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Saturday, August 10, 2013

Celebrar a amamentação em público? No, thanks.

                           
Por estes dias, houve em Coimbra um encontro que pretendia promover a amamentação. Certo. Puericultura não é o meu forte, mas os benefícios do acto mais natural do mundo são bem conhecidos e por razões de vária ordem, as amas de leite estão praticamente extintas - logo, é escusado entrar por aí. Recentemente, uma senhora que amamentava o filho em público, num museu, foi convidada a recolher-se ao berçário para o fazer, o que levantou grande polémica e se estou bem recordada, uma "amamentação em massa". Pelas mesmas razões, uma dupla portuguesa quer desafiar a Duquesa de Cambridge (que prescindiu das ditas amas) a deixar-se fotografar enquanto amamenta. Vamos por partes: há algum preconceito contra a amamentação em si? Creio que não, e a opinião dos médicos é o suficiente para encorajar as mães que podem fazê-lo a alimentar os próprios filhos, adiando o leite em pó.  O que não consigo entender é a ênfase colocada no direito (ou na desdramatização) de amamentar em público, de peito descoberto perante quem está, e passo a citar "se qualquer um de nós pode tomar uma refeição em público, porque razão um bebé não o pode fazer? Fazê-lo dentro de uma casa de banho ou com pano a tapá-lo é que não faz qualquer sentido»É para tentar acabar com o preconceito que existe em torno da amamentação e mostrar que «dar leite materno» aos bebés é uma coisa «muito bela e absolutamente natural»". 
 Creio que não passará pela cabeça de ninguém, nos tempos que correm,  dizer que alimentar um bebé não seja belo, ou absolutamente natural. Trazer o dito bebé ao mundo - ou "encomendar" a criança à cegonha, salvo seja,  também é belo e absolutamente natural...como tantas outras coisas que pertencem à nossa intimidade.
 Compreendo perfeitamente que por vezes seja necessário alimentar o bebé em público, em locais desprovidos de nursery ou outro aposento apropriado. Creio que ninguém dirá "está a amamentar, blheeeeec!" mas é nessas ocasiões que é de bom tom (pela mesma razão que uma senhora não experimenta roupa fora dos provadores) afastar-se um pouco e sim, usar um xaile, uma écharpe, qualquer coisa que resguarde a nudez de olhares indiscretos. Não é uma questão de se tratar de uma coisa de outro mundo, mas de modéstia, pudor e protecção, que convém a quem está num momento muito seu.
 Pasmo com a ingenuidade destas pessoas. Ou pensarão que não há tarados por aí, que por uma mulher ser mãe um busto nu deixa de ser um busto nu? Conheço senhoras que recebiam piropos na rua quando estavam de esperanças, e com uma barriga bem grande, quanto mais...
 Há uma certa intimidade e inocência associada à maternidade que convém preservar e decerto não convirá perturbá-la com mirones. Por fim, lembremos que nem sempre é muito estético observar o peito alheio, muitas vezes algo maltratado como todas nós, mulheres, sabemos que pode ficar - é escusado entrar em detalhes.
Logo, não é para "proteger a inocência das crianças" ou "fazer da amamentação um bicho de sete cabeças" que as mulheres se cobrem. Cobrem-se como foram ensinadas a fazer em qualquer outra situação em que se dispam. A mania de colocar feminismos exacerbados em tudo é algo que não entendo. Questão de bom senso e decoro, nada mais...

3 comments:

Portuguesinha said...

A mim não me faz confusão que o façam ou não em público. Se fizer, pelo inesperado, olho para o lado e deixo o acto intimo continuar sem ter de o invadir com o olhar. Antigamente não existiam estes brios: as mulheres davam de mamar em público. Eu ainda vejo essa inocência. Pureza. E quem não vê não deve mesmo olhar, deve aprender a purificar a cabecinha.

Algum constrangimento é natural, porque é de intimidade que se trata, mas também é a natureza e a pureza em toda a sua beleza e vida.

Imperatriz Sissi said...

Portuguesinha, não será mais fácil resguardar o acto íntimo? Porque infelizmente nem toda a gente tem essa "pureza". Acho um horror uma mulher estar a amamentar uma criança e passar um tipo horrível que diga coisas do estilo "quem me dera ser bebé". Já ouvi e fiquei cheia de vergonha alheia!
Mas como dizem os ingleses, "to each its own"...

Portuguesinha said...

Olá. Eu compreendo mas porque tem o bom (puro) de se submeter ao complexo, à "tirania" do puritanismo, do preconceito? Têm se perdido muitos valores puros ao longo destas mudanças sociais. E nem tudo é para melhor.

Se estiveres em África naquelas tribos de mulheres que só usam colares no tronco e vires alguma a amamentar, achas repulsivo? Incomoda? Ou nesse caso - mesmo através da TV, já não se passa assim? Pergunto porque pode ajudar a colocar a questão em perspectiva. O que debates é um preconceito social. Depende de como consultas o assunto: só com o coração ou só com a cabeça, muitas vezes esta surge formatada na sociedade onde cresces.

Como expliquei eu vejo a pureza da maternidade. Ainda que me incomode, num primeiro vislumbre, a noção de "pecado" é uma invenção, que tem de ser afastada da mente. A nossa sociedade é cheia de contradições: gosta de decotes e transparências, mas não se podem ver mamilos. Permite o topless mas não aceita a amamentação. Coisas assim :) Mas concluis bem, cada um na sua.

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