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| Rita Hayworth |
Certas fases da vida surpreendem-nos, por mais racional que se seja. Há momentos em que uma pessoa olha e vê que aquilo em que perdeu tempo e concentração preciosos não passou, a bem da verdade, de fumo inútil. Não há lá nada - nem dentro de nós, nem fora de nós, nada para chorar, nada para acarinhar, nada para celebrar, nem sequer para dizer " que grande revés que me aconteceu". São coisas cuja iniciativa, se tivesse partido de nós, seria um arrependimento, mas que tendo acontecido porque calhou -até com um certo arquear de sobrancelhas da nossa parte - merecem apenas um encolher de ombros, um fungar, um aceno negativo, um " cada maluqueira que me sucede" um "isto só a mim". Coisas que não têm porquê, nem são uma peça no puzzle da nossa vida, que não fazem o mínimo sentido embora tenham surgido de uma série de coincidências que aparentavam ter algum tipo de significado razoável. Como diria Eça de Queiroz, assemelham-se a abrir um frasco de perfume e reparar que se evaporou. Nem sequer chega a ser uma chatice, não tem calibre para isso, é um simples e humilde "que raio aconteceu aqui?", mais um pedaço de tralha a ocupar o sótão, que foi lá parar por oferta de uma tia bem intencionada, mas tonta, um objecto que que nunca se usou e nunca teve história.