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Saturday, July 13, 2013

It girls: Pola Negri, Rainha do Drama e Princesa sem trono.

                                            
Foi a primeira actriz europeia a fazer sucesso em Hollywood, abrindo portas para estrelas como Greta Garbo e Marlene Dietrich. Hitler era fã dela, a pontos de fazer vista grossa a uma alegada ascendência judaica da vamp de cabelos de azeviche, para que ela pudesse trabalhar na Alemanha. Rudolfo Valentino foi o amor da sua vida. Com Charlie Chaplin, viveu uma relação tempestuosa, que acabou com alfinetadas públicas de parte a parte. 
       Pola Negri - nascida, na Polónia, Barbara Apolonia Chalupiec - foi a verdadeira Rainha do Drama, encarnando melhor que ninguém os papéis da femme fatale e da tragedienne. Bailarina, cantora e artista de vaudeville, algumas das tendências que lançou  - como o verniz de unhas encarnado, novidade naquele tempo - são indispensáveis para as mulheres do século XXI. A sua infância foi difícil, um verdadeiro conto de fadas ao melhor estilo Pele de Burro: diz-se que a mãe era de sangue real, pertencendo a uma nobre família polaca que perdera as terras, os títulos e a fortuna. O pai era um humilde emigrante eslovaco, preso pelas autoridades russas por actividades revolucionárias. A vida da beldade começou, assim, em condições de extrema pobreza: para sobreviverem a mãe, Eleonora, teve de se empregar como cozinheira. A sorte começou a mudar quando Apolonia ingressou na Academia Imperial de Ballet de Varsóvia. Mas apesar do seu talento, a Fortuna vibrou-lhe outro rude golpe: a tuberculose atirou-a para um sanatório, impedindo-a de continuar a dançar. Uma vez curada, voltou-se para a Arte Dramática, na mesma Academia. Por altura da I Guerra Mundial, era considerada uma das actrizes mais populares do país. 
File:Pola Mdivani wedding 6.jpg Em 1919, tornou-se a Condessa Apolonia Dąmbska-Chałupiec ao casar com o Conde Eugeniusz Dąmbski - mas o matrimónio duraria pouco. Seguiu-se a Alemanha, um punhado de amantes e romances de cordel. Hollywood, que respondia à concorrência da indústria cinematográfica europeia convidando actores e realizadores locais para os EUA, não tardou: em 1921 foi contratada, com enorme alarido publicitário, pela Paramount. Em breve, Pola Negri (Pola, petit-nom de Apolonia e Negri, em homenagem a uma poetisa italiana que admirava) tornava-se uma das maiores estrelas do cinema mudo, e senhora de uma fortuna impressionante. Com Rudolfo Valentino encontrou o verdadeiro amor  -  mas o Grande Amante morria-lhe nos braços um ano depois. O enterro foi um verdadeiro circo mediático, com Pola a desmaiar várias vezes durante a cerimónia e a fazer uma verdadeira tournée com o caixão, para que os milhares de fãs histéricos pudessem despedir-se do seu ídolo. Joana, a louca, não faria melhor. Mas o público não lhe perdoaria o dramalhão: nove meses depois, o desgosto parecia esquecido e a actriz casava com o Príncipe Georgiano Serge Midvani. Pola contava retirar-se para o seu château e viver como esposa e mãe, mas o marido desbaratou-lhe a maior parte da fortuna. Divorciaram-se, sem filhos, em 1931. No final da carreira, deliciou a imprensa ao aparecer com uma chita pela trela, numa conferência em Londres. Mas o seu fim foi discreto: depois de muitas aventuras,  decidiu-se por uma simplicidade elegante: morreu aos 90 anos, rodeada de ou três empregados fiéis. Já chegava de tanto drama.



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