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Tuesday, November 13, 2012

O Cônsul de Bordéus


Quando A Lista de Schindler chegou aos cinemas - era eu bastante novinha, mas já devorava todos os livros a que deitava mão sobre a II Grande Guerra - comentou-se lá em casa " é uma pena que não se faça o mesmo sobre Aristides de Sousa Mendes, que salvou ainda mais pessoas e morreu na miséria por causa disso". Desde então tenho um carinho especial pela figura do diplomata português e como é lógico, estou bastante curiosa para ver o filme. Parece-me que Vítor Norte terá feito um óptimo trabalho e pelo que pude observar até agora, só tenho pena que não o tenham caracterizado com um pouco mais de rigor, no que respeita ao penteado e maquilhagem. 
Estreia esta quinta-feira: «Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus» Esta é uma história que merece ser contada: numa época dominada por um materialismo voraz, é importante recordar quem pôs os seus valores morais e espirituais acima do próprio bem estar. Desobedecendo às ordens de Salazar, que através da circular 14 proibiu os cônsules portugueses de emitir vistos às pessoas "de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio" incluindo os judeus expulsos dos seus países de origem, o diplomata concedeu cerca de 30 mil vistos de entrada em Portugal a pessoas de qualquer credo e nacionalidade que desejassem fugir de França, estimando-se que tenha salvo a vida a mais de 10 mil judeus (Schindler resgatou cerca de 1100). Otto de Habsburgo, Arquiduque da Áustria, e a escritora Ilse Losa foram algumas das personalidades que ajudou a escapar ao terror nazi. "Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus" terá dito quando confrontado com o castigo que o esperava caso persistisse no seu propósito de auxiliar refugiados. Monárquico, profundamente católico, pai de uma família muito numerosa (14 filhos) culto e amigo das coisas boas da vida, Aristides de Sousa Mendes viu-se, uma vez regressado a Portugal, punido da forma mais injusta pelo governo português: foi reformado compulsivamente, proibido de exercer advocacia e os seus filhos foram impedidos de frequentar a Universidade. Em 1945 Salazar felicitou-o pelo seu acto corajoso mas recusou-se a reintegrá-lo no corpo diplomático: o herói português morreu em 1954, na mais esquálida pobreza: não tendo um fato condigno, sepultaram-no num hábito de Franciscano. Foi reabilitado postumamente com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade e a sua família recebeu um pedido de desculpas público em 1986. A sua casa, no entanto, continua em ruínas, apesar dos vários projectos para a converter num Museu que celebre a nobreza e espírito solidário do diplomata. Espero sinceramente que a produção " O cônsul de Bordéus" chame a atenção para esta causa, e ajude a atrair mecenas para uma obra que há muito merecia estar concluída... 



8 comments:

*C*inderela said...

Gostei muito da Lista de Schindler, vou ficar atenta a esse, gosto de filmes históricos que retrarem esses periodos mais conturbados.

Bjokas

Verdade said...

Palmas de pé. É por estas histórias do passado que sinto orgulho de ter nascido onde nasci.

Imperatriz Sissi said...

@Cinderela, ainda não vi "O Cônsul de Bordéus" mas acho que vai valer bem a pena. Finalmente começamos a olhar para a nossa história (e literatura) em busca de inspiração para excelente cinema!

@Verdade, completamente. Numa altura em que tanto se fala de portugueses que aproveitam em benefício próprio o poder conferido pelos lugares que ocupam, eis um português que usou o poder que lhe era concedido em prol dos outros, do que era humano e o que era justo, mesmo com prejuízo de si próprio. Não deviam ser enaltecidos estes exemplos? Para não falar da riqueza, em todos os aspectos, que o Museu ia trazer ao nosso país.

Maria Pitufa said...

Eu lembro-me de ter visto a lista de schindler...e vi esse filme com a minha mãe! E lembro-me de quando acabou o filme a minha mãe me ter contado da história deste Senhor na altura achei extremamente injusto ninguém falar dele! Mais a mais com o decorrer dos anos descobri que a comunidade Judaica lhe prestava homenagem pelos feitos enquanto o nosso país o votava ao ostracismo. Quanto ao filme as criticas que ouvi foram um bocadinho decepcionantes...ao que parece a história se centra mais noutras personagens que não a do Aristides de Sousa Mendes!

Urso Misha said...

excelente post... mais uma vez :)
a lista de schindler é o filme, mas sem duvida que o "nosso" fez muito mais, mas penso serem 30000 e não 10000 como referis-te, estou desejoso de ir ver o filme, bem como o Wellington como tinha dito, tenho mesmo de ir ver.

Imperatriz Sissi said...

Urso, ele passou cerca de 30 mil vistos sim, mas não foi só a judeus (desses, por volta de dez mil).

Imperatriz Sissi said...

Sim, ele é considerado "Justo entre as Nações" e recebeu as mais elevadas distinções e homenagens. Aflige-me como se deixa cair uma casa que poderia representar um exemplo tão precioso para as gerações futuras e colocar Portugal no mapa.

Urso Misha said...

pois, dizias 10000 judeus, my bad, deu ainda à 2 meses um documentário no Canal História sobre ele, falou o sobrinho (se não estou em erro) e fiquei a descobrir que 2 primos dele, desembarcaram com o exército Americano no Dia-D.

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