Ó Mãe, ´tá bem, já se "óbiu"...vou agora passar o Natal a casa dela, há-de "haber" muita gente em casa dela para "ber" a menina...há-de receber muitas prendas, há-de! "Atão" a minha irmã chateia-me os cornos o ano inteiro e hei-de ir pra casa dela no Natal? Tenho a minha casa, para que é que hei-de levar para lá a menina? Olha, agora havia de rir-me para ela no Natal, espera! Ela manda o filho para o pé do pai para não o aturar...que exemplo de mãe! Olha, mãe, tou-me a ca***ar. Carago, não tou para aturar a p***a dos velhos! Parece que ficam doidos c´o Natal!
E com estas lindas palavras, carregadas de reverência filial e espírito natalício, largou a falar às amigas sobre o ex namorado, pai da "menina" (mas estas pessoas nunca tratam os filhos pelo nome???) e que a Popota ia actuar num supermercado próximo, logo, ela tinha de levar "a menina" a esse espectáculo carregado de significado, elevação espiritual e carinho pelo menino Jesus.
Andar na rua de ouvidos abertos dá nisto. Devia existir uma entidade reguladora dos bons costumes, que multasse quem fala assim - mas os iluminados iam considerá-la uma ideia anti democrática, prejudicial à tão prezada liberdade. Se algum dia ficar multimilionária, talvez pense em morar num castelo com muros altíssimos e mastins de guarda, em sair só para certos locais e em certas ocasiões onde minimize a possibilidade de ouvir disparates. Por outro lado, as tolices alheias são uma fonte inesgotável de entretenimento e matéria para análise do meu semelhante. E existem em formato natalício. Viva o luxo!