Recomenda-se:

Netscope

Wednesday, October 17, 2012

Eu embirro com...noivas loucas, a.k.a bridezillas


 Quem me conhece superficialmente, ou dá uma vista de olhos aos textos sobre l´amour que aparecem aqui no Imperatriz, pode achar que sou a rapariga menos romântica que há. Quem me conhece um pouco mais, ou se dá ao trabalho (que eu muito aprecio e agradeço) de se debruçar um bocadinho mais sobre os meus posts sabe que embora eu não seja dada a coisas açucaradas, forçadas e pirosas nem a lamechices, sou uma rapariga bastante tradicional. Ou seja, o meu romantismo é um romantismo de outros tempos, funcional e de acordo com a natureza.

Homens decididos e impetuosos, check; mulheres que se deixam conquistar após alguma ponderação e resistência, check; paixões avassaladoras e fugas romanescas (depois de avaliado o carácter do herói da história, que fique claro; os tempos não vão para graças) check; cenários bonitos e inspiradores (dispensando-se as velas porque tenho medo de incêndios e além disso dão sono, música de fundo que é um turn off de todo o tamanho e folhas de rosas pelo chão, que sujam imenso) check; e viveram felizes para sempre? Check, porque isso é uma questão de esforço. 
Este é o MEU dia! EU! EU!EU!
Antigamente, como os divórcios eram quase impossíveis, as pessoas davam segundas, terceiras e quartas chances a um casamento, pois não havia outro remédio. Hoje tudo é descartável, mas se agirmos como se não fosse as coisas têm mais chances de durar. Dito isto, é fácil perceber que para mim  o casamento é de facto, um sacramento. Um juramento sagrado. Selado magicamente por um Sacerdote, qualquer que seja a sua fé. Ou julgam que "o que Deus uniu, o homem não separa" é só conversa para enfeitar a cerimónia?
 De preferência, há-de ser um acto de paixão. Desde que apoiada em bases sólidas, creio que a paixão é a única razão verdadeiramente boa para entregar a vida inteira nas mãos de outrem  Ou seja, convém que se esteja ligeiramente louco para dar um passo desses.. pois como diz o povo, quem pensa não casa. Confesso que os casamentos de hoje - cerimónias intermináveis e cansativas, com copos de água disparatados e ainda mais intermináveis - não são programa que me agrade. 


Isto para dizer que fico realmente chocada com o fenómeno bridezilla, ou noivas - que - ensandecem - com - os -preparativos- do - casório. Tenho-o visto em conhecidas (felizmente, as minhas amigas são sensatas, ou ver-me-ia forçada a dar-lhes tabefes) e naqueles programas de TV sensacionalistas de que toda a gente fala, estilo Say Yes to the dress, Rich Bride, Poor Bride e afins. Sinceramente, não sei como mulheres assim conseguiram arranjar noivo - ou conservá- lo até à data da cerimónia. Para cada noiva histérica, deve haver um noivo encharcado em valiuns, só pode. Talvez porque fui educada a achar que o casamento é um dia especial, com o seu próprio tema, logo dispensa festas temáticas, palhaços, dançarinas do ventre e bolos de três metros; talvez porque graças a Deus, por motivos vários nunca me faltaram dias especiais e ocasiões para usar vestidos bonitos... custa-me entender as noivas que berram: ESTE É O MEU DIA! O MEU DIA! QUERO UM VESTIDO COM CINCO DÍGITOS, UM BOLO MAIS ALTO QUE UM HOTEL NOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS E UM VÉU DE CATEDRAL QUE OCUPE A IGREJA INTEIRA! GASTAR! GASTAR! QUERO GASTAR!

 De bolos em forma de sapatos Louboutin, a pares a zangarem-se por causa de brindes que os convidados atiram para o fundo das gavetas ou para o caixote do lixo, a pessoas zangadas por causa distribuição das mesas, já ouvi de tudo. Como se o dia não fosse do noivo também e como se o que está em causa não fosse celebrar a união de duas pessoas perante testemunhas, mas criar um evento aberrante pela extravagância, que mais pareça um festival de ostentação do que uma festa de família. 
 É um dia especial mas - espera-se - não é o único dia especial na vida de uma mulher. Pelo menos para mim, que cresci na tradição "festa elegante e simples, usar uma peça de família, uma noiva deve parecer angelical, um vestido de noiva tem mangas e um véu inocente, não se usam pérolas nem grandes decotes" etc...

7 comments:

Diligentia said...

Faça o que fizer, Sissi, não mude para o TLC a partir das 20h30 porque parte para a violência. Palavra de quem se farta de praguejar quando acidentalmente vou calhar nesse canal quando tais programas estão no ar. Não sei o que me choca mais, se o consumismo desenfreado ou a falta de noção do ridículo daquelas mulheres que nem conseguem andar sob o peso de vestido que mais parece uma carruagem do Museu dos Coches...

Fashionista said...

ah ah já vi os ditos programas e confesso que se fosse o noivo tinha fugido na hora!

Imperatriz Sissi said...

Too late, good Diligentia! A curiosidade mórbida já fez das suas.
Feios os vestidos, horrendas as festas e mesmo quando são bonitinhas, as noivas ficam horrorosas, com a tez esverdeada de bílis e os gestos de peixeira. No lugar dos noivos, eu sentiria " mas esta quer casar comigo, ou qualquer um lhe serve e o que lhe importa é o espectáculo?". Para mim, isso diz muito do seu futuro comportamento como mães de família. Do pior.

Imperatriz Sissi said...

Devem ser uns bananas e/ou demasiado cobardes para recuar enquanto é tempo (isso sim, era espectáculo). No lugar deles pensaria:

- Esta já mostrou as garras;
- Tem mau gosto;
- Gastadora como o raio que a parta;
- Histérica;
- Mandona.

Reacção automática: cava, Filipe.

A sério, só uma mulher que nunca viu nada, uma sopeira de marca maior, se lembraria de tanto disparate.

A Flor said...

Concordo com tudo isso, excepto a parte das pérolas. Lá há dia em que um colar de pérolas não fique bem a uma mulher!

Quanto ao resto tens toda a razão - casamentos temáticos? Mas casar não é um tema importante por si só? O que mais me faz confusão é a ideia do "meu dia". Oh senhoras, se nem o dia conseguem partilhar com o amor da vossa vida, provavelmente não deviam casar.

Imperatriz Sissi said...

Estou de acordo quanto ao efeito estético das pérolas, Flor - mas há uma velha superstição que diz que as pérolas dão muito azar às noivas; são as "lágrimas dos Deuses" e não devem ser oferecidas por uma apaixonado antes do casamento, nem usadas na cerimónia. Senão, por cada uma que a noiva use, chorará uma lágrima...é só por isso.
Em relação a "se nem o dia conseguem partilhar com o amor da vossa vida, provavelmente não deviam casar" isso devia ser afixado como regra nas paróquias, registos civis e empresas de organização de casamentos...

O Sexo e a Idade said...

Também já lá calhei e nem queria acreditar!!!

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...