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Monday, July 22, 2013

Eu embirro com...Conselheiros Acácios.




É a segunda vez numa semana que o Conselheiro Acácio, esse chato de marca maior do imaginário Queirosiano, é mencionado por aqui. Tenho-me lembrado dele por estes dias, porque para mal dos meus pecados há muitos: gente pouco brilhante, de um convencionalismo tal que só dá nas vistas pela maçada que provoca,  que faz da mediocridade apanágio, que dá mais valor à forma do que ao conteúdo, que adora "meter palha", ouvir-se a si próprio, fazer perder tempo aos outros, que fala, fala, fala (ou escreve, escreve, escreve) sem dizer nadinha que se aproveite e que mete colherada em tudo quanto seja "assunto de interesse público" para não acrescentar uma vírgula que interesse. Alguém disse que Deus deve gostar de medíocres, porque fez imensos - e como os medíocres são uns asnos, uns burros vestidos cujo único talento é dar graxa, acabam sempre por prosperar, se forem espertos e não questionarem o status quo. Claro que um Acácio raramente questiona alguma coisa: faz monte, faz coro, sempre com palavras "bonitas", caras e incompreensíveis, para parecer que o discurso tem alguma qualidade, que é erudito. Não fala, papagueia. Na escola era aquele colega irritante que decorava tudo e dizia a tudo que sim, para agradar, mas que era incapaz de criar fosse o que fosse pela própria cabeça.
 Podia descrever aqui os vários tipos de Acácio que conheço (o acácio político, o acácio doutor, o acácio alpinista, o acácio inócuo, o acácio chico esperto, o acácio malvado e por aí vai) mas essa não é a minha intenção. O acácio, qualquer acácio, é sempre um pseudo: pseudo intelectual, pseudo escritor, pseudo de esquerda, pseudo monárquico, pseudo bem, pseudo rebelde, sempre de acordo com o que lhe dá jeito.  E é muitíssimo dado a salamaleques, coisa que abomino. Talvez soe estranho, já que insisto tanto na tecla das "boas maneiras" e dos valores tradicionais, mas haja tino: uma coisa é a  necessária formalidade que determinadas ocasiões/ambientes/pessoas/circunstâncias exigem; a educação, o respeito que é devido. Outra é a babujice, a pretensão, a vénia, que se manifesta tanto na bajulação que soa a falso, como na moda de escrever textos  supostamente profundos, poluídos por vocabulário bacoco e peneirento. Na China Antiga, media-se a qualidade de um mestre-escola ou escrivão pela capacidade de camuflar ao máximo um texto com metáforas, alegorias, figuras de estilo e lugares comuns, de modo a tornar o conteúdo incompreensível. Também havia vénias para todas as circunstâncias e quanto mais educada uma pessoa era, mais depressa se caracterizava como "humilde" ou "indigna". Era uma forma de mostrar respeito - outra cultura, outro tempo, outro paradigma. Mas nos tempos que correm, dispensa-se tanta "chinesice". Gosto tanto de gente que fala claro, escreve claro e está à vontade em toda a parte, sem servilismo nem atrevimento, que quando vejo alguém assim lhe voto logo a minha simpatia. Uma coisa é ser old fashioned, outra muito diferente é ter mofo e cheirar a naftalina. 


3 comments:

Vasco Alexandre Vilao said...

Cheirar a naftalina...aí oh pá...o que eu me ri...

Imperatriz Sissi said...

*Sorriso malvado*

Ana Mateus said...

Talvez o melhor post que li nos últimos tempos.

Parabéns!!

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