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Sunday, July 19, 2020

Vergonha Alheia: Selena Gomez





Ou se preferirem, Prémio Burrinha-Parvinha e Prémio Trouxa e Troféu de Mulher da Luta do mês, que vai dar ao mesmo.

A jovem Selena Gomez anda nas rádios com um single bonitinho, melancólico e orelhudo, daqueles para mandar a bofetada aos ex, no melhor modo A Raposa e as Uvas

A letra está carregadinha do costumeiro discurso patético de fingida superação: precisei de te odiar para me amar, precisei de te perder para me encontrar, pardais ao cesto. Enfim, a lamuria típica de flausina que levou um sonoro pontapé no traseiro e no maior ressabiamento, disfarça dizendo aos quatro ventos que foi uma lição de vida e uma epifania. Ou se preferirem,  a lamuria de quem quer que o ex fique mal no retrato, sinta remorsos, tenha dó da abandonada e quiçá, reconsidere. Apre!




Porém, no caso de Selena o cliché vai mais longe: primeiro, porque a "superação" e o "empoderamento" de que ela fala foi enfiar-se numa clínica de reabilitação mal soube que o seu ex de sempre, o famigerado Justin Bieber, tinha casado com outra (é que nem ao menos soube ter o faniquito em privado!).

 Segundo, porque analisando a estória dos dois e a letra, Selena não parece MESMO ter pejo de admitir que quer que o defunto tenha pena dela (oh vergonhaça suprema!) e terceiro, porque ela vai ao pormenor sórdido de cantar "em dois meses substituiste-nos" que foi precisamente o que aconteceu.




Trocando por miúdos para quem  acompanha estas andanças ainda menos do que eu: as duas jovens estrelas pop namoraram uma data de anos, e a boa da Ms. Gomez aturou todos os enxovalhos que o menino Bieber se lembrou de lhe fazer, empenhado como estava em viver o estilo de vida "Quengas e Vinho Verde" ou "Sex and Drugs and Rock & Roll", salvo seja, e em tornar-se o pirralho mais parvo, irritante e detestado à face da terra.

A pobre coitada, que parece ser boa rapariga mas banana todos os dias, foi alvo do ódio das fãs histéricas, levou chifre atrás de chifre, sofreu-lhe todos os excessos e faltas de respeito, enfim, fez de capacho, de trouxa e de tapete, lidando com as desfeitas com certa discrição, o que fazia pensar que ( apesar de claramente ter problemas de auto estima, porque de outro modo não se sujeitaria a tais coisas) ela era a metade madura e ajuizada da relação. 

Enfim, andaram de candeias às avessas e no junta-separa por uns anos até que foi cada um para seu lado, embora ficasse sempre no ar que a menina, despromovida a "amiguinha" e nunca saindo realmente da vida dele, o aceitaria de braços abertos mal o gabiru acenasse com um dedo (como se não houvesse muito peixe no mar, mas já lá vamos).




Ora, os anos passaram e - como há impossíveis nesta vida - Justin Bieber cansou-se milagrosamente de ser parvo, de andar  toldado e ganzado ou coisa pior dia sim dia sim, de acordar ao lado de estranhas e de strippers, de tentar bater nos fotógrafos e nos fãs, de viver afundado em vícios e de ser ridicularizado como o adolescente a que meio mundo sonhava dar açoites - porque se agia como uma rock star, nem ao menos tinha a satisfação de ser respeitado como uma.

Em suma,  um belo dia o moço acordou e decidiu mostrar ao mundo que afinal até era boa pessoa, um rapaz de princípios apanhado nas malhas da fama. A redenção foi notável, assinale-se: fiquei pasma quando por mero acaso assisti ao seu comedy Roast e vi o fair play com que troçou de si próprio, com o bom ar que passou a ter e com pequenos gestos de gentileza que foi demonstrando.



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Mais extraordinário ainda é que - causa ou consequência dessa mudança - Bieber ENCONTROU JESUS (!!!). Ou Jesus encontrou Bieber, o que na endiabrada Hollywood, domínio quase assumido do Príncipe das Trevas, é uma coisa realmente milagrosa,  Aleluia Irmãos, é para glorificar de pé, Igreja. Ou mais Catolicamente falando, Deo Gratias, laudate Domine.

Nosso Senhor tem sentido de humor e lá deve ter achado, na Sua infinita sabedoria, que se um palhacito global como Justin Bieber se convertesse, os mais incrédulos acreditariam que a Deus nada é impossível.

Isto sem falar da possibilidade de milhares de fãs irem logo atrás, ganhando logo ali uma boa sacada de almas -  e do delicioso prazer de arreliar ao máximo os moderninhos de serviço. ***Nota bene: e para despachar logo duas de uma assentada e deixar os ultra liberais depravados a espumar e estrebuchar pelo chão, logo a seguir foi Kanye West que se assumiu Cristão. Deus- 1, Hollywood- 0. O demo deve andar furibundo e a rasgar leggings e ceroulas de danado, mas isso é assunto para outro post).




 E nisto, o recém-reformado, desintoxicado e amadurecido Justin Bieber reaproximou-se da ex namorada. Selena Gomez deu pulinhos de contente; naturalmente, deve ter achado que agora é que ele estaria pronto para um compromisso sério! O que na verdade até estava...mas não com ela.


Justin, mesmo em versão santinho, tratou Selena como sempre tinha tratado e desapareceu de cena mais uma vez, apenas para se apaixonar fulminantemente, noivar e casar em menos de um fósforo com Hailey Baldwin, uma antiga paixoneta que frequenta a mesma Igreja.

E enquanto o feliz casalinho anunciava a boa nova e partilhava a Lua de Mel nos social media, a desgraçada Ms. Gomez teve um badagaio, dando entrada com estardalhaço na já referida clínica, sem ao menos se dar à dignidade de fingir indiferença. 

Pior ainda, levou com o insulto supremo para uma mulher: Bieber, muito magnanimamente, fez saber que Selena "terá sempre um lugar no seu coração", no melhor espírito " serviste-me para tudo, mas para esposa nem pensar" - prova provada de que a conversa fiada não sai nem com água benta. Não há desprezo pior do que o desamor adoçado com a indiferença do "carinho eterno", da amizade e das boas memórias.

A cantora deve ter-se desesperado, como tantas ex namoradas na mesma situação, ao constatar que se desdobrou em dedicação anos a fio e aturou tantas humilhações sem recompensa, apenas para vir outra rapariga do nada e Veni, Vedi, Vici, anel no dedo em menos de um Credo. É um caso muito comum.

Porém, tanto no caso dela como no da comum das mortais, a culpa nunca morre solteira e só é iludida quem quer.  

Mr. Bieber não devia explicações e muito menos casamento a Ms. Gomez. 

Mais ainda, os sinais estavam lá todos: um homem que durante anos não só não fica noivo como ainda por cima se dá ao luxo de trair e andar no vai-e-volta tem as suas intenções claras como água. Eles sabem, quase sempre muito cedo, que tipo de relação querem com uma mulher (diversão descartável, namorico para passar o tempo ou compromisso sério) e raramente mudam de ideias mais adiante. À mulher cabe dar - ou não - consentimento às intenções do homem em causa.
 E Selena deixou-se cair na categoria "namorada para passar o tempo", agravando esse estatuto com cada ofensa que tolerou e por não por os pontos nos ii quanto ao que realmente queria do relacionamento.

Depois, um homem só muda quando quer -  mais importante, pela mulher que ele realmente quer, por quem sente uma paixão transformadora e que reune as qualidades (tanto universais, como as que na óptica desse homem correspondem a um ideal) de "material para esposa".

Eles podem namorar a moça meiga que atura tudo e lhes suporta o lado negro com paciência de Job; mas mesmo que ela seja uma mulher com uma certa classe, que não corresponda à típica "rapariga que para namorar até passa, mas para casar jamais", quando pensam em dar o nó procuram outra coisa. Instintivamente, buscam alguém que os puxe para ideais mais elevados, que faça vir à tona o melhor deles e limite o pior, que os faça sair da zona de conforto e que tenha a dignidade que eles gostariam de transmitir, um dia, a uma filha sua.

 Hailey Baldwin  deve ter deixado os seus limites bem claros, além de partilhar com Mr. Bieber a espiritualidade e o desejo de ter uma família (ou de lhe inspirar esse desejo. Não é raro um homem sentir-se repentinamente tentado a casar, quando tal ideia nunca lhe passara pela cabeça, ao apaixonar-se por uma mulher que tem projectos bem definidos quanto ao seu futuro e não aceita relacionar-se com quem pense de outro modo).

Em última análise, olhando para o comportamento de Selena Gomez tanto durante o namoro como na sua reacção ao casamento do ex, não é de culpar Justin Bieber por não querer construir uma vida ao lado de uma pessoa assim: há ali todo um padrão de fraqueza feminina, de debilidade emocional,  pouca fibra moral, imaturidade, insegurança,  auto comiseração e vontade de dar nas vistas que não são nada atraentes, nem inspiram confiança para construir uma vida a dois. Bem vistas as coisas, Justin Bieber cresceu e ela não. É obra.

Perante a notícia do casório, que restava a Selena fazer, se tivesse juízo? Decerto não era ter chiliques, entrar em colapso como se estivesse numa ópera ou numa novela mexicana e muito menos lançar canções a fazer-se de coitadinha (por muito lucrativo que isso seja, que ela pense "já que tive o desgosto e que as pessoas vão falar de qualquer das maneiras, ao menos que eu ganhe alguma coisa com isso"). 

Tão pouco seria boa ideia dar alfinetadas, fingir-se valente ou comemorar de forma teatral o seu estado de solteira. Ela é nova, é bonita, tem uma carreira e muitos amigos- era seguir com a sua vida discretamente até se sentir melhor, sem dar ao ex e à mulher que a suplantou a satisfação de saber que ficou de rastos, e quando se sentisse melhor substituir o rapaz por outro que o deixasse a um canto. Simples!

E embora isto valha para qualquer mulher numa situação dessas, no caso das famosas tenho mesmo dificuldade em entender. 

Que uma jovem comum, de classe média, que anda sempre nos mesmos círculos sociais e que com sorte viaja uma ou duas vezes por ano, se obseque por um marmanjo que a trata mal porque enfim, ele lá corresponde ao que ela idealizou e a não há assim tanto por onde escolher, ainda se entende. Mas numa rapariga famosa, rica, com meios para ir para onde quiser, com acesso fácil a todas as distracções e consolações materiais e a uma infinidade de contactos de gente interessante, é incompreensível.

Pelo andar da carruagem, ainda me monto num avião e vou para Hollywood fazer fortuna como coach sentimental de famosos, a explicar-lhes a lógica da batata. Em terra de cegas...

Wednesday, October 30, 2019

Nem os bonecos escapam ao absurdo da "masculinidade tóxica"!




O meu pequenote descobriu aos três meses de idade que gostava de ver televisão. Eu nem sabia que crianças tão pequenas prestavam atenção a grande coisa- ou pelo menos, no que a conteúdos diz respeito, a programas que não fossem aqueles mobiles psicadélicos tipo Baby TV (eu costumava fazer troça do Baby TV, dizendo que era uma tonteria para pôr os bebés todos maluquinhos com tantas cores às voltas e músicas deprimentes, mas a verdade é que os entretém. E não sejamos hipócritas:  que qualquer coisa que os distraia é uma obra de misericórdia para os pais em certas alturas do dia). 

Porém, certa vez eu sentei-o ao pé de mim enquanto via Horrible Histories (um programa de sketches de História para crianças da BBC, que eu adoro e que vai dar post um dia destes) e o malandreco ficou apaixonado: desatou a dar guinchinhos, pulinhos e a agitar os bracitos ao som do genérico- todo contente com as rábulas de execuções, surtos de peste negra e peripécias do Nero, do Hitler e da Cleópatra. Sai à mãe, nada feito. E lá explorei os canais infantis daqueles para miúdos mesmo minúsculos, em busca de opções aceitáveis para o deixar ver um bocadinho quando preciso de fazer as minhas lides. 





O belo resultado disso é que, primeiro, o karma que acumulei na infância me veio morder no derrièrre mais cedo do que eu esperava porque o maroto (que benza-o Deus, dorme a noite inteira, ou quase, desde que veio ao mundo) acorda às seis da manhã e já nem ficar na cama dos pais o segura: quer ir para a sala mexer nos brinquedos, balouçar-se no ovo  e...ver os bonecos. Agora é que sei como os pai e a mãe se sentiam quando eu e o meu irmão nos levantávamos com as galinhas ao fim de semana!

 E segundo, não só fiquei a conhecer sumidades de que já ouvira falar, e.g. a célebre Masha e o Urso (que é francamente melhor do que eu imaginava; nada de pavoroso tipo Ruca, que nunca entrará cá em casa enquanto eu estiver de perfeito juízo) como retomei o contacto com personagens que já conhecia, como o comboio Thomas (sinistro) Mr.Bean (que ele também adora) ou o Bombeiro Sam, que cativou logo o António e que vamos discutir hoje. É que este pode parecer um baby post, mas não é.

  


Quem cresceu nos anos 80 e 90 deve recordar-se da fofa série em stop motion Fireman Sam, criada por um bombeiro de Londres e produzida no País de Gales. Quando passou em Portugal eu já era maiorzinha e só via porque dava antes dos Cavaleiros do Zodíaco, mas gostava imenso da canção do genérico e por causa disso nunca mais me esqueci.







Ora, parece que o simpático bombeiro nunca se foi realmente embora, que é uma espécie de tesouro nacional cá no Reino Unido e que se produziram várias versões ao longo dos anos. Finalmente, porque fazer stop motion é demoradíssimo, caríssimo, chatíssimo e agora parece ser de rigueur converter tudo quanto é animação em CGI, as novas temporadas são produzidas numa animação computorizada algo questionável (longe da qualidade da Masha e o Urso, por exemplo) mas que é compensada por guiões muito bem escritos e assim como assim, sempre permite aventuras mais emocionantes com helicóteros, anfíbios, submarinos e tudo quanto é geringonça.




Se fizermos vista grossa a certos factos apontados pelos fãs - como a quantidade enorme de desastres ocorridos numa vilória como Pontypandy, ou o absurdo de uma comunidade tão pequena, com meia dúzia de habitantes, ter à disposição não sei quantos carros de bombeiros de vários tamanhos, um helicóptero, uma data de barcos, mais motos de água que o Baywatch, etc, e de esses recursos serem usados a esmo, às vezes para apagar uma frigideira; ou ainda se ignorarmos que o pequeno Norman Price, que causa 90% desses incidentes com as suas brincadeiras, ser um perigo para a sociedade e raramente ser castigado proporcionalmente à asneira e ao desperdício de meios- a série é mesmo gira e passa bons exemplos.


Este garoto é muito azarado, ou um sociopata dos grandes.


É que mesmo segundo a lupa actual do politicamente correcto, pouco há a apontar em Fireman Sam. Tem a lição de moral (geralmente, normas de segurança que dá sempre jeito saber) tem a inclusão e a diversidade (há uma personagem paraplégica, minorias representadas, um casal birracial, uma italiana, Bella Lasagne, que é a única que leva com um estereótipo, gordos e magros, novos e velhos) e não esquece a igualdade de género, com duas bombeiras que têm tanto tempo de antena como os homens- pelo menos a principal bombeira, Penny.




É claro que Sam e os rapazes seus companheiros, principalmente o piloto de helicóperos australiano, Tom (que eu acho engraçado por ser a cara chapada do senhor meu marido em versão animada) são, felizmente, o retrato do macho alfa bem dirigido, que canaliza a sua masculinidade, força, capacidade de liderança e valentia para proteger os mais fracos e acudir a quem precisa. São desempenados e fortes mas nenhum deles é bronco, nem fanfarrão, nem brutamontes, nem arrogante ou um bully, antes pelo contrário. E todos tratam as colegas mulheres de igual para igual. 





Parece uma série sã e equilibrada para o século XXI, não acham? Seria então de esperar que ninguém fosse embirrar com o Sam e companhia, certo?


*Som de buzina* ERRADO!

O pobre Sam, que é tão bom moço e vive para ajudar toda a gente, tem enfrentado desde 2017 um flagelo pior que a peste do Norman Price. Ou seja, acusações de sexismo de liberais de Esquerda, feministas e outros arautos do políticamente correcto (incluindo o Mayor de Londres, Sadiq Khan, useiro e vezeiro nestas andanças, que apoiou uma campanha para pressionar o infeliz a mudar o nome para "Firefighter Sam"). 

Depois, como esta gente super tolerante arranja maneira, sempre em nome da tolerância, de ser intolerante até com personagens de ficção e entra em modo #cancel quando não gosta de alguma coisa, este ano o desgraçado do Sam foi mesmo "despedido" do seu papel de mascote dos Bombeiros do Condado de Lincolnshire, por ser "demasiado masculino", o que "desencoraja as mulheres que pensem tornar-se bombeiras". E não se terem posto a cavalo no movimento #metoo para o acusar também de assédio ao mulherio de Pontypandy foi uma sorte!

Resumindo e baralhando, a queixa seguiu e apesar de a população e a imprensa protestarem contra tal disparate, frisando que bastava juntarem a Penny às mascotes e problema resolvido, os social justice warriors lá levaram a sua avante. 

E zás: substituiram o Bombeiro Sam por uns extintores humanizados de ambos os sexos, que as pessoas rapidamente apelidaram de "sapos coloridos" ou "preservativos gigantes".



Eu cá mantenho a minha teoria, de que já falei aqui há tempos a propósito da Gilette: estas ideias muito "woke" (jargão irritante para "estar alerta para injustiças sociais") só podem vir de um complexo de inferioridade. As feministas amargas e encalhadas queriam um Sam ou um Tom mas nunca passam de um contacto no Tinder, quando muito, para esses "homens com H" que têm mais e melhor por onde escolher; ou até gostavam de ser bombeiras mas têm medo e preguiça de entrar em forma para isso, portanto limitam-se a berrar que são muito corajosas e independentes a ver se disfarçam. E os homens que as apoiam, como não podem ser um Tom nem um Sam, fazem coro a ver se têm sorte com as mulheres, nem que seja com essas hárpias eternamente mal dispostas, deitando ao mesmo tempo abaixo os machos alfa que invejam. Convençam-me do contrário, porque não me ocorre outra hipótese que tenha pés e cabeça.

O jornalista Piers Morgan, que detesta tais bizarrias e tem protestado várias vezes contra a ditadura da "justiça social" e do politicamento correcto, falou lindamente contra este absurdo, lembrando que "as mulheres que se deixem desencorajar por um raio de um desenho animado provavelmente não têm o que é preciso para ser bombeiras".





É caso para repetir aquela anedota que tem circulado nas redes sociais a propósito destas paranoias: parece que os doidos estão a dirigir o manicómio. Ou simplesmente, que as pessoas andam com demasiado tempo livre nas mãos, para se entreterem a problematizar futilidades destas.



Wednesday, October 2, 2019

Naomi Watts demonstra: mascarar-se de serigaita (ou o que fazer para o evitar).



Considero Naomi Watts uma das actrizes mais elegantes da actualidade. A sua imagem de marca é uma beleza bastante natural, um pouco irregular até (ela não esconde algumas linhas de expressão e que se note, não mexeu no narizito que é um pouco "imperfeito" se comparado com os "modelos" esculpidos ao exagero tão habituais em Hollywood) em que o destaque vai para a pele luminosa, maquilhagem leve ocasionalmente avivada por um bold lip e cabelo bem tratado no tom certo de louro, quase sempre com uma suave ondulação que recorda os penteados dos anos 1930. 




O seu estilo habitual, na passadeira encarnada e no dia-a-dia, é polido, sofisticado e discreto, com aposta nas cores claras e peças de um luxo simples, aliando o minimalismo (ela gosta de Calvin Klein, Stella McCartney, Armani e Chanel) a um toque vintage que faz lembrar musas como Grace Kelly. 



Em suma, a estrela britânica às vezes mais parece uma senhora de boa sociedade do que uma actriz - espécie que vai rareando e um feito notável tendo em conta que foi criada por uma mãe hippie e bastante destrambelhada; mas não divaguemos.



Sendo Ms. Watts tão delicada, foi uma divertida surpresa quando há dias  deitei o olho a St.Vincent (2014) filme em que contracena com Bill Murray e faz o papel de Daka, uma stripper/meretriz barata e malcriada com coração de ouro, vinda algures da ex- URSS. A actriz teve uma interpretação bastante convincente, trocando o porte senhoril por modos bruscos, a expressão serena pelo mau ar e aspecto acabado de quem nasceu bonita mas levou muita tareia da vida e a sua voz bem modelada por uma entoação abrutalhada com bem conseguido sotaque russo. 



Porém, o que me surpreendeu mesmo foi a caracterização: apesar de não haver ali qualquer efeito especial nem grandes transformações físicas, ninguém, olhando para aquela mulher, veria ali a senhora elegante que Naomi na realidade é.




Os figurinistas e maquilhadores conseguiram, sem esforços transcendentes nem próteses de silicone, transformar a sofisticada actriz numa serigaita! Tudo na coitadita da Daka é reles. O seu look grita "pobreza", "ordinarice" e "muitas escolhas erradas".




E o mais trágico-cómico é que Daka é uma "mulher da noite" mas actualmente não faltam pessoas com outras profissões- serigaitas amadoras ou em part time -  a vestir-se, pentear-se e pintar-se de forma tão vulgar ou pior. Porém, mesmo mulheres normais, com um visual mais aceitável e cujo comportamento nem tem grande coisa que se lhe aponte, ricas ou pobres, gordas e magras, bonitas ou nem tanto, jovens e mais velhas, às vezes pecam por aceitarem um ou mais destes faux pas na sua rotina de estilo e de beleza.



A personagem Daka é um autêntico glossário de serigaitice ilustrado em forma humana. Ou um guia das coisas a evitar para não empobrecer, vulgarizar nem pesar o visual. Ou ainda, se quiserem, uma estupenda inspiração para o Carnaval.


Ora analisemos este "boneco":

- Cabelo louro-palha queimado, amarelado e com raíz visível. Já se sabe que manter um louro artificial dá trabalho e custa algum dinheiro, mesmo que o tom base não seja muito escuro. Se não há meios, tempo e disciplina para cuidar dele, mais vale passar sem isso.

- Madeixas coloridas (quando se tem mais de trinta anos): Não acredito em proibições nem regras rígidas, mas poucas pessoas conseguem ter bom ar com fantasias dessas, pois são coisas que exigem todo um visual para funcionar. Usadas ao acaso sem considerar o tom de pele, o tipo de roupa que se veste e o que é pior, sem os devidos cuidados de manutenção, o aspecto é desastroso. Daka tem madeixas cor de rosa e ainda por cima, todas desmaiadas. Resultado: boneca de feira.

- Sobrancelhas demasiado depiladas e arqueadas: é um visual datado e que envelhece, especialmente se acompanhado de eyeliner muito vincado (ou simplesmente, um traço de lápis de olhos fino e não esfumado junto às pestanas inferiores)  sombras perladas, pestanas postiças e outras avarias. O oposto (sobrancelhas excessivamente espessas e delineadas) é igualmente de evitar. Pode-se usar a sobrancelha um pouco mais espessa ou mais fina conforme a moda, mas sendo sempre fiel ao desenho e cor natural, sem exageros.

- Tatuagens "de salão da esquina": enough said, que já se falou bastante disso por aqui.




- Bronzeado artificial e alaranjado, maquilhagem demasiado escura e pele mal tratada: sem uma pele bonita e um cabelo cuidado, qualquer look parece barato. E se o look é mesmo barato, pior fica. No entanto, muitas mulheres parece que quanto mais gostam de usar maquilhagem, mais preguiça têm de a remover de de levar a cabo outros cuidados com a pele, como protecção solar, exfoliação, limpeza e hidratação. E o desfecho disso? Um aspecto como da Daka!


- Bâton (ou pior, gloss) rosa-doente: já muito mencionado por aqui. Se a intenção é dar protagonismo aos olhos ou fazer os lábios parecerem mais carnudos, com tantos tons de nude naturais e bonitos disponíveis no mercado, não há mesmo desculpa para usar rosas-gelo nacarados que só ficavam remotamente bem na Frida e na Agnetha dos ABBA (e mesmo assim...).

- Pouca roupa, poliéster e muito ruído visual: ela é rendinhas sintéticas, ela é plataformas prateadas, ela é couro falso, denim bordado, brilhinhos, tigresses, blusões curtinhos (nunca se vê a rapariga com um casaco normal e aconchegante, vício de estilo que infelizmente é muito comum entre as portuguesas) tudo muito revelador, muito justo, super elaborado e assaz desconfortável. Se isto é numa mulher com o ar e a figura da Naomi Watts, imagine-se em pessoas menos afortunadas.


Moral da história: até a mulher mais bonita e com melhor ar pode parecer outro tipo de pessoa se ceder a certas escolhas. Ou mascarar-se de serigaita com tal eficácia que ninguém a vai reconhecer, sem gastar balúrdios em fantasias de carnaval. Fica a dica para o Halloween, que está à porta.

Tuesday, August 20, 2019

A nobre arte de lidar com o bullying... e as boas intenções


Há dias chegou-me este vídeo que mostra a reacção emocionada de um rapazito de sete anos, vítima de bullying, ao ser surpreendido pela família com um cachorrinho.
O vídeo é fofo, o canito é um amor e o pequeno, bless him, é querido e super educado. Acho lindamente que se ofereça um cãozinho ao miúdo para o animar, especialmente porque ele parece ter jeito e sensibilidade para lidar com bichos.

Porém, quanto mais olhava para aquilo mais me arrepiava de pensar "boa, agora que isto se tornou viral é que o garoto vai ser mesmo o bombo da festa lá da escola".


E de facto, houve mais internautas a comentar isso mesmo: realmente, tudo o que um miúdo perseguido por ser sensível e vulnerável precisa... é aparecer em público choroso e ranhoso, de modo a ter o seu estatuto de xoninhas documentado e esparralhado por essa Internet do Senhor, para gáudio dos rufias que o atormentam e dos que ainda possam não ter dado por ele; isto para não falar dos colegas que não sendo exactamente bullies, vão gozar com ele até à exaustão- o que não é propriamente a melhor receita para quem já não se sabe defender e é inseguro para começo de conversa.
Que diabos estariam os pais a pensar ao publicar tal coisa? "Vamos torná-lo famoso a ver se ele fica mais popular"? É que ser "famoso" costuma dar maus resultados quando se quer evitar atenção indesejada.

Mas deixemos de lado a necessidade de protagonismo e de aprovação nas redes sociais, que parece ser, hoje em dia, a raison d´être de muito boa gente  (na qual arrisco incluir, embora não conhecendo o contexto, os pais deste pobre catraio). Deixemos também de parte a velha discussão de actualmente, não se distinguir bullying de umas brincadeiras mais brutas ou do ocasional sopapo e
 concentremo-nos no essencial:  junto com o cachorrinho, a família devia ter-lhe oferecido umas aulas de Krav Maga, Mixed Martial Arts e Técnicas de Defesa Pessoal.



Valorizar e promover nas escolas ideias como a gentileza, a tolerância, a camaradagem, a aceitação da diferença, o respeito mútuo e o carinho pelos mais fracos é muito bonito e desejável (e bem mais realista e positivo do que a banal campanha "anti bullying", que é quase sempre algo divisiva e lamechas) mas de nada adianta sinalizar o problema sem dar às vítimas ferramentas para se defenderem.

Consolar e apoiar é também tudo muito bonito, mas é o miúdo - por muito que lhe desconhecidos na internet se comovam e lhe digam que ele é fofinho, super sensível, índigo, especial e um anjinho - que vai para a escola enfrentar os rufiões e voltar para casa em modo "anjo depenado e sovado" como o Eusebiozinho às mãos do Carlinhos da Maia...

O caso lembrou-me não só o lema do senhor meu pai ("se te baterem, bate-lhes também, de uma vez e com mais força: é a única linguagem que entendem") que se provou bastante eficaz, mas também este excerto do filme American Sniper, em que um pai macho alfa à moda antiga educa os filhos para não serem "lobos" (predadores que abusam da força para oprimir os mais fracos) nem "ovelhas" (uns fraquinhos que se deixam vitimizar) e sim "cães pastores" (pessoas dotadas de capacidade de agressão mas também de empatia, que se defendem vigorosamente, e ao seu semelhante, contra os "lobos"). A ideia original deste discurso vem, aliás, de um livro publicado pelo Tenente-Coronel David Grossman, especialista em psicologia de combate:


É claro que retaliar é uma ideia controversa entre pais e educadores: contra atacar tem-se provado um santo remédio contra opressores de recreio em muitos casos, mas não é para toda a gente porque exige confiança e coordenação física, além de poder levar a resultados imprevisíveis. No entanto, diz este artigo que levanta vários pontos interessantes e vale uma leitura atenta, mesmo alguns professores que desaconselham tal estratégia aos seus alunos por esses mesmos motivos, são os primeiros a recomendar aos seus próprios filhos que aprendam a defender-se. Quanto mais não seja, ganha-se sempre auto confiança ao aprender a lidar com situações de violência física ou psicológica de forma rápida e eficaz (o que pode ir de saber usar a diplomacia a dar uma resposta torta, ridicularizando quem gosta de expôr os outros, bloquear um beliscão ou dar um soco bem assente). Saber como reagir em caso de necessidade ajuda a construir uma auto estima forte, o que é meio caminho andado para afastar predadores e fazer amigos (o que por sua vez  é um grande preventivo contra rufias, que gostam de atacar alvos isolados e inseguros). Desportos de contacto como o rugby também ensinam a socializar dentro dos limites e a lidar com brincadeiras mais agressivas sem melindres.



Aprendendo as técnicas certas cada um pode, dentro da sua maneira de ser, fazer-se respeitar.

Todos já encontrámos rufiões ao longo da vida, seja na escola seja na vida adulta (algumas pessoas não crescem mesmo; ainda há pouco tempo conheci uma que só lhe faltava mesmo o bibe, mas comigo não teve sorte nenhuma e nem precisei de chegar a ser desagradável com ela). Hoje em dia o bullying tem nome, inúmeros especialistas no assunto e há tácticas para lidar com ele, mas também um certo medo generalizado do bicho papão. A verdade é que, como pais, podemos ensinar os nossos pequenitos a lidar com os bullies enquanto os vilões também são pequenos, e ver o problema como uma oportunidade para afiar as garras nas dificuldades da existência. A vida vai atirar-nos com predadores mais tarde ou mais cedo, por isso podemos bem começar de cueiros e aproveitar a deixa para os correr à bolachada enquanto é tempo, antes que causem traumas e complexos. Uma criança que enfrentou os seus bullies na escola dificilmente se deixará impressionar, depois de adulta, por chefes prepotentes ou se verá presa numa relação tóxica. Lá diz o povo: de pequenino se torce o pepino.


Wednesday, May 8, 2019

Colecção cápsula para mamãs - quando os básicos chegam e sobram (baby post #2)

Estas calças "maternity" da Boohoo são um salva vidas!


Se houve bons exemplos de estilo que a senhora minha mãe me deu (e que me impressionaram observar desde pequena, em contraste com outras mães que via por aí) foram estes:

- Ser mãe não é desculpa para desleixar a silhueta: ela continuou elegantíssima e com uns abdominais impecáveis depois de dois filhos. É claro que a genética ajudou, mas um pouco de exercício (nada de extenuante, apenas ginástica localizada e manter-se muito activa) fazer uma alimentação saudável, usar uma cinta adequada no pós parto e (durante e após bebé), abusar das massagens com creme e óleo hidratante teve de certeza um papel crucial. (Vou manter isso em mente, good luck to me!)

- Para estar confortável e vestida apropriadamente quando se está de esperanças não é preciso "mascarar-se de grávida" mas também há que evitar realçar a barriga em exagero, seja na tentativa tola de parecer sexy, seja porque "é fofinho".


Jardineiras: há gostos para tudo, mas são das peças menos democráticas.
Há algumas aceitáveis, mas poucas pessoas ficam bem nelas...

O resultado dessa abordagem sensata é que a mãe conseguiu estar gira, amorosa, normal e intemporal nos seus retratos de grávida em plenos perigosos anos 80 (usando vestidinhos hippie, calças skinny e coisas simples dessas) enquanto tantas outras - incluindo a pobre Lady Diana - deixaram para a posteridade imagens suas enfiadas em balandraus largueirões cheios de folhos ou pelo contrário, jardineiras "de mamã" e outras modernices que enfatizavam o barrigão.



Convém pensar na roupa de gravidez como se pensa no vestido de noiva: afinal, é uma fase única, que vai inevitavelmente ser fotografada para mais tarde recordar, por isso é bom que o visual não pareça ridículo nem datado uns anos mais tarde. Basicamente, o mantra deve ser "seja você mesma, em versão de esperanças".


Audrey Hepburn- intemporal e confortável.

Actualmente a moda pré-natal tornou-se muito mais democrática e muitas marcas têm as suas linhas "pré mamã" mas felizmente perceberam que, mais do que inventar vestimentas específicas "para gravidez" é preciso criar versões pré mamã das roupas normais.

É claro que também se assistem a alguns horrores ultra justos, como os vestidos "à Kardashian", que são de arredar, mas regra geral, sabendo procurar e não perdendo a cabeça é fácil respeitar as três regras essenciais do guarda roupa para futuras mães:



1- Conforto e elegância são palavras chave; há que recusar tudo o que seja completamente solto, para não parecer um barril, mas enfaixar-se em spanxs e tecidos ásperos ou rígidos e empoleirar-se em saltos instáveis também é má ideia.

2- Não investir demasiado num "novo guarda roupa completo" nem em artigos muito dispendiosos, porque afinal são de uso temporário e só há algumas peças que fazem realmente a diferença.  Essas (já falaremos delas) duram toda a gestação, pois são extensíveis, mas também não é sensato ir comprar demasiadas porque obviamente só vão servir para aqueles nove meses (e para guardar para uma futura gravidez, nossa ou de uma amiga).



A senhora minha mãe (comigo a caminho) nos anos 80, usando um dos seus vestidos hippie de Verão; eu com 36 semanas num vestido Mango de mousse que tenho há anos e que se adaptou sem problemas ao meu "estado interessante".


3- IMPORTANTE! Há que evitar comprar tamanhos diferentes de calças, jeans e saias à medida q a barriga vai crescendo - é o dinheiro mais mal empregadinho que existe (mea culpa, ainda fiz isso uma ou duas vezes porque encontrei calças cigarrette de cintura subida muito giras).  É preferível ir direita às versões para grávida com cinta elástica no seu tamanho, mandar à costureira para ajustar as bainhas se necessário e fica-se "armada" para toda a gravidez.




4- Muitas peças que já temos no closet podem perfeitamente integrar a "colecção cápsula" de grávida (desde que não se engorde muito, obviamente).

 É o caso das t-shirts e tops básicos, longos, de algodão (com e sem mangas), das camisas masculinas, dos boyfriend blazers e casacos de peles, sobretudos e gabardinas oversized (muitas peças vintage tendem a ser maiores e/ou mais soltas), vestidos de malha extensíveis, cardigans soltos e tricots longos, vestidos envelope maiorzitos, camisas "de lenhador", túnicas, sundresses largos e vestidos hippie, blusas de "cigana" e blusas ou vestidos "de camponesa" - e regra geral,  tudo o que antes da gravidez costumava usar-se com um cinto. Muitas destas roupas existem em "versão mamã" mas não diferem quase nada do design normal.


Nota: é quase impossível encontrar blazers para grávidas. Acho que as marcas assumem que as futuras mães não trabalham, e/ou se transformam todas em hippies sempre confortavelmente enfarpeladas num look "boémio" de balandraus e ponchos. Se precisa de blazer (s) para o emprego, ou para dar um ar mais estruturado e compostinho a certas fatiotas, o melhor é procurar modelos longos, uns boyfriend (soltos) outros ligeiramente cintados, num tamanho maior do que o seu normal (não há regras, experimente vários e escolha o que assentar bem nos ombros).

Tendo estes pontos em mente é fácil reproduzir as ideias amorosas para "toilettes de mamã" que andam por aí no Pinterest - inspirações bonitas e apropriadas não faltam. É importante também tirar partido dos acessórios, roupas e "statement pieces" mais luxuosos que já se têm em casa para manter alguma variedade, já que é normal repetir à exaustão as peças que oferecem menos desconforto.



Vejamos então as peças a comprar:




1- Uma ou outra túnica longa de corte império (acima). As versões normais das blusas e túnicas longas de camponesa servem bem até ao fim do segundo trimestre, mas nos últimos meses o corte império dá mesmo muito jeito para acomodar aquela "redondeza extra" sem levantar onde não deve!


2- T-shirts e tops de algodão mais longos e soltos em cores básicas: por mais que tenhamos, nunca são demasiados.

3- Roupa interior adequada, incluindo soutiens ultra macios e cintas: é quase escusado lembrar, já que a maior parte das coisas deixará de servir e também é preciso investir em algumas peças específicas para esta fase.



4- Pelo menos uma saia lápis básica, pré mamã -  com cinta incorporada "sobre a barriga" (esq.) ou de cintura muito subida e extensível (dir.) . Estas últimas são ideais para os primeiros meses e para usar tops ou camisas por dentro. Quem gosta pode pensar também num modelo colorido (enviesada, recta, evasé, maxi...) de cintura alta, especialmente se vai passar de esperanças os meses de Verão.





5- Calças afuniladas /cigarrette:  umas de cintura subida, elástica (esq.) que dão imenso jeito para tops, bodies ou camisas por dentro; e outras "over bump" (dir.), que passam por cima da barriga para acomodar tudo sem nunca se descompor. Tal como com as saias, estas últimas são úteis nos meses finais, quando passa a ser mais elegante usar túnicas e camisas por fora, de modo a não dar uma silhueta de "Humpty Dumpty". 


Também existem os modelos "under bump" que terminam abaixo da barriga, mas sinceramente não recomendo, pois descaem... e além de deixarem passar o ar frio não são nada confortáveis nem discretas.











6- Uns 3 pares de jeans pretos e azul  nos modelos preferidos, com cinta elástica.





7- Calçado confortável para a estação com saltos bloco de 5 cm, caso precise. Claro que nesta altura é bom apostar em ténis (nomeadamente nos modelos de lona, estilo Keds ou All Star, que ficam amorosos com calças estreitas e vestidinhos) e noutros sapatos ou botas baixos, desde que devidamente acolchoados - mas um pequeno tacão largo não só dá outra elegância como oferece algum apoio lombar.


Modelo acolchoado Carvela Comfort. Como uma bailarina, mas com "um bocadinho assim".



8- Voltemos aos casacos e agasalhos: no início poderá usar os que já tem no closet sem problemas, mas por volta do segundo semestre vai precisar de algo mais "espaçoso". Eu recorri à minha colecção de sobretudos, gabardinas, corta-ventos e casacões de peles vintage, porque tinha à disposição alguns exemplares de corte solto ou com cinto que se adaptavam. Apenas comprei um longo anorak, vulgo "kispo" de modelo estreito num tamanho maior, porque todos os meus casacos de penas eram super justos na cintura. Estas são as compras que exigem mais ponderação, porque de facto não se pode prescindir de casacos adequados, mas é um investimento grande para pouco tempo.





9- Por fim, quem goste de ter leggings e calças jogger over bump para o ginásio, estar em casa e outras pequenas andanças. Pessoalmente acabei por não comprar destas ceroulas nem calças de fato de treino porque fora a barriga o meu tamanho não se alterou, logo as que já tinha servem-me bem com t-shirts compridas até agora; mas fiquei com pena porque consta que são muito confortáveis! Se usa muito este tipo de peças (e/ou aprecia vestidos túnica ou camisolões-vestido com leggings por baixo para não marcar) poderá querer investir nuns quantos pares. Algumas marcas vendem-nas em packs.





Et voilà, ficam as dicas para estar sempre bonita e cómoda sem despender horrores em roupas que usará durante pouco tempo. Convém ter presente  que esta é uma óptima altura para fazer combinações com o que já existe no seu armário: maximizar as suas peças favoritas coordenando-as com a "colecção cápsula de grávida" garante uma elegância descomplicada para esses meses de "revolução".










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