Monday, February 29, 2016
Oscars #1: Oh Kate- e Ralph Lauren- isto NÃO se faz.
Das passadeiras encarnadas deste mundo de Deus cada vez se espera menos: é um facto. Mas esta vou tomar como ofensa pessoal e reagir de forma emocional, não posso evitá-lo.
Eu explico: tem uma pessoa um blog onde, com os seus humildes two cents, faz por lembrar às amigas, aos milharzitos de pessoas que por aqui passam todas as semanas, uma mensagem simples, mas martelada ad nauseam e que poupa muitos dissabores: escolham tecidos de qualidade! Optem pelos bons cortes em modelos intemporais! Não dispensem uma boa costureira que ajuste tudo ao milímetro!
Digo-o mil vezes, pois não há etiqueta de designer que salve um vestido com cara de ter sido comprado na lojinha do chinês, brilhoso. molengão, de ar datado e ainda por cima, que não caia o melhor possível no corpo de quem o veste. E uma pessoa insiste nisto em modo água mole em pedra dura, sabendo que por muito pequena que seja a nossa esfera de influência, às vezes basta chamar a atenção para um detalhe para que outras pessoas reparem também, para que uma seguidora conte às amigas, fazendo-se pouco a pouco, grão a grão, uma cruzadazinha contra a pinderiquice que por aí se vê. E talvez, só talvez, a boa nova se vá espalhando e pouco a pouco se vejam menos vestidos de tafetá sintético e cai cai mal feito em tudo quanto é festa, casório, ou baptizado. Sonhar não custa.
Claro que como eu há muitos bloggers, stylists e consultores de moda a bater na mesma tecla.
E nisto, vem uma actriz como Kate Winslet e usa-me este horror que não quero acreditar, porque não posso sem quebrar alguma lei do universo, que tenha sido feito de encomenda por Ralph Lauren. Justamente um vestido com cara de ter sido comprado na lojinha do chinês, brilhoso. molengão, de ar datado e sintético, com o cai cai mais banal e mal feito deste mundo, em suma, um balandrau que podia perfeitamente ter sido comprado por qualquer Silvana Priscila dos subúrbios em finais anos 90 e herdado pela sua mana mais nova, a Xana Constança, para levar ao baile de finalistas e ao casório da prima Sheila Patrícia.
Quanto a Ralph Lauren, apetece-me dizer como as mães quando se sentem ultrajadas: "mais tarde conversamos". Fico-me por explicar que isto deita por terra a minha teoria de que é impossível Ralph Lauren fazer roupa feia.
Mas calculam o impacto que isto tem junto das pessoas (por mais que a imprensa de moda tenha descascado de alto a baixo no vestido)? Imaginam o que significa uma A-lister como Kate Winslet, ídolo das meninas cheiinhas que esperam vira estampar capas de revista e das donas de casa que se querem sentir sexy, uma mulher que passou de aspirante a actriz gorduchinha para se tornar em boneca de porcelana para filmes de época e emergir como actriz esguia e sofisticada, usar uma coisa assim?
É escangalhar todo o trabalhinho de quem avisa "não usem coisas pavorosas destas". É dizer às meninas mal enganadas ou serigaitas com tendência para o chinelo que é OK usar tafetás sintéticos, perpetuar os cai cais manhosos e os vestidos de sereia made in China (que se fossem Ralph Lauren, ia dar ao mesmo, vá, mas se isto é mau temam as imitações...). Vai ser um vê-se-te-avias de "se a Kate pode, eu também posso" e de "isto não é nada medonho, a Kate Winslet levou um assim".
Pessoas de gosto, preparem um bom sortido de valeriana, xanax e passiflorina,que os próximos meses vão ser negros, tenebrosos e assustadores, cheios de poliéster. Eu aviso, não que sirva de alguma coisa...
Sunday, February 28, 2016
Quando grandes mulheres falam umas sobre as outras
Muita gente adora dizer que as mulheres se alfinetam mutuamente porque sim. E isso talvez seja verdade para certo tipo de pessoas. Porém, o espírito elevado não conhece sexos, logo uma mulher inteligente e espirituosa não tem problemas em reconhecer o mérito ou superioridade de outra - mesmo que não morra de amores pela visada ou discorde das suas ideias.Vejamos alguns exemplos:
A trivialidade dos enredos descritos por Jane Austen nos seus romances - histórias de meninas de boas famílias que procuravam "caçar" um marido - irritava escritoras exaltadas e dramáticas como Charlotte Brontë e, mais tarde, feministas como Virginia Woolf, que não podiam compreender as ambições "estreitas" de heroínas calmas e caseiras como Elizabeth Bennet. No entanto, ambas souberam enaltecer as qualidades daquela que é hoje considerada como a verdadeira iniciadora do romance feminino em Inglaterra.
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| Jane Austen |
Charlotte Brontë acusava Jane Austen de "falta de profundidade". "As paixões são-lhe desconhecidas" dizia. E no entanto, não deixava de lhe apontar "uma fidelidade chinesa, uma delicadeza de miniatura nos retratos...".
Já Virginia Woolf, ao estudar a obra de Austen, destacava-lhe "o humor, a paciência na descrição das trivialidades da existência" e considerava-a "a mais perfeita, a escritora cujos livros são imortais".
Por vezes, só uma mulher - que seja imparcial e isenta de vaidade fátua, bem entendido- para avaliar verdadeiramente as qualidades de outra, para entender os seus mecanismos, os seus sacrifícios e desafios... ou até, quando se trata de dotes físicos, para fazer uma apreciação estética não toldada pelas nuances do sex appeal. O que os homens podem desaprovar ou admirar, merece da mente feminina uma análise mais racional e desapaixonada.
| D.Maria de Portugal |
Carolina Michaëlis de Vasconcelos, primeira mulher a leccionar numa universidade portuguesa (Coimbra, nem mais) na sua obra sobre a Infanta D. Maria de Portugal, Duquesa de Viseu (fruto do matrimónio escandaloso entre D. Manuel I e a linda Leonor da Áustria) escreveu, acerca desta mulher rica e culta, que nunca casou e dedicou o seu tempo a instruir-se e a obras pias:
"Várias disposições do seu testamento revelam a superioridade do seu espírito (...) os seus carinhosos desvelos pela saúde, o bem estar (...) mostram como o muito saber, longe de paralisar as virtudes femininas, lhes serviu de directriz prática."
Aplicassem todas esta clareza de raciocínio, julgando com serenidade e isenção- sem rivalidades gratuitas e sabendo admirar o que merece ser admirado, pondo os olhos no que merece análise, em vez de falarem em se esgatanhar umas às outras...e o mundo andaria de outro modo, já que as mulheres são a espinha moral da sociedade. Mas quê!
O homem ideal: nem fariseu, nem pecador impenitente
"E a bondade (...)! - atalhou docemente Padre Soeiro- a bondade (...), sobretudo, também salva...olhe, às vezes há um homem muito sério, muito puro, muito austero, um Catão que nunca cumpriu senão o dever e a lei...E todavia ninguém gosta dele, nem o procura. Porquê? Porque nunca deu, nunca perdoou, nunca acarinhou, nunca serviu. E ao lado outro, leviano, descuidado, que tem defeitos, que tem culpas, que esqueceu mesmo o dever...mas quê? É amorável, generoso, dedicado, sempre com uma palavra doce, sempre com um rasgo carinhoso...e por isso todos o amam, e não sei se mesmo Deus (Deus me perdoe!) não o prefere..."
Eça de Queiroz, in A ilustre Casa de Ramires
Uma mulher sensata procurará fugir dos maus rapazes - aqueles que parecem muito decididos e viris, mas são apenas infantis e perigosos.
E se calhar, nesse processo, tentando fazer a coisa certa, vai tropeçar em "bons rapazinhos" sem graça nenhuma, mas também numa espécie mais apelativa de suposto "bom rapaz": o auto-proclamado "homem de bem"- o que tem uma atitude "holier than thou". Ou seja, o fariseu bem apessoado. Um elegante Caifás.
Um desses pode ser, ou não, um hipócrita. Mas está sempre pronto a pregar moral. Cumpre os seus deveres - sociais, religiosos, profissionais, familiares - com zelo. Mais do que zelo, orgulho. É muitíssimo exigente com os outros, julga tudo e todos...o que seria uma virtude, se aplicasse igual julgamento a si mesmo. Quando ama, é porque encontrou a "mulher séria" que idealizava...e ela toda contente, porque finalmente achou um cavalheiro que não comete estroinices (ou oculta-as muito bem). Mas bem diz o povo "quem não fuma, não joga nem bebe vinho, leva-o o diabo por outro caminho".
Em breve o idílio azeda: primeiro, porque o fariseu não tolera a mais leve desilusão: espera a perfeição, oferecendo muito pouco em troca. À menor falha humana que embacie essa imagem, ressente-se e trata de retaliar. Perdoar não é com ele, mas adora impor penitência. E se é ele a errar, nem conta, logo não precisa de perdão. Depois, porque sob uma capa de suposta virtude, falta-lhe calor e bondade....é piedoso, mas não há misericórdia nele. Nem para dar esmola a um pobre, nem para pedir desculpa se faz a mulher chorar.
Dizem os sicilianos "riqueza e santidade, acredita em metade"...e um fariseu elegante é muito assim. Afinal, acha-se estratosfericamente acima dos pecados humanos. Faz o que os maus rapazes fazem, mas em modo "ladrão que fica à porta". E depois, sendo muito virtuoso, não aprendeu que fé sem obras é morta. Nem que, mesmo com boas acções para inglês ver ou fazendo tudo o que manda o figurino, sem uma base de amor e caridade, isso vale batatas...
Mal por mal, antes outro tipo de rapaz: o rebelde somewhere in between.
O "mau" rapaz que no fundo é um bom homem e que nunca na vida se achou perfeito.
Caifás era fariseu e uma peste, sob a sua capa de "justo" e imbeliscável- e passou à História como vilão. Santo Agostinho foi uma peste, um marialva, um doidivanas, mas com muito arrependimento, fez-se Doutor da Igreja.
A beautiful mess que tem conserto, que vai atrás para corrigir quando erra, que se arrepende das suas culpas passadas, que se comove com a tristeza alheia, que pára no seu caminho para socorrer quem precisa. O homem que não age bem porque é suposto, mas por impulsos generosos. O que sabe muito bem que não é, ou não foi, nenhum santo, mas também é capaz de acarinhar, desculpar, penitenciar-se e corrigir-se. O que fecha os braços se está zangado, mas os abre logo a seguir; o que se excede uma vez ou outra, mas procura constantemente a redenção. O que deu cabeçadas, mas é fiel e leal e está sempre pronto a ajudar ou consolar. Acima de tudo, o que sabe por instinto - mesmo que tenha desleixado a cartilha - que a santidade não é um dado adquirido para os eleitos, mas um trabalhão diário, assente na humildade de se reconhecer falível.
Se calhar o Padre da Ilustre Casa de Ramires tinha razão: talvez Deus prefira esse homem, quanto mais não seja em modo "há mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por 99 justos...". Mas uma mulher ajuizada prefere-o de certeza.
Saturday, February 27, 2016
E quando as mães acham que é fita, mas não é?
Ontem acabei por me rir com uma notícia sem graça nenhuma, tudo por causa da forma cómica que algumas pessoas têm de contar desaires aos jornalistas.
Dezenas de crianças numa escola de Carnaxide ficaram severamente intoxicadas com a comida da cantina- o pandemónio foi tal que além de acorrer o INEM em força, os funcionários se viram obrigados a reunir todos os afectados numa sala de aula para que não andassem para lá aos caídos, a desmaiar pelos cantos- o que também não foi grande ideia porque a divisão acabou transformada na versão moderna dos supostos vomitorium romanos (blhec!).
Claro que os pais acorreram, aflitos, e alguns falaram para as câmaras, barafustando. E uma mãe em particular teve muita graça, ao descrever como o seu filho andava farto de se queixar ai que a comida não presta, aquilo parecem restos, etc, mas ela não tinha feito caso porque achava que o rapaz tinha era fastio, pois sempre fora pisco e niquento à mesa.
Quem nunca refilou com os prodígios culinários de escolas, creches e colégios, que atire a primeira pedra. Eu gostava tão pouco de certas coisas que as boas Irmãs (que honra lhes seja feita, até cozinhavam muito bem) me alcunharam de pastelona.
O belo pudim de peixe, o arroz doce quentinho e a sopa com couves "da horta da irmã L., tão tenrinhas que até são doces" até marchavam, mas clara de ovo estrelado, não e não mesmo; e quase morri quando me tentaram impingir arroz de cabidela (hoje gosto,mas na altura fui para casa a choramingar que me tinham dado "arroz com vinho").
Mas acredito que em muitos casos o cenário tenha piorado desde que passaram a rarear as mal encaradas mas bondosas cozinheiras residentes, gordinhas e de toucas na cabeça, que ralhavam connosco sem cerimónia - até no liceu- se deixássemos o pão ou não comêssemos a sopa toda, cruelmente substituídas por concessões a empresas de distribuição alimentar. Vá-se lá dar à criançada comida processada, requentada, sem sal, sem açúcar e com as calorias calculadas ao milímetro! Antes as mixórdias e as papas dos antigos colégios à inglesa...
Em todo o caso, há detalhes que não mudam: os meus pais nunca engoliram a minha queixa do arroz com vinho, tal como estes agora não quiseram crer que "a comida não presta!" era no sentido literal...criança sofre. Forma o carácter.
Friday, February 26, 2016
Polemicazinha gratuita do dia (Jesus, Maria, José!)
Digo-o muitas vezes: quem é imaturo adora atacar a Igreja e a Polícia, por qualquer traumazinho contra a autoridade. Ou contra quem lhes diga que liberdade não é libertinagem, que nem tudo o que sabe bem é conveniente, enfim, contra quem ponha regras - por mais que cada um seja livre de não as seguir...
A estas almas não lhes basta estarem-se nas tintas para "ideias conservadoras e caretas", tal como a democracia o permite: é preciso ofender quem se atreve a pensar de forma "reaccionária"... ou a ter Fé. A liberdade é só em modo venha a nós, para fazer coisas divertidas e prá-frentex (ganzas para todos!). Se "os outros" querem diferentes liberdades, está o caldo entornado.
E como a Igreja Católica dá a outra face é o alvo perfeito, porque já se sabe: brincar com o Islão é desrespeito e xenofobia. Deus Nosso Senhor não fulmina ninguém, mas os jihadistas não se ensaiam de o fazer.
Ora, a Esquerda é perita em comandar estas contradições. Bem como em pugnar por muito disparate - digo eu, para distrair o povo das questões mais urgentes, mas não vamos por aí.
O que interessa é que o Bloco de Esquerda decidiu
Pimba, zás, trás - a agravar e achincalhar, de uma assentada, não só a opinião de muitos Católicos praticantes sobre a matéria (sendo que muita gente que era contra nem será Católica ou não é praticante, logo Cristo não era para ali chamado) como o dogma da Santíssima Trindade. S. José e o Sagrado Coração de Jesus, cuja imagem foi utilizada com nuances psicadélicas.
E não deixa de ser estranho que a notícia da blasfémia circulasse em força numa Sexta Feira, dia por tradição dedicado ao Sagrado Coração, dia da Paixão de Cristo. Em plena Quaresma. Eu não creio em coincidências.
Nota bene: o Bloco já tinha o que queria. A polémica não visava, vá, mudar consciências num país de cultura católica porque concorde-se ou não (e não vem ao caso aqui) a lei já está aprovada. O cartaz é um gratuito e grosseiro "tomem e embrulhem que já almoçaram".É de um odiozinho mesquinho e barato de herege ressabiado contra verdades profundas que quem venera um sistema económico nunca poderá atingir salvo por graça divina.
Para não dizer contra producente para a própria causa que o partido defende: ou seja, no que respeita à aceitação destas novas famílias pela sociedade. Se pretendem que a adopção por casais do mesmo sexo seja vista como benéfica, inócua e normal, ofender à conta disso as crenças alheias (ou antes, uma fé profundamente entrelaçada na nossa cultura, mesmo para quem não vai à Missa nem reza o rosário) é um péssimo começo.
E se quisermos contra-atacar um argumento estúpido com outro, trazer para a mesa a Sagrada Família, podemos bem responder "tinha dois pais mas também tinha mãe, seus calhaus".
Pela internet já circula uma petição pela retirada de tal desconchavo - além de não tardarem pedidos de orações por estas almas e - espera-se - Missas e acções de desagravo. É que calha mesmo bem que Deus seja misericordioso, mas não abusem.
Espero que não tenham deitado fora as vossas "extravagâncias de ganga"
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| Top estilo bustier e shorts, Valentino |
Eu sei que me livrei de algumas - não que alguma vez tivesse sido grande acumuladora de jeans com enfeites ou de peças que não é suposto serem feitas de ganga. O meu minimalismo/preferência pelos looks clássicos e depurados do costume levou-me a seleccionar o denim que de fonte limpa me vai bem: tons escuros ou lavagens simples, cortes intemporais, camisas, uma ou outra saia lápis e vestidos, jeans brancos estilo Jackie Kennedy (que por mais que se diga que a regra é obsoleta, não consigo usar no Inverno)...
Acho que na ânsia de limpeza escaparam uns jeans bordados Kenzo, um busão Levi´s vintage com motivos flower power e um jumpsuit Mango (que esse sim, usei bastante...).
Se não fizeram tal exorcismo, a boa notícia é que poderão reciclar muito do que se viu e fez as delícias das coleccionadoras na viragem do milénio. Felizmente não me consta que vá voltar a popularizar-se a combinação "jeans+ top de sair" para a noite (deixemos essas informalidades em 2001, onde pertencem).
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| Vestido Steve J & Yoni P |
Mas para o dia, vale tudo: além dos flare jeans e das calças boca de sino de todos os comprimentos, dos skinny que teimam em não sair de cena em todos os tons, de culottes e track pants, a ganga apresenta-se num verdadeiro show de variedades: de tops bordados a corpetes, de saias linha A a ganga franjada e desfiada como não se via desde finais dos anos 90, passando por blazers, jardineiras e casacos de todos os feitios.
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| Casaco de ganga desfiada, Marques ´Almeida |
Não aconselho um grande investimento (salvo às verdadeiras fanáticas) mas de repente, o que parecia datado torna-se cool. Já sabemos que a moda funciona mesmo assim, mas nunca deixa de ter a sua graça quando acontece...
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| Jardineira Stella McCartney |
Thursday, February 25, 2016
The first cut is the deepest
É uma das minhas canções preferidas (como se não bastasse ter sido escrita por Cat Stevens, mais tarde foi cantada por Rod Stewart e sai sempre bem, basta ouvir a versão de Sheryl Crow) e mais do que a letra em si, o título sempre me assombrou um pouco. The first cut is the deepest - uma profunda verdade.
Um primeiro amor marca, principalmente se ferir. Há aqueles que deixam profundas cicatrizes, que accionam todo um efeito borboleta que pode ser destruidor. E o primeiro amor não é necessariamente o primeiro namoro ou o primeiro envolvimento sério: pode ser aquele que escapou. E se fez um corte, nunca haverá arranhão igual, por mais fundos que sejam os seguintes.
Depois, em qualquer relacionamento, se há um first cut que abala a confiança total que havia entre duas pessoas, dá-se o efeito do espelho: é possível colá-lo, mas a brecha nunca desaparece.
E, terceiro caso a que se aplica a letra: o first cut duplo. Restaurar um amor, reatar laços, escavar raízes profundas nunca é simples; é sempre um processo agridoce.
Porém, torna-se mais denso quando se trata de restituir a uma primeira paixão, ao que poderia ter sido, a sua pureza original apesar do tempo, do ressentimento, do ciúme, da separação e dos fantasmas. A ideia é romântica, mas o processo há-de ser no mínimo catártico. Há a necessidade da presença do outro para curar as feridas, mas a visão constante da ausência, do corte e da lâmina. Querer alguém sabendo que o primeiro corte é o mais profundo exige mananciais de compreensão, de perdão, de paciência. Requer um amor que mais do que imenso e imorredouro, é magnânimo, altruísta, forte, teimoso - mas acima de tudo, misericordioso.
I still want you by my side
Just to help me dry the tears that I've cried
And I'm sure gonna give you a try
If you want I'll try to love again,
Baby, I'll try to love again, but I know...
The first cut is the deepest
Baby I know
The first cut is the deepest
But when it comes to bein' lucky, he's cursed
But when it comes to lovin' me, he's worst...
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