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Wednesday, January 20, 2016

Três filmes com looks inspiradores da semana


Eu e a minha mania de me sentar a ver filmes que já devia ter visto mas não me apeteceu ou não calhou. Ou que por acaso estão na máquina do tempo quando acontece andar à procura de qualquer coisa para me entreter nos bocaditos vagos. Quase sempre descubro alguns visuais inspiradores. Certos figurinistas têm de facto talento - e uma vida mesmo divertida...

1- The Bachelorette


Este tem uns anos, acho que até já tinha passado os olhos por ele e a premissa não me agradou muito (três raparigas dadas a todos os excessos e desbocadas que se fartam? Not my cup of tea!). Porém, vendo melhor, vale a pena deitar o olho às toilettes de Kirsten Dunst, que faz o papel de uma queen b***tch de primeira. E já se sabe, as vilãs (ou pelo menos, as anti-heroínas) vestem sempre melhor.


 Quando se trata de estilo, evil is cool. Para começo de conversa, a personagem, Reagan, tem um cabelo louro-branco lindo e decente (porque uma coloração loura, seja em tons frios ou quentes, não tem meio termo: ou parece muito bonita e muito cara ou é francamente reles). A actriz é loura natural mas mesmo assim está um trabalho muito bem feito. E é claro que uma má da fita carreirista mas sofisticada e super composta, uma mulher-Alfa do tipo Rainha do Gelo, não podia usar outro que o louro-açúcar de CZ Guest ou de Carolyn Bessette-Kennedy


A combinar com um bâton encarnado do mais clássico e um guarda roupa muito polido e lindo de morrer em tons neutros,com direito a acessórios Chanel, peças de Phillip Lim e Kate Spade. Os visuais das outras personagens também merecem uma olhadela- nomeadamente, Isla Fisher num vestido que só não passa das marcas porque é Dolce & Gabbana, que sabe a fronteira exacta entre o sexy e o vulgar: se um vestido é muito apertado, convém que seja extremamente bem feito.

Bom trabalho da versátil stylist Anna Bingemann.


2 - Millenium: The Girl With the Dragon Tattoo

Quando saiu não me despertou curiosidade, e esta semana apanhei o filme a meio... agora vou ter de o rever com atenção para mais detalhes, mas foi o suficiente para me agarrar às toilettes. Yup, que se dane o serial killer, o guarda-roupa é que me fez colar ao enredo.
 A figurinista Trish Summerville fez um trabalho extraordinário, embora subtil, vestindo na perfeição uma série de personagens diferentes de épocas distintas. 

De trajes dos anos 1960 ao visual Bon Chic Bon Genre da sempre lindíssima Joely Richardson passando pela elegância sóbria de Daniel Craig e pelo look punk-gótico de Rooney Mara (com uma colecção impressionante de perfectos e biker jackets envelhecidos de propósito que não consegui averiguar mas suspeito que possam ser Rick Owens, Yang Li ou Balenciaga)não esquecendo o seu disfarce de benzoca com vários trench coats e vestidos (Burberry?) em tons de bege, o filme é uma festa para olhos atentos.

3- Hansel & Gretel: Witch Hunters


Este já andava há séculos com curiosidade de ver e por acaso saiu mais interessante do que eu esperava. É muito difícil fazer a belíssima Gemma Arterton parecer mal (acho que a menina quando quer fica bem até num saco de batatas) mas nunca a vi tão bonita como aqui- o mérito também vai para o departamento de caracterização e maquilhagem, sem dúvida. 


Porém, quando se trata de um filme de conto de fadas, cuja acção se desenrola numa época não especificada (sec. XVIII? Inícios de século XIX, quando a versão mais conhecida de Hansel & Gretel foi publicada? Um período imaginário maluco?) é muito fácil cair na tentação de os figurinos parecerem máscaras baratas.


 Aqui não: a costume designer Marlene Stewart assegurou que cada detalhezinho foi bem feito, que as roupas tinham o devido toque "gasto" e que cada peça foi ajustada ao milímetro para quem a vestiu. De modo que temos um festival de corpetes, espartilhos, blusas de camponesa, calças e casacos em pele que parece bruxedo, mas que bem pensado, dava para pedir algumas coisas emprestadas e levar à rua nesta estação sem problemas, vide.





Tuesday, January 19, 2016

"Amiga é nossa barriga e não há-de ela doer"?


"Amiga é nossa barriga e não há-de ela doer" - a minha sábia avozinha repetia com frequência este adágio local, bem duro de escutar naquelas idades em que mesmo o adolescente mais bicho-do-mato quer fazer muita fé no seu grupinho de amigos. Era outra maneira de nos entranhar um dos lemas de uma família reservada e orgulhosa, que acreditava firmemente que o sangue é mais espesso do que a água

Ouvi vezes sem conta o raio da frase, geralmente seguida de um sermão que enaltecia os pais, os irmãos, a cara metade e meia dúzia de parentes escolhidos como as pessoas que realmente se importam connosco. Os amigos - os verdadeiros - segundo a avó eram raros, e mesmo esses estão sujeitos a falhas, egoísmos e imperfeições. Mesmo os que parecem tão próximos como a nossa barriga (que raio de imagem, mas seja) podem surpreender-nos com umas voltas e umas dores em caso de crise.


 Raciocínio que me ensinou a dar um grande desconto aos amigos, ou a não esperar demasiado deles - uma grande ajuda para manter amizades de longa data. É que por muita devoção que alguém nos tenha, no fundo cada um cuida dos seus assuntos. E quanto mais não seja, num momento de aflição, por muito que goste de nós, o desejo de salvar a pele ou de levar a melhor pode falar mais alto. Os heróis são poucos, os mártires e os santos menos ainda, e flores de honra andam em vias de extinção.

 Quem não põe expectativas muito altas, não se desilude. E já não falo dos "conhecidos", dos "amigos de estroinice", das simpatias superficiais. Mesmo entre os "bons e velhos amigos", há que lembrar sempre que ninguém é perfeito. E que uns são mais imperfeitos do que outros. 


Longas amizades existem, mas boa parte delas vive do "gosto muito da tua companhia" ou do "uma mão lava a outra". As puras, as abnegadas, as que confirmam a frase "amigos são a família que escolhemos" são raríssimas.

A outra avó, que pensava de modo semelhante, essa jurava pelo ditado "é no hospital e na prisão que se reconhecem os amigos". Pois a experiência mostrou-me que ela tinha razão mas que para cobrir todas as eventualidades, é preciso juntar-lhe a conclusão de Oscar Wilde: é mais fácil ser solidário com um amigo em desgraça do que ficar genuinamente feliz pelo seu triunfo.


Quem já foi bafejado pela boa sorte sabe que nos bons momentos tem de ser extra lúcido com as amizades, pois em alturas dessas há três tipos de amigos: os verdadeiros (que comemoram a boa nova, que se alegram pelo amigo sem despeito e sem se sentirem diminuídos) os aproveitadores (que surgem ou ressuscitam do nada para se colarem à boa estrela e tirarem alguma vantagem disso) e finalmente, os invejosos (que de repente se mostram intimidados, inferiorizados, pouco à vontade, ou têm mesmo a lata de darem "elogios" que não soam como deveriam, ou de "alfinetar" a alegria alheia). 


Para estes últimos, seria melhor que a pessoa ficasse como estava, que não saísse da cepa torta. Um amigo verdadeiro partilha o bom e o mau, quer o bem do outro e confia nele; logo sabe que uma volta para melhor na sua vida não o fará mudar nem estragará a amizade.  Se acreditasse nessa falta de carácter, não seria amigo da pessoa para começo de conversa. Por isso, se o (a) amigo (a) está a ter um merecido sucesso/enriqueceu/ herdou uma fortuna/emagreceu ou mudou de visual/recebeu uma grande promoção ou prémio/está numa relação fantástica/ficou famoso/casou bem/etc, para um amigo a sério a alegria dele (a) é como se fosse sua. 


 Mas para um amigo inseguro ou invejosito, já não é bem assim. Nem se trata tanto, ou só, do "porquê ele (a)e não eu?" (até porque as suas ambições podem não ter nada a ver com as do amigo). É mais um sentimento de não querer evoluir mas não gostar que os outros evoluam.  Recentemente li uma frase, esta para quem gosta de moda, que explica a ideia: "uma amiga verdadeira não te deixa sair de casa mal vestida". Já uma amiga falsa, alegra-se à socapa pela triste figura da outra.

Gente assim prefere a versão mais infeliz - e portanto, mais confortável - do suposto amigo. 


Sem mesmo dar chance à pessoa de provar a sua fidelidade, assume coisas do tipo: " fulano está todo importante: aposto que nos vai desprezar" ou "já não me sinto à vontade com sicrana agora que ela é a mais gira do grupo".A sua frase preferida é "beltrano mudou muito e já não conhece os amigos, fez-se um peneirento de nariz empinado" mas no fundo quer dizer "ele (a) já não é um de nós". Seja o "um de nós" um dos encalhados, um dos falidos, um dos fora de forma, um dos desleixados, um dos que estão em relações que não prestam, um dos azarados ou simplesmente, um "um de nós" imaginário.

Se tivesse cinco euros por cada vez que ouvi dizer isto de alguém, sabendo que se passava precisamente o oposto...vivia que nem um pachá.

Por isso, desculpe avó, mas permita-me aperfeiçoar a máxima: é na queda em desgraça e nos grandes triunfos que se distinguem os amigos.


 Mas um amigo verdadeiro tem outros traços distintivos. Um dos mais importantes, que normalmente não engana, é a paciência para aturar a pessoa no seu pior. O que é mais do que levar flores ao hospital ou chamar um táxi para quem bebeu demais. É sofrer o lado menos divertido, mais crítico, mais patético e definitivamente, menos glamouroso do amigo, por meses a fio se necessário for. É fazer pelo amigo ou amiga o que se faria pela família - maldizendo a sua sorte às vezes em modo "estou bem arranjada contigo" (elas) ou "olha-me este #$%&" (eles), gritando à pessoa que se recomponha porque já ninguém aguenta, mas nunca pondo em causa o seu apoio.


Outro que traça a linha entre os amigos bons e os outros é proteger o amigo a todo o custo - seja defendendo-o se outros dizem mal dele, interrompendo categoricamente alguma piada de mau gosto que visa vexar a pessoa, ficando ao seu lado na iminência de um desacato de bar que ameaça
 tornar-se físico ou sabendo escolher lados. Eu diria mesmo que a coragem é a característica mais marcante de um amigo verdadeiro porque a amizade, como o amor, exige bravura.


Muitas vezes um amigo vê-se posto à prova: seja interrompendo quem fala mal de um amigo ou troça dele (o que obriga a vencer a timidez, passar por desmancha-prazeres ou incompatibilizar-se com alguém) seja recusando-se a ser amigo dos desafectos do amigo, ou mesmo a tolerá-los com cordialidade: o inimigo do meu inimigo meu amigo é


 Ser amigo de alguém exige outra característica sine qua non, que é a lealdade: tomar as suas dores, custe o que custar. Nem sempre há formas diplomáticas de o fazer, mas lá dizia Dante: os piores lugares no inferno estão reservados a quem fica neutro em tempos de crise.


 Digam o que disserem, quem é amigo de todos, não é amigo de ninguém. É impossível gostar muito de uma pessoa, ser seu confidente, comer o seu sal como dizem os árabes... e ao mesmo tempo compactuar, em alegre camaradagem, com quem lhe fez alguma maldade ou lhe quer mal. Isso não é exequível nem no amor, nem na guerra, nem na diplomacia, e na amizade também não. Claro que se pode dizer que acontece às vezes na política, onde os inimigos de hoje são os aliados de amanhã.


 Mas não esqueçamos que os políticos têm de ser vira casacas uma vez por outra e procuram o poder acima de tudo; logo a arte do possível , a realpolitiks, não pode espelhar-se na amizade
 nem servir-lhe de modelo. Se alguém "não está para se maçar" se diz muito "eu não me meto nisso" ou "isso é lá com vocês, resolve tu"; se prefere ofender um íntimo a melindrar um suposto conhecido, não é que seja uma pessoa dada à paz: é antes dada ao egoísmo, ao seu conforto, à sua cobardia.


 Até pode ser uma alma muito divertida, muito prestável, um cortesão razoável ou um político de mão cheia, mas não serve para amigo do peito. Amigos são aliados. Nas alegrias e nas guerras de cada um. 

A frase "sou amigo do meu amigo" é estafada até à exaustão, mas muita gente confunde amizade com simpatia ou afinidade. Não percebe que "ser uma barriga que nunca há-de doer", ser um amigo verdadeiro, não é tão diferente de fazer um casamento durar. É uma canseira. É um compromisso. É um juramento de bandeira. Por muito que viva de farras e galhofas, é uma coisa muito séria para gente séria...



Pessoas que esperam e esperam...até ganhar mofo


Acho muita graça às pessoas que esperam não sei o quê. Ou esperam não sei por quê, esperando que as outras as acompanhem nesse eterno esperar do que não prometeu de vir, mas que sentem que lhes é devido. Nesse ver navios no Alto de Santa Catarina. No seu sentar-se a ver como a grama cresce. 



Pessoas assim não comunicam: falam por enigmas, por indirectas, regem-se por negócios tácitos, por infinitas telepatias, por intrincados acordos de cavalheiros que nada têm de honrado, pois é a falar que a gente se entende e quem quer proceder de forma honesta, com boas intenções, não deixa lugar a dúvidas. São eternas crianças que querem o brinquedo, Deus nos livre se mais alguém tentar deitar mão ao brinquedo, mas não estão para se responsabilizar por ele.

 E muito de vez em quando, achando que um mundo que não funciona assim, porque nunca funcionou assim (irra, se funcionasse tínhamos a ruína da civilização há muito tempo) há-de abrir uma excepçãozinha para elas, lá dão um toque, lá se movem uns centímetros manipulando os outros a julgar que desta é que é, que algo mudará. Mas quem as conhece já se sabe que não. 



É apenas um interlúdio, uma tentativa no sentido de"que tudo mude para que tudo fique igual", como na cantiga do Elixir da Eterna Juventude do Sérgio Godinho. Só que a Pedra Filosofal não existe. A eterna Juventude não existe, por muito que se seja geneticamente abençoado (a) e até pareça que sim. Ninguém tem a eternidade pela frente, pelo menos não neste mundo. O tempo passa, a vida passa, não espera por quem está eternamente à espera de não sei quê sem desesperar, mas a fazer desesperar os outros. 



Como diria Freddie Mercury, time waits for nobody. Pessoas assim deviam aprender a letra desta canção de cor e salteado, como um mantra, a ver se deixam de achar que sentar-se numa eterna zona de conforto à espera de D. Sebastião é muito bom-  e pior, de contar que os demais achem isso normal, legítimo e arranjem um banquinho para esperar também...

Monday, January 18, 2016

"Antes de embarcares numa jornada de vingança, cava duas sepulturas"




A frase (provérbio chinês? Já não estou certa) é velha como os montes, usada a torto e a direito em filmes e em livros, mas verdadeira que se farta. 

Não digo que, por muito bom Cristão que se seja (e não me aborreçam por usar a vetusta expressão "bom cristão", porque culturalmente, senão na prática, a maioria ainda o vai sendo...) não possa ser legítimo, ou até benéfico, obter a justa retaliação em determinadas situações. Já se defendeu esse saudável meio termo em vários posts por aqui. Não raro, dando o troco acaba-se o ressentimento. É um "estamos quites" e passa-se à reconciliação ou a um afastamento cordial, dali a uns tempos uma pessoa até se ri do assunto e caso arrumado...



Depois, em dadas circunstâncias e com certas almas não se pode dar sempre a outra face. E pregar uma partida - ou uma bofetada, salvo seja- a quem foi maroto para começar não exclui automaticamente o perdão, que é uma obrigação de qualquer pessoa bem formada. Bem dizia a avó, que não o digo por ser minha avó mas para Santa só lhe faltava a auréola, "para maroto, maroto e meio". Não esqueçamos ainda outro aspecto: é que há uma diferença entre desforra (ou justiça) e vingança, que normalmente tem uma conotação de exceder em vigor ou crueldade a ofensa recebida....tudo muito certo.

Mas voltemos à frase que nos trouxe cá: muita gente vinga-se por hábito, por reflexo, por um estranho complexo do  tipo "não hão-de fazer de mim parvo (a)!".

 São pessoas que não aceitam que lhes levem a melhor nem a feijões, ainda que seja merecido. Algumas não são necessariamente maus diabos, mas a sua insegurança leva-as a nunca relaxar, a nunca confiar, a esperar sempre o piorzinho do piorio, mesmo das pessoas que conhecem melhor. Escusado será dizer que ter qualquer tipo de relacionamento afectivo com alguém assim é uma tarefa quase sempre condenada ao fracasso.

Ao menor mal entendido, eis que tratam quem os melindrou com alcatrão e penas, sem mesmo esperar para averiguar se estão a agir com justiça. Lançam mão de todos os requintes - discussões, ostracismo, desprezo, desfeitas - para vingar o grande crime de lesa majestade. E como nunca mais confiam a 100%, mesmo que tudo se esclareça, mas por outro lado não sabem passar sem a outra parte, vão acrescentando uma alfinetada aqui, outra ali, sem saírem realmente de cena.

Até que a pessoa visada se cansa e dá o troco. E que fazem as pessoas vingativas? Nunca têm a modéstia de aceitar um "touché, cheque-mate, estamos quites, estava a pedi-las". Pessoas vingativas não sabem brincar às vinganças. Fazem batota. Agem sempre como se tivessem sido elas as ofendidas em primeiro lugar, voltam sempre ao mesmo, fazem de disco riscado, continuam a atirar farpas e a inventar partidas cada vez piores para pagar a injúria.




É claro que a dada altura a "batalha" desorganiza-se toda, já não se sabe porque é que a picardia começou, são desencadeados acontecimentos imprevisíveis e, tal como nas vendettas das antigas famílias italianas, o relacionamento (seja amoroso, de amizade ou outro) deixa de ter salvação. 

E se o "adversário" tiver inteligência e um mínimo de espírito estratégico, mais tarde ou mais cedo apercebe-se de que há batalhas que não valem a pena e bate em retirada em modo "com os malucos não se discute", deixando o rancoroso a remoer-se sozinho.

Quem põe a satisfação da vingança acima de tudo, até da paz, da alegria da reconciliação, de estar com as pessoas que lhe importam - age como a cobra que mordeu a lima. Fere o próximo, destrói tudo à sua volta, mas o maior prejudicado é o próprio. Que regra geral, não percebe que cavou o próprio buraco e continua a deitar culpas aos outros...

Alminhas de meias-vaidades. Ou de preguiçosas vaidades.


Vivemos uma época em que as pessoas andam fixadas no corpo: quando não é o seu, é o dos outros. O fitness nunca esteve tanto na moda - salvo talvez na década de 1980, mas arrisco dizer que a nossa, com as redes sociais, imagens inspiradoras no Pinterest, informação sobre o assunto constantemente disponível e amplo espaço para discutir o assunto, levou a questão a um patamar nunca visto.

E é claro que há gente que exagera e/ou usa o ginásio como desculpa para adoptar comportamentos/opções questionáveis ou ridículos (em termos sociais, morais, de estética e saúde): dos taradinhos da corrida, perdão, running, que o fazem para inglês ver a levar com fumo de escape nas trombas só para aparecer, passando pelos Ricardões - bimbos bombados de ginásio  e mulheres -melancia, sem esquecer as rapariguinhas "largas de ossos" que cedem a um excesso de entusiasmo com actividades  pesadotas como o cross fit, acabando com um aspecto a meu ver menos feminino e elegante, até a quem perde a alegria de viver porque só come porcarias extremamente saudáveis and so on

Cuidar do corpo sem tratar do espírito é má receitaBut to each their own - afinal, perfeito só Deus e mal ou bem, as pessoas passaram a mexer-se mais.

No entanto, pior ainda são as outras: não só as preguiçosas e lambareiras que criticam os padrões de beleza, mas as híbridas.

 E que vêm a ser as híbridas, perguntam vocês? São as que - preguiçosas também- até caem numa modernice ou duas só para inglês ver, até fingem que se preocupam com a forma, mas só para se queixarem. Acção e disciplina que é boa, nada. São almas que gastam um balúrdio numa inscrição no ginásio (quando quem quer faz perfeitamente ginástica em casa, ou vai correr para o parque que é grátis) mas nunca lá põem os ténis, ou que até podem ter um ginásio no condomínio sem pagarem mais por isso mas mover um dedinho, está quieto. 

O que se resumiria a um o mal é delas, se não tivessem a lata de se lamuriarem- ou de que até o ar as engorda, ou de que a celulite é culpa da má raça...

 Mas algumas vão ainda mais longe: grosseironas que só visto, são capazes de se fingir muito delicadas, de aderir a dietas parvas da moda, de tirar o sal e a lactose da alimentação, mas só porque viram isso no facebook e sem considerar que isso as deixará ainda mais letárgicas do que já são e com a pele pior do que já está. E enquanto isso vão enfardando toda a sorte de lambarices (nada contra as guloseimas, desde que se saiba comer) e entupindo o organismo de hormonas que não se sabe que consequências terão...alapadas no sofá a ver novelas.

Ainda há dias reparava numa senhora dos seus sessentas que estava no café: gordíssima a beirar o risco de vida, despenteada que chegasse, com roupa justa a rebentar, mas pintada como uma galinha da Índia, perfumada como um bidé, carregada de tudo quanto era bijutaria espampanante e com umas garras de meio metro mais vistosas ainda. Nem sei como conseguia caminhar ou mexer em alguma coisa com tanto penduricalho...


Ok, certo, mas....
 Quase sempre estas pessoas são as que caem noutras meias vaidades- termo que não tem nada a ver com meias e peúgas. Ou de preguiçosas/ignorantes vaidades, se preferirem: as que não passam sem o brushing feito no cabeleireiro mas não cuidam da pele, só vestem roupa de má qualidade e calçam sapatões reles que dão cabo dos pés; as que não se cuidam minimamente mas morrem se as unhas tiverem um aspecto humano, de comprimento e cor normal; as que não fazem uma limpeza aos dentes mas tratam de os enfeitar com um piercing de brilhantes, and so on.

A sério que não percebo: cada pessoa tem as suas prioridades e está no seu direito, mas ou bem que há cuidado com a imagem, ou bem que não há. Porque fica muito estranho. É preferível cuidar um bocadinho de cada coisa e ter tudo minimamente apresentável a exagerar nuns aspectos e desleixar outros. Mas vejo tanta gente híbrida por aí que já se chega a duvidar do certo e do errado neste mundo...

Sunday, January 17, 2016

Um português é condecorado onde quer, ora pois então.




Tony Carreira foi condecorado com a Comenda de Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras Francesas, distinção já atribuída a David Bowie, Bob Dylan, Amália Rodrigues e outras augustas personagens (o que me faz pensar o que se passa com os franceses, mas dado que têm tido coisas mais sérias em que pensar, assumo que não estarão em si).

 E Tony Carreira, que é um artista português com a "humildade" que a generalidade dos portugueses valoriza acima de tudo (mas que geralmente corresponde a ser simplório, não a ser modesto) entendeu que havia, porque havia, de receber a sua *com todo o respeito* bugiganga na Embaixada de Portugal em França. Mas vendo o pedido recusado, eis que ficou sentidíssimo, a dizer que no seu país só o vão valorizar quando tiver os pés para a cova. (Sim, Tony. O Tony é daqueles artistas incompreendidos que ninguém aprecia. Tem mesmo carinha de fome, deixe-me que lhe diga).

E segundo o Correio da Manhã, sempre atento a estas folestrias nas redes sociais, o grande artista comunicou o incidente via facebook num post que bem precisava da pontuação revista, reparem:

Que eu não digo que toda a gente tenha de escrever como um Eça, mas quem é tão rigoroso com os músicos (dizem) para tocarem cantiguinhas que não têm nada de complicado, bem podia arranjar um assessor para estas coisas. 
Que há-os baratos, juro, e embora alguns saiam da faculdade num estado que Deus nos acuda, duvido que não lhe soubessem dizer que escrevinhar "ao me homenagearem" fica macarrónico.

Mas voltemos à "polémica" da Embaixada Portuguesa em França (ou da Embaixada Portuguesa em Paris, que pelos vistos o Tony é que sabe tudo!).

Pausa para reflexão aqui, que eu não quero ser injusta...ou Tony Carreira é de uma simplicidade que beira o pitoresco por achar que se agenda qualquer evento numa embaixada como quem faz uma patuscada lá em casa ou na Associação Desportiva e Recreativa do burgo (hipótese muito provável) ou desconhece completamente que haja um protocolo ou que talvez, só talvez, a iniciativa deveria partir do Embaixador (igualmente plausível) ou simplesmente, sente que tudo lhe é devido. Eu percebo a sua magoazinha. Não lhe basta vender milhões de discos, encher salas e arrastar multidões com a música que, goste-se ou não, sabe fazer. Não se dá por feliz por ter arranjado uma fórmula que resultou lindamente para si. Tony Carreira já tem o sucesso, mas falta-lhe o prestígio. Quer ser levado a sério, não entendido como um cantor pimba promovido, overrated (ou tolerado por alguns) ou um Julio Iglesias de trazer por casa. Mas lá dizia o outro, esse sim um grande artista- you can´t always get what you want. Levante as mãos para o céu, homem, que quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré mas pode-se ser uma lagartixa feliz e estupendamente colocada, o que me parece ser o caso...

De todo o modo a coisa educada a fazer era ignorar o assunto, fazer a festa num local mais adequado, receber a distinção contente e feliz, comemorar com a sua legião de fãs, eu sei lá, o que quer que aconteça lá no seu mundo. Mas não...nem era festa (desculpem, detesto o nome, mas aqui vai) de um tuga humilde se não houvesse um bocadinho de desacato.

O nosso embaixador em terras gaulesas, José Filipe Moraes Cabral, pouco adiantou, mas a embaixada fez saber o óbvio ou seja, que a recusa é lógica: não se atribuem condecorações de um país na embaixada de outro país.

A resposta não convenceu o Comendador Tony que, muito cioso da sua importância para todos os portugueses (eu dispensava a honra), refilou com a habitual mania lusa de "dar um jeitinho", criando uma polémica onde não se passava rigorosamente nada: "E porque não? França é um aliado que quis homenagear um português, Portugal não pode abrir as portas de casa a essa homenagem?".

Não, se calhar não pode. Mas se calhar até há aí alguma discreta má vontade, não sei, que isto de "dar jeitinhos" e "abrir excepções" não é o meu departamento, logo não afirmo. Mas a ter havido qualquer desconforto na Embaixada por acolher uma homenagem a um cantor que - tenha o incontestável sucesso que tiver - não representa com justiça a cultura portuguesa ou o perfil de todos os portugueses, tiro-lhe o meu chapéu. Ainda há quem se recuse a ir com o rebanho e a aceitar que sim, que o Tony Carreira é um grande vulto cultural só porque de repente se tornou aceitável fazer-lhe a vontade ou afirmar-se muitíssimo democrático...

Os homens querem respeito, as mulheres querem ser amadas (?)



Esta semana encontrei um texto interessante na linha de muito do que tem sido dito por aqui...

Claro que o seu conteúdo se resume àquilo que as nossas avós estavam fartas de saber: os homens valorizam o respeito acima de tudo. Tanto como as mulheres colocam "sentir-se amadas" no topo das prioridades. Diz Karen Brody, terapeuta de casais, que coloca ainda a pergunta:

"Onde é que as mulheres foram buscar a ideia de que queixando-se, os homens farão alguma coisa?"

Não é que os homens sejam uns seres extraterrestres e insensíveis aos sentimentos e necessidades das mulheres (bom, há alguns, mas esses não contam porque a brutidade não conhece sexos). As mulheres também querem respeito, e os homens desejam igualmente sentir-se acarinhados. Simplesmente, homens e mulheres têm diferentes carências/prioridades, e formas distintas de comunicar. Em tempos idos, as mulheres, dado o seu papel de bastidores, percebiam isto muito bem e tratavam de conseguir o que desejavam sendo femininas e persuasivas


Nesta parceria tácita entre "queridos inimigos" as casas eram governadas sem dramas e os homens, embora se considerassem "chefes de família" cumpriam frequentemente, sem tirar nem por, as indicações da mulher, achando que era tudo ideia deles. Assim se vingava a passividade do sexo e se impunha uma certa sensatez feminina, nomeadamente em assuntos sérios como o orçamento doméstico. "Elas" sabiam aquilo que qualquer mulher que tenha tido uma educação minimamente tradicional (ou uma avó e irmãos em casa) ouve desde pequena e que soa antiquado ou disparatado: com "eles" não se consegue nada por mal!

Ora, num cenário actual isto pode parecer ridículo; primeiro porque culturalmente falando, as ideias de "igualdade" mal explicadas ou inadequadas vieram esbater muito esta noção que tanto jeito nos dava. Tentaram 
doutrinar-nos para achar que temos de falar de forma agressiva, mandona e masculina para que nos levem a sério. 

Segundo, porque numa dinâmica familiar em que se está no mesmo pé com os homens da casa, isto não faz, à primeira vista, lá muito sentido. Eu sei. Been there, done that

Obedecer e respeitar o pai ou o avô parecia-me tudo muito lindo e muito lógico, mas porque carga de diabos havia de estar com artimanhas para que o irmão ou o primo, da mesma idade (e com tão pouca autoridade como eu) fizessem sem resmungar nem arrastar os pés, aquilo que era sua obrigação? Olhem que demorou anos a entranhar tal estratégia. Até que um dia o senhor mano atirou que ser "bruta" ou "parva" na forma como se lhe pedia as coisas só fazia com que uma tarefa que podia estar terminada em dez minutos ficasse exactamente como estava, mas levar a uma longa disputa que escalava por ali fora. 

Mais ainda, eu até não falava rispidamente por mal, mas ele parecia levar isso a sério e ficar sentido. Quem diria? E então - manha feminina ou fruto da maturidade- decidi, muito cientificamente, testar a fórmula da delicadeza com os cavalheiros da família. E olhem que pode não resolver tudo, ou não ser possível empregá-la o tempo todo (somos humanas, afinal) mas baixar o tom e usar uma forma mais suave de falar fez uma diferença abismal.

O mesmo se passa na dinâmica de casal, como já vimos: é certo que actualmente, quando a maioria das mulheres trabalha tanto como os homens fora de casa, é pedir muito que tratem os maridos com pinças, como esposas de Stepford. Mas a verdade é que embora os costumes se tenham alterado, não necessariamente para melhor, nem a genética nem séculos de hábito desaparecem. Então pergunto, o que é mais prático? É falar-lhes de igual para igual, faça isto, faça aquilo, nunca me compras flores/nunca me ouves, rinhinhi rinhonhó, tenho de ser eu a fazer tudo, és um preguiçoso e um egoísta, a sua mãe que o ature, etc.... porque é suposto homens e mulheres serem iguaizinhos e soa antiquado ou injusto portar-se de outro modo...ou engolir um bocadinho do orgulho (ou da modernice feminista) sugerir as coisas com jeitinho e ser simpática, criando maior harmonia em casa? Deixo ao critério de cada uma...


Voltemos então à opinião da especialista: "de facto, os homens não são obtusos. Na realidade, são altamente sensíveis ao tom de uma mulher e àquilo que ela transmite por trás disso. 

Os homens precisam de respeito como uma mulher precisa de amor. Qualquer sinal de que o respeito não está presente cria sentimentos de fracasso e desconfiança, que não ajudam nada a amar mais. Da mesma forma que uma mulher definha quando não se sente acarinhada, a vontade de um homem apoiar a mulher desaparece quando ele não se sente respeitado. Ela é posta na categoria das pessoas em que ele não pode confiar, e todos os pedidos dela caem em orelhas moucas. As palavras duras (de qualquer tipo) ou um tom duro destroem o amor. E aprendi que devo fazer tudo para evitar descarregar tais coisas em alguém que eu amo. A melhor forma de conseguir que um homem lhe dê amor, afeição, ou qualquer coisa necessária, é pedir directamente. Os homens respeitam as mulheres que «não fazem jogos» ou seja, que não atiram pistas sob a forma de queixas, mas pedem o que querem e dão ao homem a chance de levar a melhor".

Dá que pensar, não?






 

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