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| "The Borgias" Showtime |
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| "Los Borgia" Antena 3 |
Não sei o que se passa, que não há meio de a série da Showtime "The Borgias" (sucessora de "The Tudors") estrear por cá. Se continuamos assim, vou ter de recorrer à pirataria, ai vou. Entretanto (Deus salve o MEO Videoclube) consegui finalmente deitar as mãos ao filme espanhol "Los Borgia". Considerando que não é fácil agradar a uma ávida estudiosa amadora desta família como eu, a película é bastante razoável. Analisemos: temos uma Paz Vega como Caterina Sforza de esplêndida armadura, o que seria fantástico se se tivessem dado ao trabalho de lhe tingir o cabelo de louro veneziano. O argumento é bem construído, com uma cobertura apreciável dos principais acontecimentos históricos comprovados e a deixar ao nosso critério - mais coisa menos coisa - alguns mitos: Cesar matou ou não matou o mano Giovanni? Qual era de facto a natureza do relacionamento entre
Cesare e
Lucrezia? (Deixado no ar através da opinião de outras personagens e de equívocos em acontecimentos públicos, embora em privado seja mostrado de forma inocente, talvez excessivamente cândida para estes meninos). Gostei do actor que interpretou Juan (Giovanni) Borgia, belo o suficiente para ser invejado por César e fraco que chegue para o fazer perder a paciência. Um Rodrigo/Alexandre simpático, charmoso, a traduzir o que este Papa (injustamente chamado o mais perverso de todos) foi realmente: um homem do seu tempo, com pecados do seu meio, mas capaz de decisões sábias e devoto à sua maneira. Não percebo o porquê de uma Giulia Farnese,
La Bella, morena.
Madonna Vanozza velha e sofrida não me convence.A escolha de uma actriz madura, mulata e com peito de silicone para interpretar Sancha de Aragão - justamente a única personagem importante que tira a roupa, já lá vamos - também me escapa. Lucrécia é mostrada à luz redentora dos historiadores actuais: doce, meiga, um simples peão nas manobras da família (que
pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira) mas falta-lhe intensidade. Calúnia de facções inimigas ou não, da reputação de mulher fatal não se livra e uma caracterização mais dúbia, um nadinha mais sensual, seria bem vinda.
Quanto a César, só
Milo Manara acertou - a versão em Banda Desenhada, apesar de um ligeiro excesso de sexo e violência, é até agora a que melhor captou a essência desta mítica
famiglia. No filme o actor, apesar de carismático, não se parece com os retratos (achei-o um bocadinho cabeçudo, mas habituei-me). A interpretação satisfaz, mas queria um pouco mais de cinismo e impulsividade. É César Bórgia,
o Príncipe, minha gente.
No todo, precisava-se de uma pitadinha extra de violência nos momentos certos (
cortar a língua a quem insultou a família em público, naquele tempo, não era nada de extraordinário; é até um acto compreensível no contexto) e de uma dose maior de sensualidade. As únicas cenas chave de malandrice passam-se entre Sancha e César, quando a relação com Caterina Sforza terá sido bem mais interessante, cinematograficamente falando, e com Lucrécia, bastante mais amarga, estranha e intensa. Em resumo, satisfaz, mas não arrepia. Falta-lhe sal. Espero que a série complete este vazio (tem o Jeremy Irons, tem uma Giulia ruiva linda de morrer) mas não estou com grandes esperanças no César canadiano que arranjaram. Aguarda-se a versão de Hollywood, que está como as obras de Santa Engrácia.