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Friday, November 30, 2012

Tire partido do seu tipo

                           
              "Primeiro, descobre quem és; depois, veste-te de acordo"
Epicteto, filósofo grego (55- 135 DC)

Felizmente a beleza e a moda estão cada vez mais democratizadas, e no século XXI - mau grado as campanhas pró ou anti magreza extrema - já não há um só tipo considerado "ideal".  Esta tendência - consequência da evolução da sociedade e da reflexão sobre épocas idas -  permite uma maior diversidade, com silhuetas, idades, cores de pele e estilos de vestir muito diferentes a ser  considerados "bonitos" ou "inspiradores". Mesmo assim há muita gente insatisfeita, suando as estopinhas para caber numa determinada imagem. É certo que por vezes, somos incapazes de ver as nossas próprias qualidades e ninguém está 100% contente com o que Deus lhe deu. Mas qualquer mudança, seja a nível de styling ou de forma mais profunda (com recurso à cirurgia ou tratamentos estéticos) só surtirá bom efeito se estiver em harmonia com os traços originais. É preciso apreciar o que se tem, considerando que tudo pode ser melhorado dentro da beleza própria de cada um (a). Só assim a "nova" imagem parecerá confortável e natural. 

                  
Norma Jean Baker era uma rapariga americana bonita e bem feita, de traços regulares e cabelo louro - acastanhado, aparentemente igual a tantas outras. Mas bastaram retoques e uma pequena mudança de visual - tirar partido do seu tipo claro para se transformar numa loira platinada, criar uma maquilhagem específica, trabalhar a postura corporal e escolher as roupas certas - para que o seu carisma irresistível viesse à superfície. E assim nasceu um mito, Marilyn Monroe. 
                   
O mesmo vale para Audrey Hepburn, que devia a sua figura delicada à subnutrição causada pela II Grande Guerra. Foi preciso ver a questão por outro ângulo, realçar o seu porte aristocrático...e surgiu um ícone de estilo intemporal. Nenhuma delas tentou afastar-se demasiado da natureza...nem precisou. 
O visual de cada celebridade que vemos é pensado e trabalhado profissionalmente como se uma criação artística se tratasse, sempre tendo em conta os atributos naturais. É claro que a maioria das pessoas comuns não vive da imagem, mas pode mesmo assim criar a sua imagem de marca - um estilo próprio que lhe permita estar sempre bem sem muito esforço, gostar do que vê e transmitir confiança. Não há nada mais atraente do que uma pessoa que gosta de si mesma, nem segundas oportunidades para criar uma boa impressão. Quer isso nos agrade ou não, as aparências contam - e já que nos vão julgar de qualquer maneira, convém que possamos ter algum controlo sobre esse julgamento. Como se diz em marketing, se não criar a sua própria imagem, o público encarrega-se disso por si. Isto não quer dizer que tenha de ter um aspecto artificial ou embonecar-se muito se esse não é o seu estilo, antes pelo contrário.
 Ao escolher o "cartão de visita" com que nos apresentamos ao mundo há que ter vários aspectos em consideração: 

  - O nosso tipo de corpo
                                                       
As roupas certas podem transformar uma rapariga "cheiinha" numa bombshell ou uma jovem desajeitada numa manequim. Um homem grande ficará ridículo em roupas demasiado juvenis mas fabuloso de fato ou sportswear elegante e um rapaz magro tem muito a ganhar com um look dandy ou boémio. A figura com que nascemos não só determina  as proporções das peças certas para nós, como pode dar-nos pistas valiosas sobre o estilo que nos fica bem.


- Os nossos gostos, inspirações e estilo de vida
A nossa actividade social e profissional cria necessidades específicas, que influenciam boa parte do nosso guarda roupa. Mas além disso, é preciso usar o nosso instinto e imaginação. Que figuras ou personagens se parecem connosco? Há alguma pessoa/ época/ambiente que nos fascine ou inspire? Uma fã de Tolkien não achará prático andar mascarada no dia a dia, mas pode escolher roupas com uma certa aura pré rafaelita -  cores claras e bordados, por exemplo. Apesar das mudanças nas tendências, é natural que nos inclinemos mais para determinado tipo de visual. Podemos cultivá-lo com as devidas actualizações e adaptações às circunstâncias, criando uma "personagem" que sem ser artificial, diz muito de nós. É bom lembrar que o ser humano está programado para responder a "tipos" que possa identificar à primeira vista, reagindo de acordo.  A personalidade também conta: uma pessoa tímida pode sentir-se melhor com tons discretos, evitando a monotonia com apontamentos de cores vivas. Clássico, elegante, desportivo, criativo, romântico ou dramático, o estilo ideal para cada um é sempre influenciado pelas suas crenças, hábitos, gostos e expectativas.

- O nosso fototipo

É importante tirar partido da cor do nosso cabelo, pele e olhos. As pessoas mais bonitas, ou que possuem uma beleza realmente original, sabem realçar a paleta com que a sábia Mãe Natureza as dotou. É aconselhável fazer como Marilyn Monroe e escolher um estilo que, sendo próximo do seu natural (logo, simples de manter) crie uma imagem marcante. Cabelo e maquilhagem consistentes com o seu tipo associados à roupa certa para o seu corpo compõem imediatamente uma imagem, criam associações na mente de quem vê. É assim que funciona, e é preciso jogar com isso. As louras transmitem vulnerabilidade e inocência. Podem ser delicadas e altivas (Grace Kelly, Kate Blanchett) ou bonecas sensuais, como Marilyn, Jane Mansfield ou Brigitte Bardot. Uma rapariga alta e encorpada sair-se-á bem encarnando o tipo nórdico - a valquíria poderosa. Uma loura alta e magra pode brincar com o estilo "princesa do gelo" como Nadja Auermann. É preciso notar que quanto mais claro for o cabelo, mais cuidado deve ser o visual.


As morenas têm uma imagem forte, associada ao domínio, à novidade e ao exótico. Por algum motivo, a vilã dos contos de fadas, a espia ou a antagonista costumam ter cabelo preto. (A excepção é feita à Branca de Neve -a copiar por quem tenha um rosto angelical e grandes olhos expressivos). É um visual dramático, só aconselhável a quem é naturalmente assim ou está disposta a cuidar bem dele, porque tal como os louros platinados, exige um ar tratado e visual clean para não cair na vulgaridade. Raparigas que tenham o cabelo muito escuro podem optar por um "preto fingido" ou seja, um castanho que parece preto, normalmente mais "democrático" do que o asa de corvo. Há ainda look estilo Ava Gardner, para as mulheres de cabelo negro e tez clara; Elizabeth Taylor, para as meninas branquinhas e de olhos claros; Megan Fox, para quem tem olhos azuis ou verdes e pele cor de azeitona; já quem tem pele bronzeada, olhos e cabelos escuros pode transformar-se no protótipo da `morenaça´e exibir os seus encantos ciganos, como Salma Hayak. As asiáticas devem aproveitar a pele de porcelana com que nasceram. Agora estão na moda todos os tons de cabelo, mas o apelo exótico da `geisha´ ou da `China Doll´ continua a marcar pontos.

E as meninas afro? Da mulata dourada e poderosa (Tyra Banks, Josephine Baker, Queen Latifah, Beyoncé ) à deusa de ébano (Alek Wek, Beverly Peele) o imaginário não tem limites. Por sua vez, o castanho é considerado um tom de confiança. Não tem, por isso, de ser aborrecido ou comum, uma vez que existem centenas de nuances riquíssimas. Uma mulher de pele rosada e cabeleira castanha pode fazer o tipo "English Rose", como Kate Beckingsale. Os tons mais frios de castanho, nas morenas claras, transmitem sofisticação e requinte: pense em Jackie Kennedy. E não esquecer o impacto dessa cor  em contraste com olhos claros, imortalizado por Vivien Leigh. Quem tiver curvas de cortar a respiração pode inspirar-se em Sophia Loren ou Raquel Welch - nesse caso, aposte no cabelo comprido, que pareça um pouco despenteado. As ruivas não têm meio termo - ou se amam, ou se odeiam - mas do laranja flamejante ao encarnado, passando pelo Ticiano, acobreado ou auburn, há muitas formas de realçar o tipo "cenourinha" tão imortalizado pelos pintores. Ou se nasce ruiva, ou é preciso personalidade de ruiva - e de preferência, pele e cabelo claro -  para manter o look com alguma autenticidade, já que esta cor está ligada a uma imagem apaixonada, de rebeldia e mistério, de mulher que "ferve em pouca água". É uma cor intensa - desejada por toda a gente em determinadas épocas, e motivo para arder na fogueira noutras. Da ruiva sexy (Rita Hayworth) à sofisticada (Julianne Moore, Nicola Roberts) o cabelo ruivo acrescenta uma nota enigmática e vibrante, qualquer que seja o estilo da mulher que o usa.
 Quanto aos homens, aplica-se a mesma regra: o moreno pálido e misterioso (Ben Barnes, Johny Depp) o louro dandy (Dorian Gray) o morenão (Javier Barden) o louro vicking...já perceberam a ideia. 
Tudo isto são apenas exemplos que falam ao imaginário colectivo - haverá muitos mais e cabe a cada um (a) descobrir o tipo que o (a) favorece e que fala por si, em vez de se lamentar por não encaixar num determinado ideal - que não é melhor, nem pior, só diferente.
















4 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Adorei este teu post! Concordo imenso. O importante é criar uma imagem de marca. Eu tinha uma e mudei um bocadinho, também é preciso mudar. Agora estou loira escura, tipo Jennifer Lopez, tenho mais ou menos o mesmo tom de pele que ela. E pronto, acho que fica bem :)

Tamborim Zim said...

Vou muito na linha do "ser a melhor versão de si próprio", o q n quer dizer q a cumpra. MAs nada como explorar originalidades, assim nascem os engenhos e os desafios.

Imperatriz Sissi said...

A imagem de marca não tem de ser estanque, ou corre o risco de ficar datada. Há que ir actualizando, dentro do estilo que nos fica bem. Beijinhos.

Imperatriz Sissi said...

Essa originalidade e desafio, dentro dos gostos/aspecto de cada um, é muitas vezes o que nos leva a descobrir o próprio estilo. Experimentei muitas coisas até descobrir o que realmente me dizia mais - apesar de ter sido sempre uma pessoa de gostos relativamente definidos. É bom explorar...e inevitável adicionar coisas novas, mesmo quando se tem um look já trabalhado.

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