Friday, May 6, 2011
Thursday, May 5, 2011
Da Ira, do Orgulho, e da falta de juízo
Da injustiça
Certo dia, no infantário, as freiras levaram-nos a dar um passeio pelo bosque. Estava eu a brincar sossegada, quando um grupo de miúdos perto de mim fez não sei o quê, e eis que uma das Irmãs se vira para nós e diz " o menino, o menino e a menina Sissi, todos de castigo para o colégio!". De nada me valeram os protestos: eu bem insisti que não tinha feito nada, que não sabia sequer de que falta me acusavam, mas lá marchei para dentro. Chegados, sem mais explicações, a Irmã ralhou: "e agora, ficam aqui sentados a pensar no que fizeram!". Estou para saber o que foi até hoje. Se me castigassem por ser habitualmente uma peste, eu compreendia e aceitava (até porque a punição não era grande). Mas nem isso: puseram-me de castigo por um acto concreto, por algo que não tinha feito, que não tinha ideia do que era, e sem hipótese de defesa. É o mal das pequenas faltas, que não chegam à barra dos tribunais: não há advogados que nos valham. Graças aos céus, poucas vezes o caso se repetiu ao longo da minha vida; sempre evitei confusões e o que faço - com poucos danos, apenas amolgadelas que são mercê do meu temperamento- assumo, com as respectivas consequências, a bem ou a mal. Tenho intolerância a mal entendidos, a acusações infundadas. Quando presencio uma cena dessas, vem-me logo à cabeça a cena do infantário. Ou o caso de Anne Boleyn, acusada de bruxaria, incesto, adultério e alta traição pelo homem que até aí a tinha amado como um doido. "Ai não toleras que eu me enrole com as damas de companhia? Rainha morta, rainha posta, e venha a Jane Seymour que está por tudo". Abandonada pelos amigos, o amor convertido em ódio, vítima de intrigas invejosas, sem esperança de defesa, tendo por única culpa o facto de possuir uma personalidade forte e uma língua afiada. Sem outro remédio senão oferecer o pescoço gracioso à espada do carrasco e proferir um discurso ambíguo, para evitar males maiores aos seus. Morreu com a dignidade de uma rainha, mas a cabeça já ninguém lha devolveu. "Onde há vontade de condenar, as provas aparecem" lá dizem os chineses. Graças aos céus, já não se cortam cabeças, mas os bancos do colégio, esses andam aí.
Monday, May 2, 2011
It´s beyond my control
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