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Tuesday, October 2, 2012

Sobre os vampiros



Há dias, ao jantar, conversava-se cá em casa sobre vampiros. Não essas versões teenager e desenxabidas de Crepúsculo e derivados (algum vampiro que se prezasse ia condenar-se a comer alface, brilhar ao sol, usar ténis manhosos e ir à escola por TODA a eternidade???) mas dos príncipes dos monstros, dos seres belos, glamourosos e hedonistas que só fazem o que lhes dá na real gana. Vampiros adultos, sensuais, com roupas lindas, uma elegância de paralisar e séculos de experiência no amor, no ódio, no luxo, na vingança. Capazes de hipnotizar as suas presas. Cruéis e cheios de conflitos interiores. Daqueles que mordem toda a gente e fazem dos inimigos o jantar, despachando duas tarefas ao mesmo tempo. Vampiros com poderes. Vampiros que desprezam quem que não seja como eles, a contemplar a humanidade do alto da sua torre, lastimando-a, desdenhando a sua fraqueza e invejando-a ao mesmo tempo. Predadores. Eternamente jovens e irresistíveis, carismáticos, artísticos, sem alma, apaixonados mas sem coração, de pele fria, fantasmas de carne e osso com um apetite insaciável pela vida - frenética, eterna. A tentar os incautos, a exercer o seu encanto mefistofélico, belos e trágicos. Estes serão sempre os meus vampiros - men of wealth and taste.

     Os dos contos, do folclore, do Conde Drácula, eventualmente da Anne Rice e quando muito, de True Blood, numa versão civilizada mas sem vontade alguma de o ser. E no decurso da conversa, veio a propósito a velha crença "um vampiro só pode entrar em casa se nós o convidarmos". É certo que às vezes fazem batota e recorrem aos seus poderes para obrigar as pessoas a convidá-los, mas sem  que os chamemos é escusado, não podem atacar ninguém dentro de portas. Mesmo depois de entrarem, se os mandarem sair não conseguem permanecer no aposento. 
Vão-se embora a correr, sem alhos, estacas nem crucifixos. Mesmo que um charmoso nosferatu possa contornar a vontade da vítima com truques, se esta recuperar o controlo das suas faculdades mentais e quiser de facto expulsá-lo, não há vampiro que resista a um propósito firme, a uma personalidade forte e a uma voz de comando que lhe diga, sem medo nenhum, "rua". Fiquei a pensar nessas extraordinárias criaturas e ocorreu-me como os vampiros se parecem com algumas pessoas da vida real: encantadoras mas tóxicas, com uma capacidade inata para a manipulação. Também essas podem manipular quem está à volta, enredar a vítima na sua teia, fazer o que querem durante algum tempo. Mas o seu domínio depende única e exclusivamente da vontade de cada um. Se decidirmos que nós é que mandamos, que não temos medo nem sabemos o que isso é, que não queremos vampiros a sugar o que não lhes pertence e que não lhes admitimos essas liberdades, eles não têm outro remédio senão obedecer, em menos de um Credo.

7 comments:

Jedi Master Atomic said...

Eu tenho uma enorme panca por vampiros. Vejo tudo o que é filme com eles, incluindo os do Twilight....lol

Mas sem duvida que a "Entrevista com o Vampiro" e o "Dracula de Bram Stoker", para mim, foram dos melhorzitos que sairam até hoje.

A Bomboca Mais Gostosa said...

eu cá gosto é dos vampiros do true blood, não é dos pseudo- vampiritos lol

Imperatriz Sissi said...

Adoro-os, mas confesso que nunca vi o Twilight. Acho aquilo tão pateta...se é para o disparate, os filmes da Hammer e semelhantes, nos anos 70, são do melhorzinho. Kitsch, mas com glamour e graça.

Imperatriz Sissi said...

Os do True Blood são o máximo,até porque a história se passa no meu querido Sul! Mas confesso que estou sempre a torcer para que deixem de tentar ser bonzinhos. Vampiro que é vampiro morde gente! Se bem que não deve ser uma dieta muito agradável, nem variada.

Urso Misha said...

Concordo em pleno. com estes novos pseudo vampiros, perdeu todo o romantismo que tinham.

Permita-me a ousadia que coloque aqui um link do meu humilde blogue, onde dissertei qualquer coisa sobre vampiros.

http://ursomisha80.blogspot.pt/2012/09/vampiros.html

Até me lembro dum jogo de tabuleiro (um RPG role playing game) onde nós somos os nossos herois, que joguei à muitos anos chamado Ravenloft e adorava as descrições, comprei 3 livros com histórias do heroi lá do sitio fantásticas (Strahd).

A tradição já não é o que era.

Imperatriz Sissi said...

Qualquer dia inventam um Justin Bieber vampiresco ou coisa que o valha. Já não há respeito por nada, nem romantismo que escape à onda "vamos-açucarar-tudo-porque-os -teenagers -infantilizados-são-deuses". Bah.

Urso Misha said...

concordo.

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