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Friday, May 3, 2013

Lady Hamilton: peripécias de uma ruiva

                                  File:George Romney - Lady Hamilton as Circe.jpg
Musa de George Romney, amante do famoso Lord Nelson e - por obra de um ex apaixonado que lhe armou uma intriga e bem se arrependeu, tarde demais - mulher de Sir William Hamilton, Emma Hart (nascida Amy Lyon) é um exemplo de rapariga beneficiada pelos caprichos do destino...e pela estupidez masculina, para falar verdade. De berço humilde e órfã de pai, começou a trabalhar como criada aos doze anos e não recebeu educação formal.
File:George Romney - Lady Hamilton (as a Bacchante) 3.jpg Possuía, contudo, uma beleza deslumbrante e - como a História viria a confirmar - uma certa inteligência e encanto, acompanhadas de rara graciosidade natural que lhe permitiria, mais tarde, brilhar sem ofender na mais luzida sociedade. Aos quinze anos iniciou uma escandalosa carreira como bailarina e modelo. De amante em amante - se os citarmos todos, o post torna-se longo - conheceu o filho do Conde de Warwick, Charles Francis Greville. Apaixonado, ele apresentou-a ao seu amigo Romney, para que ele lhe tirasse o retrato. O pintor ficou instantaneamente obcecado: pintá-la-ia durante anos (como bacante, Cassandra, Circe, Medeia, Cleópatra...) tornando-a famosa por toda a Europa. Mais tarde, Warwick, com  um bom casamento em vista e reconhecendo que ter a célebre Emma a seu lado não lhe convinha, ofereceu-a (sem o seu conhecimento) ao tio, Sir Hamilton - reputado coleccionador de arte e outros belos objectos -  enviando-a para Nápoles. Quando a jovem soube da conspiração, ficou furiosa: durante meses, esperou que Greville a mandasse buscar, ou viesse reunir-se a ela em Itália. Por fim, conformou-se com a traição e, seduzida com as atenções de Hamilton - que à época, andava pelos sessenta anos - acabou por casar-se com ele. Greville, que esperava retomar a liaison depois de casado, ficou de rastos com a reviravolta. 
File:George Romney - Lady Hamilton (as a Bacchante).jpg  Anfitriã graciosa e dotada de talento para a música, o seu salão era muito frequentado: em Nápoles, Emma recebeu lições, aprendeu italiano e como mulher do Enviado Britânico, gozava mesmo da estima da Rainha Maria Carolina. Por tudo isto, acabaria  por ter certa influência política durante a Revolução Francesa.
 Mas foi o seu estranho affair com Lord Nelson que ficou para a história, já que o marido dava a sua bênção à união: os três chegaram a partilhar a mesma casa, para gáudio do público, sempre ávido dos escândalos das celebridades. 
Só a morte quebraria estes laços: quando primeiro o marido e depois o amante deixaram este mundo, Emma
 achou-se desamparada tanto emocionalmente (já que realmente amava Nelson) como financeiramente. Apesar da Fama que a tinha bafejado desde muito jovem, morreu na miséria, em Calais. Para a posteridade, ficou a sua vibrante beleza ruiva, a denunciar o fogo interior dos que esgotam os favores da Fortuna depressa demais...



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