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Sunday, January 31, 2016

Isto é Carnaval, ou é a sex shop do tio Belmiro?


Eu já vos disse várias vezes que sou muito foliona e que adoro o Entrudo- até partilhei aqui uma ou outra fatiota. Mas também já me tenho queixado quer da brasileirização, quer da pouca vergonhização do Carnaval...está bem que há que partir a loiça antes da Quaresma, mas não exageremos. Carnaval é Entrudo, é matrafonas e caretos e gigantones e bailes de máscaras glamourosos à moda antiga, é o Carnaval de Veneza, de Torres Vedras, de Trás-os-Montes ou da Beira Alta com a sua valsa malcriada ou o Mardi Gras. Todos os anos o assinalo de alguma maneira - ainda estou cá a pensar de que me vou mascarar desta vez - mas nunca me convencerão de que ele se festeja num samba à chuva com abanar de celulites (que as meninas mais parecem uns frangos de supermercado, brancas, geladas e com penas) ou com fatos manhosos de poliéster/ acetato/viscose, quanto mais reduzidos melhor (que invariavelmente acabam a levar com um agasalho que não combina por cima). Há que ter brio, até nas palhaçadas! 

Ora, hoje passaram-me uma postagem do facebook da mercearia do Tio Belmiro (até gosto de lá ir, mas um hipermercado nunca será senão uma mercearia gigante) que me deixou a pensar outra vez nisto. É que palavra de honra, a fatiota de Capuchinho ou lá o que era que ilustrava o sortido de máscaras de Carnaval era tão ordinareca que mais parecia um anúncio de uma loja para adultos. No melhor espírito que descrevi aqui. Era mini saia encarnada, era meias pela coxa, era um ar vulgar todos os dias. 

Estranhamente agora a publicação já não está disponível. Terão outros clientes/internautas dado pelo inapropriado da coisa e reclamado, ou feito troça? Não que seja novidade, de todo: Capuchinhos, Brancas de Neve e por aí fora em versão sexy é o que mais há por este mundo perdido. Mas num supermercado familiar, numa página toda fofinha com receitas e coisas assim, destoa. Por muito que a Popota se vista pior do que isto...


S.João Bosco: a ignorância é a mestra da admiração




Conta-se que S.João Bosco, que se homenageia hoje - canonizado em 1934 e aclamado por S.João Paulo II como "pai e mestre da juventude" - tinha um lado muito brincalhão. Como ficou órfão muito novo e não dispunha de grandes recursos, quando tinha por volta de dezassete anos trabalhou como criado de mesa num café em Chieri, no norte de Itália. E para se entreter, dedicava-se a fazer truques de magia que espantavam o patrão e a clientela.

 Na verdade, o seu repertório era de tal modo impressionante - de fazer aparecer um frango vivo no prato onde havia um frango assado a transformar dinheiro em lata ou água em vinho - que a dada altura o signor Cumino, dono do café, deixou de achar graça e foi a correr chamar um Padre , queixando-se de que tinha um mago em casa. Quem fazia tais coisas, só podia ser por artes demoníacas. 



O Padre tomou o caso a sério e chamou por sua vez o Cónego e Arcipreste, que não foi de modas e mandou vir o rapaz para o interrogar sobre a Fé. João respondeu a todas as questões com muito acerto, contendo o riso, e finalmente contou ao Cónego que tudo não passava de ilusionismo, demonstrando mesmo como fazia alguns truques. O bom do Inquisidor, que estivera quase para o denunciar ou - palavras suas- "com vontade de lhe dar uma sova" desatou então a rir-se da esperteza do rapaz e mandou-o embora com um presente, recomendando-lhe "vai, João, vai em paz e diz lá a todos que a ignorância é a mestra da admiração".

E não será mesmo? Se é verdade que para bem viver, para manter o entusiasmo na existência, é preciso nunca perder um certo espírito infantil de nos maravilharmos com o que é belo (e de encontrar beleza nas coisas mais simples) também não deixa de ser verdade que só os papalvos se admiram com tudo e pasmam para qualquer coisa. Sem espírito crítico, é-se refém de tudo e todos; quem não é um bocadinho mundano, um bocadinho céptico, passa por pateta, social e espiritualmente falando...



E isto verifica-se nos mais variados sectores: as pessoas que aderem a todas as modinhas e modismos, como se nunca tivessem visto nada, ou que ficam de joelhos perante qualquer figurão, fazem de labregas ou de pouco sofisticadas, no mínimo. Conhecem por acaso uma semi-celebridade da televisão? Ei-las a postar  bela da selfie, como quem encontrou um bicho raro. Há novidade?
Adoptam-na como se fosse a Pedra Filosofal e advogam em público a causa, com a devida mudança no retrato do perfil só para não ficarem atrás da carneirada toda.



 Uma personalidade visita a parvónia? Vai de convidá-la lá para casa no maior servilismo, não sem avisar  antes "a nossa casinha é muito simples". É o espírito das fangirls, groupies e fanboys, que seguem para toda  parte qualquer ídolo do momento. E em certas pessoas, esse espírito de teenager dura toda  vida. Falta-lhes sobriedade e noção do apropriado: afinal, quem teve acesso a muita coisa, quem já viu muita coisa e conheceu muita gente, não se deixa impressionar sem mais aquelas.



E o mesmo acontece quando se trata de questões de fé ou de remédios. Uma mixórdia fica na moda, toca a tomá-la. Uma terapia espiritual mais recente que muito whisky de supermercado anda na berra, toca a acreditar piamente no guru, só porque ele lhe disse com ar entendido "você teve problemas em pequenino" ou "uma tia que lhe morreu tem uns recados do Além para si" como se toda a gente não tivesse todo problemas em pequeno (de pais que não se entendiam a varicela e papeira) ou tias que bateram as botas.

Isto sem falar nas almas que - já com boa idade para ter juízo- mal entram numa relação, vai de jurar amor eterno em público e de partilhar intimidades que só aos envolvidos deviam dizer respeito, sem ao menos avaliarem se o caso tem pernas para andar.



 O espírito infantil de quem nunca viu nada é o mal de muita gente.  É mesmo um mandamento da elegância ser um pouco blasé e conter a admiração, por mais legítima que seja. Bem diziam Baudelaire e La Fontaine:  "há que  surpreender os outros sem que nós mesmos jamais o sejamos" e "aqueles que do mundo não têm nenhuma experiência deixam-se surpreender por coisas sem qualquer importância" .

O cinismo é como tudo na vida: tal como o ciúme e as especiarias, em excesso é mau, mas em pequenas doses traça a linha entre o saber estar e o pasmar para as coisas. Por muito ingénuo ou ávido de emoções que se seja, é possível ao menos fingir alguma indiferença para não passar por tolo. No mínimo, até se ter a certeza de que a "grande novidade" não é passageira, nem um verbo de encher ou um engodo de marca maior...






Saturday, January 30, 2016

Momento "tá-se tudo a passar"


O ano começa de tal modo que de repente só me lembram estes anúncios ou a canção do Jorge Palma. Ainda faltam uns dias para o Entrudo logo não sei se é disso, mas
 apetece-me indagar, como um senhor que conheci, se é do Carnaval, se é dos caretos, se é a Lua que anda a pôr as pessoas malucas. É que quando se começa a correr o fado da doideira, parece uma epidemia e é ver os casos a desfiarem-se como dominós a
 fazerem-se cair uns aos outros.


 Senão, vejam o que tenho visto, que fico capaz de me benzer com a mão esquerda e não é nada comigo: são filhos a renegarem pais, pais que se entretêm a arreliar os filhos de manhã à noite, melhores amigos de toda a vida a cortarem relações de forma súbita sem razão aparente - (com direito a cenas infantis do estilo "eu vou-te bloquear-te e deletar-te", como cantava o outro) gente ressabiada que se entretém a fazer chamadas assustadoras em plena luz do dia e a deixar nabos no pára-brisas das pessoas (nabos, por amor de Deus; de todas as partidas que se podiam pregar, para quê pendurar legumes tão volumosos?). 

Outros decidem dar em hippies, largar tudo, dormir no jardim com este frio para estarem "em contacto com a natureza e o seu Eu interior" e há ainda os que vendem o que têm e não têm para entregarem nas mãos de gurus new age porque o reiki e as pedras é que os hão-de salvar- até deitam fora todo o guarda roupa para passarem a vestir só túnicas. Já que falamos em horóscopos e bruxedos, o Ano do Macaco está à porta e pode ser que venha daí tanta macacada por antecipação. É melhor reforçarem a vigilância do Zoo e arranjarem algum espaço extra por lá pelo sim, pelo não, não vá ser preciso albergar gente também. Criarem alas a mais no manicómio também não seria má ideia, já agora. Ainda a procissão vai na ponte e já está assim...chegando a Primavera não sei o que será. Será que só eu reparo, ou notaram alguma coisa estranha lá para as vossas bandas?

Ainda há pais como deve ser.


E já se sabe, não há nada como um pai à moda antiga, com as quartas bem medidas, armado de sentido estético e do decoro, para pôr juízo nas filhas (que é afinal de contas, o seu trabalho) não importa a circunstância nem a idade delas. Nunca é tarde para aplicar a bela máxima chinelo canta, moral avança. Ora vejam:

1- Este pai de Terras de Vera Cruz que (em modo barraqueiro, mas pronto) impediu a filha de dançar twerk ou funk ou lá que coreografia demoníaca da selva vinha a ser aquilo, em plena rua, lembrando duas grandes verdades: "não foi assim que a tua mãe te educou" e " ninguém aqui é teu amigo nem te respeita". Ah grande.


PAI Pega filha Dancando Funk e olha o que ele fez :o
Posted by MC Maromba on Sunday, 24 January 2016



2- Um pai americano naquele programa em que as noivas desmioladas torram os miolos para escolher entre vários vestidos praticamente iguais e quase todos horrorosos (invariavelmente cai cai, tubo ou suspiro, a mostrar as gordurinhas todas). Homem conservador apesar do aspecto de motard, recusou-se a pagar 8 mil dólares  por um balandrau transparente e decotado ou a levar a filha ao altar nesses preparos feita flausina, porque "isso não parece vestido de noiva". A única forma de a pequena - que vá lá, mostrou tino- não sair dali de mãos a abanar foi a stylist propor alterar o modelo, acrescentando-lhe umas mangas 3/4. Ficou bem bonitinho, assinale-se, mas o melhor foi o comentário do sensato papá - que ele sim, devia ser o stylist ali: "sem as mangas, o vestido parecia incompleto". E é mesmo isso que muitos vestidos actuais me parecem...meio vestido! Um vestido meio feito, outro vestido por fazer, diga lá minha menina que disparate vem a ser? Como alguém comentou aqui no blog há dias e muito bem, querem por força usar no dia do casório vestidos de baile de debutantes. De baile de debutantes manhoso, vá, que os vestidos de baile é suposto terem qualidade e não serem decotados em exagero. 

You go, dad. Mai´nada.




Friday, January 29, 2016

"Nova" lei da Física: tudo quanto é mau * e reles* se junta


Digo nova mas se calhar nem é-  às tantas algum cientista genial já detalhou a fórmula dando-lhe outro nome ou usando outra premissa que não o mau e reles

Possivelmente, dizer que o semelhante atrai o semelhante resumiria a ideia, mas fica aquém. É que reparem, vejamos isto através de exemplos: muitas vezes temos dito por aqui que quanto mais extravagante, estapafúrdia, indiscreta e pouco democrática ou favorecedora uma tendência, mais depressa é adoptada por pessoas fora de forma e que já usam coisas discutíveis. Quando vieram as litas, foram rapidamente adoradas por quem usava bandage dresses de lycra brilhantes e curtíssimos  a mostrar o pernão. Quando vieram as tachas, foi ver quem gostava de calções extra curtos e sapatões a juntá-las ao seu guarda roupa. Fica tudo a fazer pendant, tudo a brilhar, tudo a dar nas vistas e de preferência, tudo em simultâneo que é para ferir bastante os olhos aos pobres inocentes que passam na rua. E quem diz isto em modas, di-lo nos comportamentos e nos hábitos. Por alguma razão certos sítios, certos bares, certas lojas atraem certo tipo de público e não outro. 



E quantos relacionamentos, negócios ou amizades acabam graças às más companhias? Pessoas aparentemente decentes que do nada, escolhem ombrear com gente que não interessa. E se postas perante um "ou nós, ou eles" nem pensam duas vezes. Quando assim é, fica o reles imediatamente identificado e não há que ter pena: como diz o povo, só se estraga uma casa...ou não se estragou, porque o mau fundo estava lá e foi só ver com uma luz daquelas forenses onde o lixo andava. A coisas que não prestam parecem ter um ímane para se colarem umas às outras. 



Basta estar atento para ver como isto é matemático e dar graças por esse detox espontâneo. Imaginem que em vossa casa o pó, as embalagens, os papéis e tudo o resto marchavam por seu pé, salvo seja, para a pá do lixo e daí para o caixote. E que uma vez lá, o saco preto dava um nó em si próprio e ia aos pulinhos até ao contentor ou Ecoponto, poupando-vos trabalho. Ficavam a lamentar-se? Não, até agradeciam ter a casa a brilhar sem nenhum esforço vosso ou da senhora da limpeza. E assim é com a vida: quando o que não interessa se afasta automática e alegremente, indo juntar-se ao seu semelhante em modo lé com lé e cré com cré, está a cumprir-se a mais básica das leis naturais...


Quando uma mulher quer ser maluca, nem os Nazis a impedem.


Apesar de um certo humor negro - dentro dos limites, vá- não me desagradar, nunca na vida me imaginei a gracejar com o Holocausto. Mas o caso - contado neste artigo fantástico do Expresso-  é verídico e não só diz muito da maluquice feminina (que nunca escolheu épocas) como da natureza humana, que é igual a si própria não importa quão negras sejam as circunstâncias.

Pois bem, imaginem-se como judeus em pleno Terceiro Reich. Fugir era dificílimo, a morte quase certa e os poucos amigos que ousassem esconder-vos arriscavam-se eles próprios a ir parar a campos de concentração e extermínio sem tir-te nem guar-te. Que fariam? Eu não sei quanto a vós, mas a não ser que me juntasse a um dos poucos movimentos resistentes (hipótese provável, pois detesto estar parada) ia tentar ser tão invisível quanto pudesse, e muito agradecida por cima.

Pois bem, não foi isso que fez uma tal Erika, vivaça rapariga de 19 anos e a última a ser escondida por um corajoso casal de médicos que sofreu severas consequências à conta disso: farta de estar confinada ao calor, não teve mais nada: decidiu ir para o terraço apanhar banhos de sol como Nosso Senhor a trouxe ao mundo. 


E ainda por cima, de modo a ser vista pelos estudantes do liceu em frente, que depois de apreciarem o espectáculo julgaram tratar-se de uma louca suicida e chamaram a polícia. Atrás da polícia veio a Gestapo e se não é uma amiga da família, certificada 100% ariana, vir comprometer a sua reputação de mulher séria dizendo "nein, herr kommandant, quem estava a apanhar banhos de sol era eu!" tinha marchado tudo para Auschwitz naquele dia. 

Ora, eu não tenho nada contra as pessoas tomarem banhos de sol como bem entenderem lá na sua privacidade. Se se sentem muito confiantes na sua figura e querem atirar fora a roupa, more power to you. Mas não à vista de todos e com a Gestapo à perna... ainda por cima, arriscando a pele de quem, por amor ao próximo, oferece a sua hospitalidade em circunstâncias tão complicadas. Isto de ser Bom Samaritano é mesmo um grande desafio. Além das conjunturas que apresentam sempre surpresas, ainda é preciso lidar com a potencial  doideira de quem está a ser ajudado. Se isto não prova que há doidivanas que põem a vontade de ser exibicionistas acima de tudo, até da sua felicidade e segurança, não sei...



Thursday, January 28, 2016

A lamechice do "és responsável por aquilo que cativas"


Ainda há dias eu recebia comentários no post onde vos confessei a minha embirração com O Principezinho. Ou antes, o meu "não entendo o sururu espiritual à volta do Principezinho". Que se é para virar do avesso verdades transcendentes, mais valia agarrarem-se ao Catecismo...

Às voltas com os leitores que comentaram a obra super existencialista, cheguei a uma conclusão para ficar em paz com o maçador do Principezinho: o seu mérito (ou o seu mistério) reside em tanto crianças como adultos lhe acharem graça e algum significado. Lá que o livro é esquisito é, tenho de admitir. O que não me converte à seita do Principezinho (havia de ser lindo; "igrejas" em forma de planetas com embondeiros, sacerdotisas a gritarem histericamente "cativa-me!" e casórios a serem celebrados com "amar não é olharmos um para o outro- é olharmos juntos na mesma direcção" em cântico gospel) mas pronto, reconheço que faz pensar, nem que seja para embirrar com a coisa.

Ocorreu-me isto porque entretanto, um artigo que me passou pelos feeds apontou que a famosérrima frase, que muita gente (e em particular, mulherio que levou uma tampa monumental e quer fazer o ex sentir-se culpado) adora partilhar a esmo nas redes sociais-   não foi bem traduzida para português. 


*Enjoo*

Ou antes, que a tradução escolhida e que se celebrizou não foi a mais ilustrativa. Aparentemente, comentou alguém, Exupéry escreveu o livro em francês e inglês nos E.U.A. (não confirmei, tive preguiça aliada a uns problemas informáticos) e na língua de Shakesperare, terá usado o verbo "to tame" - domar

Ou seja (peritos na língua de Baudelaire e na obra, corrijam se há aqui algum mal entendido porque em inglês, se é verdade que se escreveu "tame", não restam dúvidas) a raposa esquisitóide diz ao Principezinho "tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que domas". E não "tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas". 


"Brasileirices" à parte, bate certo.


A ser assim, a frase perde 50% daquilo que sempre me arreliou e faz muito mais sentido. É que reparem, cativar é uma coisa muito vaga e pode ser perfeitamente unilateral. Qualquer pessoa se sujeita a ir na rua e um obcecado ou uma necessitada qualquer apanharem uma paixoneta por si. E dizerem que sofrem muito por causa disso, acharem-se com direitos mesmo que o caso não seja correspondido. Ou pior, dar-se dois dedos de atenção por cortesia e zás, ficar-se responsável pelas ideias malucas que os outros acham por bem meter na cabeça. Aquilo que cativa os outros não me diz respeito, ora essa. Cada um que seja responsável pelos seus actos e pelas ilusões que cultiva lá consigo. Foi uma citação que sempre me pareceu bastante irresponsável, egoísta, cheia de inversão de culpa e de feeling of entitlement. Lá está, muito usada por gente que acha que tudo lhe é devido, sobretudo por (este exemplo é mesmo o mais comum e expressivo)  mulheres carentes que decidem ir atrás de um homem que não lhes liga, que se dispõem a tudo e quando ele, que nunca as enganou, as manda à sua vida ou vai à sua vida, nothing promised no regrets, lá choramingam "mas tu CATIVASTE-ME!". Ou pela sua versão masculina, vá. Em ambos os casos, ora tretas, desculpem lá a frieza que sinto para com raposas que não chegaram às uvas.

Mas domar, domar é outra coisa. Domar implica envolvimento de ambas as partes. Domar pressupõe muito tempo juntos, sugere que os implicados mudaram alguma coisa um no outro, que estiveram profundamente ligados. Aí entra o sentido do dever e da honra, aí a raposita já teria alguma razão. Quem se envolve, quem se une, quem jura e promete, quem deixa cair as suas defesas e faz cair as da outra parte, se há uma rendição mútua, quem molda o outro e se deixa moldar a uma imagem ou projecto que é de ambos (seja no amor, noutros afectos ou em qualquer outro tipo de associação) tem uma responsabilidade. As ligações não desaparecem simplesmente. Mas em todo o caso são sempre obra de dois envolvidos, não se enganem. Mesmo de quem se deixa domar. Isso do "tu cativaste-me" ou do "ser domado" nunca morre solteiro, por mais que o queiram justificar com frases tristes e fofinhas...









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