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Thursday, August 1, 2013

Coimbra com bom gosto e...ideias geniais

                     
Isto não é só ter estatuto de Património da Humanidade: há que aplicar a Sabedoria a ideias úteis para o comum cidadão. Ou para pessoas com gostos exóticos (e chatos!) como os meus. Um grupo de investigadores meus conterrâneos que deve gostar tanto de tamarilhos como eu, e que tal como eu, deve estar cansado de não os encontrar em lado nenhum, teve a brilhante ideia de os...clonar
 Passo a explicar, porque como estou atrozmente cansada as minhas ideias podem não estar a fazer lá muito sentido: a tia C. tinha em casa uma linda árvore de tamarilhos, vulgo tomate brasileiro ou, como lhes chamávamos, maracujás encarnados. Como sempre fui dotada de uma grande imaginação, pensava que a Árvore do Bem e do Mal, lá no Éden, seria exactamente assim. Os pendentes escarlates nasciam ali aos cachos, maduros, deliciosos, e eu e as minhas primas gostávamos de nos sentar lá debaixo a brincar, ou à conversa, mordendo tamarilho atrás de tamarilho. Mesmo assim a árvore dava tantos, tantos, tantos que sobravam sacos deles para fazer compota (uma iguaria do outro mundo) ou para pôr numa taça com açúcar, e comer à colher. Não só o fruto tem um sabor único como está associado a algumas das melhores recordações da minha infância...
 O idílio acabou quando o meu tio, num acesso que não lembra ao mais pintado, cortou a árvore porque ela crescia muito e lhe tapava...um limoeiro. Um limoeiro, por amor da Santa! Nada contra os limões, mas limoeiros é o que mais havia por aquela terra fora. A partir daí, foi uma travessia no deserto. Só muito pontualmente os encontro, ora caríssimos (e parcos) ora nos jardins de pessoas que cometem o sacrilégio de nem sequer os apanhar, prova provada que dá Deus tamarilhos a quem não tem juízo. Há um ano corri tudo quanto era feira e loja da especialidade em busca de uma árvore-do-Paraíso para plantar. Não imaginam a canseira, os cordelinhos que tive de mexer, etc. E lá a arranjei, raquítica. Não vingou. Outro desgosto.
 Por isso, acho lindamente que estes senhores inteligentes e de gosto da minha cidade recorram a "um conjunto de plantas seleccionadas de tamarilho altamente promissoras para afirmar a produção e consumo deste fruto exótico em Portugal". Que "a partir de material vegetal proveniente de diferentes origens, designadamente da Madeira e dos Açores, onde há pequenas produções, os investigadores" tenham conseguido, benza Deus "desenvolver um método de clonagem por embriogénese somática" (processo que permite "multiplicar plantas seleccionadas") e que prometam " garantir uma produção rápida e resistente a pragas e intempéries, o que no caso do tamarilho assume grande importância, já que é uma fruteira muito sensível às geadas". Às geadas e a tudo, que o malvado do tamarilho é picuinhas que se farta. As melhores coisas são delicadas e sensíveis, já se sabe. Fico mesmo contente quando alguém decide dar-se ao trabalho de me fazer as vontadinhas. Coimbra é uma lição, pois é.


 

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