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Wednesday, August 7, 2013

Excentricidade sim, mas...calma.

Alain Delon, Brigitte Bardot e Jeanne Moreau
Talvez por ser uma pessoa dada à criatividade e, apesar dos meus valores vincados, ter uma mente aberta com tolerância aos fracos de cada um, sempre tive amigos algo excêntricos. Lá em casa costumamos dizer que temos um íman que atrai pessoas com o seu quê de fora do vulgar: ou porque os privilégios de nascimento e de meios lhes conferem uma certeza tão grande do seu lugar no mundo que se dão ao luxo de agir conforme lhes apetece, ou por serem dotadas de grande talento/beleza/whatever, ou por terem uma forma sui generis de se expressar e não saberem ser de outra maneira. Ouço muito "mas tu só tens amigos «com pancada», que não fecham bem a tampa?" - e por vezes, não há realmente grande maneira de os defender sem cair em contradições. Mas cada um é como cada qual: quase sempre a originalidade, o talento ou o carácter são argumentos suficientes para merecer a minha estima. A desculpa ressabiada "esse é cheio de mania" que tanto agrada aos portugueses quando querem detestar gratuitamente alguém nunca pegou comigo - pois são precisamente os que acusam os outros de "mania" ou "peneiras" que mais gostariam de estar no seu lugar... por isso sempre contei entre os meus amigos os enfant terribles, os estetas, os cínicos, os elegantes,  os diletantes, as dondocas, as belezas trágicas, os dândis, os artistas, os poetas desenquadrados (a estes últimos dou-lhes bastante nas orelhas, porque embirro com utopias, mas somos amigos na mesma) e outras figuras românticas.
  Como já disse, o único preconceito de que sofro é o "racismo" contra a boçalidade, a pretensão, as ideias pequeno burguesas e o arrivismo; tudo o resto tolera-se desde que haja um fundo de bondade e acima de tudo, muita educação. É verdade que as pessoas quadradas, chatas, politicamente correctas, essas sim me aborrecem. 
  Porém, há que notar que uma coisa é ser um excêntrico, um original com os pergaminhos e salvo condutos todos, mas funcionar social e emocionalmente...e outra coisa é ser desgovernado. Posso ter paciência com as tolices das pessoas que estimo (e espero em troca que sejam pacientes com as minhas) mas essas pessoas têm de merecer a minha confiança, ser leais, constantes e fazer algum sentido. Porque se a excentricidade não é motivo para antipatizar com alguém também não é, por outro lado, desculpa para tudo. Muito menos para atraiçoar as pessoas queridas, envolver-se com gente indesejável , agir pelas costas, dizer tudo o que lhes dá na gana sem se importar se magoam ou causar incómodos. Quando as pessoas começam a não fazer sentido, traço a minha linha aí. Quando me demonstram que não se pode contar com elas, que falham o mais elementar dos compromissos ou das questões de honra,  que tanto acendem uma vela a Deus como outra ao Diabo prejudicando quem os rodeia, acabou-se. Se a sua loucura saudável deixa de ser saudável, toca nos meus limites. E acima de tudo se num dia estão por mim e no outro não se sabe, a minha consideração morre mesmo
 Cada um tem as suas extravagâncias, e a minha é só esta: ou César, ou nada. Para o resto? Para o resto há paciência. De génio e de louco, todos nós temos um pouco...
 

1 comment:

Marta said...

Olá! Se recebeste este comentário, é porque segues o meu antigo blog, Creepers & Cats. Uma vez que esse blog foi encerrado, decidi avisar todos os meus antigos seguidores para evitar que me “percam”. Portanto, caso estejas interessado em continuar a ler o meu blog, este é o novo:
http://saintswearpradatoo.blogspot.pt/
Terei todo o prazer em seguir-te de volta!
Xx
Marta

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