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Monday, June 17, 2013

Destino? Virtù? Fortuna?

                          
Eu não acredito cegamente no Destino, no Fado, nas Moiras, nas Parcas ou no que lhe queiram chamar. Sempre me quis parecer que os Deuses traçam o nosso caminho até certo ponto, no estilo teste de múltipla escolha, como aqueles livrinhos de terror giríssimos em que a sorte do herói dependia de optarmos pela alínea a, b ou c. Acho que há etapas que temos forçosamente de passar, locais que estão marcados no nosso percurso, pessoas que temos de amar ou enfrentar, mas o resultado depende inteiramente de variáveis que estão na nossa mão, como a nossa vontade ou performance. E mais uma vez volto a Mestre Maquiavel: há que saber jogar com a Virtù, que depende de nós, e com a Fortuna, que é caprichosa. Ousar ou calcular perante as circunstâncias que só ao acaso, ou à vontade divina, se devem. Muitas boas decisões (e algumas péssimas) advêm de duas atitudes: a de certa displicência tranquila, de quem não sabendo que era impossível, foi lá e fez e uma veneta que se traduz sensivelmente por "eu vou lá e parto aquela porcaria toda, quem manda aqui sou eu". Esta última "onda que sobe por nós acima e desce por nós abaixo" é um super-poder que havia de ser vendido nas farmácias. Ia ser um sucesso comercial, estou certa. 
 Gosto de pessoas que levam sempre a sua avante. E que quando não levam é porque mudaram de estratégia (agora não me apetece, mais tarde trato disso, e verão!) porque se desinteressaram do objectivo ou porque arranjaram melhores coisas para fazer. Se o assunto é sério, é necessário ser-se caprichoso . Não arredar dali. Não desistir.
 Depois, pessoas vencedoras não desperdiçam desejos por aí. Há que saber claramente o que se procura, mas não procurar demasiadas coisas e ir contando as bênçãos em vez de maldizer a sorte. Alinhar a vontade (Virtù) com a Fortuna. 

   Procurar aquilo que não é nosso, manter desejos velhos e bolorentos só porque sim quando o Universo nos diz constantemente o contrário é uma péssima ideia. Gosto muito de Maquiavel, mas acredito mais na sabedoria da avó, porque as avós não mentem (e concordam com Maquiavel muitas vezes, por estranho que pareça).

 E a avó dizia "o que tem de ser nosso à mão nos vem parar, ninguém nos tira, nem que caia céu e terra ". Então, para quê a preocupação?  O destino pode não estar escrito, mas há partes dele que são feitas, traçadas, talhadas e ligadas no Céu. Podemos dar as voltas que quisermos, mas nunca deixarão de ser nossas por mais granadas que caiam, por mais abismos que se cavem. É uma questão de serenidade. De ir dançando conforme a música, de preferência com o sorriso malvado da praxe, de quem já sabe como o filme vai terminar por muitas voltas que se dêem ao enredo. Com a tal displicência de quem se está marimbando para as dificuldades invisíveis e com a atitude de quem manda ali e vai partir aquilo tudo. O que nos pertence, como dizem no país irmão, ninguém tasca nem tira. Então descontraiam-se, arranjem uma cadeirinha e relaxem. Tried and true.




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