Wednesday, April 6, 2016
Quando as lamechices falam verdade#3: qualquer esconderijo é bom
Diz essa grande filósofa que eu desconhecia até hoje, Mandy Hale (segundo o Google, a senhora vem a ser uma bem sucedida guru de auto-ajuda para solteiras desesperadas) que o Mr. Right moverá montanhas para estar com a mulher de quem gosta, enquanto o Mr. Wrong se esconde atrás delas.
É bem certo; in xaropicis veritas.
Eis outra daquelas máximas do universo ele não está assim tão interessado que qualquer mulher digna e com a auto estima no lugar tem de saber de cor, e que qualquer mulher com má pontaria ou pouco juízo precisa de aprender para não continuar a ter desgostos e a fazer tristes figuras, mais vale tarde que nunca. Mas permitam-me elaborar esta verdadinha deprimente.
É que ao "rapaz errado", até um arbusto serve para se esconder; se for preciso, até se atira para um contentor do lixo só para não dar o peito às balas, quanto mais uma montanha...
...ou como li esta semana num douto meme, "rapazinhos dão desculpas, homens dão um jeito, os malandros enrolam".
Tuesday, April 5, 2016
Três produtos que deviam vir em embalagem grande....só que não.
Já repararam que certos cosméticos nos deixam imaginar como o Gulliver se sentiria em Lilliput?
1- Champô seco
É útil, ainda bem que voltou a estar na moda, mas qualquer spray para o cabelo deve ter pelo menos o tamanho de uma laca (que não seja uma laca de viagem). No entanto, a maior parte das marcas parece lançar o produto a pensar em quem tem muito pouco cabelo. Quer se use para prolongar o brushing ou para adicionar textura ao penteado, mesmo apontando para as raízes é impossível chegar a todas as camadas com aquela latinha liliputiana. Uma pessoa acaba desesperada a esfregar o pó infernal para que se distribua uniformemente... e lá se vai a sensação arejada de frescura instantânea.
2 - Bronzeadores e protectores solares
Isto ainda arrelia mais quando supostamente vêm em "embalagem familiar". Embalagem familiar para duendes, só se for. Espalhar protector solar já é uma maçada, com o sal e a areia a atrapalhar tudo, quanto mais tentar tirar creme/borrifar-se a partir de um frasco pouco maior que um telemóvel e que chega ao fim num instantinho. Nem quero imaginar quem tem crianças e precisa de as besuntar de alto a baixo, o pequeno a mexer-se, a protestar, a espernear que quer ir mas é para a água e o sunscreen a cair a conta-gotas. O único remédio é ter uma embalagem suplente para evitar escaldões, mas quem gosta de levar muitos volumes para a praia?
3 - Hidratantes de corpo...e companhia
Sejam cremes, loções, reafirmantes localizados, óleos de beleza ou até collants em spray, muitos deles são vendidos em embalagens que parecem amostras. Ou que durariam muito...na Polegarzinha. Alguns acabam tão rápido que nem dá para perceber a eficácia da fórmula. Se compramos um cosmético para as pernas, é suposto que o queiramos usar em ambas, certo? E quem diz pernas, diz tudo o resto. Um produto para o corpo pode ser muito bom, mas se vem numa embalagem com cara de creme de rosto, desisto.
É útil, ainda bem que voltou a estar na moda, mas qualquer spray para o cabelo deve ter pelo menos o tamanho de uma laca (que não seja uma laca de viagem). No entanto, a maior parte das marcas parece lançar o produto a pensar em quem tem muito pouco cabelo. Quer se use para prolongar o brushing ou para adicionar textura ao penteado, mesmo apontando para as raízes é impossível chegar a todas as camadas com aquela latinha liliputiana. Uma pessoa acaba desesperada a esfregar o pó infernal para que se distribua uniformemente... e lá se vai a sensação arejada de frescura instantânea.
2 - Bronzeadores e protectores solares
Isto ainda arrelia mais quando supostamente vêm em "embalagem familiar". Embalagem familiar para duendes, só se for. Espalhar protector solar já é uma maçada, com o sal e a areia a atrapalhar tudo, quanto mais tentar tirar creme/borrifar-se a partir de um frasco pouco maior que um telemóvel e que chega ao fim num instantinho. Nem quero imaginar quem tem crianças e precisa de as besuntar de alto a baixo, o pequeno a mexer-se, a protestar, a espernear que quer ir mas é para a água e o sunscreen a cair a conta-gotas. O único remédio é ter uma embalagem suplente para evitar escaldões, mas quem gosta de levar muitos volumes para a praia?
3 - Hidratantes de corpo...e companhia
Sejam cremes, loções, reafirmantes localizados, óleos de beleza ou até collants em spray, muitos deles são vendidos em embalagens que parecem amostras. Ou que durariam muito...na Polegarzinha. Alguns acabam tão rápido que nem dá para perceber a eficácia da fórmula. Se compramos um cosmético para as pernas, é suposto que o queiramos usar em ambas, certo? E quem diz pernas, diz tudo o resto. Um produto para o corpo pode ser muito bom, mas se vem numa embalagem com cara de creme de rosto, desisto.
Books "sensuais" para gestantes? Podem parar o mundo para eu descer.
À conversa com as amigas cá do blog a propósito deste post, lembraram-me o bonito tema das grávidas que fazem questão de protagonizar um constrangedor book fotográfico sexy (tinha de ser) a recordar o seu estado de graça.
A reboque da moda dos books fotográficos sexy que só servem para postar nos social media (e que não sei que utilidade têm; até uma dentista vi recentemente a posar como Deus a trouxe ao mundo, não para a Playboy nas horas vagas mas para facebook ver: deve ser bonito lá no consultório, deve) dos books sexy de despedida de solteira (esses felizmente ainda não vi cá chegar) e dos books sexy para noivos, os books de gravidez "sensuais" estão a atacar em força.
Brace yourselves: agora todas querem imitar a Demi Moore. Só que primeiro, a Demi Moore era famosa, segundo o trabalho era para uma revista de prestígio e foi bem feito, por grandes profissionais; terceiro, era novidade.
A proliferação de tal fenómeno dá um novo e mais amplo significado ao desabafo popular "ai mãezinha". Oh valha-me Nossa Senhora do Ó, padroeira da minha terra e das gestantes!
Vamos começar pelo óbvio.
Newsflash, minhas queridas "mamãs ousadas": não é por estarem de esperanças que deixam de estar despidas, ou que toda a gente passa a contemplar-vos com olhos inocentes e angelicais. Como comentou um cavalheiro cá de casa, "há fotógrafos pouco profissionais que são tarados ou só querem dar nas vistas e nem elas nem os pais dos bebés percebem isso". E estas imprudentes fazem-no se calhar sem pensar, expondo-se primeiro a um fotógrafo (tenho visto muito poucas fotógrafas a fazer esse trabalho) e depois aos olhos do povo.
De retratos como vieram ao mundo a poses em lingerie ordinareca ou topless com o pai a cobrir o que não é suposto ser visto, há de tudo. Isto quando as fotografias não são mal tiradas, além de cómicas, realçando o pior da gravidez - estrias, gordurinhas - e desfavorecendo a modelo.
Deixemos de lado moral e pudores exagerados (que nisso, cada uma está mais ou menos à vontade com a sua imagem...) para sermos totalmente objectivas aqui. Eu nem gosto de pensar nestas coisas, mas se há filmes para adultos sujeitos a essa temática (vão ver ao Google e mais não digo) há tarados para tudo, capice?
Que uma mulher tenha um ego tão grande e uma vaidade tão exacerbada que não se importe de se sujeitar - e ao inocente dentro dela- no seu estado mais abençoado e mais frágil, a pensamentos indecentes de desconhecidos, baralha-me. Que uma mulher esteja sensível, fragilizada, com baralhações hormonais e enfim, queira sentir que está bonita apesar das complicadas modificações temporárias do seu corpo, que queira guardar imagens suas desse período único da vida e as queira glamourosas, é compreensível.
Não que uma grávida não possa ser linda e feminina, ou que não haja retratos bonitos dentro do género. Mas guardem alguma coisa para o pai da criança, por favor.
Depois, lá que uma mulher de esperanças esteja toldada das hormonas, sensível, e se calhar em repouso forçado, o que lhe dá tempo para andar em fóruns e grupos de gravidez a malucar e trocar ideias com outras nas mesmas condições (são imensas as postagens do tipo "onde posso fazer o meu book?" nas redes sociais) enfim.
Mas que maridos (ou em muitos casos, "companheiros") amigas e pais não façam nada, que não avisem, que não digam um "menina, alto que isso já é demais. Olha a vergonha alheia, olha o sentido do ridículo, olha que um dia podes arrepender-te da ousadia, olha que o teu filho um dia pode pensar «que vergonhaça, mãe»"...já escapa à compreensão.
A não ser que seja verdade não só isso de os casais ficarem grávidos, mas de a euforia contaminar toda a família e círculo de amigos.
E por fim, se a maternidade é supostamente o momento em que uma mulher se esquece um bocadinho de si própria para passar a entregar-se de corpo e alma a algo maior do que ela, ou quanto mais não seja (isto soa pinderiquíssimo, mas cá vai) ao fruto de um grande amor, estes books egomaníacos são uma forma bem esquisita de o demonstrar. Tal como com os books de noivas, só vejo ali "eu, eu, eu, olhem para mim que estou tão linda".
De mais a mais, quando muitas, depois de a criança nascer e de as hormonas se baralharem outra vez, tratam de descuidar a imagem, desleixar-se de todo e deitar as culpas de terem "estragado" à pobre criança. Go figure.
No meio das preocupações com consultas médicas, fraldas, medo do parto, pós parto, amamentação, quarto de bebé, meios para o criar, etc, etc, etc...a preocupação das futuras mães é onde arranjar um fotógrafo que as "descasque"? Com tantas roupas bonitas para mãe e bebé, tantas coisas amorosas e necessárias em que empregar recursos, a alegria delas é pagar a um "profissional" que as ponha em tais preparos? Além de tudo, pergunto ainda, porque isto me enche de interrogações: onde fica a singeleza, a doçura, a aura de santidade, inocência e dignidade que costumava estar associada ao estado de graça?
Monday, April 4, 2016
5 instintos masculinos que as mulheres descuram...e não deviam.
O sexo oposto não é tão difícil de entender nem tão maldoso como muitos livros modernos "para mulheres" o pintam. Pelo menos na questão "mal me quer, bem me quer" só não percebe os homens quem gosta de se iludir com modernices e wishful thinking: mais nuance menos nuance, poucas criaturas neste mundo são tão pão, pão, queijo queijo como eles.
Mas no que se refere à convivência quotidiana (seja com namorados, maridos, pais, irmãos ou primos) a psicologia é mais complexa. E há reflexos ou instintos masculinos que as nossas avós conheciam e contornavam bem mas que hoje, com a disseminação da ideia de que somos todos absolutamente iguais, são postos de parte.
E no entanto, esses instintos e reflexos existem...logo, a bem da harmonia - e da velha habilidade feminina de dar a volta às situações de forma discreta - não convém desprezá-los. Vejamos:
1- Aversão à confusão...em todos os sentidos
É paradoxal, porque alguns são bem barulhentos e desarrumados...mas talvez por serem mais visuais e menos verbais do que nós, confusão, histeria e trapalhada deixam-nos baralhadinhos de todo. E impossíveis de aturar. Seja no aspecto logístico ou emocional, quanto menos poluição, melhor! Por algum motivo os manuais antigos para "boas esposas" frisavam sempre que, para que um casamento corresse bem, era crucial o lar estar sempre arrumado e acolhedor (hoje, que a maioria das mulheres trabalha fora de casa, o melhor conselho será criar hábitos saudáveis de divisão de tarefas). Já aqui vimos isto em maior detalhe, mas resumindo, eles não suportam barafunda. Supostamente, o cérebro masculino não consegue processar tanta informação em simultâneo como o feminino. Isto leva a que entrem em pânico se vêem o mulherio entrar em casa com alguns sacos de compras (nem é muita coisa, mas acham logo que se comprou este mundo e o outro) ou que tenham dificuldade em reagir com calma se a mãe, esposa ou irmã lhes expõe um assunto toda nervosa, a dar imensos detalhes. Eles não ouvem um terço, só sentem que algo se passa - e pioram o cenário mil vezes lá na sua cabeça.
2- Ouvidos MUITO sensíveis
Lá dizia o outro "é um longo caminho dos lábios de uma mulher aos ouvidos de um homem"...porém, a verdade é que eles podem fazer orelhas moucas a bons conselhos, avisos sensatos ou raciocínios elaborados, mas apanham imediatamente um tom de voz ríspido ou agressivo. E detestam! É mais fácil convencê-los a atirarem-se a um poço com bons modos do que a fazerem uma coisa muito boa aos gritos. A experiência prova a fórmula da avó "com eles, não se consegue nada por mal". Por vezes uma mulher fala de forma apressada ou impaciente, sem qualquer má intenção, e ei-los de com cara de tacho, sentidíssimos e quezilentos, barafustando "isso são modos de me falar?". Perdi a conta às quezílias que tenho visto começar só porque - queixa deles - "ela falou-me à bruta".
3- Necessidade de apoio e um beliscável sentido de respeito
Se as mulheres (admitam ou não) gostam de se sentir protegidas, os homens adoram proteger e ser os heróis do dia. Mas com isso, vem também a necessidade de sentir que a "sua mulher" está sempre a seu lado, no melhor modo se ele diz mata, ela diz logo esfola. Sentir que não são respeitados pela própria cara metade fere-os no mais íntimo do seu ser. E já se sabe, se a briga for com outra pessoa qualquer, tomar o partido do oponente é pedir zanga na certa: seja porque ele se travou de razões com um amigo numa festa demasiado "animada" ou porque o pai impôs um castigo à criançada e a mãe, perante a prole, o contradiz logo, desautorizando-o, cuidado com isso. Mesmo que eles não tenham a razão toda ou ajam de cabeça quente, é melhor conversar sobre o assunto em privado e com meiguice. Jamais de forma ríspida, que os diminua, ou pior - diante do "adversário".
4- Ego e bazófia
Uns mais do que outros, mas nenhum está imune a uma certa vaidade e a assomos de orgulho
Por algum motivo adoram desportos de velocidade, luta e competição, que os deixem provar quem é o maior. Ou quanto mais não seja, quem é o maior maluco ou o mais temerário. E voltam para casa contentes e felizes, mesmo com pés torcidos, galos na cabeça ou bólides amassados. Esse instinto reflecte-se em muitas pequenas coisas: por vezes, podem entrar em competição até com a própria mulher. As estórias complicadas em que um homem se sente ameaçado por a esposa ganhar mais do que ele são um caso típico (e muito feio) mas na maioria, as manifestações são mais subtis e inócuas. Conheci um senhor que, sendo da mesma altura da mulher, amuava sempre que ela calçava saltos. Outros podem ficar arreliados com isto ou aquilo e defender-se exagerando, dourando a pílula ou fazendo coisas superiores às suas forças só para manterem uma posição de superioridade, em modo "ora toma!" mesmo que isso lhes custe caro. Por exemplo, aventurarem-se a fazer um movimento de Yoga difícil só para não ficarem atrás da mulher, que pratica a modalidade há dois anos (e lesionarem-se) ou, se a namorada tem a má lembrança de mencionar um ex, retaliarem com alguma história escabrosa dos tempos de faculdade. Mesmo que saibam que isso vai atrair sarilho, ou que a legítima esteja farta de saber que o livrinho negro dele não tem nada de ameaçador. Quando o ego é posto à prova, o tacto desaparece e extrapolam mais que um pescador. Criancice much? O melhor é não ligar e accionar o programa entra por um ouvido e sai por outro.
5- Rabujice em modo bebé
Seja por fome, sono, ciumeira repentina, cansaço ou frustração profissional, quando algo os incomoda podem ter vergonha/dificuldade/preguiça de se explicarem como gente e protestarem rabujando, quezilando ou embirrando com outra coisa qualquer. Quando é assim, o melhor é aplicar o remédio das nossas avós, por antiquado e machista que possa soar: se estão maldispostos, deixá-los! Mais vale tentar que fiquem confortáveis (oferecer-lhes comida rapidamente, sugerir que vão tomar um banho quente, que façam uma sesta ou que vão arejar as ideias com um jogo de playstation costuma funcionar) e ralhar-lhes mais tarde, quando tiverem as ideias no sítio. Caso contrário, sujeita-se a casa toda a uma embirração de horas a fio que não beneficia ninguém, no melhor espírito muito barulho por nada.
Haja psicologia invertida para lidar com "eles", que outro tanto será feito por nós....
Volto a dizer: as pessoas perderam a noção da intimidade.
Os caros amigos e seguidores do Imperatrix têm o simpático hábito de me enviar conteúdos que podem interessar-me ou dar post - incluindo disparates que estão mesmo a pedi-las.
Mas devo dizer que na semana passada, me fizeram chegar alguns tão escabrosos que fiquei maldisposta durante um bom bocado. E que poderão dar mais do que um post, sendo que o mais grave não me está a apetecer tratar hoje. Tudo bem que cada um vive como quer desde que não vá contra a lei nem prejudique ninguém, mas há almas que só podem estar mergulhadas numa treva impenetrável. Que apenas com a presença e o exemplo, corrompem os costumes e debilitam a sociedade. Olha-se para elas e vê-se o demo atrás, a esfregar as mãos de contente.
Estava a constatar isso, nomeadamente através de duas ou três páginas brasileiras mas do agrado dos portugueses e escandalosamente más, destas que as "serigaitas guerreiras" adoram e cujos nomes bastam para arrepiar uma pessoa (vejam aqui, aqui e aqui por vossa conta e risco).
E admirei-me com duas coisas (é um mistério como uma pessoa ainda se admira, apesar de tudo).
Primeiro, como pessoas que conheço, aparentemente normalíssimas e com família, não têm constrangimento em seguir tais páginas (e em não esconder que as seguem, quando o feicebuque até permite ser discreto nos descalabros que se acompanham). Sem fazer caso da pegada digital que deixam; assim, sem pejo, como quem gosta de uma página de culinária ou de desporto.
E isso diz muito das pessoas, pois como já vimos, a boca fala daquilo que o coração está cheio. Ou, modernizando, os dedos fazem like naquilo de que o coração está cheio.
Depois - isto ainda é mais estranho - não só muita gente partilha em público as citações e imagens duvidosas de tais pornochachadas, como comenta na própria página. Geralmente, para marcar na publicação a amiga, o amasiado ou mesmo o marido. E como!
Se um meme fala, sei lá, em fazer loucuras e cometer pecados deliciosos (como elas dizem) num elevador ou imitar as 50 Sombras, é ver o mulherio a pôr tags em fulano ou beltrano, ou na amiga, a dizer "lembras-te?", ou "Xana Silvana, isto é a tua cara". E coisas piores, fora os taradões que para lá vão responder-lhes em termos bem categóricos, a ver se têm sorte. Isto público, para quem quer ver, passível de ser lido pelas chefias, vizinhos ou familiares de tais pessoas.
Se as #aftersexselfies já me espantaram, isto é de siderar as alminhas. Então, assim de repente, as pessoas perderam a vergonha de dizer o que fazem lá entre quatro paredes? Em detalhe? De revelar ao mundo que preferem mais assim ou mais assado? E ninguém acha isso esquisito?
Mas calma, ainda fica mais estranho. É que isto não acontece só em páginas dedicadas a rituais de acasalamento duvidosos. Também sucede em páginas algo lamechas e com imagens que se dispensavam - mas inocentes e bem intencionadas, como esta com conselhos para gestantes.
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| SAY WHAT??? |
Páginas essas que apesar de falarem em books fotográficos de gosto questionável e de mostrarem dejectos de bebé (vejam por vós, eu cá não vou linkar uma coisa dessas) dão dicas de pediatras válidas e até, de obstetras para a alcova, como "cumprir os deveres conjugais de determinadas maneiras pode ser prejudicial". Certo, são conselhos de saúde sérios e daí não vem mal ao mundo. Cada uma que leia e se informe para seu governo.
O que é bizarro é as seguidoras da página, toldadas das hormonas (é que só pode) esquecem que estão em público e se põem com os tais comentários a contar o que fazem ou deixam de fazer. Vulgo "viu, Jeyson Tadeu, por isso é que fiquei tão mal no outro dia", ou " Tânia Carina, já «vistes»? Tens de avisar o Ricardão!» ou ainda "quando li isto, avisei logo o meu marido que acabou essa brincadeira!".
Ora, por amor de Deus. O que é que o mundo tem com isso? Porquê, porquê? Onde está a discrição que costumava ser apanágio de uma futura mãe? Ou a brejeirice é non stop, mesmo depois de tanto like em memes de "sedução" resultar em trazerem consigo um "passageiro" que chora e bebe biberon? Não percebo, não quero perceber, só observo.
Sunday, April 3, 2016
Um chá com a Raposa do Deserto
Tenho uma admiração enorme por Erwin Rommel, o genial marechal-de-campo alemão que passou à história com o cognome "A Raposa do Deserto" e que foi obrigado por Hitler a suicidar-se graças à sua participação na conspiração de 20 de Julho para derrubar o III Reich.
Rommel era um militar tão extraordinário que "fazer um Rommel" passou a significar, para os seus adversários britânicos, uma prestação impecável. Porém, mais do que uma máquina de guerra com uma mente estratégica fora do comum que o tornou o general preferido do Fuhrer, Rommel era um militar que colocava a honradez acima de tudo. E um cavalheiro, incapaz de se exceder na força, de bater num homem ferido ou de cometer uma crueldade gratuita, mesmo em tempo de conflito. Sob a sua autoridade, não havia atrocidades cometidas por alemães.
Fiel aos seus princípios, este homem que conquistava a admiração tanto das tropas que o seguiam como dos próprios inimigos chegava a desobedecer a ordens injustas ou cruéis, recusando-se a abater os comandos que capturados atrás da linha alemã.
Um destes seus episódios de magnanimidade ficou para a História: em Maio de 1944 (poucos meses antes da sua trágica morte) apresentaram ao General Rommel dois elementos detidos dos British Commandos, o Tenente Roy Wooldridge e o Coronel George Lane - que inclusive, era de ascendência judaica.
| O Tenente Roy Wooldridge |
E a Raposa do Deserto, que até já tinha escapado a duas tentativas de execução por parte desta força de elite, fez o impensável: em vez de mandar fuzilar os britânicos ou de os entregar às SS ou à Gestapo - o que significaria igualmente o fim deles- convidou-os para tomar chá. Depois de um colóquio amigável e de lhes oferecer cigarros, cerveja e uma boa refeição, mandou transferi-los para uma prisão de oficiais perto de Paris.
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| O Coronel George Lane (atrás, ao centro) |
O gesto de misericórdia do célebre General permitiu que os dois oficiais britânicos sobrevivessem à guerra e tivessem vidas longas e felizes, ao contrário dele próprio. O Tenente Roy Wooldridge nunca esqueceu a nobreza do seu "inimigo" e guardou como uma relíquia o maço de tabaco que lhe ele lhe ofereceu quando se julgava perdido.
No Ano da Misericórdia, é sempre de lembrar que ela, como a bondade e a honra, cabe em toda a parte: mesmo no campo de batalha, mesmo que se lute pela facção errada. Ou que ser-se misericordioso (a) não traga qualquer recompensa além da memória que isso deixa. Rommel é recordado por todos como "um homem e um combatente justo" o que, a juntar à sua lenda de chefe militar incrível, não é coisa pouca.
The Walking Dead ensina #2: mães, deixem o cabelo em paz!
Cada vez mais confirmo que The Walking Dead tem boas razões para ser a minha série de eleição: não só é um pratinho de emoções para os fãs do género zombie, como alimenta a imaginação (volta e meia dou por mim a conjecturar como sobreviveriam ou não, naquele universo, certas pessoas que eu conheço). E mais do que isso, a série tem sempre uma lição de moral. Já aqui mostrei várias, como a hombridade de Darryl Dixon ou o mau exemplo de Rosita, que se deixou ser "a namorada à falta de melhor".
Desta feita foi a corajosa Maggie, que - apesar de se sair lindamente tanto em combate como a gerir os recursos dos sobreviventes - caiu no estereótipo engravidou, endoidou.
Pelos vistos, há disparates que não mudam nem com um apocalipse: um deles é o hábito pateta de imensas mulheres, assim que têm filhos, fazerem uma carecada não porque acham bonito ou porque lhes fica melhor, mas porque "é suposto". O que (não obviamente para todas, mas em muitas) resulta numa perda de feminilidade e é um sinal de outros desleixos. Do complexo deprimente "deixar de ser mulher para se tornar numa mãe".
É um cliché irritante, não só por o "corte à dona de casa" desfavorecer tantas mulheres e desiludir tantos maridos, mas porque usar madeixas curtas não é necessariamente mais prático (certos cabelos dão menos trabalho quanto mais longos estão, falo por mim).
Os fãs da série não perceberam patavina do motivo *ainda*, mas a personagem justificou-se com algum lugar comum maçador, tipo "tenho de seguir em frente e não quero nada no meu caminho".
Comentário dos homens cá de casa: ora essa, apanhava o cabelo! Aquela franja nos olhos ainda atrapalha mais!
E é verdade. Não só o penteado pelos ombros de Maggie não era tão grande como isso (e até ver, não foi a causa de nenhum morto vivo a apanhar pelos cabelos) como so far, apesar de todos os horrores, os nossos heróis ainda não foram atacados por piolhos (não pode haver as desgraças todas, e mesmo que fosse assim também não era aquele corte que resolvia coisa nenhuma). E com apocalipse ou sem ele, não faltam pentes, escovas, cremes e champôs (os protagonistas passam a vida a saquear supermercados, drogarias e farmácias com stocks bem recheados). Na cidade onde estão nem falta a electricidade para ligar secadores!
Se há coisa que me arrelia é ver perpetuar estereótipos femininos pouco apelativos - mesmo com as desculpas esfarrapadas da queda da civilização e do fim do mundo.
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