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Thursday, May 19, 2011

Do cantar aos berros e da falsa pena

Não tenho nada contra o R&B - apesar de a minha formação ser clássica e de preferir a "escola" da música celta, sempre ouvi de tudo. Mas cansa-me que actualmente, 90% da música que se ouve seja baseada em acrobacias vocais, a pontos de uma voz já não ser considerada "grande" se não berrar e fizer montanhas russas, adulterando a melodia toda. Custa muito levar uma cançãozita a eito, sem variações e trinados histéricos, custa?
Isso, adicionado aos dois conceitos quase obrigatórios da sensualidade e das canções hipócritas de auto aceitação (vulgo Firework, de Katy Perry, e Perfect, da Pink) começa a chatear a sério. Nem tudo tem de ser sexy nesta vida. E se ser obeso, rebelde, marginalizado, suicida, doentinho ou vítima de bullying é tão maravilhoso como estas canções sugerem, não façam dessas pessoas aberrações de circo, eternos coitadinhos. Detesto que tenham pena de mim e acredito que essas pessoas também detestem. Acho muita piada quando um vídeo inclui gente de todos os tamanhos, visuais e idades, mas em circunstâncias normais. A óptica " olhem para a gorda, é reboluda e espaçosa, mas é linda por dentro e isso é que conta, as magrinhas malvadas que se amolem...e aí vai ela, meninos e meninas! A fazer o número de se atirar para a piscina de bikini...o público está chocado...mergulhou!!!!!"  enerva-me profundamente. É alguma coisa do outro mundo ser gordo? É caso para fazer canções sobre o assunto? Do estilo " eu, a cantora linda e magra de peito XL também canto para ti, apesar de não seres linda como eu". No lugar dos "coitadinhos" eu mandava-as passear. Pior que chachada, só chachada com caridadezinha.

1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Só agora vi este post maravilhoso com o qual concordo em absoluto.
Que hipocrisia!

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