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Saturday, May 18, 2013

O verdadeiro cavalheiro - e os outros.

                       

"In modern speech the term gentleman (from latin gentilis, belonging to a race or gens, and man, the Italian gentil uomo orgentiluomo and the Portuguese gentil-homem) refers to any man of good, courteous conduct". 

File:English Gentleman.jpgA existência - e pior ainda, o significado - de cavalheirismo anda pelas ruas da amargura. São poucos os senhores e rapazes que ainda se preocupam em cultivar tais qualidades (que isto da "igualdade dos sexos" é uma excelente desculpa para se comportarem como uns brutos, ou a causa de muitos nunca terem ouvido falar em tal). Depois há os da velha guarda que já não vão para novos, e vivem teimosamente noutros tempos; testemunhos nostálgicos de épocas que já não voltam e que me provocam sempre um sorriso de verdadeiro apreço.  Apontem-se ainda os que por berço e por chá vão mantendo a instituição  do cavalheirismo como podem (há que não confundir cavalheirismo com dandismo ou mesmo com certas "manias do mundo elegante", mas isso é assunto para outros carnavais. ..) esquecendo amiúde que as regras mais importantes não se relacionam com exterioridades como erguer-se quando uma senhora se ausenta da mesa ou nunca beijar a mão a uma menina solteira, e sim com coisas tão simples como ter uma só palavra, ter horror a mexericos,  defender a sua dama, não prometer coisas que não pretende cumprir, nunca tirar vantagem de situações delicadas e  evitar a todo o custo fazer uma mulher chorar - ou caso isso aconteça,  envergonhar-se vivamente do facto. Essas qualidades varonis, essa hombridade e outras normas de conduta além das enumeradas atrás, garantiam uma sã convivência entre os sexos (e davam às raparigas linhas de orientação excelentes). Hoje, nunca se sabe com o que se conta. Pior ainda do que os declaradamente brutamontes, há os rústicos que posam como cavalheiros: leram meia dúzia de coisas e acham que aparentar ser um, por mais que tenham crescido com hábitos opostos, é meio caminho andado para o sucesso. Então abrem a porta com espavento, oferecem flores, tentam vestir como acham que um cavalheiro se apresenta (custa bastante, mas faz-se o que se pode por tentativa e erro) mas não sabem nem sonham que ser um cavalheiro é acima de tudo ser uma pessoa decente, um homem íntegro, uma pessoa de bem, que mais do que o bonito porte (misto de altivez e modéstia, jamais de arrogância aburguesada) tem uma bonita alma. Um cavalheiro não se rebaixa a actos indignos; assume as responsabilidades pelos seus actos; nunca se acobarda; jamais dirige infâmias ou grosserias a uma mulher; se errou, procura reparar o erro; não se "safa", não se "desenrasca", não entra em esquemas para proveito próprio, não se baixa a actos mesquinhos, não se esconde quando as coisas ficam feias para o seu lado.  Um cavalheiro pode estar a jardinar com roupa de andar por casa, pode fazer disparates, mas continua sempre a ser um cavalheiro porque isso vem de um espírito honrado, de uma formação esmerada e por osmose, reflecte-se na forma como o homem se veste e parece - nunca o inverso. Tudo o resto (as flores, o dar passagem, as bonitas palavras) é lata polida a imitar prata. E eu não sei quanto a vocês, mas tenho um azar à bijutaria barata que não imaginam.












3 comments:

Paula said...

Concordo contigo.
oferecer flores é muitas vezes apenas uma afirmação de "sou um cavalheiro". O verdadeiro cavalheirismo vê-se nas pequenas coisa, gestos, forma de estar e respeito para com o próximo.
Muito bom!

vidademulheraos40.blogspot.com

Tamborim Zim said...

Homologo.

Sandra Paiva said...

Grande texto. Parabéns :)

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