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Friday, November 30, 2012

Princesa de Éboli, ou "nunca enfureças um homem poderoso"

Doña Ana de Mendoza y de la Cerda, Princesa de Éboli, Duquesa de  Pastrana e Condessa de Mélito (29 Jun. 1540 – 2 Fev 1592) era - apesar de alegadamente um acidente de esgrima a ter deixado cega uma vista, o que lhe valeu a alcunha de La Tuerta (A Zarolha) - uma das mais belas damas de Espanha. 
 Outras fontes afirmam que não era realmente zarolha, apenas vesga, e que por vaidade usava com tanta graça  uma pala no olho direito. Nunca teremos a certeza: o que ficou para a história foi a sua formosura, acompanhada de um grande sentido de estilo e de gosto pelo luxo, de dimensões só comparáveis à sua queda em desgraça. 
Educada pela mãe, doña Catalina de Silva, filha dos condes de Cifuentes, desde cedo deu mostras de vivo espírito e inteligência, condições necessárias para representar a nobre família dos Mendonza, já que era filha única. Recebeu a educação que se destinaria a um filho varão: era uma esplêndida amazona e possuía uma cultura invulgar, interessando-se inclusive pela magia e esoterismo.  Os conflitos entre os progenitores - motivados pelos escândalos galantes do pai, D. Diego Hurtado de Mendoza - ajudariam a moldar a sua forte personalidade: orgulhosa, vibrante, de ânimo varonil e altivo. Com apenas doze ou treze anos de idade casou, em 1553, com um fidalgo portuguêsD. Rui Gomes da Silva, ministro e amigo afeiçoado de Filipe II de Espanha. A influência de D. Rui junto do soberano era tal que lhe foram concedidos os títulos de Grande de Espanha e Príncipe de Éboli, uma cidade no Reino de Nápoles. Por essa razão, era chamado Rey Gomez (uma corruptela de Ruy Gomez). O casal teria dez filhos ao longo dos anos. Entretanto, a beleza e vivacidade da princesa incendiavam a corte: a sua pele branquíssima, os traços correctos, a figura esbelta e modos encantadores, cheios de graça e sedução, viravam cabeças, tornavam-na popular. A jovem Isabel de Valois, terceira mulher do Rei, não ficou indiferente ao carisma de Ana: as duas tornaram-se tão amigas que a mãe da Rainha consorte, Catarina de Medici, chegou  a enviar presentes à Princesa. Porém, esta proximidade também permitiu que Filipe II  - então um jovem com menos de 30 anos, de bonita figura e grandes olhos azuis - se enamorasse perdidamente da Princesa de Eboli. Rezam as más línguas que Ana de Mendonza o detestava em segredo e que a régia paixão não seria correspondida.
Fossem quais fossem os sentimentos da Princesa, não havia como contrariar os desejos do monarca. O affair terá acontecido no maior secretismo, e D. Rui passou para o outro mundo sem se aperceber da dupla traição. Desgostosa, Ana encerrou-se num convento - mas o seu carácter vaidoso e soberbo não se coadunava com as regras. Acabaria por regressar aos seus domínios, depois de lançar a confusão no mosteiro com os seus desmandos e exigências. Regressou à vida pública após três anos de reclusão. Foi então que se cruzou com o substituto do defunto marido junto do Rei, Antonio Perez - e  o encontro com o jovem e atraente Secretário revelar-se-ia fatal para a princesa. Rezam os rumores que os dois, igualmente jovens, belos e ambiciosos, se envolveram num romance que terá chegado aos ouvidos de Filipe II. Ciumento, dominador, o Soberano terá urdido uma intriga política de tal forma intrincada - implicando o casal em acusações de tráfico de segredos de Estado e no assassinato de Juan Escobedo, antigo protegido do Príncipe de Éboli - que durou mais de dez anos, até ao fim da vida de ambos. Os dois foram presos sem acusação formada; Perez foi torturado e condenado à morte, escapando por várias vezes da prisão com a ajuda de amigos e partidários leais. Morreu em Paris na mais absoluta miséria, sem nunca obter o perdão real. Quanto à Princesa de Éboli, morreria em prisão domiciliária, na sua casa de Pastrana.
  O relacionamento entre a Princesa de Éboli e o Senhor das Espanhas nunca foi comprovado pelos historiadores, mas é apontado como causa provável para a perseguição de que a infeliz beldade seria vítima: Rei ou não, só um homem despeitado, possessivo, ferido no seu orgulho de amante atraiçoado, poderia proceder com tanto furor, com raiva incansável. 















1 comment:

Maria Pitufa said...

Por acaso já conhecia a personagem! E sim o erro foi enfurecer os homens errados!
Imperatriz não sei algum dia escreveste sobre ela..mas se vamos falar de mulheres fora de Série sugiro-te fazeres uma cronica sobre a Mãe de D. Manuel! Ainda que a história dela seja tão rica que seria difícil escolher como fazer uma súmula, desde ter ido atrás de D. Fernando quando fugiu, até aos acordos celebrados com Espanha, até as Tercerias, até ao vasto patriómio que ficou a seu cargo!

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