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Saturday, September 21, 2013

É dos maus rapazes que elas gostam mais?

Anthony Kiedis
                                             
Há uns anos, passou na televisão um anúncio a certo iogurte ligh que aludia à metáfora dos bons rapazes versus maus rapazes. Rezava qualquer coisa deste género: "há homens que são como o leite condensado: irresistíveis, mas pouco saudáveis. Depois, há aqueles que a nossa mãe aprova, que são como a salada de frutas: recomendáveis, mas um bocadinho sem graça". O dito iogurte, de sabor a salada de fruta com leite condensado, prometia o melhor dos dois mundos sem danos para a linha.
 Comprei-o, por simples curiosidade, e saiu uma grande porcaria que não sabia a coisa nenhuma (nunca percebi a utilidade dos iogurtes light, já que é sabido que a percentagem de gordura em qualquer iogurte é baixíssima): prova provada de que dificilmente se pode ter tudo. Mas haverá alguma verdade na alegoria do iogurte?

 Sempre ouvi os "bons" rapazes queixarem-se de que as mulheres não gostam deles. 
 Que o bom moço que não faz charme, telefona quando está combinado, expressa os seus sentimentos, oferece estabilidade, é fiel, carinhoso e compra flores, não tem sorte nenhuma e muitas vezes nunca passa a fronteira da temida friend zone. Segundo os rapazes azarados, elas apreciam os brutos, os fanfarrões, que fazem uma mulher andar em sobressaltos e o sangue correr-lhe mais depressa nas veias, em modo "quanto mais me bates, mais gosto de ti". Que se passa com as mulheres, afinal? 
    A equação não é tão complicada como parece. Deixemos de parte as más raparigas (há mulheres realmente tontas que só têm o que merecem, e com essas não vale a pena perder tempo) e analise-se duma assentada a psicologia feminina, que não tem muito que saber.

É verdade que as mulheres querem os telefonemas à hora marcada, a fidelidade, a integridade, a honra, a estabilidade, o abraço firme, a gentileza, o carinho, a sinceridade, os mimos, alguém que as faça sentir seguras e especiais, que não tenha o mau gosto de flirtar com outras (quanto mais o resto) que tenha atenções (flores, e por aí fora).

Não querem os sustos, os sobressaltos desnecessários, as situações pouco dignas, 
 mas gostam de um homem que não tenha medo de expressar o que sente - e mais importante, os seus desejos. Que vá atrás daquilo que quer, um valente sem medos.   Sobretudo, precisam  de uma presença masculina e decidida, algo marialva no bom sentido, que lhes diga de vez em quando "mulher, é assim" e que não ature birras, tretas ou faltas de respeito. Inconscientemente, elas sabem que um homem que deixa que uma rapariga faça pouco dele não será capaz de se defender em sociedade.
Por mais "modernas" que digam que são, por muito que tomem a iniciativa de forma algo anti natural - ou porque se habituaram assim ou porque não têm outro remédio -  todas desejam ser conquistadas: mas por um cavaleiro de capa e espada que as arrebate, e não por um pateta. Aqui é que a questão se complica um bocadinho: por todos os santos, façam o favor de dar os primeiros passos (de homens emasculados e mulheres desmioladas já basta o que basta) mas não façam de patetas, a olhar para elas como uns parvinhos, a sonhar com uma rapariga que não vos dá troco e a ficar revoltados pelos cantos, que isso é pouco varonil. Abram a boca, digam da vossa justiça e ou a donzela quer ou não quer. Um "não" nunca matou ninguém, digo eu.

Sendo seres emocionais, sensíveis, as mulheres precisam de um companheiro racional e despachado, com capacidade de liderança, que imponha respeito. As mulheres são humanas, e em certos aspectos não diferem tanto dos homens: ninguém acha graça a uma pessoa que se deixa pisar, que faz de tapete, que está sempre disponível, que fica a sonhar com o dia em que a beijará em vez de se atrever a tornar o desejo realidade de uma vez por todas. Em suma, pretendem um homem que não tenha medo de levar um estalo, porque quem não arrisca não petisca. Alguém que possam admirar e respeitar, que lhes dê a sensação "este é homem para me proteger se for preciso, não tolera abusos de ninguém". É algo genético, que por vezes nem se manifesta de forma consciente.
 Acontece que os maus rapazes aparentam de forma mais evidente (e por vezes falsa) estas características de macho alfa. E é daí que vem a confusão. Podem ser uns cobardes, mas têm a fanfarronice toda. Um bocadinho de carisma faz o resto, e depois de uma relação estar estabelecida, uma rapariga tem dificuldade em distinguir o trigo do joio. 
 Ser o bom rapaz que faz uma rapariga perder o fôlego é portanto, uma simples questão de equilíbrio.
 E se esse equilíbrio é difícil de conseguir num iogurte, light ainda por cima, num ser humano (sempre dotado de tantas nuances) a história é outra. 

Um iogurte não pensa, não raciocina, não muda (a não ser que esteja fora do prazo) mas um homem sim.

Quer-se o bom rapaz, mas não o rapaz banana; e quer-se o rapaz alfa, mas não um idiota.
 Eis um daqueles casos em que a virtude se encontra realmente no meio....

2 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

É mesmo. Não gosto de bananas mas também não gosto de brutos.

Carlos_Cardoso said...

Bom texto parabéns! acertou na mouche!

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