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Monday, August 26, 2013

As coisas que eu ouço: Impulse de baunilha, ou quando os homens têm razão.


Quem cresceu durante os anos noventa deve lembrar-se do bodyspray Impulse de baunilha: e se um desconhecido te oferecer flores? Isso é Impulse!  Junto com o meu adorado Oui Non de Kookaï (sou uma das sortudas que conseguiu deitar mão a uma embalagem, cujo aroma se mantém impecável...guardo-o para ocasiões especiais) o desodorizante adocicado marcou a minha passagem da infância para a (pré) adolescência. Na altura não havia tanta abundância de marcas e produtos pensados exclusivamente para os adolescentes, e o que aparecia tornava-se mais especial. Eu não era de "ir com o rebanho" mas já na altura adorava moda e tudo o que se relacionava com o tema, além de  ter uma pequena marketeer a trabalhar cá por dentro. Embora não me faltasse acesso aos melhores perfumes ( já que era um presente que gostavam de oferecer lá em casa, quando alguém viajava) achava que enfim, os aromas criados para as raparigas da minha idade tinham outra piada.
  Mas ao contrário dos outros, que foram bem recebidos, o Impulse de baunilha não ganhou simpatias na minha família. Eu achava-lhe graça, mas foi uma sorte ser barato: para começar, a senhora mãe nunca suportou aquele "cheirete enjoativo" perto dela. Sempre foi esquisita com perfumes e tenho de reconhecer, aquilo cheirava *mesmo* a concentrado de baunilha. 
 Ainda assim, teimei na minha. Eu...e a escola em peso, ou a crowd fashionista da escola em peso, vá.  O Liceu onde estudava era muito bem frequentado nesse aspecto (foi uma pena não haver "Sartorialists" nessa altura) e as meninas puxavam pela cabeça para inventar a toilette do dia seguinte. Por sua vez, havia rapazes muito betolas, muito fanfarrões, muito brutamontes e descarados: do tipo que joga rugby e diz chalaças. Não sei se alguma menina se convenceu com a promessa da publicidade e acreditou que um deles nos ia oferecer flores por causa do Impulse, mas se acreditou...que grande barrete!
 O Impulse de Baunilha provou, um dia, ser um repelente do sexo oposto, isso sim.
Porque após alguns olhares de soslaio e fungadelas um dos cavalheiros, que estava numa roda de marmanjos (cobertinho de razão ao sentir o recreio com um aroma a fábrica da Dancake que não se podia) observou em volta como que a tentar descobrir a culpada e gritou bem alto:

- Mas que porcaria é esta...aqui cheira às bolachas!!!

Enterrámo-nos todas pelo chão abaixo, e vi-me aflita para conter o riso. É que não havia como apurar a criminosa que assim perfumava o ambiente. Foi remédio santo: ali fiz voto de nunca mais usar tal coisa. Nem tudo o que está na moda nos serve, as promessas da publicidade nem sempre se realizam, as mães têm sempre razão. E uma vez por outra, os homens também: há que admitir.


2 comments:

avantderniere said...

excelente! to morrendo de rir!

avantderniere said...

excelente! to morrendo de rir!

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