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Sunday, July 21, 2013

Manias "de pobre", salvo seja.



Conta a Sábado que agora é moda, num dos bairros mais pobres do Reino Unido, os jovens alugarem grandes bólides - Ferraris, Bentleys and so on - para os seus bailes de finalistas, com o propósito de "chamar a atenção". Chamar a atenção para o contraste entre as suas vidas reais e uma noite de extravagância, só pode. Digo eu que isto será uma versão low cost (salvo seja) e mais preocupante do efeito MTV  - horrores como " My super sweet sixteen" tinham de dar nisto -  e que só espero bem que a ideia brilhante não pegue por cá. Nada contra alugar um carro específico para uma ocasião especial: o que só se usa uma vez, se não é algo muito pessoal, pode perfeitamente ser alugado. Nunca me esquece um senhor do Porto, que com a maior simplicidade me disse "vou trocar o jeep por um Mercedes porque parece mal ir assim aos casamentos!". A muitos casórios devia ele assistir!  E se calhar, para quem está no desemprego, dar uma volta num Ferrari até pode ser uma boa estratégia de motivação, de mudar perspectivas, de ver o mundo com outros olhos. Tudo é possível. Mas ostentação é outra coisa. E se cai mal em quem tem meios, muito pior fica em quem passa necessidades. Tenho para mim que nunca foi tão urgente educar para o gosto,a qualidade, a singeleza, e menos para o materialismo feroz, que reza "tudo o que reluz é ouro". É certo que isso será esperar muito, já que brilhar discretamente é apanágio de quem recebeu determinada educação, mas olhemos para outras épocas, em que o "pobrezinho mas honradinho" ou o "simples mas de boa qualidade" eram a norma em casa das famílias de maiores ou menores posses. Creio que a crise, se outra virtude não tem, está a obrigar toda a gente a uma certa modéstia e reflexão acerca do que realmente importa - a forçar um certo "chic pauvre" que se não se cair no miserabilismo nem na sovinice, é bem mais gracioso do que a extravagância grosseira. 
 Este exemplo é um extremo, claro, mas vêem-se por aí coisas igualmente feias e o que é pior, cometidas sem moderação: a carteira contrafeita, o estourar de cartões de crédito para disparates que não se podem pagar, o fotografar do sushi, a compra de roupas de três e quatro zeros quando se vive única e exclusivamente de um ordenado que não é tão redondo como isso...atitudes que muitas vezes denunciam mais o mau gosto, a falta de polidez e de hábitos delicados do que outra coisa.  Pior do que novo riquismo, só a pobreza disfarçada de...de...olhem, nem sei de quê. Juízo!

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