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Sunday, September 8, 2013

Frase do dia: elevação.

                                        

O que quer que a Fortuna nos traga, o mais importante é saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Suportar com igual graciosidade o bom e o mau. Acumular tesouros onde não podem ser roubados. Não são as circunstâncias que determinam o indivíduo: é a capacidade de reagir a elas com serena indiferença. As situações terrenas  são mutáveis, e pessoas da categoria mais elevada sofreram revezes humilhantes sem perder a grandeza. Há que saber viver bem, morrer bem, ganhar com elegância e perder com fair play. Não se deslumbrar com a felicidade e as honrarias, não se impressionar com os desaires. Aceitar com um sorriso as lisonjas e os elogios, desviar-se tranquilamente das flechas. 

Tudo isso é um privilégio de quem sempre soube - ou conseguiu encontrar - o seu lugar no mundo. De quem está tão certo dele que nenhuma convulsão, revolução, conspiração ou injúria pode abalar essa pacífica garantia. E sobretudo, das pessoas que estão prontas a pagar o preço dos privilégios que o Céu lhes concedeu: que vêem nas honras mundanas não a benesse, mas a responsabilidade; não a possibilidade de satisfazer a vaidade e a cobiça, mas a maior necessidade de servir os outros e de não deslustrar o papel que lhe foi dado representar; não a confirmação da sua superioridade, mas uma missão a desempenhar. 

Dos tristes, dos desvalidos, dos que não têm nada a oferecer, não se exige o que não podem dar: aqueles que receberam do céu alguns dons e bênçãos, esses sim, têm muito a fazer, e tudo se espera deles. E maior obrigação lhes cai sobre os ombros. Quem não vive para a vaidade, não se ufana de coisas ou dons que só ao acaso se devem; não se considera uma grande pessoa, logo está à vontade em toda a parte, sabe desculpar-se, assumir que errou, aprender com os outros; não se ofende com ataques de quem não compreende a sua delicadeza de sentimentos ou tem uma forma diferente de pensar. Perde a capacidade de se indignar, antes tem compreensão para com o seu semelhante, porque quem ofende injustamente, não tem capacidade para fazer melhor. O velho "perdoai-os, porque não sabem o que fazem" não se resume à bondade; é uma fórmula para passar pelo pântano sem sujar a  fímbria das vestes. E para a paz de espírito, que hoje é Domingo.

3 comments:

Rafeiro Perfumado said...

Qual perdoar, porrada nos tipos até aprenderem!

Sérgio S said...

Muito espiritual... Previlégios que o Céu concede? Acabaste de vir da missa? :P

Inês Maria Rocha Gonçalves Moura de Sousa said...

obrigada por estas palavras inspiradoras e que neste momento bem precisava de as ler.

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