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Sunday, September 22, 2013

Coisa que nunca percebi: "bué da jovem"



Hoje ouvi por mero acaso, na rádio, um programa (Bruno Nogueira, creio) em que se satirizava o discurso ridículo dos formatos televisivos e radiofónicos  "para jovens". 
  Sabem, o estilo Morangos com Açúcar, em que são todos bué da jovens, bué da rebeldes, bué da malucos e bué da radicais. Nunca percebi, mesmo na adolescência, o big deal com o adolescente, esse divino ser que supostamente acha que nunca ninguém foi jovem (um pouco como as mulheres que ficam malucas quando dão à luz, como se nunca ninguém tivesse sido mãe) e que se rebela não se sabe contra quê, só porque sim; nem a histeria com as "crises da adolescência" e pior, os dramas da adolescência. 

Nos anos 90, foi um autêntico modismo:  os compêndios "Eduque o seu teenager sem o traumatizar!", "A culpa é dos pais, esses tiranos", "O adolescente, esse mistério", "Queremos pais bacanos" etc, etc, vendiam como pãezinhos quentes. Eu preparava-me para entrar nessa temida idade, e morria de medo que os meus pais fossem parvos o suficiente para aderir a esse horror tão pequeno burguês, substituto da boa e velha disciplina, da relação franca e normal que tínhamos tido até então. Não foram, felizmente. Tinha uma família sensata. Nunca se passou da vetusta máxima "se fizeres asneiras o mal é teu".

 A bem da verdade, acho que nunca tive uma "crise" de adolescência. Nem lhe senti os dramas específicos, embora tivesse dilemas como todo o mundo, velhos e novos.

   Era mais sensível, mais inexperiente, menos racional na forma como expressava as minhas emoções, mais distraída em relação ao meu semelhante? É provável, faz parte do amadurecimento. Mas fase parva, no verdadeiro sentido do termo, acho que não tive, ou antes, tive montes de "fases parvas" não necessariamente por ordem cronológica, biológica e obrigatória.

 Tão pouco senti alguma vez a necessidade de me "revoltar", "rebelar" ou ser "radical" contra um mundo do qual não tinha razão de queixa. 
 Acredito que convém mantermos toda a vida alguma rebeldia, algum inconformismo e originalidade. Não há nada pior do que ir com o rebanho. Mas até os rebeldes empedernidos, se tiverem juízo, acabam por amadurecer, polir, assentar, sob pena de se tornarem ridículos.
 Nunca compreendi a rebeldia per se. E o "ser radical" nunca me agradou. Já terei nascido crescida ou isso de ser "bué da jovem" é um mito, mera capitalização da "fase parva" que o povo, brusco mas sensato, afirma que "se tira com um pau de marmeleiro, ou com uma enxada na mão de manhã à noite"?

1 comment:

Pusinko said...

Essa máxima do post foi um clássico cá em casa. :) A segunda era "liberdade vem com responsabilidade". Uma regra que durou sempre: não recebemos jamais presentes/dinheiro por cada boa nota nesta ou naquela disciplina (como vários colegas) porque, para os pais "a profissão do estudante é estudar". E assim se geriram 2 adolescentes cá em casa sem danos de maior.

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