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Thursday, January 10, 2013

Post mauzinho do dia: "inimigos" copiões

                                                          
Quem não tem desamores que atire a primeira pedra. Ainda está para nascer uma pessoa tão fofinha, encantadora e consensual que, sendo dotada de alguma coisa que se veja, não tenha antagonistas. Se nem Jesus Cristo agradou a toda a gente, há que concordar com a velha máxima "só os medíocres não têm inimigos". Mesmo que uma pessoa seja a mais correcta e sossegada que há, metida na sua vidinha sem chatear ninguém, há sempre quem não saiba estar no seu lugar sem encazinar com os outros. Se como qualquer pessoa de carácter se tomam opções e lados, mais chances há de encontrar desafectos. Ou por um mal entendido (que às vezes, infelizmente, não se consegue reparar) ou por inveja/complexo de inferioridade/ganância aldeã, ou porque não têm o que fazer, ou porque meteram na cabeça teimosa que ficámos com alguma coisa que acham que lhes pertence ou que estamos num caminho que se convenceram que é o seu, ou por falta de noção, ou porque temos a pouca sorte de ser parecidas com alguém que lhes fazia bullying no liceu, ou simplesmente porque há indivíduos doentios que só se sentem bem implicando com a vida alheia, ninguém está livre. É um facto da vida. O ideal é fazer como Carlos da Maia e ter "apenas os inimigos necessários para confirmar uma superioridade" ou seja, não os procurar nem fazer por isso, mas aceitá-los como um mal necessário, sem lhes dar mais atenção do que o mínimo indispensável para nossa defesa. 
 Depois, há dois tipos de inimigos: os que por circunstâncias inevitáveis, estão de um lado oposto ao nosso. Não temos nada de pessoal contra eles, nem eles contra nós; nem sequer jogam sujo. Simplesmente, dada a situação, não podem ambos ficar contentes. Fora isso, são pessoas que até podemos, senão reconhecer-lhes qualidades, pelo menos respeitar, ou até de quem poderíamos ser amigos noutra situação qualquer...o que não é raro acontecer quando o fulcro da rivalidade desaparece.
 O pior são aqueles que desprezamos - no aspecto, no background, nas atitudes, na linguagem...e que ainda se atrevem a embirrar connosco. São os inimigos foleiros. Se forem idiotas (eis o tipo de inimigo aconselhado por Oscar Wilde) enfim. Se forem dotados de esperteza saloia, temos um problema tão chato e desagradável como a peste negra.
 Mas o mais giro é quando precisamente este tipo se dedica a ler o blog (e de resto, a  espiar tudo o que pode) da pessoa que detesta. Há maneiras de saber isso: pimba, pimba. Não perde pitada. É frequentador assíduo, adora aumentar audiências (lá está, falta de vida própria). E mais engraçado ainda, segue os conselhos que uma pessoa dá. Se passarmos pelo ser, vemos que o seu visual e modos vão mudando consoante as dicas publicadas. Chega mesmo a desistir de coisas que faziam parte da sua imagem se num post, se disser " isso é um horror". 

Embora se agradeça tanto apreço, não deixa de ser estranho. É que as pessoas de quem não gosto não me importam rigorosamente nada. Quero dizer, se andarem a plantar cascas de banana no meu caminho e eu der por isso, obviamente desvio-me. Mas não podia querer saber menos o que vestiram, com quem andam, o que almoçaram, quem admiram, como arranjam ou não a carantonha, quais são as suas opiniões sobre as tendências (devem ser uma coisa esperta, devem...) e os seus truques para um relacionamento bem sucedido. Por mim podem atirar-se para um depósito de carvão que eu não me ralo nada. E caso tenham um blog (a minha ignorância acerca das suas vidas não me permite sonhar se têm ou não) de certeza que não vou gastar minutos da minha vida, que ninguém me devolve, a analisar os seus disparates.
 Simplesmente, as pessoas com quem antipatizo são transparentes, as suas opiniões irrelevantes, e só reparo nelas se tiver de evitar a sua companhia. "Keep your friends close, and your enemies closer"...não obrigada. Gosto de ambientes bonitinhos e arejados. Não vou amá-los nem "matá-los com tanta gentileza", porque isso é esquisito e consome tempo precioso. Stop trying, it´s pathethic, como dizia o outro. E se eu fosse tão mázinha como eles, acrescentava aqui " meu anjo, em si essas dicas só funcionam acompanhadas de um milagre" . Mas lá está: a questão é-me tão indiferente que nem tenho paciência para escrever maldades dessas. O título "maldade do dia" é só para uma pessoa se situar, e rir um bocado. Have a nice day, my fine friends!

2 comments:

Isto e aquilo said...

Eu também sou mais do género de não me importar rigorosamente nada com as pessoas de que não gosto e por isso entendo perfeitamente o sentido do post. E também não tenho a mínima paciência para pessoas muito queridas e boazinhas de quem toda a gente (ou quase) gosta muito.
Gosto de personalidades fortes, daqueles que se amam ou odeiam fortemente, mas não deixam ninguém indiferente.
Ainda assim, se amo, dedico-me; se odeio, esqueço ;)

Beijinhos
Isabel

Pusinko said...

Nem sempre consigo ser assim, encarar certas pessoas como transparentes e apenas desviar-me de eventuais cascas de banana no caminho. O meu sangue já ferveu mais por estas questões, é certo, mas ainda não está no ponto zen que referes.

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