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Sunday, September 30, 2012

O amor dá trabalho

Lembram-se do Gizmo, o Mogwai do filme Gremlins, que era o bicharoco mais amoroso de sempre...mas também o pet mais perigoso? Ter uma destas criaturinhas afectuosas e peludas exigia uma enorme responsabilidade: nunca o deixar apanhar luz ( que o matava) jamais o molhar (para que ele não se multiplicasse a uma velocidade alucinante) e nunca, mas nunca mesmo, o alimentar depois das doze badaladas, para que não surgissem os terríveis gremlins. Bom, o amor  - qualquer que seja o seu tipo - é muito parecido com um mogwai. Vejo muita gente solitária, a queixar-se de azar aos amores, ou de outro tipo de solidão ("só me aparece gente que se aproveita de mim!") mas que lá no fundo, está na sua zona de conforto. O amor exige investimento. O amor saudável não causa angústia, stress ou problemas desnecessários, mas exige esforço e responsabilidade. Coisas que muitas pessoas, embora digam da boca para fora "gosto tanto de ti!" não estão dispostas a dar. Vejamos um exemplo simples: eu adoro o meu gato. Quando estou longe de casa, penso muito nele. Estou ansiosa para regressar e brincar com aquela bolinha de algodão. Se alguém mo roubar, fico furiosa. Escrevo no blog que adoro o meu gato, conto-vos episódios dele, enfim, apregoo aos quatro ventos a minha devoção. Agora imaginem que eu fazia tudo isso, mas não queria saber se ele tinha comida ou não, não lhe arranjava um sítio quentinho para dormir, não o levava ao veterinário quando está doente, deixava-o sozinho nas férias, em modo desenrasca-te, ou que via outros gatos a atacá-lo no jardim e em vez de intervir e de lhe abrir a porta para o proteger, o deixava lá fora para que os outros o arranhassem e mordessem à vontade, porque estou tão sossegadinha e não me quero chatear e eles lá se entendem, o problema não é meu. Isso seria amor, ou uma relação equilibrada? Eu acho que não, mas este é o investimento que algumas pessoas querem fazer. Esperam alguém que lhes dedique fidelidade absoluta, mas são incapazes de lealdade. Querem alguém que os mime, mas têm preguiça de dar o primeiro passo. Querem as alegrias e privilégios da posse - sem as chatices da responsabilidade. Não estão para se chatear. E depois admiram-se quando os outros os tratam da mesma maneira, ou aparecem gremlins a assombrar as suas amizades ou relacionamentos. Gente assim, o melhor que faz é arranjar um bicho de estimação para treinar. Mas não um ser vivo, Deus nos livre - um tamagotchi, que se morrer basta trocar a pilha, é uma ideia melhor.

5 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

O amor dá trabalho. É preciso mimar aquela pessoa, aprecia-la, apoia-la sempre que necessário e ser responsável e honesto. Os pequenos caprichos e defeitos têm de ser conhecidos, e toleráveis.
Porque se merecemos a parte boa das pessoas, também temos de aguentar os pontos menos bons.

Entretanto já coloquei uma parte do que escrevi sobre o fast-fashion ;)

Colour my life said...

É verdade. Vê-se tanto disso por aí. E até cada vez mais, porque as pessoas fogem da responsabilidade como o Diabo da cruz.

Imperatriz Sissi said...

Vero..

(Bomboca, continua a dar-me sinal de malware. Quando isso me aconteceu, a culpa era de uma das imagens num post. Tive de editar o texto, copiá-lo para word e republicar. Noutro caso, bastou substituir a imagem...).

Imperatriz Sissi said...

Egoísmo, preguiça, bananice, comodismo...

O Sexo e a Idade said...

E é mesmo assim como dizes Imperatriz; o amor dá trabalho mas compensa taaaaanto!

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