Recomenda-se:

Netscope

Sunday, January 13, 2013

Like a rolling stone

                                                 
Sentir uma prancha debaixo dos pés, equilibrando-se sobre pedras rolantes - usando agilidade e jogo de cintura para não cair da montanha abaixo, baixando-se para evitar os ramos no rosto, desejando que a correria pare, a olhar para trás para quem ficou por terra - mas só por um segundo, porque se não mantivermos os olhos na estrada, quem cai somos nós. Queríamos ter-lhe dado a mão, mas insistia em fazer acrobacias mesmo sabendo que era perigoso. Surdo aos aviso, a achar-se imune. Eu não posso segurar os dois, tenho de me manter de pé, olha que cais, olha que cais, I hate to say I told you so.




Peopled call, say beware doll, you're bound to fall
You thought they were all kiddin you
You used to laugh about
Everybody that was hangin out
Now you don't talk so loud
Now you don't walk so proud


A velocidade é tão avassaladora que não nos deixa pensar, o vento assobia nos ouvidos e torna impossível reflectir no que levou até ali - mas reflectir, serviria de quê? Tudo é inútil quando apesar dos nossos protestos - é má ideia ir por aí - o companheiro de viagem está determinado a seguir a multidão e a escolher o percurso trepidante, mais perigoso, para provar não sei o quê a não sei quem. Cortamos para o trilho oposto e um 
trambolhão atira-nos para um vale cheio de nevoeiro. Nenhuma mudança acontece sem uma boa sacudidela. Nem sem encontrar um sítio estranho. É escuro, é desconfortável, não se sabe onde leva mas pelo menos o chão é plano - podemos assentar os pés e pensar. É silencioso, mas conseguimos ouvir a nossa consciência. Não se vê vivalma, de quem viajou ao nosso lado nem sinal, é como se a terra os tivesse engolido. A Lua ilumina os pântanos à volta: não corremos o risco de cair na areia movediça. Encontramos uma caverna encantada onde nos abrigar. Talvez dentro da gruta haja um sábio, um cristal mágico, um tesouro ou uma descoberta importante que nos guie para fora dali. Também pode ser que não, mas pelo menos encerra a possibilidade, a hipótese, a escolha. É um remédio amargo; o silêncio assusta-nos, a escuridão e a mudança quase nos fazem desejar voltar à velocidade louca da ladeira de pedras...quase. Apercebemo-nos de que é libertador não sentir os solavancos. A velocidade, os voos, não são nada se nos abalarem constantemente para não levar a lado nenhum. E reparamos que agora podemos subir ou descer, correr ou saltar, parar e dormir sem nos afligirmos pela sorte de quem nos acompanhava. A suas quedas, os seus trambolhões, já não são responsabilidade nossa. Somos a nossa única companhia...mas também o nosso único encargo, e senhores de nós mesmos. E toda a gente sabe que antes de germinar, nascer, explodir ou mudar, as coisas têm de ficar realmente negras, paradas e silenciosas. É assim com tudo na vida. Saboreamos o chão macio e liso, o caminho tranquilo e todo nosso, e continuamos a aventura. Até podemos não saber o caminho de casa - mas não importa. As alegrias, os sarilhos e as peripécias que vivermos, são da nossa inteira responsabilidade. Erros por erros, antes os nossos.


How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone? 

               

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...