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Thursday, December 6, 2012

Momento fashion: eu e o camião da moda

                                     
Eu não sou uma rapariga que viaje de mochila às costas. Invejo quem tem esse espírito de improviso, mas fazer o quê? Confesso que viagens relâmpago, voos low cost, "ficar em casa de não sei quem" ou "ir à aventura" me apavoram. Sou a menina que tem pesadelos em que está num aeroporto e se perde a bagagem. Ou o cartão de crédito, e lá fico eu "em Aveiro sem sapatos". Acordo aflitíssima por causa disso. Gozem à vontade mas é verdade, não consigo evitar. Cada um tem direito aos seus momentos ridículos estilo Paris Hilton, aos seus ataques de futilidade, e eu não sou menos que os outros mortais. Sou bastante espartana noutras coisas, não me caem os parentes na lama por ser coca bichinhos nisto. O mais curioso é que tenho um lado independente, capaz de me virar sem ajuda nas situações mais complicadas...tried and true. Consigo organizar-me, mas viajar com um weekend bag pequenininho, num lugar apertadinho cheio de crianças aos guinchos e sem aquelas traquitanas inúteis com que as companhias aéreas nos mimam, na tentativa infrutífera de aliviar o desconforto da pressão atmosférica e de estar horas fechada numa lata de sardinhas voadora não é de todo my cup of tea. Além disso, até posso prescindir de compras noutras circunstâncias, mas não o fazer quando viajo tira a graça toda à experiência. Com isto, já tenho perdido alguns passeios e há destinos que estupidamente, não conheço. Tão pouco estou com os milhares de compatriotas da minha idade mortinhos por emigrar: está certo que o país é same old, same old e as oportunidades lá fora para quem tenha capacidade e miolos são apelativas, mas além de eu ser uma rapariga de família, que gosta do seu lar, do seu cantinho...como diabos ia eu organizar o guarda roupa? O que deixar? O que levar? Parte-me o coração. 
Isso lembra-me quando me vim embora de Erasmus: as malas tinham "engordado" de tal maneira que ia ser o fim da picada para as transportar de avião. Além disso, gostava das bicicletas todas giras que tinha comprado, que tinham sido a minha salvação e apoio em terra estrangeira, e era pena desfazer-me delas. Num assomo de mimo e generosidade (desconfio que mais por amor às bicicletas, que são o seu ai-Jesus, do que às minhas roupinhas e sapatos) o senhor papá não teve mais nada: falou com uma empresa transportadora e lá veio uma mulher camionista - com ar de carcereira e nada amável, sejamos honestos - levar  a minha bagagem para Portugal, enquanto eu seguia *mais ou menos, que ainda paguei multa na alfândega pelos presentes que não quis deixar ir aos tombos no contentor* ligeira de avião. É capaz de ter sido o momento fashion mais estranho da minha existência, mas soube muito bem...quem tem pai tem tudo, ah pois é.

11 comments:

Rita Silva said...

Sou como tu, custa-me imenso desfazer-me e afastar-me das minhas roupas, dos meus acessórios, dos meus livros e até das minhas tralhas.
E pensar deixar as coisas para trás, e no teu caso específico num sítio onde nunca mais as recuperarias, é deveras assustador!

S* said...

Quando regressei de Bruxelas a minha mala não regressou comigo... e lá fiquei eu, durante dois dias, com o coração apertadinho.

Rita Silva said...

Sou como tu, custa-me imenso desfazer-me e afastar-me das minhas roupas, dos meus acessórios, dos meus livros e até das minhas tralhas.
E pensar deixar as coisas para trás, e no teu caso específico num sítio onde nunca mais as recuperarias, é deveras assustador!

Imperatriz Sissi said...

Que sofrimento! A minha vida está no meu armário e nos meus livros. Esses, pelo menos, graças aos e-books lá se resolve (com excepção daqueles antigos ou raros).

Imperatriz Sissi said...

Que situação! Felizmente nunca me aconteceu.

Dulce said...

Quando fui de Erasmus aconteceu-me exactamente a mesma coisa, mas como fui para o país vizinho no regresso 'obriguei' a família a ir lá buscar tudinho de carro :) (mesmo à «emigrante»...)
E por falar em emigrante, quando há dois anos fui viver para a África do Sul ia-me dando uma coisinha má por saber que não podia levar mais de 23kg na mala!!!!! Felizmente há transportadoras e lá foram as minhas milhentas coisas por barco... O pior é sempre que venho cá... Ponho algumas coisas na mala de 23kg, mas fico sempre a chorar por não puder trazer todo o meu guarda roupa e afins... :(

Imperatriz Sissi said...

Haja alguém que me compreenda, aleluia irmãos! as transportadoras são a salvação...fico mesmo aliviada por saber que até por barco se levam coisas pessoais com facilidade :D
Sim, e 23 kg é ridículo! Quase isso pesa a mala. E as coisas que uma pessoa compra pelo caminho? É brincar com gente séria, é o que é...

Sérgio Saraiva said...

Eu que profissionalmente já viajei muito pela europa, já estou mais do que habituado a ficar com as malas perdidas. Há uns anos costumava fazer regularmente uma viagem com uma escala muito curta (+- 40 mins), o que tinha como consequência as malas quase nunca chegarem. O meu record pessoal foram 6 viagens CONSECUTIVAS sem as malas chegarem. Quando aterrava a minha vontade era ir logo diretamente para os guichets das malas perdidas, sem passar pelas pistas de recolha das malas. Mas não me importava muito afinal regra geral mandavam-me a mala para casa no dia seguinte. Até achei graça ao fato do porteiro do prédio ter ficado a pensar que era assim alguém importante afinal até as malas me iam levar a casa...

Para além disso, especialmente durante o inverno por casa, escalas canceladas a meio era o que mais me acontecia, especialmente no inverno por causa da neve. Lá nos levavam para um hotel onde regra geral dormia 3 ou 4 horas para depois ir apanhar um avião no dia seguinte, muitas vezes para ter reuniões noutro país tipo às 9h da manhã. Uma vez lembro-me de ter acordado numa dessas escalas perdidas e já nem me lembrar em que país que estava: tive de ir mexer nas gavetas do quarto para encontrar algo que me desse pistas... E voilá, uma bandeira Suíça...

Imperatriz Sissi said...

Eheheh, Sérgio, é preciso ter cá uma bússola interior para se manter focado com esse estilo de vida! Eu costumo ser bastante calma mas esse tipo de situações são o meu ponto fraco. Tudo tem as suas vantagens e uma pessoa acostuma-se, mas ora aí está um ritmo que me faria andar trocadinha de todo :D
Só o susto de cada vez que perdesse a bagagem...e andar agarrada ao saco de mão como se a minha vida dependesse disso...ai ai.

lena said...

Ainda bem que existem as transportadoras mesmo e concordo que 23kg é pouco. Se é para uma pequena estadia ainda serve mas nestes casos de estadias mais prolongadas não dá para nada.
Beijinhos grandes.

Pusinko said...

Só vi este post agora, mas confesso que demorei anos a ter um guarda roupa decente aqui (E vao quase 7 anos fora de PT). Sou, claramente, muito menos dedicada que tu no que toca a organizar o "closet", e mesmo assim foi o que foi. "Ups.. o cinto vermelho ficou lá"/"Pusinko, entao? Levaste o casaco de pelo da última vez e esperas que volte sózinho? Eu nao avisei que trouxesses?" disse mama querida milhoes de vezes...
Já viajei com 1 par de calcas de ganga, tops e pouco mais em fins-de-semana. Ter 1 hérnia nas costas ajuda nestas horas de reduzir o peso ao mínimo, mas prefiro aquelas em que posso levar malas xl.

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