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Friday, September 28, 2012

Diana procura-se, ou como ainda há amores à moda antiga



Desconheço o grau de sinceridade desta história (com o que temos visto nos últimos dias, volto à boa e velha desconfiança, não vá ser obrigada a contradizer-me mais tarde) não sei se será um caso de amor à primeira vista nem como acabará, mas gosto do pressuposto. Rapaz conhece rapariga dos seus sonhos, rapariga coloca desafio impossível para ver se ele gosta mesmo dela, rapaz aceita.  Noutros tempos, o nosso herói recorreria às alcoviteiras das redondezas,  pagaria aos mendigos que por ali andassem por informações, correria as tabernas e capelinhas: hoje, serve-se das redes sociais e da câmara do telemóvel. Não tem um lenço estrategicamente caído ao chão como penhor da sua Dulcineia, mas um retrato tirado à pressa e às escuras. Não escreveu longas cartas - criou uma data de posts e ligou para os jornais. Mas é bonito ver que na era da facilidade, dos encontros fugazes e  sem significado, ainda há raparigas capazes de fazer andar um homem num virote e homens que sejam homens que chegue para se esforçarem pela mulher certa... nem que isso signifique fazer figura de parvo. Ele podia pensar " ai não me queres dar o teu contacto? naquele bar  há 100 raparigas como tu" e agir como tantos outros, que se deixam estar à espera que elas vistam as calças. Ela podia julgar vou-me embora daqui a uns dias, vamos mas é aproveitar antes que ele mude de ideias - mas foi mulher, e valente: se valer a pena, ele encontra-me. É um pouco extremo, mas gosto de ver uma rapariga que escolhe em vez de ser escolhida, e um homem que ajuda o destino. Ainda dizem isto e aquilo das francesas...o sangue gaulês não está extinto, é o que é!
O desafio colocado pela Diana fez-me lembrar as estratégias de coquetterie que as minhas avós contavam e as cruéis (e impossíveis)  provas de amor exigidas pelas donzelas medievais aos seus cavaleiros, imortalizadas em cantigas como (as muitas versões de) Scarborough Fair. Bravo, meninos!


Oh find me, find me a cambric shirt
parsley, sage, rosemary and thyme
with neither seams, nor needle work
then he will be a true lover of mine



7 comments:

Diligentia said...

Eu, filha de Hobbes confessa e eterna descrente na humanidade, tendo a desconfiar. Creio que já houve uma empresa (acho que foi a Nokia) que fez uma campanha publicitária muito parecida com esta história, já nem sei em que país. Não há coincidências, pois não? Histórias de amor fofinhas e arrebatadoras, como nos livros e filmes? Paixões demolidoras com resquícios de peça de Shakespeare? A sério? :) (fica já prometido que serei a primeira a retractar-me se afinal o moço estiver de facto em coma amoroso, mas não me parece)

Imperatriz Sissi said...

Pois, também tenho cá as minhas desconfianças. Mas mesmo que seja uma campanha, acho melhor que se promova uma história tradicional...se fosse a rapariga a andar à procura de um rapaz que só viu uma vez a minha opinião era outra. Os homens andam tão mimados e preguiçosos e as raparigas tão desesperadas e atiradiças que qualquer exemplo assim é bom começo (para quem prefere a ordem natural das coisas, como eu).

Fashionista said...

ah ah adorei o teu texto!

Sérgio Saraiva said...

Hum... Eu confesso que não gosto da história. Ao contrário do que dizes aqui a questão não me pareceu o de uma rapariga super-romântica à moda antiga a ver se o rapaz era mesmo um príncipe encantado.
O que me parece sinceramente é que o objetivo da rapariga foi o de gozar um pouco com o rapaz. Provavelmente passou um bom tempo, mas só isso. A partir daí partiu para o jogo de subjugar o rapaz, provavelmente porque percebem que exercia poder sobre ele (coisa típica de miúda mimada com alguns problemas de infância mal resolvidos). E ele foi na onda...

Desculpa lá, mas pessoas "normais", vivem estas coisas numa lógica de "igual para igual", e não numa de "superior" e "inferior", "dominador" e "subjugado", ou "ele que se esforce que eu nem por isso".

Ironicamente o mais provável caso ele a encontre é que ela o rejeite, afinal, apesar do muito romantismo ele na prática pôs-se numa posição de submissão e de fraqueza perante ela, e apesar da maioria das mulheres não gostarem de o assumir, isso é completamente killer num gajo… Não é lá muito romântico, mas paciência :p

Gostei do teu blog. Lamento que o meu primeiro comentário seja de discórdia com um texto teu... Ahahahahah...

Imperatriz Sissi said...

Grazie ;)

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Sérgio. Sim, há a possibilidade de ela estar a gozar com ele, who knows? Ela foi mimada? Talvez. Eu sou uma rapariga tradicional e no entanto, não submeteria ninguém a provas assim. A história é hiperbólica, tanto que está nas notícias...Mas acho que há uma diferença que às vezes os homens não entendem: uma coisa é um homem submisso e banana, que se deixa fazer de parvo e que a mulher o inferiorize. Detesto ver isso. Outra coisa é um homem com H, que agarra na mulher que deseja e toma a iniciativa, mesmo correndo o risco de levar um estalo ou ouvir um "não". Os homens são fanfarrões, têm as costas largas, estão programados há séculos para conquistar, perseguir (no bom sentido) insistir e ser rejeitados sem que isso lhes fique mal. Ver as mulheres nesse papel é que é triste e parece-me bem que ainda haja quem siga as regras de antigamente, a trepar às janelas, fazer declarações, serenatas e todas essas tolices. Homem que é homem lá se assusta com uma recusa! Pode ficar triste, mas não é isso que o impede de tentar. Se não funcionar há mais marés que marinheiros.

Nuno Raphael Relvão said...

Eu tenho elevadas suspeitas sobre esta história. O que, sinceramente, mais me parece é que não existe Diana nenhuma e tudo se resume a este rapaz querer ficar conhecido (quiça inspirado pela tal de acção de publicidade na argentina, aqui referida pela Diligentia). Esperemos que esteja enganado.

Mas assumindo que a história é verdadeira, considero erróneo que esta dinâmica coloque o homem e a mulher (de forma a generalizar para todas as relações) em diferentes patamares de poder.

O poder que cada um tem numa relação não se estabelece num determinado ponto e fica estático para sempre (neste caso no início, na conquista). É com cada acção e a cada dia que a mesma relação evolui e se equilibra.

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