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Sunday, February 10, 2013

Eu adoro o Carnaval, e vocês?

                   

Já não é a primeira vez que vos falo no Entrudo. Eu adoro o Carnaval, mas o Carnaval europeu, muito nosso, com máscaras que jeito tenham, cabeçudos, gigantones, matrafonas e caretos. Ou vá lá, a Mardi Gras de Nova Orleães, que é uma festa francesa, à grande e à francesa (evitando, claro está, as zonas onde se passam exageros à romana, que os tempos são outros e os ideais de comportamento também). Por muito que o Carnaval seja inspirado nas Saturnálias, festivais romanos em que se fazia tudo do avesso, nos Bacanais sagrados e por sua vez, nas festas gregas plenas de excessos em honra de Dionísio, não acho graça ao samba e às mulheres descascadas, ainda por cima no nosso clima e com este frio. Há muitas maneiras de uma pessoa se preparar simbolicamente para a Quaresma (e ao assinalar a data, acho que tem outra graça se tivermos o simbolismo em mente; não consigo ver algo tão antigo como se fosse uma simples festa do calendário). Quanto a fatiotas, sempre preferi encarnar figuras da História, da Cultura Pop ou da Literatura, com roupas verdadeiras em vez de fatiotas descartáveis de tecido inflamável. Todas personagens muito femininas - exceptuando a vez em que fui de ninja, que é uma toilette unisexo e que me agradou precisamente pela ambiguidade. Adoro ver máscaras que  façam rir (e em Coimbra já vi de tudo, até duas raparigas a fazer de autocarro) mas não consigo usá-las com piada. 
    Há sempre algo com que compor um disfarce na minha arca das trapalhadas e se for necessário, acrescento algo de novo, devidamente acompanhado de uma caracterização à séria. Uma das minhas alegrias tem sido desencantar máscaras para mim e para os meus amigos. O meu irmão, quando era divertido e se mascarava (hoje está feito um chato e já não me deixa) foi de Corvo, de Marilyn Manson, de boneca assassina, de acólito do demo e de outras coisas que agora não me ocorrem. Recordo-me que em pequena moí o juízo à mãe para me mandar fazer um vestido (cor de rosa e com anquinhas) para ir de Milady de Winter. Eu adorava a mulher, gira que se fartava e com aura de bad girl incompreendida. Certo ano, já na faculdade, fiz um sucesso danado quando me vesti de dançarina de cancan - daquelas que Toulouse Lautrec pintava, todas bonitas mas a deixar adivinhar que a tísica as limparia mais dia, menos dia: faces pálidas, rouge e olheiras, meias às riscas sob uma saia longa de veludo e corpete de brocado. Tive de me zangar, nessa noite, com uma data de escoceses, mas faz parte - e a experiência ensinou-me que quem se veste de coelhinha ou qualquer coisa realmente sexy deve passar um mau bocado, sob a desculpa "ninguém leva a mal". Calminha na América. Ainda assim, hei-de vestir-me de (mal) criada francesa - fatinho correcto, avental branco, espanador e ar gaiato. Quando era pequena não achava piada mas numa mulher fica giro. 
 Num ano em que não havia tempo nem pachorra - coisa rara - o grupinho foi de mafiosos- italianos -num -palácio -veneziano -numa -festa -de -sociedade secreta: vestido preto de cocktail para as senhoras, fato negro para os homens, tudo chic a valer, e uma máscara no rosto. Foi simples mas funcionou lindamente.


 Uma das fatiotas que adorei foi a de pirata siciliana. Tudo a ver comigo, e composta de tesouros guardados cá por casa, devidamente adaptados e com o penteado/maquilhagem a condizer, que nunca me agradaram as máscaras feitas às três pancadas: se é para a desgraça, é para a desgraça e tem de ser a sério. Este ano devo repetir - with a twist  - um disfarce que já usei antes. É de uma mulher, uma protagonista de um dos meus livros preferidos e tem o ar mais dramático que pode haver. Ando numa aflição para segurar  o chapéu porque não me lembrei de comprar alfinetes e estou com receio de não os arranjar, mas veremos. E a vossa fatiota, já está decidida? Ou embirram abertamente com o Carnaval? Contem-me tudo.

4 comments:

Sara Silva said...

eu não vou muito à baila com o carnaval, principalmente no nosso país. acho que não temos condições climatéricas para esse festejo, sendo ele realizado na altura em que é, e só por isso já perde todo o encanto...

Cristina Torrão said...

É realmente uma pena transferir-se o Carnaval brasileiro para Portugal. Afinal, em Portugal já se festejava o Entrudo ainda antes da descoberta do Brasil. O verdadeiro Carnaval português descaracterizou-se. E, depois, os desfiles têm de ser cancelados por causa do tempo...

Kaia Kakós said...

Concordo com os comentários anteriores...o nosso carnaval mascarou-se de brasileiro e é tão reles, mas tão reles que eu passo ao largo a velociade de trovão...agora as matrafonas são donzelas celulíticas, com banhinha acumulada pelo frio do Inverno, a bambolear-se feitas múmias paralíticas ao som de sambinhas chochos...a César o que é de César, e as imitações baratas nunca funcionaram bem. O Carnaval brasileiro é grande e faustoso, mas só no Brasil, com as mulatas saradas semi (ou totalmente) nuas, com ritmo nas ancas e nos pés. O nosso Entrudo, o verdadeiro, morreu, "matado e morrido" e por isso não me convidem. No entanto, devo ressaltar que a Sissi está linda mascarada, como é de qualuqre maneira. Parabéns por ser original e por pugnar por um carnaval a sério.

Imperatriz Sissi said...

@Sara e @Cristina: completamente de acordo. É um disparate, já o escrevi várias vezes! Não entendo e pronto.

@Kaia - muito obrigada :D
Enquanto puder, vou pugnando. E cá por Coimbra, se haver grandes tradições de Entrudo, as pessoas vão-se mascarando muito bem!

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