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Thursday, March 3, 2016

Lista de escárnio e maldizer #1: 14 coisas que TODAS as serigaitas têm de ter

Porque a criatura tem mais que se lhe diga que garras às cores...

Há dias um amigo cá do blog comentava à mesa connosco, levando as mãos à cabeça ante o panorama que lhe ia pelo mural das redes sociais: desesperadas de um raio, cambada de mulheres da luta

Riu-se tudo, claro, até por ser um homem a indignar-se com o assunto; e rapidamente se apurou que certas pessoas -entre as quais as serigaitas ou flausinas - devem ser produzidas em fornada. Ou como diziam os antigos, "são todas farinha do mesmo saco, todas amassadas na mesma gamela e lêem todas o mesmo livro"(salvo seja...).É que TODAS se parecem



Têm os mesmos gostos, hábitos, formas de falar e até traços fisionómicos. Sem querer cair em repetições do que já se brincou por aqui com o tema, foi possível apurar 14 itens que são comuns a todas as alminhas deste género. Deve ser algum código de conduta obrigatório ou não sei, até porque só vejo estas pessoas de longe (e não, não é aconselhável chegar perto delas para fazer um estudo mais fundamentado nem que a National Geographic ou a Universidade de Oxford paguem a peso de ouro)...

 Ora vejamos:


1- Bijutaria barata 



Os brincos grandes e os statement necklaces de metal ranhosos são especialmente populares. Nenhuma toilette de lycra e viscose fica completa sem algo que BRILHE.

2- A maquilhagem da praxe



 Lápis de contorno preto, à anos 80, a afundar bem os olhos, e bâton (ou mais comum, gloss, por motivos óbvios) rosa-serigaita nacarado, magenta-flamingo, "stramberry" (elas escrevem assim; julgo que é um cor de vinho arroxeado e medonho) ou rosa choque.

3- Nail art e tatuagens de mau gosto


 Já dito e repetido, porque sem isso não vivem. Além das garras do demo, a tramp stamp, claro, é obrigatória, embora muitas jurem que não sonhavam o que isso era quando fizeram a tatuagem (não nascemos ontem, sabem?). De manchas de tigresse a plumas passando por frases do estilo "nunca deixes de SORRIR" ou "por mais que a vida te atire pedras, constrói o teu castelo", não raro com erros de ortografia -principalmente se o rasgo poético for escrito na língua de Shakespeare. E claro que ter rabiscos na pele obriga a comprar sempre trapos que os mostrem bem. Até o vestido de noiva (já lá vamos...) precisa de aberturas de modo a exibir os gatafunhos.

4- Frases motivacionais



Para todos os momentos: as de engate, as de "beijinho no ombro" e as de ressabiamento, para quando o amancebamento ou casório relâmpago dá para o torto. Geralmente em brásileiru, com erros e na terceira pessoa, ex "quando o mundo diz que é impossível, ELA faz acontecer".

5- Migas

 Sem miguxas para trocar elogios e "mimos" como "lindona, gata, gostosa, pega (e nomes piores) ou- muito na moda - "GUERREIRA",uma serigaita fenece como um vampiro ao sol.

6- O auto proclamado estatuto de "GUERREIRA"



 Sendo que "guerreira" normalmente traduz a rapariga que ao fim de muita one night stand e/ou de muita caça ao homem  lá acabou mãe solteira e consegue a proeza de (com imeeensa ajuda das avós da criança) ir criando o pequeno ou a pequena (que trata invariavelmente por "meu príncipe" ou "minha princesa") e ao mesmo tempo, continuar a não faltar a uma festa de kizomba e puxar o cabelo às rivais sem lascar uma unhaca de acrílico. É que é preciso lutar muito para ser uma mulher da luta. É uma canseira.

7- Aparelho nos dentes



Ou porque está na moda e agora é mais acessível (em suaves prestações mensais, logo fácil de pagar com as gorjetas do bar da cachaça ou salão) ou porque muitas não foram geneticamente abençoadas e pronto, é giro pôr uns elásticos às corzinhas e SORRIR, SEMPRE. Fica fofo, mesmo que não remedeie grande coisa. E para fazer pendant, pode sempre usar-se um piercing de brilhantes num dente, a condizer com o do nariz e os brilhinhos nas unhas. Há que BRILHAR (verbo muito usado por todos os salões de beleza da esquina, se ainda não repararam).

8- Poliéster! 



Tanto a serigaita provocante, vulgo mulher melancia, como a serigaita que finge de "mulher séria" têm de vestir tecidos sintéticos (esclarecendo: a serigaita que finge de "mulher séria" é do tipo falso e loureiro que faz o piorio mas posa de ingénua e queridinha, logo usa leggings, mas com um vestidito de malha acrílica por cima, estilo professora primária; escolhe umas túnicas ou cai cais de acetato e remata com um lenço feito de petróleo colorido ou um laçarote medonho, para dar um ar "chique") . 

Vestiriam estes trapos que não deixam a pele respirar mesmo com um orçamento milionário e contratando o Tim Gunn como personal stylist, a berrar-lhes aos ouvidos o mau ar que isso dá. É instintivo. Até porque ficava estranho usar sapatões de napa com roupa de seda...

9 - Vestidos de noiva de cai-cai, estilo suspiro



 Decotados e sintéticos, a parecer chantilli de plástico. Tenha a noiva 50 ou 80 quilos, 25 ou 40 anos, seja o casório no civil ou na Igreja, de Verão ou de Inverno, o "vestido de princesa" mas ordinário é obrigatório.

 O que implica encontrar um noivo palerma, ceguinho, um "capitão salva galdérias" disposto a fazer delas "mulheres honestas". Farto de saber a crónica que para ali vai mas cheio de sonhos românticos - e sobretudo, igualmente parolo... porque outro qualquer perdia a cabeça com tanto disparate. Then again, é impossível alguém que não seja do mesmo tipo e do mesmo círculo querer casar com elas.

E assim como assim, o casa-separa é tão frequente [acabando regra geral com uma das partes a fugir para o (a) ex do ginásio ou cachaça club com quem partilhou uma longa e intermitente história de amor com traições e bastardias pelo meio] que o raio do balandrau acaba por não ser tão importante como isso. Muitas vezes é oferecido à próxima "miga" a dar o nó, sem medo que a má sorte se pegue, ou pior- usado numa sessão fotográfica sexy (já lá vamos).

10- Books "artísticos"



 Estas almas adoram posar (ou como elas dizem,"pousar") para a câmara, mesmo que não devam nada à beleza. Porém, por mais que se abuse das caras e bocas em selfies cheias de filtro ou que se peça a uma "miga" com jeito que tire uns retratos provocadores (de salto alto no meio da gravilha com um mini vestido de lycra que mostre as tatuagens) nada supera ter um book de retratos assinados por um fotógrafo profissional, batido nas andanças dos casórios e dos desfiles de bairro. Profissional, mas igualmente mau. Melhor do que isso, só um book pós casório. Sim, isso é triste, mas existe. E é um sucesso.

11- Cabelo preto-graxa ou louro-queimado



Ultra esticado e compridíssimo se for preto, com uma raiz apreciável e pontas espigadas se for louro, normalmente um louro amarelado porque já se sabe, essa cor não é para todas; custa meios e trabalho a manter. Mas como o que interessa é dar nas vistas e nada diz tanto "chegou a serigaita!" como fazer de Pocahontas ou de Cinderela de feira, ficar bonito ou feio é irrelevante. O mau gosto é como a morte e a estupidez: só faz mossa a quem está à volta, ao próprio tanto se lhe dá...

12 - Mascotes

 De preferência se forem um ser vivo. Geralmente vão treinando em bonecos da Hello Kitty e outras coisas cor de rosa e infantis até arranjarem meio de ter um cão pequeno, um coelho ou um gato especialmente pachorrento (coisa rara, felizmente)  alvo ideal para exibir, vestir com roupinhas ridículas, levar para toda a parte sem fazer caso do bem estar do bicho e tirar quantas selfies há. É uma sorte os macacos serem proibidos como animal de estimação, ou nem quero imaginar. Mas o must, o máximo, é ter uma criancinha para isso, um mini me: seja o sobrinho, o primo, a filha da "miga" ou um rebento malcriado fruto de fugaz história de "amor" com banda sonora de novela da TVI, quase sempre fora dos laços do matrimónio. Pobres pequenos.

13-Trash TV (e derivados)



 A inspiração para vestir como bonecas da loja dos 300 (e ataviar os amancebados a condizer), estar sempre "pronta para amar e sorrir", falar como carroceiras e partilhar/citar porcarias não nasce do nada.

 É preciso ir beber muiiiita ideia a conteúdos brejeiros como os Jersey Shores, os Big Brothers e as telenovelas xaropentas da TVI. Tudo devidamente acompanhado de revistas do género, do Correio da Manhã, das musiquinhas da Mega Hits e de likes religiosamente feitos (perdão,"metidos") em páginas tipo Cifras, porque ler nem que seja a Cosmopolitan é um esforço titânico. Quando uma serigaita faz o sacrifício de ler é porque uma "miga" com ambições intelectuais lhe disse que as 50 Sombras ou o último best seller de um Pedro Chagas Freitas da vida tem passagens eróticas que arrepiam. Arrepia, sim senhor! Mas é de medo. Só que não ter medo, vergonha nem frio é um super poder das serigaitas, logo não há problema.

14- Inscrição no ginásio



É inevitável. Ou para andar lá até ficar uma mulher melancia de coxa grossa e derrièrre monumental, experimentar todas as danças afro latinas, tirar muitas selfies suadas (blhec) nas aulas de cross fit  e conhecer todos os Carlões e Ricardões (alguns no sentido bíblico do termo) ou - muito comum também-  para nunca lá pôr os pés e queixar-se de que a celulite e as banhas são genéticas, que o que dava jeito era uma lipo aspiração e uns implantes mas...pelo sim, pelo não, participar em todas as colour runs ou run qualquer coisa, nem que seja na categoria de caminhantes. O que interessa é participar! E sorrir. E BRILHAR!




Wednesday, March 2, 2016

Medeias, não Julietas




Esta manhã, com a descoberta do corpo de Rodrigo, o jovem desaparecido há uma semana, assistiu-se de imediato à especulação dos sensacionalistas do costume.


 Mas suponhamos que essas teorias estão correctas- e espero sinceramente que NÃO estejam, que para tragédia já basta...

 Partamos do princípio que a mãe do rapaz foi, pelo menos, conivente com o seu homicídio (involuntário, muito provavelmente; uma altercação com o padrasto que acabou da pior maneira) cúmplice da ocultação do cadáver do próprio filho e da fuga do companheiro para o Brasil no próprio dia do desaparecimento do adolescente.

Assumindo que isto é verdade - e não seria o primeiro nem o último caso do género - é monstruoso pensar o que leva uma mãe a colocar um parceiro (e quase sempre, nestas desgraçadas histórias é um parceiro recente) à frente do seu dever e instinto maternal. Ou à frente da voz do sangue, que devia provocar um impulso de revolta e repugnância imediato. Monstruoso ou material para estudo, conforme o quisermos encarar.

Em Romeu e Julieta, a heroína continua a amar Romeu depois de ele matar - acidentalmente, mas pronto- o seu primo Tibaldo. Mas um primo, por muito chegado que seja, não é um filho.




Mal comparado, já que na peça os protagonistas não são pais, tivesse Romeu assassinado Lord Capuleto e não creio que a reacção de Julieta fosse "esconda-se, meu amor! Parta antes que o apanhem!". 

Então, o que move estas mulheres? Amor não pode ser. Quem é capaz de amar não é indiferente à morte da sua prole. Não procura proteger quem mata um ser que ela pôs no mundo. Mas são tantos os casos de "mães" (indignas do nome, vá) coniventes com a tortura e abuso dos próprios filhos às mãos de estranhos por quem se "apaixonam" que algum complexo estranho há-de haver. Decerto move-as uma luxúria doentia e seródia que as emparvece, um extremo egoísmo, uma vontade de provar a si mesmas que ainda são desejáveis e jovens, um medo horroroso de ficarem sozinhas. Conduzem-se de acordo com as hormonas, ao sabor do ventre de mal empregada fertilidade...

 Mas nada têm de Julietas. Quando muito serão Medeias em versão desestruturada e sórdida. Que  Medeia, coitada, ainda tinha alguma desculpa...

Tuesday, March 1, 2016

O complexo Lia e Raquel


O amor de Jacob e Raquel (ou o triângulo amoroso entre Jacob, Raquel e Lia) encerra uma lição importante, que provavelmente passa despercebida. Ou porque muita gente fazia gazeta à Catequese, ou porque não prestava atenção aos sonetos de Camões...

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava  Lia.

...ou ainda (é o mais certo) talvez a moral da história pareça não fazer sentido hoje porque à primeira vista, não é fácil identificar-se com tal imbróglio. Afinal - graças a Deus - não é possível, na nossa cultura, um homem casar com duas mulheres. Primas dele e irmãs uma da outra, ainda por cima!


Mas pensemos bem e veremos que não é assim: o que há mais por aí é Lias e Raquéis (quase nunca irmãs, senão havia de ser bonito). E Jacobs também não faltam. Se deixarmos os parentescos e as bigamias de parte, é um conto que se repete constantemente e que causa muitas arrelias escusadas a quem se deixa envolver nele.

O livro do Génesis conta como o pastor Jacob se apaixonou à primeira vista pela sua bela prima Raquel. Tão enamorado ficou que prometeu ao tio trabalhar para ele sete anos, em troca da mão da linda pastora. Por ela, estava disposto a todos os esforços, a ficar longe de casa, a estafar-se ao sol... tudo lhe parecia pouco. Tudo parece fácil a um homem realmente enamorado. E o tio Labão concordou. Mas volvidos os sete anos o velho espertalhão ainda não tinha arranjado marido para a irmã mais velha de Raquel, Lia. Lia era boa rapariga, tinha bonitos olhos doces, mas não possuía os encantos da irmã. E como o sogro não conseguia impingir a mais velha a ninguém, vai de enganar o noivo da mais nova!


Já se sabe o resto da história - Labão endrominou Jacob, trocando as noivas. Lia, que estava mortinha por casar, não fez caso do que a irmã ia sentir e aceitou logo, em 
modo mulher da luta, achando que acabaria por conquistar o coração do marido (erro crasso!). Nem ao menos via que ele não estava interessado. E Jacob, quando percebeu o engodo, ficou desesperado. Só se calou quando o tio aceitou dar-lhe também Raquel por mulher - em troca de mais sete anos de trabalhinho, claro. Para Labão foi um bom negócio: arrumou as duas filhas de uma assentada.

Para Jacob, nem tanto: havia sempre picardias entre as duas manas. Lia, que era muito fértil, vingava-se de não ser amada troçando da sua bela irmã, que não havia meio de ter filhos...mas é claro que Raquel levava sempre a melhor. Lia bem se podia esfalfar por ser boa dona de casa, por agradar, dar-lhe quantos filhos houvesse: não importava o quanto suasse as estopinhas, Raquel era a rapariga dos sonhos de Jacob. Aquela que ele se tinha esmifrado para conquistar. Aquela para quem ele corria quando chegava a casa. A mulher que ele tinha escolhido. A donzela distante e prometida.


Lia, coitada, era apenas a rapariga fácil que estava à mão. Aquela que se tinha oferecido de bandeja, que lhe tinham impingido. A que ele fora obrigado a aceitar, à falta de melhor. A forma como uma relação começa determina quase sempre o seu percurso e o seu fim: Jacob nunca amou Lia- fazia o que podia. Era amoroso com ela na medida do possível. Tirava partido. Ia aturando. Já Raquel, bastava-lhe bater as pestanas...

Infelizmente haverá por aí muito mais Lias do que Raquéis: a facilitar as coisas, a ver se conquistam um Jacó qualquer, atravessando-se no caminho das Raquéis e dos Jacobs se for preciso, em vez de deixarem que alguém que goste realmente delas as encontre, que as trate como a única mulher à face da terra. E claro que nunca resulta como deve: a maioria dos homens tem um pouco de Jacob. Ainda que se fique por uma Lia à falta de melhor, vai sempre suspirar pela Raquel. Por aquela mulher que não só lhes cativa o coração como um raio, mas o faz agir como conquistador e sentir-se vitorioso quando finalmente a reclama para si.

Era assim em tempos bíblicos e não muda, por mais moderno que seja fazer como a Lia descaradona...

Oscars #2: 6 vestidos que *apesar de tudo* inspiram

Sem querer repetir que a passadeira encarnada dos Oscars foi nha nha nha, mais do mesmo que se tem visto, nada de muitos "oooh, que lindo" e "très chic! bravo!" (mas já repetindo) eis seis vestidos que são um bocadinho mais marcantes no meio da sensaboria. 

Espero que este ano os grandes eventos do género tragam material capaz de surpreender quem já viu muitos vestidos ao longo da sua existência e já não tem pachorra para tanto cai cai simplório, nude dresses e modelos encarnados à falta de ideia melhor. Sendo que as festas mediáticas são sempre uma montra para as marcas, parece que os designers têm procurado agradar às novas consumidoras, que pela primeira vez irão escolher um vestido formal (será?). 

Como a procissão ainda vai na ponte, tudo é possível. Mas por enquanto, reparemos nestes:



Sofia Vergara (Marchesa) 

Sofia é my kind of girl. Sabe o que lhe fica bem e vai variando cores, apliques, mangas,  feitios de decote e caudas dentro do sheath dress que a favorece a sua figura de ampulheta - o que é muito sensato. Antes não surpreender muito do que parecer menos bela do que é arriscando fantasias e modernices. O penteado é um pouco severo e este não é o vestido mais impressionante que já lhe vi, mas no todo, o look é um clássico.



Brie Larson (Gucci)

Corte singelo, mas fitting imaculado; tecido simples, mas trabalhado com esmero e de uma cor rica; e o cinto, sem ser propriamente novidade, tem aquele bocadinho a mais. Preferia ter visto algo mais especial no cabelo e na maquilhagem, mas encantadora mesmo assim.


Cate Blanchett (Armani Privé)

Cate é especialista em tornar distintos vestidos que noutras mulheres não resultariam por serem espampanantes ou - pelo contrário, conforme - minimalistas. Este powder blue cheio de flores está algures no meio mas sobretudo, cai mimosamente na sua coloração de "leite e rosas", como diria Eça. Mais importante,  note-se que o fitting é perfeito. A cintura cuidadosamente cingida, as flores aplicadas onde se precisa de volume e não ao acaso. Vê-se bem que foi um trabalho de alta costura e não um vestido escolhido à pressa, como se vai vendo cada vez mais em eventos destes. Não sendo assim, aplicações destas podem ser um desastre.



Lily Cole (Vivienne Westwood)

Uma bonequinha ruiva num vestido típico de Vivienne Westwood que nem quero saber se é ecológico, feito a partir de garrafas de plástico (foi mesmo!) É tudo muito vitoriano e  perfeito, goste-se ou não da cor pálida contra uma pele de cera. E as sandálias (que já dei voltas e ainda não descobri de quem são?)? Um espanto, prova provada de que dourado e prateado nem sempre são inimigos.


Margot Robbie (Tom Ford)

Os modelos rectos de jacquard brilhante, muito anos 70, não são novidade nas red carpets, mas nem todas as mulheres são capazes de lhes dar graça e classe. Ou ficam desengraçados ou caem no vulgar. A actriz brilhou neste Tom Ford por ser atlética q.b mas com curvas q.b. Ter um rosto lindíssimo, que até dispensa  folestrias no penteado, também ajuda muito. Ainda que o dourado do vestido se confunda com o tom das madeixas.


Dorith Mous (Dennis Diem)

Chamem-me antiquada que é para o lado que eu durmo melhor, mas um vestido para os óscares tem de ter impacto. E um número gótico faz sempre falta. Há negro e negro e este tem aquele je ne sais quoi. Mind you, tal como está não é um vestido para todas e mesmo na modelo este não é um decote que eu recomende. Pessoalmente, tirava-lhe a gola alta, abria as rendas por ali abaixo até ao colo e talvez trocasse as mangas. Mas a cintura é maravilhosa, o tecido estupendo e todo o o conceito lindíssimo.


Monday, February 29, 2016

Oscars #1: Oh Kate- e Ralph Lauren- isto NÃO se faz.



Das passadeiras encarnadas deste mundo de Deus cada vez se espera menos: é um facto. Mas esta vou tomar como ofensa pessoal e reagir de forma emocional, não posso evitá-lo.

Eu explico: tem uma pessoa um blog onde, com os seus humildes two cents, faz por lembrar às amigas, aos milharzitos de pessoas que por aqui passam todas as semanas, uma mensagem simples, mas martelada ad nauseam e que poupa muitos dissabores: escolham tecidos de qualidade! Optem pelos bons cortes em modelos intemporais! Não dispensem uma boa costureira que ajuste tudo ao milímetro! 

Digo-o mil vezes, pois não há etiqueta de designer que salve um vestido com cara de ter sido comprado na lojinha do chinês, brilhoso. molengão, de ar datado e ainda por cima, que não caia o melhor possível no corpo de quem o veste. E uma pessoa insiste nisto em modo água mole em pedra dura, sabendo que por muito pequena que seja a nossa esfera de influência, às vezes basta chamar a atenção para um detalhe para que outras pessoas reparem também, para que uma seguidora conte às amigas, fazendo-se pouco a pouco, grão a grão, uma cruzadazinha contra a pinderiquice que por aí se vê. E talvez, só talvez, a boa nova se vá espalhando e pouco a pouco se vejam menos vestidos de tafetá sintético e cai cai mal feito em tudo quanto é festa, casório, ou baptizado. Sonhar não custa.

Claro que como eu há muitos bloggers, stylists e consultores de moda a bater na mesma tecla. 



E nisto, vem uma actriz como Kate Winslet e usa-me este horror que não quero acreditar, porque não posso sem quebrar alguma lei do universo, que tenha sido feito de encomenda por Ralph Lauren. Justamente um vestido com cara de ter sido comprado na lojinha do chinês, brilhoso. molengão, de ar datado e sintético, com o cai cai mais banal e mal feito deste mundo, em suma, um balandrau que podia perfeitamente ter sido comprado por qualquer Silvana Priscila dos subúrbios em finais anos 90 e herdado pela sua mana mais nova, a Xana Constança, para levar ao baile de finalistas e ao casório da prima Sheila Patrícia. 

Quanto a Ralph Lauren, apetece-me dizer como as mães quando se sentem ultrajadas: "mais tarde conversamos". Fico-me por explicar que isto deita por terra a minha teoria de que é impossível Ralph Lauren fazer roupa feia.

Mas calculam o impacto que isto tem junto das pessoas (por mais que a imprensa de moda tenha descascado de alto a baixo no vestido)? Imaginam o que significa uma A-lister como Kate Winslet, ídolo das meninas cheiinhas que esperam vira  estampar capas de revista e das donas de casa que se querem sentir sexy, uma mulher que passou de aspirante a actriz gorduchinha para se tornar em boneca de porcelana para filmes de época e emergir como actriz esguia e sofisticada, usar uma coisa assim?

É escangalhar todo o trabalhinho de quem avisa "não usem coisas pavorosas destas". É dizer às meninas mal enganadas ou serigaitas com tendência para o chinelo que é OK usar tafetás sintéticos, perpetuar os cai cais manhosos e os vestidos de sereia made in China (que  se fossem Ralph Lauren, ia dar ao mesmo, vá, mas se isto é mau temam as imitações...). Vai ser um vê-se-te-avias de "se a Kate pode, eu também posso" e de "isto não é nada medonho, a Kate Winslet levou um assim".

Pessoas de gosto, preparem um bom sortido de valeriana, xanax e passiflorina,que os próximos meses vão ser negros, tenebrosos e assustadores, cheios de poliéster. Eu aviso, não que sirva de alguma coisa...

Sunday, February 28, 2016

Quando grandes mulheres falam umas sobre as outras


Muita gente adora dizer que as mulheres se alfinetam mutuamente porque sim. E isso talvez seja verdade para certo tipo de pessoas. Porém, o espírito elevado não conhece sexos, logo uma mulher inteligente e espirituosa não tem problemas em reconhecer o mérito ou superioridade de outra - mesmo que não morra de amores pela visada ou discorde das suas ideias.Vejamos alguns exemplos:

A trivialidade dos enredos descritos por Jane Austen nos seus romances - histórias de meninas de boas famílias que procuravam "caçar" um marido - irritava escritoras exaltadas e dramáticas como Charlotte Brontë  e, mais tarde, feministas como Virginia Woolf, que não podiam compreender as ambições "estreitas" de heroínas calmas e caseiras como Elizabeth Bennet. No entanto, ambas souberam enaltecer as qualidades daquela que é hoje considerada como a verdadeira iniciadora do romance feminino em Inglaterra.

Jane Austen

Charlotte Brontë acusava Jane Austen de "falta de profundidade". "As paixões são-lhe desconhecidas" dizia. E no entanto, não deixava de lhe apontar "uma fidelidade chinesa, uma delicadeza de miniatura nos retratos...". 

Já Virginia Woolf, ao estudar a obra de Austen, destacava-lhe "o humor, a paciência na descrição das trivialidades da existência" e considerava-a "a mais perfeita, a escritora cujos livros são imortais".

Por vezes, só uma mulher - que seja imparcial e isenta de vaidade fátua, bem entendido- para avaliar verdadeiramente as qualidades de outra, para entender os seus mecanismos, os seus sacrifícios e desafios... ou até, quando se trata de dotes físicos, para fazer uma apreciação estética não toldada pelas nuances do sex appeal. O que os homens podem desaprovar ou admirar, merece da mente feminina uma análise mais racional e desapaixonada.

D.Maria de Portugal

Carolina Michaëlis de Vasconcelos, primeira mulher a leccionar numa universidade portuguesa (Coimbra, nem mais) na sua obra sobre a Infanta D. Maria de Portugal, Duquesa de Viseu (fruto do matrimónio escandaloso entre D. Manuel I e a linda Leonor da Áustria) escreveu, acerca desta mulher rica e culta, que nunca casou e dedicou o seu tempo a instruir-se e a obras pias:

"Várias disposições do seu testamento revelam a superioridade do seu espírito (...) os seus carinhosos desvelos pela saúde, o bem estar (...) mostram como o muito saber, longe de paralisar as virtudes femininas, lhes serviu de directriz prática."

Aplicassem todas esta clareza de raciocínio, julgando com serenidade e isenção- sem rivalidades gratuitas e sabendo admirar o que merece ser admirado, pondo os olhos no que merece análise, em vez de falarem em se esgatanhar umas às outras...e o mundo andaria de outro modo, já que as mulheres são a espinha moral da sociedade. Mas quê!


O homem ideal: nem fariseu, nem pecador impenitente


"E a bondade (...)! - atalhou docemente Padre Soeiro- a bondade (...), sobretudo, também salva...olhe, às vezes há um homem muito sério, muito puro, muito austero, um Catão que nunca cumpriu senão o dever e a lei...E todavia ninguém gosta dele, nem o procura. Porquê? Porque nunca deu, nunca perdoou, nunca acarinhou, nunca serviu. E ao lado outro, leviano, descuidado, que tem defeitos, que tem culpas, que esqueceu mesmo o dever...mas quê? É amorável, generoso, dedicado, sempre com uma palavra doce, sempre com um rasgo carinhoso...e por isso todos o amam, e não sei se mesmo Deus (Deus me perdoe!) não o prefere..."


Eça de Queiroz, in A ilustre Casa de Ramires


Uma mulher sensata procurará fugir dos maus rapazes - aqueles que parecem muito decididos e viris, mas são apenas infantis e perigosos. 

E se calhar, nesse processo, tentando fazer a coisa certa, vai tropeçar em "bons rapazinhos" sem graça nenhuma, mas também  numa espécie mais apelativa de suposto "bom rapaz":  o  auto-proclamado "homem de bem"- o que tem uma atitude "holier than thou". Ou seja, o fariseu bem apessoado. Um elegante Caifás.

Um desses pode ser, ou não, um hipócrita. Mas está sempre pronto a pregar moral. Cumpre os seus deveres - sociais, religiosos, profissionais, familiares - com zelo. Mais do que zelo, orgulho. É muitíssimo exigente com os outros, julga tudo e todos...o que seria uma virtude, se aplicasse igual julgamento a si mesmo. Quando ama, é porque encontrou a "mulher séria" que idealizava...e ela toda contente, porque finalmente achou um cavalheiro que não comete estroinices (ou  oculta-as muito bem). Mas bem diz o povo "quem não fuma, não joga nem bebe vinho, leva-o o diabo por outro caminho".

Em breve o idílio azeda: primeiro, porque o fariseu não tolera a mais leve desilusão: espera a perfeição, oferecendo muito pouco em troca. À menor falha humana que embacie essa imagem, ressente-se e trata de retaliar. Perdoar não é com ele, mas adora impor penitência. E se é ele a errar, nem conta, logo não precisa de perdão. Depois, porque sob uma capa de suposta virtude, falta-lhe calor e bondade....é piedoso, mas não há misericórdia nele. Nem para dar esmola a um pobre, nem para pedir desculpa se faz a mulher chorar.


 Dizem os sicilianos "riqueza e santidade, acredita em metade"...e um fariseu elegante é muito assim. Afinal, acha-se estratosfericamente acima dos pecados humanos. Faz o que os maus rapazes fazem, mas em modo "ladrão que fica à porta". E depois, sendo muito virtuoso, não aprendeu que fé sem obras é morta. Nem que, mesmo com boas acções para inglês ver ou fazendo tudo o que manda o figurino, sem uma base de amor e caridade, isso vale batatas...

Mal por mal, antes outro tipo de rapaz: o rebelde somewhere in between. 
O "mau" rapaz que no fundo é um bom homem e que nunca na vida se achou perfeito.  

Caifás era fariseu e uma peste, sob a sua capa de "justo" e imbeliscável- e passou à História como vilão. Santo Agostinho foi uma peste, um marialva, um doidivanas, mas com muito arrependimento, fez-se Doutor da Igreja.


  À falta de um S. José, venha um Santo Agostinho! Ou seja, o "valdevinos" honrado e reformado. Frio ou complexo na aparência, que se derrete apenas para a sua outra metade, a única capaz de o acalmar e que chama à superfície o melhor dele. O rapaz que parece indomável. 

beautiful mess que tem conserto, que vai atrás para corrigir quando erra, que se arrepende das suas culpas  passadas, que se comove com a tristeza alheia, que pára no seu caminho para socorrer quem precisa. O homem que não age bem porque é suposto, mas por impulsos generosos. O que sabe muito bem que não é, ou não foi, nenhum santo, mas também é capaz de acarinhar, desculpar, penitenciar-se e corrigir-se. O que fecha os braços se está zangado, mas os abre logo a seguir; o que se excede uma vez ou outra, mas procura constantemente a redenção. O que deu cabeçadas, mas é fiel e leal e está sempre pronto a ajudar ou consolar. Acima de tudo, o que sabe por instinto - mesmo que tenha desleixado a cartilha - que a santidade não é um dado adquirido para os eleitos, mas um trabalhão diário, assente na humildade de se reconhecer falível.

Se calhar o Padre da Ilustre Casa de Ramires tinha razão: talvez Deus prefira esse homem, quanto mais não seja em modo "há mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por 99 justos...". Mas uma mulher ajuizada prefere-o de certeza.






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