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Tuesday, May 14, 2013

Dante Alighieri dixit: como a Suiça

                         
"No Inferno, os lugares mais quentes estão reservados para os que escolheram a neutralidade em tempos de crise".

Esta frase já apareceu por aqui, mas como a lealdade é um tema recorrente no IS, lembrei-me dela novamente. A lealdade que deve existir na vida de casal, ou entre amigos chegados,  entre membros da mesma família ou organização conduz, necessariamente, à tomada ocasional de partidos, ou de decisões desagradáveis. Não quero dizer com isto que devamos envolver-nos a torto e a direito em cada amuo sem importância, em cada arrufo fútil, em cada arrelia dos nossos conhecidos - ou mesmo das pessoas de quem gostamos muito -  atraindo aborrecimentos desnecessários para nós, deitar achas para a fogueira, dar-lhes razão quando não a têm ou participar em conflitos que não valem um caracol só porque sim. É perfeitamente compreensível que em sociedade se recorra ao artifício da neutralidade, de ser invisível, de vez em quando. Não vamos hastear bandeirinhas de guerra por dá cá aquela palha. Mas se o caso é sério, a música é outra: desvalorizar, olhar para o lado, mentir deliberadamente, omitir factos ou usar o bom e velho não foi nada comigo, eu não sei de nada, não dou confiança, não me envolvo, são atitudes ingénuas (ou aparentemente convenientes) incompatíveis com o afecto que se prega aos quatro ventos. Pelo sim pelo não, prefiro ir fazendo opções, what you see is what you get, e recorrer à neutralidade - ou ao teatro-  só quando não pode deixar de ser. Certo é que os medíocres são normalmente neutros em tudo (ou como diz o povo, vira casacas) e por isso, lá vão rolando pela vida sem incomodar ninguém. Mas falem-me num grande líder, numa pessoa de relevo, que tenha ficado neutra. E imaginem a sensaboria que o inferno deve ser, com tanta gente medíocre e de duas caras lá dentro. Ou César, ou nada.

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