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Wednesday, March 16, 2016

Coisas que é um sarilho para encontrar nas lojas #1: botas para usar com saias




Antonio Marras


Passei o Inverno arreliada com isto, e como apesar de a Primavera estar à porta o frio ainda se faz sentir, tive de analisar o caso que me tem complicado a escolha das toilettes.

Ora pensemos: a tendência dos anos 70 dita que podemos usar botas com saias linha A ou culottes. E a sensatez recomenda que - com saias abaixo do joelho - as botas não folguem nas pernas. 


Casadei


Com saias curtas ainda é outra história (das duas uma, ou se opta por umas cuissardes discretas ou vamos por botas de cano largo e descaído, que num look boho até é favorecedor) .

Mas para acompanhar todas as outras saias e vestidos, é mais recomendável - se não quisermos usar sapatos ou botins - botas de cano justo, maleável, que se adapte à perna. A única excepção à regra será um modelo como o  Shark Lock da Givenchy, que fica interessante mesmo que não seja lá muito correcto.


Para a noite, Dolce & Gabbana

Então porque carga de água será tão complicado encontrar nas lojas botas justas deste género, em pele fina ou tecido - sejam longas ou *de preferência, para não se enrolarem na saia* pelo joelho? Mesmo entre as marcas de luxo estes modelos estão em minoria. Ou seja, caem na categoria das peças que fazem falta mas as marcas deixam sempre faltar.

 É claro que ( salvo no caso das cuissardes) para usar sobre calças, botas largas no cano são incomparavelmente melhores e mais confortáveis. Mas ainda assim devia haver mais botas-para-saias à disposição.


Jimmy Choo

É que é muito maçador passar o Inverno sabendo que de todas as botas no armário, só uma pequena parte se presta a ficar no sítio ou a não blusar sob uma saia justa. Ou optar mais vezes por calças à conta disso. E preservar como um ai-Jesus aquelas que ficam bem e são quentinhas! Haver tão poucas opções implica também investir muito numa peça de uso ocasional, já que praticamente só as griffes mais exclusivas têm estes modelos sempre disponíveis - e reparem, poucos com saltos práticos e confortáveis.

A fast fashion às vezes falta muito às necessidades do consumidor, ai se falha....um dia destes ainda me resolvo a desenhar calçado e o resto, em modo pede o guloso para o desejoso.






Macaquinhos no sótão, cada um tem os seus.


Em boa verdade, não sei porque se convencionou que são macacos os responsáveis por uma pessoa começar a malucar lá por dentro em problemas que nem existem (ou a atormentar-se com males passados aumentados à lupa da imaginação). Ter ratos no sótão é bem mais comum: quem já dormiu numa casa antiga sabe bem o barulho que eles fazem...parece uma rave descontrolada lá em cima!

Mas vendo bem, faz sentido que se tenha dado tal honra aos nossos primos simiescos, e não à rataria.  Macacos não se limitam a correr, tratando da sua vida como os ratos que só pensam em roubar comida e arranjar ninho: se hipoteticamente se apanharem num sótão hão-de inventar quantas cabriolas há com tudo o que estiver à mão. Atiram o que andar por cima dos móveis, vestem a roupa do avesso, abrem e fecham gavetas, balançam-se nos lustres pela cauda...


Assim são os nossos pensamentos: não se limitam a correr e a fazer barulho. Viram-se do avesso, arreliam-nos com caretas, penduram-nos as ideias de cabeça para baixo, um banzé pegado, até não conseguirmos ter um "diálogo mental" que se aproveite. Magicar pode ser um péssimo hábito. Isso do cogito ergo sum até pode ter provado que existimos, mas existir não quer dizer que se esteja a meditar em alguma coisa de jeito. 

Há dias alguém disse "bichinhos feios no sótão" em vez de "macaquinhos". Achei muito bem dito, até porque há macaquinhos lindíssimos, mas nem todas as macacadas que nos poluem o sótão são belas e inspiradoras. Algumas mais valia trancá-las no zoo e deitar fora a chave. Ou lavá-las com sabão macaco, para a nódoa sumir de vez.

Tuesday, March 15, 2016

As mulheres e o mito de "tens de viver a vida"


Tive finalmente ocasião de ver An Education, filme que me despertava curiosidade há algum tempo e que - ou por ser um pouco too close to home ou por falta de tempo, me tinha escapado. O enredo é velho: rapariga com ambições académicas/de carreira apaixona-se por homem poderoso que põe o mundo aos seus pés. Ora, a certa altura vê-se confrontada com uma escolha: a professora que ela admira diz-lhe "és bonita, és inteligente, podes ser o que quiseres. Vai para Oxford". E a jovem responde "a professora é bonita, inteligente, podia ser o que quisesse, foi para Cambridge...e aqui está a corrigir redacções".

O enredo -apesar de a acção se desenrolar nos anos 50/60, época em que as mulheres começaram a ver-se de forma mais evidente perante este conflito-  resume aquele velho dilema ou falácia que ideias feministas e demasiado idealistas nos arranjaram: podes ser o que quiseres. Podes ter tudo. E às tantas até é possível, mas é necessário um sentido sobre-humano de timing e de oportunidade, muita elasticidade, muiiito sangue frio e um bocadinho de sorte. Sem isso, o tanas é que podes.



Em nome de uma independência (que é importante, sem dúvida) de estudar, viajar, alargar as vistas, construir uma carreira (um processo que é  arriscado tornar discutível, mas que se prolonga demasiado para o bem da maioria) é incutido às mulheres que adiem ad aeternum casamento e filhos. Mas - já vimos isto - eis que dali a um par de anos o "ainda é muito cedo" começa a transformar-se no desagradável "olha que se faz tarde". 


Uma rapariga é desencorajada de casar com o seu primeiro amor - ou mesmo de aceitar um compromisso sério com o apaixonado de liceu - porque ambos têm de viver as suas vidas. O problema é que muito provavelmente, não se sabe bem que vida vem a ser essa. E a rapariga acaba por se afastar do Afonso, que vai-se a ver não seria pior (pelo contrário) do que o Manuel ou o João ou o Miguel que conhece mais tarde e que se calhar, só se calhar, não seriam tão relevantes como o Afonso, que mal ou bem lhe queria com a maravilha e ingenuidade da primeira juventude, capaz de tornar tudo possível. Algumas das mulheres mais felizes que conheço não foram nessa pandeireta do "tens é de viver a vida" e mantiveram-se ao lado do seu high school sweetheart até hoje. Com muito "é melhor o diabo que se conhece do que aquele que não se conhece" e muita paciência, o namoro lá sobreviveu a faculdade, início de carreira, ventos e marés, até atarem o nó. Se calhar sem terem logo ao início as condições ideais, mas em modo "tudo se faz, tudo se cria, amanhã Deus dará". Raro na nossa geração - e se calhar, não fizeram senão bem.

Mas voltemos às que vão na tal pandeireta e largam o Afonso:  mais tarde, se conhecerem o tal homem poderoso e quiserem seguir o caminho dele, serem esposas no sentido tradicional, dedicar-se à família, o mais certo é ouvirem "estás a desperdiçar a tua vida". A vida, sempre a vida...

Para muita gente, uma vida só é vida se se assemelhar a uma conduta estilo Sexo e a Cidade ou Anatomia de Grey: carreira, amizades e imensos casos amorosos.

 Mas por outro lado, há o risco de um homem desse género - dominador, bem sucedido, com presença na sociedade-  não ser o que parece. Como no filme, nem tudo o que reluz é ouro. E a rapariga pode ver-se numa gaiola dourada, sem opção, sem alternativa, presa a uma relação disfuncional e com grande disparidade de poder. Encurralada.

Nisso o filme está certíssimo: aliás, é baseado num caso real e o testemunho da escritora que o inspirou dá que pensar. Dizia ela "antes de conhecer este homem estava sedenta de sofisticação. Depois de ele sair da minha vida, só queria estar com gente terra a terra e rapazes simples da minha idade".



A educação de uma mulher também é moldada pelos cavalheiros que conheceu. E há alguns que ensinam mais que mestrados, da melhor ou pior maneira.

É curioso como nos são dadas todas as escolhas, e no entanto elas continuam a não ser fáceis.Tem de se encontrar algures para as mulheres - e realçar para as gerações futuras - um ponto de equilíbrio entre o ainda é muito cedo e o olha que se faz tarde. Entre independência e amor. Entre espírito prático e felicidade. Entre o podes ser o que quiseres e o escolhe aquilo que é realmente importante.  Algures no meio disso tudo, há-de haver uma fórmula balanceada, do estilo "constrói alguma independência e não a percas mas quando o amor aparecer, agarra-o".

Suponho que tal pedra filosofal se encontre perdida entre o viver a vida e não desperdiçar a vida- que não é assim uma coisa distante, vaga, obrigatoriamente localizada num grande mundo onde todas têm de ser aventureiras, mas algo que acontece todos os dias. Na ânsia de viver, de viver não se sabe bem o quê, nunca se vive realmente.





As coisas que eu ouço: quando morre uma figura pública


Fiquei com muita pena de ver partir inesperadamente Nicolau Breyner. Como a maioria dos portugueses cresci com o seu rosto familiar; gostava de o ver e sobretudo, de o ouvir cantar. Uma voz riquíssima...inesquecível, o la-ra-la-la-la pim pim do Sr. Contente e do Sr. Feliz. 

Mas claro que - uns mais pesarosos, outros menos - na era em que qualquer anónimo tem tempo de antena, o comum dos mortais chama o luto a si, por muito pouco que tivesse a ver com a figura que deixa este mundo. É um fartar de condolências que a família nunca receberá, de agir como amigo chegado mesmo que só se tenha visto a pessoa de perto uma vez, de gabarolice nas redes sociais a contar o dia em que se vislumbrou o defunto no metro, de longe, ou que se lhe apertou a mão quando recebeu um qualquer prémio e calhava quem se finou fazer parte do júri. 

Há uma diferença entre lamentar a perda de uma personalidade estimada pelo público e fazer disso algo pessoal.  Faz-me confusão esse usurpar da dor alheia, como quem procura roçar-se na celebridade, fazer-se íntimo e ficar assim com a sensação de ser também um bocadinho famoso. Quanto mais não seja, como é a notícia do momento sempre garante alguns likes...



Isto porque, estava eu há pouco numa loja que tinha o rádio ligado em estação que não percebi qual era, e o programa deu espaço para os ouvintes fazerem a sua homenagem a Nicolau Breyner. Pois eis que um senhor qualquer que para lá telefonou, que o tinha conhecido via qualquer grupo de teatro amador a que estivera ligado (ou assim me pareceu...), depois de contar larga e compungidamente os escassos momentos em que se cruzara com o artista, de maçar a audiência com o ar pretensioso de pessoa importante, de gabar a grande simplicidade (tinha de ser) deste vulto da cultura e de enfim, agir como agem sempre as almas que adoram ouvir a própria voz, se sai com mais esta:

" Que o mesmo Deus que deu a Nicolau Breyner o talento para ser actor varra da face da terra (ou "extirpe da face da terra", já não sei, era um verbo assim assustador) os «artistas» que fazem programas que não interessam".

Olá! Isso é um bocado forte e super emocional. E ridículo, pelo menos neste contexto. Para já, a chamar o nome do Senhor em vão. Depois, há imensos figurões que não me importava de ver longe dos holofotes, mas daí a mandar-lhes uma maldição divina que os esfumasse do planeta para fora vai alguma distância. E em última análise, nem sempre os artistas se dão ao luxo de interpretar apenas aquilo que gostam ou para que se prepararam no Conservatório (os que lá andaram, vá)- Shakespeare e cinema de autor não enchem tanto os bolsos como novelas xaropentas e um actor precisa de pagar as contas. O próprio Nicolau Breyner esteve ligado ao estabelecimento de muita da ficção nacional conforme a conhecemos, ou estou enganada agora?

Isto as pessoas falam, falam, e só dizem disparates...foi um autêntico diga à gente como vai este país. O mal da fama é que uma pessoa se sujeita a "velórios" destes.

Monday, March 14, 2016

Susan Sarandon: belíssima aos 70 anos.


A revista Activa deste mês trouxe uma interessante entrevista com uma das minhas actrizes preferidas. Não sei se pela escolha de papéis, se por me identificar com o seu fototipo ou com o seu pedigree celta-siciliano, sempre achei Susan Sarandon inspiradora. Mas como sou despistada nestes detalhes e a idade de uma senhora não se pergunta, fiquei surpreendida ao saber que a beldade ruiva - que mais coisa menos coisa, parece sempre na mesma- fez 70 anos.

 70, meninas e senhoras! Não que ter 70 anos hoje em dia seja nada do outro mundo. É só o que vem depois dos 60 que são os novos 50 e sempre acreditei que uma pessoa mantendo-se sensivelmente igual a si própria até certa idade, depois disso já não modifica muito mais. Principalmente se tiver sido bela em nova, já que a verdadeira beleza depende mais dos traços correctos do que da frescura da primeira juventude. Basta olhar para outras belezas como Julianne Moore, Cate Blanchett, Monica Bellucci ou Sophia Loren para perceber isso.

Até aos vinte e poucos anos, qualquer rapariga minimamente esbelta que se atavie é engraçadinha, mas a ilusão desfaz-se rápido. Há uma tendência para sobrevalorizar a juventude confundindo-a com beleza, quando na verdade a juventude é um photoshop temporário.



Não obstante, ter 70 e aquela figura impecável e um rosto lindo que aparenta menos duas ou três décadas (em boa verdade, nem saberia que idade lhe dar) continua a ser obra, até porque (como o artigo aponta e muito bem) apesar do seu tipo de pele delicado (quem tem pele clara e sardas sabe que não pode haver descuidos) a actriz parece ter retocado muito pouco a cara, se é que intervencionou o que quer que fosse...

Em todo o caso, a receita de Susan Sarandon não é tão diferente da fórmula apontada por todas as famosas bonitas que se conservam bem: focar-se na família, ter alguns cuidados de cosmética/exercício/alimentação sem exageros, manter-se apaixonada por projectos, hobbies e causas...viver, em vez de existir. Se ela o diz eu acredito, até porque é remédio acessível e bom de aplicar.

Susan Sontag dixit: os "antes" e os "depois"




Num documentário da National Geographic que conta a história de Anne Frank sob uma série de ângulos que eu ainda não tinha visto explorados, citou-se a impressão da escritora Susan Sontag quando, aos 12 anos, viu imagens dos horrores de Bergen-Belsen:

"Nada do que eu vira até ali me ferira tão profundamente. Parece plausível dividir a minha vida em duas partes: o antes e o depois, embora levasse vários anos a compreender o que tinha visto. Quando olhei para aquilo, algo se quebrou; algum limite tinha sido atingido. Senti-me irrevogavelmente magoada, ferida, mas uma parte dos meus sentimentos começou a contrair-se; algo morreu; e algo dentro de mim continua a chorar desde então".

Qualquer ser humano tem uma série de momentos "antes e depois" ao longo da vida. São perdas de inocência, lições, quebras de ingenuidade, mágoas profundas, cicatrizes que nunca saram e que sabe-se lá que efeito borboleta desencadeiam na alma e no destino de cada um; outras servem de "wake up calls" ou, como diz o povo, de "abre olhos".

 Nem todos esses momentos, revelações. acontecimentos, imagens, palavras ou instantes que mudam uma pessoa e que assombram para sempre são necessariamente trágicos (também os há felizes, cómicos, nostálgicos ou no mínimo, agridoces).


 Nem todos acontecerão na infância ou primeira juventude, embora seja certo que quanto mais cedo, maior a possibilidade de o impacto ser grande ou a cura - se caso disso - mais difícil de descobrir. E em última análise, a maioria destes momentos impactantes é relevante para a história pessoal de cada um, mas não é tão comum andar de mão dada com um instante crucial da História da Humanidade. Quando acontece - caso de famílias separadas durante o Holocausto ou de um casal que se perdeu no Titanic ou no  Terremoto de 1755 - deixam de pertencer apenas à esfera íntima para se entrelaçarem num drama mais alargado, de interesse científico, com cunho testemunhal, mas não obrigatoriamente mais pungente para quem o viveu.

De todo o modo,  são fronteiras que nunca se ultrapassam por completo, linhas que separam áreas do coração e da mente que jamais se desvanecem de todo. A  memória tem infinitos truques, nuances e avenidas. Dos "antes e depois" aos "se ao menos...", passando pelos "what if?", pelos "sorry ever after" e pela angústia de comparar possibilidades (afinal, "tragédia é sempre a medida entre o que foi e o que poderia ter sido"). E tem o poder de continuar a fazer chorar - ou a rir - toda vida por algo que já lá vai noutro tempo, quase noutro plano da existência. 

Por muito que se goste de Museus, memórias e retratos às vezes não são mais que armazéns de material emocional altamente inflamável. 


Sunday, March 13, 2016

8 momentos para entrar em modo "que se dane"

A prudência é uma das virtudes cardeais (aliás, a mãe das virtudes cardeais)- infelizmente  confundida muitas vezes com passividade ou bananice.  Mas lá dizia Maquiavel que às vezes mais vale ser ousado do que prudente

Dentro do bom senso, há ocasiões em que se aplica um "que se dane", um "temos pena", um "perdido por um, perdido por mil", um "é para a desgraça, é para a desgraça" um "remember the Alamo" ou simplesmente, em que se entra em modo "Avé Maria e avante".

1- Quando se encontra "aquele" livro/vestido/peça de colecção/etc



Fazer aquisições "quando se pode e os bons negócios aparecem" não é o mesmo que cair em compras por impulso: é uma regra de smart shopping. Se por acaso se deparou com algo que costuma procurar e sabe que lhe dá sempre jeito, mais vale fazer o investimento agora do que andar à procura como uma barata tonta mais tarde - aí sim, fazendo compras apressadas e se calhar menos vantajosas.

2- Quando se apresenta uma ocasião única de "desatar o saco"



Ou seja, de dizer tudo o que tem entalado há imenso tempo a uma determinada pessoa - para o bem ou para o mal-  mas faltou a ocasião, o momento ou a coragem. Está bem que a flecha disparada ou palavra dita não voltam atrás, mas as oportunidades perdidas também não. Se um discurso está "gravado" na mente a passar em loop e a atormentar a alma é porque se calhar o verbo precisa mesmo de ser solto. Além disso, engolir em seco provoca doenças ruins. Caso sinta "se não disser das boas e das bonitas, rebento" ou pior, "se não falar agora, vou ficar na dúvida se fiz bem o resto da vida" siga o impulso ou o instinto, e seja o que Deus quiser. Pior do que está não fica e no mínimo, é um alívio.

3- Na TPM

Esta é exclusiva das mulheres, mas convém que face a ela os homens presentes também apliquem o bom e velho encolher de ombros. Por mais que se diga que é mito, ela existe. O papel das hormonas no organismo ainda fará correr muita tinta, mas ficar mais gulosa,  emocional ou sensível ou nesses dias é perfeitamente natural. É claro que o auto-domínio cabe em toda a parte, mas mais vale regalar-se com um sundae se o corpo pede ou desabafar se está mais capaz disso do que noutras alturas do que ficar com um humor pior ainda. Aplique-se a isso a regra "what happens in Vegas...".

4 - Quando não há outro remédio senão partir a louça toda



Esta é muito semelhante ao momento nº 2, mas aplica-se mais a circunstâncias em que os outros abusam da boa vontade/boa educação/timidez de cada um, fazendo dos bonzinhos capacho. Só que até os tapetes precisam de uma sacudidela de vez em quando e quem não se sente, não é filho de boa gente. Se o risco foi mesmo pisado, há que aproveitar aquele momento de indignação, de "não, chega, assim também é demais" e accionar o modo defesa ou contra-ataque de imediato. Com sorte, o oponente fica assarapantado e sem acção por ver que o "tapetinho" reagiu. Lá dizia Sun Tzu, há que surpreender o inimigo e atacá-lo quando ele menos espera, de uma forma contra a qual não lhe passaria pela cabeça prevenir-se. 

5- Quando se apaixona *mesmo*



O amor não é desculpa para tudo - muito menos para prejudicar terceiros. Mas é verdade que muda as pessoas e as faz reconsiderar muitos "nunca farei isto ou aquilo" que atiram para o ar no seu estado normal. Uma amiga bastante sensata disse-me uma vez, quando me ouviu comentar "gabo-lhe a pachorra" perante outra amiga que ia a correr para casa fazer um grande jantar para o marido que até cozinhava razoavelmente: "dizes isso porque ainda não te mordeu o bicho!". O bicho, claro, era o Cupido. Lá diz o povo, "quem pensa não casa". O amor verdadeiro não bate à porta todos os dias e embora a necessidade de ponderação não desapareça de todo (já se sabe, quem se aventura a amar, aventura-se a sofrer) sem capacidade de arriscar, nada se faz.

6- Quando lhe aparece uma boa oportunidade (e assim como assim, não há uma alternativa melhor)



Muitas coisas boas (e outras tantas que dão para o torto) surgem quando até se está sem rumo certo, sob a forma de algo que quebra o tédio. Por exemplo, estar sem grandes perspectivas de carreira e cair do céu uma proposta apetecível mas temporária, ou mais desafiante do que seria desejável, ou que fica longe. É verdade que pode correr menos bem. Mas se não tem nada melhor para fazer, why not? Dizem os entendidos que a sorte também se fabrica e que uma das maneiras de a atrair pode ser, simplesmente, virar as rotinas do avesso. Nada de bom sai de águas paradas.

7- Quando algo não tem nada de errado...e a (o) faz MUITO feliz



Deus nos livre de seguir aquela filosofia indecente do "nada é errado se te faz feliz" (Bob Marley não era má pessoa, mas devia estar a fumá-las - como era seu hábito - quando disse tal). No entanto, há coisas que se adoraria fazer e que não são condenáveis (eticamente, moralmente...) nem indignas, nem reles, que não prejudicam ninguém (nem o próprio sequer) mas pronto, ou porque há medo que os outros pensem "nem parecem coisas tuas!", ou por falta de coragem/tempo/energia, ou para não perder a compostura, ou por *enunciar razão* vai-se adiando ou recusando essa alegria. Nada é eterno e embora seja de evitar a filosofia living la vida loca ou andar sempre a dar uma voltinha no wild side, convém viver um pouco.

8- Quando há motivos para festejar



 Muitas vezes cai-se no péssimo hábito de não assinalar as coisas boas. Não celebrar datas especiais ou boas notícias, por exemplo. Há uma razão para se chamarem "datas especiais" e "boas notícias": é que não acontecem todos os dias. Deixar de assinalá-las porque "não dá jeito" é o mesmo que dizer - conforme as crenças de cada um - ao Céu, ao Universo ou à Sorte "não me tragas mais nada disto porque eu não aprecio". Dentro das possibilidades de cada um, agradecer e festejar devia ser obrigatório. Até porque ninguém gosta do chato ou da chata a quem Deus dá nozes, mas não tem dentes. Um dia não são dias, que diabo.




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