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Sunday, September 30, 2012

Look icónico do cinema#3: Bel Ami



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BA-0045Tive finalmente ocasião de ver o filme baseado na obra realista de Guy de Maupassant, e fiquei agradavelmente surpreendida. Quem leu o romance - o percurso de um ex soldado espertalhão que manipula e é manipulado, usa e é usado, até ascender aos píncaros da sociedade francesa do início da Belle Époque - sabe que em Bel Ami: a História de um Canalha, não há inocentes. Do protagonista alpinista social às mulheres que despedaça para subir na vida, todos têm algo de corrupto, de fraco, de superficial, e um final lógico. Não há uma "história de amor" um "herói" ou um "vilão": é um retrato cru da sociedade, um romance de costumes sem o drama ou a tónica moralizadora de, por exemplo, Les Liaisons DangereusesO filme é fiel ao enredo original e se aligeira a brutalidade não desaponta, correndo o risco de ser menos simpático às audiências. Algumas cenas foram "adoçadas", porém - ver o protagonista a espancar selvaticamente uma mulher, como no livro, seria demasiado polémico para o público mainstream dos nossos dias. E essa polémica talvez lhe tenha feito falta já que sem ela, não há nada que choque o espectador do século XXI, habituado a ver todas as liberdades; o filme torna-se demasiado ameno, discreto e consensual para quem não tem a novela como ponto de partida. A trama é difícil de transpor para screenplay, e nesse aspecto achei o resultado muito satisfatório. No todo, Bel Ami é uma história que permite a quem lê ou vê tirar as suas próprias conclusões. E o filme, com um elenco de luxo, oferece excelentes interpretações, com Robert Pattinson a revelar na sua fisionomia a ambição doentia do protagonista, George Duroy. Nunca vi Crepúsculo, logo a minha expectativa era perfeitamente neutra, mas parece-me que o jovem actor é um profissional sério e queira ou não, talhado para papéis de época. 

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Mas o que realmente me seduziu - além do óbvio desejo de ver Bel Ami no écran - foi a excelente fotografia e cenografia (o filme é lindíssimo) e como não podia deixar de ser, o figurino. Felizmente eu conhecia a história, ou as roupas ter-me-iam distraído completamente. A costume designer, Odile Dicks- Mireaux, não se limitou à atitude pouco ambiciosa " um espartilho aqui, cabelo apanhado acolá" que infelizmente vemos em algumas produções do género. Usou mesmo os fabulosos decotes triangulares de ombro-a-ombro, tão populares nesse tempo mas raramente vistos em filmes ou séries. 

Nesse aspecto Bel Ami supera Moulin Rouge - que ganhou um Oscar de melhor guarda roupa, mas não permitiu que a câmara se demorasse o suficiente nos figurinos para que os pudéssemos apreciar. Cada traje foi pensado ao mínimo detalhe, ajustado ao milímetro ao corpo das actrizes: a renda parece realmente renda, o chiffon é mesmo chiffon, os tecidos são riquíssimos, os bordados, aplicações e debruados foram criados para se verem à lupa. É absolutamente perfeito, são roupas desenhadas para fazer uma mulher sentir-se linda. Escusado será dizer que passei o tempo a saltar do sofá e a dizer " oooh, olha este, que lindo", "ahhh, Meu Deus, e aquele?" ou "o que eu não fazia com aquela peça". Para apreciadoras de vintage, é uma referência indispensável e um banquete para os olhos mais exigentes.
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                                                 Bel Ami


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1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Também quero ver o filme, excelente descrição, fiquei cheia de vontade :p

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