobrepartilhar" as intimidades nas redes sociais



Mais uma que goes without saying, mas pronto. Uma coisa é não esconder aos amigos que se está numa relação ou que se foi mãe ou pai e partilhar alguns momentos chave ou retratos que ficaram mesmo engraçados.
 Outra é escarrapachar online cada beijinho, selfizinha, comidinha, fraldinha, comprinha, ceninha de ciúmes, probleminha...seja por auto-afirmação ("tenho o melhor namorado do mundo!") para "esfregar na cara de alguém" isto ou aquilo (que coisa feia!) ou por simples inconsciência, nunca é boa ideia. Para não falar nas frases de engate que além de ordinárias, gritam ao mundo "estou em desespero" e que deixam de aparecer misteriosamente quando a alminha encontra, por milagre, companhia. E no caso de namoros, nem falemos no aborrecimento que é, caso dêem para o torto, limpar toda a tralha da página e justificar a toda a gente o que é que correu mal, quando ainda há dias andavam em cenas melosas para todo o mundo ver. A moderação cabe em todo o lado, até nos facebooks da vida, e o que é demais é moléstia. Ou pinderiquice.

17- Pôr "nomes da moda" aos filhos

Tudo bem que mal por mal, antes Pombal: mais vale Martins, Constanças e Tomases em barda do que os nomes estrangeirados em moda há vinte anos atrás postos por quem nem tinha costela estrangeira, invariavelmente seguidos de um segundo nome em português mais ou menos normal mas que não batia certo, vulgo Priscila Patrícia ou coisa que o valha. 

Mas se querem um nome tradicional, neutro, pronunciável, basta fazer uma coisa simplicíssima que é dar ao pequeno ou à pequena o nome do avô/bisavó/tia. Ou fazer como os romanos e se o pai for António, chamar Antónia à rapariga, por exemplo. 


Existe uma engenhoca chamada árvore genealógica que é uma excelente fonte de inspiração e não faz sentido desprezar os antepassados, chamando Afonso ao crianço quando nunca ninguém na família foi Afonso, ou Beatriz à pequenota quando o pai é Pedro/Eduardo/Luís, a mãe Filipa, o avô Francisco e a bisavó até era Maria dos Anjos, da Graça, da Conceição, das Dores ou do Amparo, que é igualmente giro e não dá a ideia de ter vindo ao mundo em fornada com uma data de crianças de nome igual. Pior um pouco, a mania de pôr um segundo nome que não combina não se perdeu, por isso vêem-se híbridos estilo Martim Gabriel ou Constança Rafaela.

 E sabem o que é mais irritante? É que as pessoas cujos avoengos realmente eram Salvadores, Santiagos ou Leonores e os querem homenagear dando esse nome à descendência passam por parolas que aderiram aos nomes da modinha. Conheço uns quantos casos bem de perto, ó injustiça. Se os nomes de família forem todos péssimos ou muito complicados, pode sempre recorrer-se a outra tradição: dar o nome do santo do dia ou, se por acaso calha ser dia de Santo Eleutério ou Santa Prisciliana, escolher o nome de um Santo de devoção da família ou do orago da paróquia, e.g Sebastião, Bárbara e por aí fora.


18- Maluquices de casório


Fazer de bridezilla, querer emagrecer por força para o grande dia quando sempre se foi rechonchudinha (má ideia, mais vale escolher um vestido que favoreça porque assim como assim o noivo sabe o que está a comprar, salvo seja), mudar radicalmente de visual (e.g, fazer um penteado que deixe a noiva irreconhecível) levar vestidos cai cai para a igreja, encomendar sessões fotográficas encenadas pós casório (juro! como se não bastassem as sessões medonhas durante a cerimónia e copo de água) incluindo retratos dos noivos a fingir que voam, do noivo de calças arregaçadas e em mangas de camisa no lago dos patos, da noiva a abrir a camisa ao noivo em plena praia, do noivo a subir a saia à noiva (não sei para quê: alguns vestidos são tão reveladores que até os santinhos do altar já viram tudo); casamentos temáticos com direito a bolos igualmente temáticos (em forma de mota ou de saquinhos de compras, garanto que é verídico); exigir que os convidados usem todos certa cor (ouvi falar de uma noiva que exigiu que TODOS, homens e mulheres, levassem determinado tom de rosa) ou impor um dress code ridículo e inadequado, cansar os convidados de morte com mil actividades que mais parece uma festa cultural do município ou um circo, and so on.

19- Maluquices maternais


Além da overdose de partilhas nas redes sociais acima citada, a falar de cocó verde e assim- e de fazerem questão de dizer que os filhos são índigo, sobredotados ou os mais lindos do mundo a cada ocasião- há quem caia no extremo de culpar "a sua princesa" ou o "seu príncipe" pelo próprio desleixo. 
E pior, publicar frases motivacionais a dizer que as estrias/celulite/banhas são lindas e o maior dom da maternidade, que as mães que cuidam da forma são umas fúteis e umas tristes,etc. Isso e adoptar sem necessidade um corte de cabelo horrível, porque é tradição perder a feminilidade quando se põe um ser no mundo. Tudo com o apoio tácito do companheiro deprimente, se ele existe. Pinderiquicis deprimentis maximus é o nome que devia dar-se a isso.


20- Correr para as promoções/saldos/lançamentos/filas de autógrafos


Virar o Pingo Doce de patas ao ar e andar à pancada por um pack de detergente, ficar à porta da H&M à espera de uma fatiota assinada por um designer mas que não é luxo nem é fast fashion ao preço de um anel de brilhantes (não muito impressionante, mas já se compra alguma coisa por esse preço) trocar puxões de cabelo e rasteiras por qualquer bugiganga nos saldos, fazer fila no shopping para comprar um livro/disco autógrafo do cantor ou figurão de TV do momento mas achar que tudo o resto está muito caro, dormir à porta do estádio com um frio de rachar para ver uma banda que dali a meses desaparece do mapa, etc. Mas onde está a individualidade/sentido prático e do decoro/espírito crítico destas pessoas?


21- Mulheres a esgatanharem-se 


Seja a bulha pública, que é pior, ou em privado, que é quase tão mau. Virtualmente ou à estalada. Por causa de um homem ou por causa de outra coisa qualquer. E ainda dizerem que essa é a única forma válida de partir uma unha, lá vem a nail art à baila de novo. E pratos para lavar, não?

22- Usar a frase "o que é bom/bonito" é para se ver


Não é só indecente, nojentinho e inconsciente: é parolérrimo. É uma excelente desculpa para a falta de recato e para as figuras tristes. É um atestado imediato de boçalidade. É...you get the point.

23 - Dizer "fostes", "o comer"...




...usar o verbo "meter" para substituir dezenas de outros e escrever "ligas-te?" em vez de "ligaste?"...e demais sopapos no idioma, gírias adolescentes fora de época e relaxarias com o vocabulário. Volta palmatória, estás perdoada.



E haverá mais, mas 23 já é muita desgraça junta....







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