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Monday, August 5, 2013

Blurred lines...e as raparigas. Nós, portanto.

                               
Falo por mim: não posso estar mais viciada no hit de Verão de Robin Thicke. Já gostava do cantor desde When I get you alone, mas este tema orelhudo, que faz lembrar Get Off, de Prince (um dos meus guilty pleasures ...) é uma verdadeira delícia. 
O vídeo (com a lindíssima Emily Ratajkowski e outras modelos em topless) é atrevido sem ofender e a letra... bem, a letra suscitou alguma controvérsia. Afinal, um rapaz branco (nos E.U.A há destas coisas...) ousar dizer palavras como...

                               OK now he was close, tried to domesticate you
                               But you're an animal, baby, it's in your nature
                                              Just let me liberate you

                                    I know you want it
                                               I know you want it
                                               I know you want it
                       Nothing like your last guy, he too square for you
                       He don't smack that ass and pull your hair like that (...)


 ...soa sexista. Violento. Animalesco. O que me deixa siderada é que uma letra sincera choque os ouvintes- afinal, "i hate these blurred lines" (linhas turvas) refere-se à angustiante e maçadora fronteira entre a amizade e a atracção, entre a atracção e o amor, e que atire a primeira pedra quem nunca sentiu essa tensão - e que quando um trocadilho ordinário faz sucesso  ninguém diga nada. Perspectivas.
 A verdade é que consciente ou inconscientemente, as mulheres estão cansadas de ser sempre fortes. Têm de ter uma carreira, têm de ter bom aspecto, têm de gerir uma casa (por mais que eles ajudem...) e ainda lhes pesa nos ombros a obrigação de serem excelentes na intimidade, verdadeiras campeãs com truques de contorcionista por mais que a genética e a tradição de séculos de pudor e modéstia feminina as empurrem para o contrário. Para cúmulo ainda está na moda, antes disso tudo, que tomem a iniciativa, que conquistem os homens indecisos antes que as outras desesperadas lá cheguem primeiro. Esse tema já foi amplamente debatido por aqui, em textos como este e este, logo é escusado repetir. 
   Por muito que uma mulher se ache moderna, não há nenhuma que (ainda que não admita uma ideia tão antiquada) não suspire pelo homem decidido, marialva, imprevisível, que toma  as rédeas, que a acalma, que caça,  que a arrebata, que entende o mistério "sim, não talvez..." que uma mulher é e porque não, que consiga domesticar a sua faceta selvagem. Por um homem a sério, que se preze, digno desse nome, e não uma criança mimada em calças de adulto. A cultura do galã da treta preguiçoso, tímido, quero-tudo-de-bandeja, que tem medo de ser rejeitado,  que se contenta com a primeira atrevida que está à mão baralhou todos os papéis, é verdade; por isso letras como a de Blurred Lines escandalizam os paladinos do politicamente correcto e as feministas de serviço. Mas depois - porque uma coisa é o status quo, outra muito diferente é a realidade - vemos o mulherio exausto a sonhar com o herói da pornochanchada 50 Shades of Grey: o amante todo poderoso que conquista, domina, arrebata e não deixa lugar a dúvidas, pois até um contrato de posse assina. Homens, continuem preguiçosos e depois queixem-se. Mulheres...make up your mind. Mistério é uma coisa, contradição é outra.

1 comment:

Adeselna Davies said...

Oh meu amor e não é que a autora foi dar uma entrevista hilariante:
http://www.ionline.pt/artigos/boa-vida/maria-luisa-castro-sem-erotismo-nao-vamos-lado-nenhum

Ai deus, dai-me paciência que rugas eu já tenho!

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