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Wednesday, January 16, 2013

Dancing in the street



Parece que agora é moda pôr-se a dançar ao som do Ipod no meio da rua, perante a indiferença, espanto ou simpatia de quem passa, gravar a brincadeira e colocar no Youtube.
  O vídeo fez-me sorrir, porque a ideia de fazer coisas inesperadas num cenário banal do dia a dia sempre me divertiu. Nunca participei numa flashmob (há algumas com graça, e se isso existisse quando andava no liceu talvez aderisse) mas já me aconteceu estar com outras pessoas numa festa chata, começar uma música de fazer saltar o pé, abana-se um, 
abana-se outro, um não resiste, eu não resisto e por causa disso mais alguém se atreve, pois a dança é como o riso; e dali a  nada o bicho da bailação parece contagioso e todos, novos e velhos, convidados e pessoal, desatam numa animação que quase faz voar mesas, bandejas e louça, e eis que uma reunião chocha se transforma num divertidíssimo motim, tal e qual o conto infantil

Apenas, no caso destes vídeos não há um instrumento mágico, mas um aparelhinho minúsculo...
 Quando estudei na Holanda espantou-me o à vontade daquela gente, que não se ensaiava de cantar no meio uma loja, ou em plena rua se lhe apetecesse, acompanhando a cantoria com uns passinhos de dança. Talvez seja essa descontracção, que os portugueses só têm de vez em quando, que faz falta a este país - embora os tempos não vão oficialmente para folias, um pouco de vá de folia e de trovas não fazem mal a ninguém... You can dance if you want to, you can leave your friends behind, ´cause your friends don´t dance and if they 
don´t dance well they are no friends of mine...

Havia na terra

Um homem que tinha
Uma gaita bem de pasmar
Se alguém a ouvia
Fosse gente ou bicho
Entrava na roda a dançar

Um dia passava
Um sujeito e ao lado
Um burro com louça a trotar
O dono e o burro
Ouvindo a tocata
Puseram-se logo a bailar

Partiu-se a faiança
Em cacos c'o a dança
E o pobre pedia a gritar
Ao homem da gaita
Que acabasse a fita
Mas nada ficou por quebrar

O Juiz de fora
Chamado na hora
"Só tenho que te condenar
Mas quero uma prova
Se é crime ou se é trova
Faz lá essa gaita tocar"

O homem da louça
Sentado na sala
Levanta-se e põe-se a saltar
Enquanto a rabeca
Não se incomodava
A sua cadeira era o par

Pulava o jurista
De quico na crista
Ninguém se atrevia a parar
E a mãe entrevada
Que estava deitada
Levanta-se e põe-se a bailar

Vá de folia
Vá de folia
Que há sete anos
Me não mexia

3 comments:

Maria Inês said...

Tens toda a razão. Uma pessoa às vezes acomoda-se de tal maneira na rotina do dia-a-dia que, por vezes, já achamos que tudo aquilo que foge à regra é menos próprio, quase proibido. Somos um país muito taciturno e, digamos que, melancólico.
Também já fui assim, mas agora, quase como um flash-mob, tento sempre impor-me a mim mesma algo inesperado todos os dias, fazer algo a que não estou habituada, nem que seja comer uns cereais diferentes dos que como há quase 10 anos.

Imperatriz Sissi said...
This comment has been removed by the author.
Imperatriz Sissi said...

Os portugueses são realmente taciturnos (pior, pelo que tenho visto até aqui, só mesmo os húngaros) e "too uptight and self conscious" (não arranjo tradução que o diga tão bem).
Há um livro curioso, que saiu há uns anos e cujo título me escapa agora - espécie de estudo supostamente científico sobre a Sorte - que diz precisamente uma ideia semelhante à da Maria Inês: fazer algo diferente, que saia da zona de conforto, todos os dias (nem que seja tomar outro trajecto para casa) é meio caminho andado para atrair oportunidades e mudar a perspectiva das coisas. Ninguém gosta tanto de estabilidade como eu, mas é preciso sacudir e arejar uma vez por outra. Muito obrigada! Beijinho.

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