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Tuesday, January 8, 2013

Dizia o filósofo que o Inferno são os outros...


                       
...já Dante, no seu Inferno, não incluiu algumas coisas que os outros fazem no firme propósito de infernizar quem os rodeia. Ora, eu suponho que o Tártaro seja um lugar terrível, onde os condenados passam por castigos tão insuportáveis como decorar as tricas das páginas cor de rosa do Correio da Manhã tim tim por tim tim, até saberem de cor e salteado os pecadilhos de jogadores da bola, alpinistas sociais e concorrentes da Casa dos Segredos, e torturas dessa natureza. Mas também imagino que sejam aplicadas, on and on, técnicas mais subtis mas igualmente aterrorizadoras. Uma delas, que consiste em enlouquecer a vítima, é ter alguém a falar sempre no mesmo: pessoalmente, por telefone ou por SMS, a bater constantemente no ceguinho, a insistir diariamente no mesmo assunto. E quando parece que se chegou a um acordo, do estilo " ainda não há desenvolvimentos, conversamos sobre isso para a semana" o torturador, que parece concordar, volta dali a nada ao mesmo. Não consigo lidar com pessoas repisadoras e insistentes, por isso imagino que o Inferno, o Inferno Sissiniano pelo menos, esteja cheio delas - pois se gente assim tem alguma utilidade, só pode ser a de castigar os pecadores no Outro Mundo.
 Pior ainda são as indivíduos que não têm palavra. Gente que muda de ideias conforme emprenha pelos ouvidos ou conforme sopra o vento, mas que é incapaz de anunciar "pensava assim, mas por um motivo razoável a minha opinião modificou-se" como qualquer pessoa normal faria. Ou seja, nunca sabemos com quem - ou com que bicho raro - estamos a lidar. Estes diabos torturadores são capazes de dizer, num dia " esta parede é branca" noutro" esta parede é bege". No dia a seguir já não é bege, é amarelo-canário, e no seguinte, afirmam "isto é branco sujo e a culpa é tua!" como se nunca tivessem dito outra coisa. Dali a dias é preto, e pouco depois juram aos pés juntos "mas eu alguma vez vi esta parede?" e ainda acham isso tudo muito natural, e que os malucos são os outros. Tudo bem que a palavra de honra já não vale o que valia e temos de viver com essa triste realidade, mas recuso-me a lidar com pessoas que mudam de agenda, de lado, de crenças e de gostos como quem muda de camisa, com motivos secretos ou que só elas entendem, e falam disso como se nada fosse, obrigando quem está à volta a dançar conforme a sua música de loucos. Desorienta-me, confunde-me e simplesmente, não funciona comigo, logo suponho que essa seja uma excelente maneira de atormentar quem pensa como eu, e seja mau o suficiente para viver no Reino das Trevas. De certeza que há mais modalidades de tortura, mas assim de repente, estas duas fazem com que eu reze para que Nosso Senhor me faça muito boa e muito santa para não ir lá parar. Se aqui na terra é o que é, imaginem aturar semelhantes horrores por toda a eternidade!

1 comment:

Kaia Kakós said...

Vade retro Satanás, esse conceito de Inferno Sissiano é bem mais assustador que o da tradição judaico-cristã! Medo!!

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