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| Caterina Sforza |
Eu não sou feminista, sou toda pela igualdade de direitos e orgulho na nossa diferença, logo, o Dia da Mulher não me ofende nada. É uma comemoração que se justifica enquanto a violência de género, o assédio sexual e a desigualdade profissional existirem por esse mundo fora. Até essas questões estarem resolvidas para sempre, conformem-se, minhas senhoras: somos uma espécie de minoria. Não esqueçamos também que o dia de hoje assinala as mulheres assassinadas para que hoje tivéssemos direito ao voto e que abriram o caminho para a liberdade de que gozamos actualmente.
Mas creio que acima de tudo, o Dia da Mulher é um momento de reflexão. Quando vejo os tais jantares com strippers e mulheres aos gritos, penso se essas senhoras não andarão mal enganadas - e não estarão a dar razão aos machistas de serviço, que dizem "é nisto que dá a igualdade". Sempre que assisto a certos comportamentos, que vejo as jovens correrem atrás dos rapazes, comportando-se sem dignidade, fazendo um esforço dos diabos para agradar (tanto esforço, afinal, como as suas avós faziam na sala e na cozinha, só que de mini saia, saltos altos e preservativos com sabores na carteira)coro de vergonha por elas - e pergunto-me se a mensagem da igualdade terá sido bem interpretada. Por vezes, interrogo-me se as acérrimas defensoras do feminismo, paladinas do sexo casual, da autoridade igualzinha à deles, não perpetuarão o mito da virago histérica, alvo de troça e secretamente infeliz, fazendo figas junto ao telefone para que "ele" ligue depois de uma noite memorável. Até Caterina Sfrorza, virago crudelíssima, não resistiu a Cesar Borgia - e tirada a armadura, sabia ser tão doce e voluptuosa como Lucrécia. Ardilosa. Inteligente. Eva não gritou " come essa maçã, raios!" . Sussurrou " prova esta maçã, querido". Percebem a ideia. Acredito que em 1960 fosse preciso queimar soutiens para chamar a atenção (embora imagine que fosse uma forma muito desconfortável e nada ergonómica de protestar). Hoje cabe-nos manter os direitos adquiridos, recuperando os atributos da feminilidade - persuasão, doçura, subtileza, intuição, sedução, encanto - que fazem de nós mulheres. Deixando que os homens cumpram o seu papel de conquistadores, protectores, guerreiros e se eles quiserem acreditar, porque não? De chefes. O nosso poder está em influenciar - de batôn e espada escondida, just in case. Uma mulher inteligente não precisa de governar nada, porque tem o mundo a seus pés. Sempre teve. As feministas que me perdoem. E as Samantha Jones deste mundo também, mas recuso-me a ver um show de strip tease. Afinal, os homens não sabem despir-se - essa ainda é uma arte feminina.

