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Saturday, February 6, 2016

Michael Jackson dixit: do you remember the time?


Há dias apeteceu-me rever este vídeo, porque sempre gostei de danças do mundo empregadas num contexto diferente. Adoro quando um artista pega em folclore para o incorporar noutra coisa. Dedicasse eu a minha vida à música, ia decerto incluir pauliteiros de Miranda e o nosso fandango num videoclip, ´tão a imaginar?



Eu tive muita pena de Michael Jackson, cantor que marcou a minha infância. Nunca acreditei nas maldades de que o acusavam, sinceramente: acho que teve a pouca sorte de nascer diferente dos demais, dotado de um génio que não ligava bem com o mundo real e isso, adicionado aos problemas familiares e de saúde, fez com que não conseguisse lidar com o seu estatuto de superstar. Mas ainda que o chamassem cruelmente wacko jacko devido à sua excentricidade, o seu legado é inegável.



Deixou-nos música e momentos pop verdadeiramente extraordinários, bem como um certo número de mensagens que dão que pensar. E ao ouvir/ver Black or White com atenção, reparei que em tempos, não há tanto tempo assim (1991) se apelava à diversidade, igualdade e tolerância, mas não como se fala hoje. Naquele tempo puxava-se por isso de modo positivo, mostrando como há beleza em cada cor, em cada cultura, tentando lembrar que as pessoas podem entender-se apesar das suas diferenças étnicas, culturais, sociais, políticas ou de credo. Michael Jackson achava, e bem, que há coisas mais importantes na vida das pessoas do que fazer bandeira de ser branco, preto, amarelo, encarnado ou às bolinhas: "I'm not going to spend my life being a colour". 



Coisas mais relevantes para a felicidade do que obcecarem-se com complexos de minorias (quaisquer que elas sejam), de género e assim por diante. No mundo de Michael Jackson cossacos dançavam com índios e tribos africanas, bollywood movia-se ao som da música pop, era tudo uma grande festa onde cada um trazia um bocadinho do que tinha de melhor e ninguém se ofendia: "heal the world...make it a better place for the entire human race!". Para todos, minha gente! Sem especificar quem.



Agora, notem bem: fosse Black or White lançado hoje-  na era do ofendedismo, dos vidrinhos, dos melindres, do crime-pensar, das quotas para tudo (para mulheres na política, para actores "afro-americanos" em Hollywood, and so on) Michael Jackson ou quem se lembrasse de cantar e dançar tal coisa, seria, para começo de conversa, acusado de apropriação cultural. Iam aborrecê-lo por utilizar elementos da cultura alheia, por caricaturar ou estereotipar, por dizer "black" e porque às tantas, não tinha representado rigorosamente um número equalitário de gordos, mulheres, anões  ou gays no videoclip. 



Sacrilégio, que eu reparasse não vi nenhum transexual a abanar os ombros ao som de "it´s black? it´s white!yeah yeah yeah!" - fosse hoje, caía o Carmo e a Trindade por ter deixado alguém de fora. Depois, como o cantor sofria de vitiligo, iam decerto acusá-lo de discriminação por não convidar alguém assim. E por não haver nenhum figurante em cadeira de rodas. E estas são as reclamações que me ocorrem, se calhar haveria outras. A canção mais inclusiva, mais pró diversidade de todos os tempos, não seria "inclusiva" ,"pró diversidade" e "tolerante" o suficiente na época da falsa tolerância.

Do you remember the time quando até as boas intenções eram simples, ingénuas transparentes, destituídas de mensagem política, feitas do coração? Em que se podia brincar e fazer troça uns dos outros sem paranóias; em que se falava de boa vontade e de amor ao próximo sem empenho em "parecer fofinho", em que se faziam as coisas por amor, por inspiração artística, sem agendas? I remember. Dou graças a Deus por isso.


Acho o máximo: "beleza real" em modo "venha a nós"


Já repararam como tantas mulheres reclamam contra um bocadinho de photoshop nas revistas/anúncios e contra os padrões de beleza "impossíveis"... mas quando se trata delas próprias, são incapazes de publicar um retrato sem lhe colocar trinta camadas de filtros *manhosos*? 

Sem isso não há cá imagem de perfil para ninguém nas redes sociais da vida. É que não falo em recortar uma fotografia para a transformar em retrato de rosto, tirar um brilho da testa, ajustar um bocadinho a luz, dar um retoquezinho para salvar uma selfie que estava tão gira se não fosse aquele detalhezito (as câmaras pregam partidas, às vezes) ou criar um efeito engraçado.

 Qual quê! São demãos e demãos do modo "maquilhagem" no máximo, que parece que lhe puxaram o lustro ou que viram um fantasma. Isto quando não voltam as trombetas - ou o derrièrre, conforme - para o maior foco de luz que houver ao pé, de modo a apagar as irregularidades (e por arrasto, os traços) do rosto e as celulites. E depois, julgando que as pessoas são estúpidas ou que mais ninguém tem telemóveis que fazem truques, ficam à espera de louvores...começando pelos das "migas" da praxe, a ver se pega.


Ora, já sabem que eu sou contra esta moda de as pessoas se exibirem no seu pior, em modo "vivá celulite, vivás estrias, gordura é formosura e o que é bom é para se ver: vamos lá aparecer olheirentas e despenteadas para nos darem palmadinhas nas costas". Toda a gente devia apresentar-se bem e guardar os seus defeitos para si.  Mas o extremo oposto é igualmente ridículo. Até porque não é assim tão complicado, com uma maquilhagem natural e a luz certa, conseguir um instântaneo minimamente composto.

Com "betumar-se virtualmente" a tal ponto, cai-se em vários disparates ao mesmo tempo: na garridice, na vontade de aparecer, de pescar elogios à força; na indiscrição (caso das que querem por força exibir-se em bikini ou pior) e num sem número de contradições. Já é mau que baste ter vontade de se expor gratuitamente; mas para quê fazê-lo se não têm confiança na sua silhueta ou se não trabalham o suficiente para não precisarem de tanta camuflagem? E pior, comete-se a hipocrisia de falar na "ditadura da beleza"...desde que seja a beleza das modelos, actrizes ou toda e qualquer uma que desperte a feia invejita

"Vaidade, teu nome é mulher"...isso faz parte e não é necessariamente mau. Mas quando o bom senso falta...

Friday, February 5, 2016

Este Carnaval, o que eu queria mesmo era um drone.


É que primeiro, como ainda não decidi de que me hei-de mascarar dá-me para estas divagações, segundo porque assim do nada não se fala de outra coisa e apesar de eu ser contra modismos papalvos, estou a achar piada a estas maquinetas que me lembram os robozinhos amorosíssimos O Milagre da Rua 8.



É verdade que os drones (e  autênticas "invasões" dos ditos) andam a dar com algumas pessoas em doidas e a levantar questões de segurança (até já se treinam águias para caçar drones perigosos ou indiscretos, how cool is that?) mas também servem para dar coças em terroristas, para obter imagens espectaculares e para coisas mais criativas, como cobrir a modéstia de bailarinos que decidem dançar em trajes menores. 
Prestam-se a tudo, estas engenhocas.


Ora, eu não me vou vestir de drone no Entrudo porque além de precisar de voar para o disfarce ficar credível, acho que não me ia favorecer (e o mais certo era ninguém perceber a fatiota). Mas ter um drone folião para pregar partidas a pessoas malvadas seria divertidíssimo.

Nada de partidas muito feias, mas é Carnaval, ninguém leva a mal, logo imaginem: porem um drone a seguir para todo o lado, mas todo o lado mesmo, aquela criatura intolerável (quase toda a gente tem uma criatura intolerável ou mais na sua vida, que uma pessoa aplica o "perdoai-lhes que eles não sabem o que fazem" mas factos são factos). Ou vá, qualquer alma declaradamente malvada que vos tenha feito trinta por uma linha, ou ainda aquele falso amigo que vos arreliou e a coisa não é grave, mas adoravam ficar quites. Adiante.



Punha-se então o drone, com o ar imperturbável de descaramento que só uma máquina pode ter (e mais um drone, que é pequenino, com ar de quem diz "eu sou tão adorável, por acaso incomodo?") a voar sempre perto da pessoa, a zumbir os seus barulhinhos de drone (suponho) no firme propósito de a azucrinar. Se a alminha apressava o passo, incomodada, o drone apressava o voo. Se lhe virava as costas, o drone dava a volta, esvoaçando à sua frente.  A "vítima" por acaso ia ao restaurante ou ao cabeleireiro, desses pindéricos com vidros por todo o lado? Lá ficava o drone colado à montra. A não ser que vos apetecesse fazê-lo sair da terrina da canja ou do armário das toalhas, em modo stalker, para armar verdadeiro rebuliço. E todo o santo dia nisto, a filmar a cara de enfado do alvo. 
Caso desatasse a correr, aí é que eram elas: podia accionar-se a opção de cobrir o (a) desinfeliz de farinha, ovos e confetti, bem à Entrudo de outros tempos. Ou seria a tecnologia posta ao serviço da malandrice carnavalesca de cada um. Sonhar não paga imposto (até porque creio  que não teria paciência para aprender a comandar um drone, logo podem estar tranquilos...).



Thursday, February 4, 2016

Eu embirro com...pessoas -chihuahua


Por pessoas -chihuahua, entenda-se as que são sempre assim (Credo!) ou as que, face a qualquer contrariedade, não se sabem expressar nem desabafar sem proceder como chihuahuas.

Deixem-me tentar explicar. É que eu adoro quase todos os animaizinhos (excepto centopeias, caranguejos-ferradura e mais umas criaturas estranhas) mas os chihuahuas estão longe de ser o meu cão preferido. Para ser mais clara, apesar de ser mais uma cat person gosto de cães e eles gostam de mim: regra geral, não há cão que me ladre. E nunca nenhum me mordeu, mesmo os que têm má fama. Palavra, até os pit bulls me adoram. 

Mesmo o único cão que me fez mal, tinha eu uns dois ou três anos, foi por gostar muito de mim: o Kaiser, supostamente impassível dobermann do vizinho, que na ânsia de me dar um abraço canino me atirou ao chão. 



A estrada estava a ser alcatroada e bati com a minha face de bebé na gravilha. Fiquei com uma esfoladela por toda a bochecha, do tamanho de uma bolacha. Não deixou marca, graças aos céus, nem ganhei a mínima aversão a canídeos.  Outra experiência, porém, 
fez-me preferir cães calmos e altivos, que saibam guardar uma casa, como os Pastores Alemães e os Serra da Estrela: o meu springer spaniel (chamado Calimero por ser trapalhão e não dever muito à coragem) enrolou a trela nas minhas pernas, eu tropecei nele e fomos os dois, embrulhados um no outro, a rebolar ladeira abaixo. Calimero não sofreu nada, eu dei cabo de um joelho. Ainda tenho a cicatriz. 

Volto a dizer, sou incapaz de voltar costas a um cão, gato, ou qualquer bichinho necessitado seja de que raça ou não raça for, mas se tiver de escolher um cão para companhia prefiro-o de nobre atitude, grande e peludo. E se falarmos de cães pequenos, sou doida por pequinois

Agora chihuahuas, poupem-me. Pode haver alguns muito queridos, mas para começo de conversa lembram-me sempre o Ren & Stimpy: neuróticos, arrebitados, barulhentos, de olhos esbugalhados e ar famélico. 



Por muito que as Paris Hilton da vida e as flausinas que a querem imitar em versão pelintra tentassem fazer deles brinquedos, nunca me convenceram.

Ora, esta opinião agravou-se um belo dia em que ia com a senhora minha mãe, a passear por uma rua de casas baixas. Do nada, saltam de uma janela três (ou quatro, já nem sei, fiquei estarrecida) chihuahuas furiosos, perfeitamente loucos, a ladrar para nós que nem possessos. Tipo, assim:



 Demos um salto: eles rosnavam, eles torciam-se como atacados de convulsões, eles babavam-se e - uma vez que o vidro os impedia de nos ferrar- desataram a morder-se uns aos outros como um monstro possuído de três cabeças, excitando-se com os próprios guinchos. Visão do inferno! O próprio Cerbero, que tranquilamente guardava as portas do Hades, pareceria um mansarrão ao pé daquilo. Benzi-me, zarpei dali e lá se estabeleceu a excepção à regra. Não morro de amores por tal bicho, pronto. Tudo o que é pequenino e malvado é suspeito.



E claro, não morro de amores por pessoas-chihuahua: sabem, aquelas que são nervosinhas, almas-aflitas, histericazinhas, sassaricadas e repisadoras, em permanente necessidade de tomar um chá de camomila ou flor de laranjeira bem forte. Que não causam grande dano, mas irritam. As que basta haver um contratempo qualquer e murmuram, refilam, blasfemam (é um "ai meu Deus!" por dá cá aquela palha) e não falam, rosnam ou respingam. Que são incapazes de discutir um problema sem se tornarem emocionais e que levam tudo a peito. E mulheres- chihuahua? Aquelas que debatem, dissecam, insistem, voltam atrás, vão buscar coisas que já lá vão e que não interessam para o caso e que se o oponente se afasta para que a coisa não escale, se põem a falar sozinhas, para as panelas se for preciso, sem se importarem com a estridência da própria voz?

Dá-me vontade de lhes espetar um piparote. Não que eu desse um piparote a um chihuahua ou outro bicho qualquer, salvo em auto-defesa...

"Os homens são uns diabos; não há mulher que o negue..."





..."mas todas elas procuram um diabo que as carregue". Bem fala o povo. Para sermos justos, também há mulheres de tal ordem que só se arranjarem um pobre diabo para as aturar, mas pronto.

Lembrei-me novamente deste estribilho porque me apeteceu ler qualquer coisa ao almoço e pegando nas Lendas de Portugal, de Gentil Marques, encontrei um conto com uma prosa engraçadíssima. Trata-se de uma história sobre a povoação de Quadrazais, perto da Guarda, onde em tempos a afilhada do Padre estava apaixonada por um homem belo, moreno, alto, de lindos olhos verdes, que descia a Serra ao pôr do sol para lhe falar.

O povo estranhou aquilo, pois não conhecia o rapaz, e foi avisar o Cura de que às tantas, a sua pupila andava a ser tentada pelo demo. Aflito, o bom do sacerdote chamou a rapariga para a advertir do perigo. Deu-se então este diálogo que achei delicioso:

"- Rosário! Já ouviste falar do demónio, das suas tentações, dos seus disfarces?...Vê lá se é ele que te aparece!

- Oh padrinho...

- Ele fala no Santo Nome de Deus?

- Não, padrinho...na verdade nunca falou em Deus...- e a desculpá-lo - talvez não calhasse...

O cura mostrou-se de novo exaltado. 

- É isso! É o diabo em figura de gente! Acautela-te, rapariga!

- Oh meu padrinho, isso não pode ser...Ele é tão bonito, tão bem falante...tem uma figura tão atraente!...

-Tanto pior! O Demónio é capaz de tudo, para roubar almas a Deus! E então...a pupila do Padre...sabia-lhe bem! 

- Não posso acreditar! Não quero acreditar que o Pedro seja o demónio a tentar-me! Que mal empregadinho! "

Que naquele tempo, além dos impedimentos sociais e morais para namorar, ainda havia mais esse: o risco de um pretendente ser o Tinhoso à paisana...



 Depois o conto até acaba bem (foi-se a ver e o tal Pedro não era um diabo pior que outro homem qualquer) a Rosário casa-se e vive feliz para sempre; mas dá que pensar. Se o diabo tenta as mulheres em disfarce de homem ( para quem crê em tentações demoníacas no sentido literal do termo) terá deixado de o fazer em pessoa, talvez porque hoje em dia já pouca gente acredita nele ou lhe mostra medo. É muito mais prático
 servir-se de mortais bem apessoados para juntar algumas almas femininas ao seu séquito.

De todo o modo, se pensarmos em tentação ou danação no sentido figurado, o provérbio não deixa de se aplicar na mesma: uns porque, sendo valdevinos, tentam as desmioladas
 tornando-as piores do que já são; outros atrevidos procuram conquistar as mais virtuosas; os diabretes que até sendo sérios nessas coisas, torram a paciência a uma santa por motivos de vária ordem; e ainda há os mal empregadinhos porque têm certas qualidades mas estragam tudo com outros defeitos; sem falar nos que não são maus diabos mas também têm os seus quês. 

Talvez haja um diabo em cada homem, e o destino de uma mulher seja o de anjo-da-guarda ou de santa, se quiser entender-se com eles e puxar pelo seu lado bom...





A paz é o verdadeiro luxo



Nas maiores religiões, a Paz é invocada a toda a hora. Cristãos, Judeus e Muçulmanos desejam constantemente a paz entre si - e mesmo uns aos outros (ainda que alguns às vezes não façam muito por isso).

Se vamos à Missa, é-nos dito "a paz do Senhor esteja sempre convosco", "deixo-vos a paz..." e mais recentemente (goste-se ou não) exagerou-se o costume de os fiéis se saudarem "na paz de Cristo". Jesus é também chamado "Príncipe da Paz" e muitos Santos, como a nossa Rainha Santa Isabel ou S. João Paulo II, são admirados como mensageiros da Paz.


Os judeus dizem "Shalom" (paz, bem estar, boa sorte) para se cumprimentarem e despedirem, e os muçulmanos saúdam-se com "a paz esteja contigo" (Salaam Aleikum) ao que, é sabido, se responde "e contigo a paz" (alaikum as salaam). E sempre achei encantador como não pronunciam o nome de Jesus, Salomão ou qualquer outro que considerem o de um profeta, sem acrescentar logo "a paz seja com ele!" (ou "que Deus o exalte"). Já os Budistas dedicam o seu caminho espiritual a alcançar a paz interior, sem a qual acreditam ser impossível encontrar qualquer felicidade. Podíamos estar aqui o dia todo a detalhar exemplos de diferentes credos, correntes de pensamento e filosofias New Age, estas também sempre voltadas para a atingir esse fim.


E não falemos nas boas intenções políticas sempre em prol da paz e da cooperação, ou dos movimentos "Paz e Amor", alguns bastante ingénuos, utópicos e com consequências não tão positivas como isso: peace, man!



 Claro que podemos ainda contar a paz como instrumento ou consequência da elegância interior: uma pessoa verdadeiramente elegante, por muito mundana que seja e por mais superficiais que sejam os ambientes, é tranquila, blasé, imperturbável. Já se disse por aqui que uma pessoa bem educada e auto confiante está serena em toda a parte, como Santa Teresa D´Ávila, que recomendava: nada te perturbe, nada te amedronte; ou como o bom Imperador Aurélio que jurava não se amofinar por coisa nenhuma, muito menos por causa de gente transviada.  Isso não é possível fingir, não a 100%. Ou se está em paz, ou não se está.


Socialmente falando, quando duas pessoas se reconciliam, diz-se que "fizeram as pazes" e se está tudo bem, é costume dizer-se "cá anda tudo na Paz do Senhor". Se a tranquilidade é inusitada, dizemos "até estou a estranhar que ande tudo em santa paz"; e quando alguém nos aborrece, qual é o nosso impulso? Resmungar que nos deixem em paz!



E os fantasmas, ainda que seja só na ficção? São almas penadas que nunca encontram a paz. Por isso se deseja a quem foi desta para melhor que "descanse em paz", de preferência sem assustar os vivos.

Conclui-se então que a Paz é um um grande bem- mais do que isso, um bem universal. Não é por acaso que se criou um prémio Nobel da Paz, que recompensa quem leva a cabo actos heróicos para promover a harmonia entre os povos, a solidariedade e a boa vontade.



No entanto, quando pensamos no conceito de "paz", ela parece uma coisa um pouco...nhé. Um bocadinho insípida.

 Para que serve a Paz, afinal? Se está tudo em paz e sossego, não há novidade (por outro lado, lá dizem os ingleses: "no news is good news") não há nada de excitante a acontecer. Vista superficialmente, a paz até soa assim uma coisa para o monótono. Grande engano! A paz é como a saúde, o oxigénio e muitas outras coisas essenciais: só se sabe como é importante quando nos falta.



A paz é o que devemos desejar e quem reza deve inclui-la nas suas meditações: mas não só porque não convém que haja motins à porta nem zaragata em casa, ou porque fica bonitinho expressar tão nobre intenção. Pedir "paz" vem um pouco na linha daquela oração que quanto a mim é perfeita: "dai-me o estado que mais me convenha" porque, tal como a felicidade, a noção de paz difere de pessoa para pessoa...e nem sempre a "paz" que nos parece bem no momento é a que realmente nos convém. O que está em paz está sereno, saudável, a funcionar bem, em estado de graça, sem carência de nada.

Quem tem saúde, é abençoado com a paz a nível físico: nada dói, nada limita, nada incomoda.


Se alguém é feliz no sector amoroso, das duas uma: ou está bem sozinho (a) ou encontrou a pessoa certa, o (a) companheiro (a) da sua vida, que tudo faz para a sua felicidade e não lhe provoca ânsia, dor ou desconfiança. Tem o carinho e tudo o resto que é necessário numa relação. Está em paz, portanto.


Quem goza de grande prosperidade  - desde que não se deixe afligir pela ganância e saiba apreciar o que possui - conhece o significado do dito "o dinheiro não dá felicidade, mas ajuda muito". A alegria que a riqueza pode trazer não está tanto em ostentar coisas ou em comprar isto e aquilo (até porque a longo prazo, a novidade disso esgota-se) mas na liberdade de dispor do seu tempo, no poder de fazer as coisas à sua maneira, de limitar o mais possível o número de incómodos. Quem dispõe de meios não anda "atado com guitas"; não se aflige se aparece uma conta inesperada; pode reagir de forma mais rápida a um problema ou um desgosto (viajando para arejar as ideias, consultando o melhor médico ou contratando o maior advogado, por exemplo) ou socorrer sem pensar duas vezes qualquer miséria alheia que lhe faça doer o coração. Isso não é toda a paz possível, mas é parte dela.


Mesmo ao desejar a "Paz no mundo" isso já implica forçosamente a prosperidade necessária para todos, pois sem recursos há inevitavelmente disputas: casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.


Quando tudo está transtornado na vida de alguém - ainda que se diga "quem me dera ter isto" ou "se eu tivesse aquilo, resolvia o meu problema" é o desejo de paz que está a ser angustiadamente expresso.

Logo, ao almejar à paz, à nossa paz, ou desejando a paz aos outros, já incluímos tudo aquilo que é necessário. A Paz é assim uma coisa muito abrangente, um pouco vaga, mas que supre todas as necessidades, até porque sem paz interior, sem essa qualidade de encarar com valentia todos os desafios, sucumbe-se facilmente a qualquer adversidade. Bem diz o povo que a paz não tem medida: "do tamanho de uma bolota, enche a casa até à porta".





Wednesday, February 3, 2016

Ah, mulheres de fibra!


Qualquer mulher minimamente engraçada que tenha um perfil nas redes sociais já terá tropeçado num engraçadinho sem graça nenhuma, passem os pleonasmos.

 Sabem, daqueles que se atrevem a incomodar com elogios babosos ou coisa pior- dependendo da pouca sorte ou da forma como a mulher em causa se expõe, sendo que às vezes nem é preciso aparecer de modo a dar nas vistas para ser alvo das "atenções" destes desocupados.


 E volta não volta, há engraçadinhos desses que ousam mandar galanteios (nem sempre ofensivos, mas quase sempre despropositados) tendo namorada ou esposa. Ora, em casos desses qualquer senhora ou menina decente fica verde e roxa, ofendida não só na sua dignidade (em modo "mas este sacana julgará que lida com alguma serigaita ou alguma desesperada, daquelas que até um caramelo comprometido lhe serve?") mas no seu sentido de solidariedade feminina (o velho "olha se fosse eu no lugar desta infeliz, hein?).

Agora imaginem o que não passam as modelos (sejam de passerelle, de fitness e por aí fora) e celebridades com muitos seguidores no Instagram. É um fartar vilanagem de admiradores-  nem todos corteses, claro. E alguns - soube desta moda recentemente - chegam ao extremo de mandar auto retratos que ninguém lhes encomendou, de forma muito...bom, indecente e sobretudo, detalhada.
 E sim, muitos deles têm mulher em casa: assim o anunciam orgulhosamente nos seus perfis.


Ora, se as meninas visadas publicam imagens mais reveladoras ou menos não é relevante para o caso. O que interessa, antes de mais, é o que passará pela cabeça destes tarados. Ou estão de brincadeira, como dizem os brasileiros, ou querem simplesmente ser sinistros, ou então devem ser muito cheios de si: imaginarão que a modelo em causa, ofuscada por tal visão de uma coisa que nunca se viu, irá a correr marcar um encontro com eles? Que cairá de amores, maravilhada ante a sua nudez de Apolos de escritório ou a sua "masculinidade" de xoninhas?


 Sempre gostava de saber. É que de facto, uma dessas é para assustar até a rapariga mais tola, carente, desesperada por atenção, com mais medo de ficar para tia deste mundo...quanto mais quem não lhe faltam propostas! É um bocado na onda daqueles tipos arrepiantes que acham que se olharem insistentemente para uma mulher que não lhes devolve a atenção, até ela ficar incomodada e com medo, por milagre a criaturinha indefesa acabará por mudar de ideias e cair-lhes nos braços. Mas em pior. E noção, não?

Depois, é a lata. Atiram o barro à parede da forma mais suja e cobardolas, sem respeito pela legítima nem pelas filhas dos outros, achando que "o que acontece nas redes sociais, fica nas redes sociais". Creepy.



Pois bem, uma modelo e a sua amiga DJ, fartas de receber "mimos" desta natureza, decidiram virar o jogo e dar uma lição a esses ordinarecos de secretária.

 As duas justiceiras tiraram um tempinho que ninguém lhes devolve para fazer print screen e copy/paste das mensagens e selfies, foram aos perfis dos remetentes, descobriram quem eram as mulheres e as namoradas deles ... e não foram de modas: mandaram-lhes o conteúdo para as pobres coitadas verem por seus olhos os "santinhos" que tinham em casa.



 Em modo "minha cara, detesto ser a portadora de más novas, mas o seu namorado/marido anda a enviar estas porcarias não solicitadas a modelos aleatórias na internet. Lamento muito dar-lhe este desgosto, mas por solidariedade feminina queria que soubesse como ele trata as mulheres". Ah, valentes.

E os que por acaso não eram comprometidos, viram os pais e amigos a ser avisados também, que é para aprenderem. Depois, ambas trataram de postar os episódios para os fãs saberem e avisar os atrevidos. MEGA VERGONHAÇA.

Salvo as subtilezas e as desculpas de mau pagador, se todas as mulheres tivessem esta noção de decência - em vez de pensarem estupidamente, quando um homem comprometido as corteja "ai, que linda que eu sou...a mulher dele é que tem a culpa, não lhe dá atenção, não o compreende...ele a A MIM nunca enganaria"- acabava-se boa parte da infidelidade neste mundo. Give it a thought.

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